Flor de Formosura - Capítulo 12
🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 12/20 | 🌺
CENA 01 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
[Lorena e Carlos continuam perplexos, observando Cesária na casa de Isaque.]
Carlos (sussurrando): Desgraçada... Essa aqui só pode ser a casa daquele maldito caipira. Eu preciso fazer alguma coisa.
[Carlos começa a caminhar, pretendendo tomar satisfações, mas é interrompido por Lorena.]
Lorena (calculista): Não, Carlos! A nossa prioridade não é essa, ponha isso em sua cabeça.
Carlos (inconformado): Mas, mamãe..
Lorena (cortando): Não tem "mas", Carlos. A única coisa que importa agora, é o fato do nosso tesouro estar ali, debaixo daquele projeto de casa.
Carlos (curioso): E o que a senhora pretende fazer?
Lorena (esboçando um sorriso): Vamos comprar o meio palmo de terra que o caipirão deve ter.
Carlos (não compreendendo): Esqueceu que estamos falidos, mamãe? A ambição por esse tesouro tá te deixando maluca.
Lorena (maliciosa): E você? Esqueceu que tenho o Pafúncio em mãos? Vamos extorquir dinheiro dele, uai!
[Entendendo as intenções da mãe, Carlos sorri. Neste momento, a câmera corta para dentro da casa de Isaque. Cesária, que não viu os vilões, está na mesa, tomando café com o rapaz e Marcelina. Clarita e Esperança não se fazem presentes. De repente, palmas vindas da porta ecoam.]
Cesária: Deixe que eu abro!
[A moça, educada, vai até lá, mas, ao abrir, se desespera ao ver os vilões à sua espera.]
Carlos (tentando conter a fúria): Cesária...
Cesária (desesperada): VÃO EMBORA! EU NUM QUERO SABÊ DE VOCÊS! ME DEIXEM EM PAZ!
[Com os gritos da filha de Pafúncio, Marcelina e Isaque correm até lá. O moço se assusta ao ver os vilões em sua porta.]
Isaque (encarando-os firmemente): O qui é que vocês qué aqui?
Cesária (aos gritos): ELES VIERAM ME BUSCÁ, ISAQUE! NUM DEIXE QUE ME LEVEM!
Lorena (calma): Se acalme, Cesária... Não viemos falar com você, apesar de termos algo gravíssimo em pendência. |Olha para Isaque.| O meu assunto é com o senhor.
[Cesária, mesmo confusa, se põe mais calma. Todos saem para a varanda da casa.]
Isaque (sem entender): Comigo?
Lorena (direta): Ouça, rapaz... Eu estou disposta a esquecer o que você fez e lhe pagar o quanto você quiser por este pedaço de terra.
[Isaque, Cesária e Marcelina, desconfiados, se entreolham, enquanto Lorena permanece firme.]
Isaque: Minha terra? Mas que patacoada é essa?
Cesária: Vocês tão tramando alguma coisa, eu tenho certeza!
Lorena (sarcástica): Não seja convencida, Cesária... Eu realmente quero apenas a terra de seu... amigo!
Isaque: E por qual motivo?
Lorena: É... eu...
[Enquanto sua mãe tenta encontrar uma desculpa, Carlos, olhando ao redor, nota uma pá encostada na parede. Um instrumental de suspense tem início. Discretamente, ele se dirige até lá e a pega. Como está distraído com Lorena, Isaque não nota que seu rival, com sangue nos olhos, está prestes a lhe golpear.]
Marcelina (percebendo): ISAQUE, CUIDADO!
[Antes que possa ser atingido, Isaque desvia, fazendo Carlos largar a pá. Todos se assustam, e um clima tenso é palpável.]
Lorena (desapontada): Filho!
Cesária (gritando): EU SABIA! ELES VIERAM ATRÁS DE VINGANÇA!
Isaque (furioso): MIZERAVI! VOCÊ AGORA VAI APRENDÊ UMA LIÇÃO!
[Neste momento, o tema de abertura — Balanceiro — começa a tocar. Tomado pela raiva, Isaque agarra o ex-noivo de Cesária e começa a carregá-lo em seus braços, deixando todos desesperados.]
Carlos (se debatendo): ME LARGUE, SEU MALDITO!
