Flor de Formosura - Capítulo 11

 




🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 11/20 | 🌺


CENA 01 [JARDIM DA CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]


[Após a chegada de Isaque, tudo permanece tenso. O rapaz, montado em seu cavalo, encara Cesária, emocionado. A noiva permanece paralisada, para o terror de Carlos, Lorena, Helena e Pafúncio.]


Carlos (inquieto): Ande, Cesarinha, responda! O padre está esperando.


P. Celso (irritado): Eu vô repetir pela última vez.


[Cesária olha para Carlos, sem fôlego. Todos permanecem ansiosos.]


P. Celso: Cesária Leitão... Você aceita vivê ao lado de Carlos Silveira até o último dia de sua vida?


[Neste momento, em companhia de um instrumental de tensão, a câmera foca nos rostos de todos os personagens presentes.]


Helena (desesperada): Chega mi deu uma tremedeira nas perna...


Pafúncio: Ela num pode dizê "não"!


Lorena (sussurrando): Ande, miserável...


Esperança (clamando): Escute seu coração, Cesária...


Maria Machado (confiante): Lacre na cara desse fi duma mãe, minha amiga!


Mici (julgando): Essa quenga arruaceira que num adianta isso...


[Por fim, o foco volta para Cesária, que soa frio.]


P. Celso (ansioso): Aceita?


[O instrumental se intensifica, enquanto Carlos e Isaque se desesperam. Cesária finalmente quebra o silêncio.]


Cesária (determinada): NÃO!


[Com a fala da moça, um grande falatório tem início. Ela se vira para Isaque, que sorri, radiante. Pafúncio, Helena e Lorena fazem uma expressão de choque, enquanto Esperança e Maria Machado sorriem.]


Carlos (atônito): Cesária... Não brinque, meu amor!


[Ele tenta segurar o braço de Cesária, que se solta rapidamente.]


Cesária: ME LARGUE!


[Os comentários e a tensão se intensificam.]


P. Celso (murmurando): Mas o que é isso?


Cesária (se virando para o padre): Mi perdoe, padre, MAS EU NUM MI CASO COM ESSE MIZERAVI NEM AMARRADA!


[Neste instante, Cesária se vira para Isaque e sorri. Se pondo a correr, ela joga o buquê na cara de Carlos e desprende o véu, que cai no chão. Enquanto os vilões ficam cada vez mais desesperados, ela chega até o rapaz, que sorri, transbordando de felicidade.]


Cesária (sorrindo): Me leve! ME LEVE PRA BEM LONGE DAQUI!


Isaque (sussurrando): Só se fô agora!


[Enquanto a adrenalina se torna cada vez mais intensa, Cesária monta no cavalo, que sai em disparada. Pafúncio, Helena, Lorena e Carlos correm até lá, mas já é tarde.]


Helena (chorando): Não, não... NÃO!


Pafúncio (furioso): Disgraçada! Maldita!


Carlos (com choro entalado na garganta): Cesária... CESÁRIAAAAA! CESÁÁÁÁÁÁÁÁRIIIIIAAAAAAAAAAAA!


[Enquanto o rapaz cai no chão, aos berros, a câmera se afasta lentamente, mostrando o cavalo de Isaque, que some no horizonte.]




CENA 02 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]


🎶 • Boca em Brasa • Simone


[Marcelina e Clarita estão conversando na varanda de casa, quando, de repente, Isaque surge pela estrada, montado em seu cavalo, carregando Cesária em sua garupa.]


Marcelina (surpresa): Oxente! Isaque roubou mermo a fraguinha do altar...


Clarita (sorrindo): Ele num disistiu...


[Eles chegam e descem do cavalo. Cesária sorri para Isaque.]


Cesária: Agradecida, Isaque! Se num fosse você, essa hora eu já teria assinado a minha sentença de morte. 


Isaque: Ara... E o que a franguinha vai fazê agora?


Cesária: Eu... Eu num sei! Será que eu posso ficar aqui, até que tudo se resolva?


Marcelina (se intrometendo): Mas é claro que pode.


Clarita: Você deve de sê a famosa Cesária, num é?


Cesária: Sou eu sim. E a sinhora?


Clarita (apertando as mãos dela) Anastácia, trabaio aqui. Muitcho prazer! |Sorri.| Sabe... teu rosto... é familiar, visse?


Cesária (contente): A sinhora também me parece... Mas por que eu hei de sê?


Clarita: Num sei... vai vê eu já cunheci uma Cesária quando era criança. Mas você e ela não devem de sê a mesma pessoa...


[Isaque interrompe a conversa das duas e se demonstra aflito.]


Isaque (preocupado): Olha, o vosso pai é capaz inté de me matá... Eu tenho certeza que isso num vai ficá assim. 


Cesária (decidido): Eu num vô deixar que nada aconteça com o sinhô. E fique sabendo que eu num tenho mais um pai, porque alguém que é capaz de fazer o que ele fez comigo, num merece ser chamado disso.


