Flor de Formosura - Capítulo 10

 




🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 10/20 | 🌺


CENA 01 [PREFEITURA • NOITE]


[Pressionado por Lorena, Pafúncio engole o seco. A mãe de Carlos continua lhe cercando.]


Lorena: Vamos, Pafúncio, fale! Vai comer na palma da minha mão e fazer tudo o que eu mandar, ou prefere que minha querida amiga, Helena Leitão, fique sabendo que você não passa de um traidor? 


Pafúncio (sem ar): Lo-Lorena... Eu lhe imploro... Num faça isso comigo. 


Lorena (sádica): Quem fez foi você, meu caro...


Pafúncio (desesperado): Você é uma-...


[Neste momento, é interrompido por Lorena.]


Lorena: "Uma" o quê, Pafúncio?


Pafúncio (esbravejando): UMA QUENGA! UMA MUIÉ INFELIZ, QUE EU NUNCA AMEI!


Lorena (séria): Percebi sim, mas foi tarde. Só que, agora, o carma finalmente veio para você. |Começa a gritar.| PAFÚNCIO LEITÃO NÃO É QUEM APARENTA SER-


[Em completo desespero, Pafúncio pressiona a mão sobre a boca da mulher, impedindo-a de falar.]


Pafúncio: O que você qué pra me deixá em paz?


Lorena (se soltando): Eu já disse! Quero tudo o que eu pedir na minha mão. |Começa a sorrir.| Para começar, serei humilde e pedirei algo simples... 


[Ela se aproxima do prefeito e começa a acariciar o seu corpo, deixando-o tenso. Neste momento, o tema da vilã — Desconstruído Amélia — começa a tocar.]


Lorena (olhando nos olhos de Pafúncio): Eu quero lhe usar, da mesma forma que você me usou, e, logo em seguida, te descartar.


[Pafúncio, preocupado e aflito, nada diz. Lorena, com malícia, começa a beijar o pescoço do marido de Helena, e, em seguida, o joga sobre o sofá. Enquanto ela sobe lentamente sobre o homem, a câmera começa a se afastar lentamente.]




CENA 02 [SÍTIO DE ISAQUE • NOITE]


[Alguns takes do sítio são mostrados. Na sala da casa, Clarita e Isaque parecem estar aflitos, caminhando de um lado para o outro.]


Isaque (agoniado): Já chega, dona Anastácia. Eu cansei de isperá essa maluca voltá. 


Clarita (preocupada): Vá atrás dela, meu fi. Pode ter acuntecido alguma coisa. 


[Isaque, determinado, vai até a porta, pronto para ir em busca de Marcelina, mas, ao abri-la, se depara com a irmã, chorosa e toda molhada.]


Isaque (assustado): Mar-Marcelina? O QUE ACUNTECEU, MINHA IRMÃ?


[Sem dizer nada, a moça apenas o abraça, aos prantos. Ao ver o estado da filha, Clarita se aproxima, desolada.]


Clarita: Fia... O que teve com você?


Marcelina (entre soluços): Eu tava banhano no rio, quando... QUANDO FUI ATACADA!


Isaque (surpreso): ATACADA? QUE HISTÓRIA É ESSA, MARCELINA? QUEM FOI O FI DUMA ÉGUA QUE BULIU COM VOCÊ?


[Tentando se acalmar, Marcelina encara o irmão.]


Marcelina (com a voz embargada): Foi ele, Isaque... Foi o Homi de Preto...


[Isaque e Clarita ficam atônitos com a declaração.]


Isaque: Homi de Preto, Marcelina? HOMI DE PRETO NUM EXISTE! VOCÊ FOI ATACADA POR UM VAGABUNDO, MININA!


Clarita: Calma... Ela tá nervosa, Isaque. 


Marcelina (continuando): Era ele sim... Eu vi! Eu tava tumando banho, quando... Quando ele surgiu da água, por minhas costa... Depois disso, eu desmaiei, mas lembro de ter sentido ele mi beijano, com aquela boca horríve... |Começa a chorar novamente.| FOI ASSUSTADÔ POR DIMAIS! EU TÔ ME SENTINO SUJA, IMUNDA!


[Chorando sem cessar, Marcelina é abraçada por Clarita, que tenta lhe consolar.]


Clarita (com empatia, segurando as mãos da filha): Venha comigo, meu amô... Vai ficá tudo bem. Vou cuidá de você. 


[Sem chão, Marcelina a segue. A câmera foca no rosto desconfiado de Isaque.]


Isaque (sussurrando): Homi de Preto coisa ninhuma... Isso foi coisa de algum cabra safado, e eu vou descobrir quem é ele... |Olha para a câmera.| Ah, seu maldito... Eu vou lhe capar!


[Decidido, Isaque sai para fora, disposto a encontrar quem atacou sua irmã.]