Lorena (correndo atrás): LARGUE O MEU FILHO, SEU ANIMAL!
[Cesária e Marcelina também vão atrás. Isaque para, em frente ao chiqueiro de porcos.]
Isaque: Largo... E É AGORA!
[Com força, ele lança o moço no meio do lamaçal, deixando-o completamente sujo, enquanto as duas moças se divertem com a situação.]
Lorena (em completo desespero): CARLOS, MEU FILHO QUERIDO!
Marcelina (afrontosa): Agora é a vez da sinhora!
[Fortemente, ela e Cesária agarram os braços da megera e a arrastam até o chiqueiro.]
Lorena (clamando): PELO AMOR DE DEUS! NÃO FAÇAM ISSO!
[Sem lhe ouvir, Cesária e Marcelina a lançam dentro do chiqueiro. Completamente cobertos de lama, os dois vilões se desesperam.]
Isaque (sorrindo): Isso mermo... Lugá de porco é no chiqueiro!
[A câmera foca nos rostos pretos de lama de Lorena e Carlos, enquanto Isaque, Marcelina e Cesária se divertem, rindo dos vilões.]
CENA 02 [PENSÃO • MANHÃ]
🎶 • Porta bandeira • André Gabeh
[No quarto da pensão, Lorena e Carlos, ainda sujos de lama, resmungam sobre o ocorrido.]
Lorena (furiosa): Malditos! MALDITOS! EU ESTOU IMUNDA!
Carlos (rangendo os dentes): Eu vou matar aquele desgraçado... ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM!
Lorena (tentando conter o filho): Ei, Carlos, se contenha! Nós não podemos deixar que a raiva destrua os nossos planos.
[Carlos segue intocável.]
Lorena: Nós temos que dar um jeito de comprar, ou até tomar, as terras daquele infeliz. |Olha para a lama em seu corpo, com cara de nojo.| Bom, agora vou tomar um banho.
[Ela se retira, deixando o filho, que olha para o nada, com uma expressão maligna.|
Carlos (sussurrando): Vocês vão se arrepender de terem mexido com Carlos Silveira...
[Após um zoom no rosto do vilão, a câmera se afasta.]
CENA 03 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]
[Na cozinha, Marcelina conversa com Esperança, enquanto sorri com a moça.]
Marcelina: Você tinha que vê a cara que eles ficaro...
Esperança (sorrindo, mudando de assunto): Você é tão legal e alegre, Marcelina... Deve de ter muitchas amiga.
Marcelina (com um sorriso triste): Não... Na verdade, eu nunca tive ninhuma amiga não. Sempre foi só eu e meu irmão.
Esperança (compreensiva): Eu lhe intendo... Cresci naquela casa sendo esculhambada... A única pessoa que num mi julgava por causa de minha deficiência era Cesária.
Marcelina (tímida): Você num precisa se preocupá com isso mais não. Aqui, ninguém vai lhe fazê nada. E também num precisa ter vergonha de sua deficiência. Você é linda!
[Esperança esboça um sorriso tímido. Um clima romântico emerge, enquanto elas voltam aos seus afazeres.]
[Na sala, Isaque e Cesária também estão gargalhando, sentados lado a lado.]
Cesária (sem ar de tanto rir): Daria tudo pra vê a cara suja de Lorena mais uma vez.
Isaque (parecendo radiante): Você pode ficá assossegada, franguinha, que ninguém vai mexer com você dentro dessa casa.
Cesária (olhando nos olhos do rapaz): Muito obrigada, Isaque, de coração. Você tá seno um anjo em minha vida...
Isaque (com timidez): Num precisa agradicê... Eu tô lhe ajudano pois... |Suspira e encara a moça.| pois eu gosto muito de você, Cesária. Minha... |Tomando coragem.| Minha flor de formosura.
[Neste momento, um instrumental romântico tem início. Cesária, ainda olhando para o irmão de Marcelina, solta um sorriso apaixonado.]
Cesária (sussurrando): Eu... também lhe gosto muito, Isaque... Meu cacto carinhoso.
[O instrumental se intensifica, enquanto, por um impulso de seu coração, Cesária aproxima o seu rosto do de Isaque, envolvendo-o no tão aguardado beijo.]
[Em câmera lenta, e no refrão da melodia, as batidas dos corações de ambos podem ser ouvidas.]