[Preocupado, Isaque olha para Marcelina e Clarita.]




CENA 03 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]


[Após o vexame, Carlos, Lorena, Pafúncio e Helena adentram a casa, exaltados.]


Carlos (chorando de ódio): DESGRAÇADOS! DESGRAÇAAAADOOOOS!


[Com ódio, ele joga um vaso de flores na parede. Lorena se aproxima para consolar o filho.]


Lorena (preocupada): Calma, meu filho, calma... Seu sogro há de fazer alguma coisa.


Carlos (sussurrando): Eu vou matar aquele maldito caipira...


Pafúncio (interrompendo): Não se preocupe, Carlinhos, que eu mermo vô tirá o couro daquele maldito. 


Helena (chorando): Minha fia... Eu dei tanto amô... Ensinei sobre moral e bons costumes... TUDO ISSO PRA VIRÁ UMA LIBERTINA!


Lorena (olhando para Pafúncio): Isso não pode ficar assim, Pafúncio! Você não tem noção da vergonha que eu e meu filho passamos.


Pafúncio (murmurando): Num se aveixe, Lorena. Eu vou atrás daquela sem vergonha, nem que seja nos inferno!


Carlos (ofegante): Desgraçada... Como ela teve coragem de fazer isso com um homem como eu, mamãe?


Lorena (beijando a cabeça do filho): Fique tranquilo, meu bombom... |Olha para Pafúncio.| Tudo isso vai ser revertido.


[Neste momento, um coroinha entra pela porta e se aproxima do prefeito.]


Coroinha: Ô, seu prefeitcho, padinho Celso tá exigindo que o sinhô o pague pela cerimônia. 


Pafúncio (irritado): Cerimônia? QUE CERIMÔNIA, MININO? |Se dirige para a porta.| Padre interesseiro, urubuzento! 


[Pafúncio se retira, seguido de Helena, deixando Carlos e Lorena inconformados na sala.]




CENA 04 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]


[Na cozinha da casa de Isaque, Cesária, agora usando um vestido de Marcelina, toma café da manhã, rodeada dos anfitriões.]


Cesária: Muitcho obrigada pela roupa, viu, Marcelina?


Marcelina: Num há de quê, Cesária. Depois você mi presenteia com um de seus vestido caro. 


Isaque (envergonhado): MARCELINA!


[A moça se cala. Após um discreto sorriso, Cesária levanta-se e vai até Isaque.]


Cesária: É... Isaque, vocês já tão sendo muito gentil em me abrigar aqui, mas... Eu gostaria de pedir que, além de mim, você abrigasse minha amiga, Esperança.


Isaque: Eita, que a gente dá a mão e qué pegá o braço todo.


Marcelina: ISAQUE! Que coisa fêa.


Isaque: Carma, que eu tô brincano. |Olha para Cesária.| E por que a franguinha qué trazê ela pra cá?


Cesária: Esperança é como uma irmã pra mim, Isaque, mas... Mas ela sofre muito naquela casa, e eu jurei que, pra onde eu fosse, ia levá ela comigo.


Isaque: Ah, pois tá certo. Se a franguinha qué mermo resgatá sua amiga, vai ter que ir comigo, de carroça.


Cesária (decidida): Oxe, pois rumbora!


Isaque (receoso): Só fique sabeno que eu num quero confusão pro meu lado.


Cesária (o encarando): Pode ficar tranquilo. Eu me responsabilizo!


[Cesária esboça um sorriso para o moço. Decididos a resgatarem Esperança, eles partem para a cidade.]








CENA 05 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]

🎶 • Ovelha Negra • Rita Lee

[Vários takes aleatórios de Vila Formosa são mostrados ao som do tema de Esperança. A câmera se aproxima da casa de Pafúncio e a música para de tocar. Na sala, a serviçal, sozinha, observa o banquete feito para o casamento.]

Esperança (lamentando): Um tanto de comida desse disperdiçado... 

[A câmera dá zoom em seu rosto. De repente, uma mão de homem fecha sua boca, impedindo-a de falar, deixando a moça desesperada. Ao virar-se, dá de cara com Isaque e Cesária.]

Cesária (sussurrando): Nós viemo lhe buscar, Esperança. 

Esperança (sorrindo): Cesária... Minha amiga, o que você tá fazeno?

Cesária (se aproximando): Num se preocupe, Esperança. Eu tô na casa de Isaque, e, assim como lhe prometi, vou lhe levar comigo. Você nunca mais vai ter que aturá as humilhação que você passa aqui.

[Feliz, Esperança corre e abraça fortemente a amiga. De repente, na porta, surge alguém rapidamente. É Mici, que entrara para ver, e, talvez, julgar o banquete.]

Mici (quase gritando): Mas o que é isso? A NOIVA FUGIDA VOLTOU! 

Cesária (nervosa): Dona Mici... A sinhora num precisa falá nada pra painho.

Mici (com olhar julgador): Sua moleca! LIBERTINA! CRIA DO DEMONHO! CREMESIA!

Isaque (sem paciência): Ara, mas esse diacho de véia vai estragá tudo.

Mici (berrando): SEU PAAFÚNCIIOOO...!

Cesária (desesperada): Dá um jeito nessa cobra sem dente, Isaque!

[Antes que Mici saia pela porta, Isaque lhe agarra pelas costas, fazendo-a se debater. Minutos mais tarde, é possível ver a beata amarrada ao pé da mesa, gemendo, com um pano na boca, enquanto os três fujões pulam pela janela.]



CENA 06 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]

[Mais tarde, a carroça com Isaque, Cesária e Esperança retorna ao sítio. Ao descerem, a agora ex-doméstica de Helena e Pafúncio abraça a amiga, emocionada.]

Esperança: Muitcho obrigada, Cesária. 

Cesária (sorrindo): Agradeça ao Isaque, Esperança. Se não fosse por ele, eu taria perdida. 

Esperança (olhando para Isaque): Agradecida por demais, seu Isaque!

Isaque: Sejam bem-vindas em minha humilde casa.

[Neste momento, Clarita e Marcelina também se aproximam para cumprimentar a moça.]

Clarita: Minha Nossa Sinhora, mas que minina bunita!

Esperança: Agradecida, dona!

Marcelina (sorrindo): Intão você é a Esperança...

Esperança (tímida): Sim... Sou eu!

Marcelina (segurando no braço da moça): Seja muitcho bem-vinda. 

[As duas se encaram, sorrindo, com uma certa tensão no olhar. Um instrumental aleatório tem início, enquanto todos entram para dentro.]



CENA 07 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]

[Após despacharem os convidados, Pafúncio e Helena entram em casa, envergonhados e furiosos.]

Helena (berrando): ISPERANÇA! ISPEEEEERAAAAAAANNNNNÇAAAAAAAAAA! |Comenta com Pafúncio.| Cadê essa peste que num aparece?

[De repente, um gemido é ouvido. Ao olhar para a mesa, Pafúncio acaba por ver Mici, que ainda está amarrada.]

Helena (confusa): Oxente! Que diacho é isso?

[Pafúncio vai até a beata e tira o pano de sua boca, permitindo que ela volte a falar.]

Mici (sem ar): AAARRRR! FINALMENTE! OBRIGADA, MEU JESUS CRISTIN!

Pafúncio (esbravejando): Eu posso saber o que diabo significa isso, DONA MARIA CÍCERA?

Mici (se recompondo): VOSSA FIA, SEU PREFEITCHO! 

Helena: CESÁRIA!?

Mici: AQUELA MIZERAVI INVADIU A CASA, JUNTA COM AQUELE CAIPIRA FEMINISTO! 

Pafúncio: O QUÊ?

Mici: E LEVARO... LEVARO A SACI PERERÊ FÊMEA!

Helena (incrédula): ISPERANÇA!

[O foco passa para os rostos atônitos de Pafúncio e Helena. Em seguida, ao som do tema de abertura, a câmera começa a sobrevoar sobre diversos pontos de Vila Formosa, enquanto a tarde e a noite caem, e logo é manhã novamente.]



CENA 08 [ESTRADA • MANHÃ]

[Após o vexame do dia anterior, Lorena, depois de conseguir convencer Carlos a ir com ela em busca do ponto onde está enterrado o fatídico tesouro, caminha à pé, ao lado do filho, com o mapa na mão, debaixo de um sol escaldante.]

Carlos (exausto): Miséria! Depois de uma vergonha daquela, a senhora ainda me faz sofrer debaixo desse sol maldito. 

Lorena (ofegante): Aquiete, Carlos! Estamos quase chegando...

Carlos (suando): Tudo o que eu queria agora era dar uns bons tapas no traseiro daquela infeliz. |Percebe que Lorena não está lhe dando ouvidos.| Mainha? 

[Neste momento, ele nota que Lorena está parada, olhado uma casa que está logo à frente. O imóvel é, na verdade, a morada de Isaque, o que faz o público perceber que o tesouro se encontra enterrado na prioridade do protagonista.]

Carlos (se aproximando): Oxe, mainha... O que é que a senhora tá parada aí, olhando aquele muquifo?

Lorena (boquiaberta): É aqui... |Olha nos olhos do filho.| É aqui, meu filho... Eu achei! Eu achei o local do tesouro! |Aponta para a casa.| E ele tá ali, debaixo daquela casa!

Carlos (vendo alguém distraído ao lado da casa): Peraí! Aquela ali é a...

[Neste exato instante, é revelado que se trata de Cesária.]

Lorena (emendando a fala do filho): Cesária!

[Ao som de um pesado instrumental de tensão, é dado zoom na expressão atônita de Lorena.]

A IMAGEM CONGELA EM LORENA [🍂🥀].