CENA 03 [CASA DE JUSCICLEITON • NOITE]

🎶 • Homem com H • Ney Matogrosso

[Na pequena casa de Juscicleiton, o secretário do prefeito está vendo um filme em sua televisão. De repente, alguém começa a bater incessantemente na porta.]

Voz (gritando): JUSCICLEITON, ABRA ESSA PORTA IMEDIATAMENTE!

Juscicleiton (engolindo o seco ao reconhecer a voz de Pafúncio): Valha minha Nossa Sinhora... Será que o seu prefeitcho já descobriu que eu buli na muié dele? |Se desespera.| É hoje que eu viro pirão!

[Receoso, ele vai abrir a porta. Ao ver Pafúncio, ele se prepara para o pior, mas se surpreende quando o homem, chorando, o abraça.]

Pafúncio (exagerando): Juscicleiton, meu amigo... Minha vida acabou-se!

Juscicleiton (preocupado): Virge Maria... O que foi que se sucedeu, seu Pafúncio?

Pafúncio (Chorando): Eu... Eu traí a minha esposa, meu caro amigo. 

[Ao ouvir isto, Juscicleiton, aliviado, tenta demostrar empatia pelo patrão.]

Juscicleiton: Traiu dona Helena? Mas... com quem?

Pafúncio: Lorena Silveira... Aquela demônia dos infernos voltou da capital só pra desgraçar a minha vida... Você acredita que ele teve a pachorra de me beijá e ainda filmá só pra me chantagiar? Agora, se eu num fizé tudo o que ela quiser, Heleninha vai ficar sabeno de tudo...

Juscicleiton: Mas que falta de sorte, meu prefeitcho...

[Pafúncio continua a chorar, e usa a toalha da mesa de Juscicleiton para suar o seu nariz. O rapaz demonstra nojo.]



CENA 04 [SÍTIO DE ISAQUE • NOITE]

[Após colocar Marcelina para dormir, Clarita vai falar com Isaque, que já está de volta, após não ter encontrado vestígio algum de quem tenha atacado a irmã caçula.]

Clarita (suspirando): Pobrezinha de Marcelina... Tava tão disisperada...

Isaque: Fique tranquila, dona Anastácia, que eu vô acabá com a raça de quem fez isso com ela.

Clarita: Num se precipite, meu fi... Isso foi obra do Homi de Preto, que existe desde sempre.

Isaque: Eu já disse que num acredito nessa lenda. Tenho certeza absoluta que foi algum ixcomungado que se aproveitô da inocência da bichinha.

Clarita (se aproximando do filho): Muito bonito o jeito que você defende sua irmã...

Isaque: Ela é única pessoa que eu tenho nesse mundo, desde que mainha nos abandonou e vôzinho morreu. 

Clarita (triste): Entendo, meu fi...

[O foco é no olhar desolado de Clarita para Isaque. A câmera, agora na parte externa, mostra diversos takes de Vila Formosa, que se prepara para o grande casamento de Cesária e Carlos, que, após uma curta passagem de tempo, finalmente é chegado.]



CENA 05 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]

🎶 • Formosura • Kelly Patricia 

[É chegado o tão esperado dia. Em seu quarto, Cesária, na companhia de Helena e Lorena, veste o seu magnífico vestido de noiva. Ao contrário dos capítulos anteriores, o semblante da protagonista é de tristeza e derrota.]

Helena (radiante): Minha fia, você tá linda... Simplesmente perfeita!

Lorena (emendando): A noiva mais chamativa que essa cidade já viu.

[Cesária permanece calada, olhando a sua imagem refletida no espelho.]

Helena: Eu vou vê como andam os preparativos lá embaixo. Num se mexa pra não amarrotar o vistido, minha cabritinha.

Lorena: Eu lhe acompanho!

[Sorridentes, as duas saem e trancam a porta. Se vendo sozinha, Cesária põe-se a chorar desesperadamente.]

Cesária (soluçando): Me ajude, meu Deus... Eu num mereço isso...

[Neste momento, flashs de momentos vividos ao lado de Isaque passam pela sua cabeça. Ela se lembra de quando foi salva por ele e da desastrosa serenata feita pelo rapaz.]

Cesária (emocionada): Isaque... É você que eu quero...

[Completamente tomada pela angústia, ela continua chorando. Ao som de um instrumental melancólico, é possível ver todo o belo espaço organizado para a cerimônia.]







CENA 06 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]

[Isaque e Clarita estão tomando café da manhã, na mesa da cozinha, quando, de repente, Marcelina, que estava fazendo compras na cidade, entra rapidamente.]

Marcelina (se dirigindo à Isaque): Isaque, meu irmão... Você precisa reagir!

[Isaque e Clarita se entreolham, confusos.]

Isaque: Oxente! Do que você tá falano?

Marcelina: É hoje que a Cesária vai ser forçada a casá com o Carlos, Isaque. Você num pode deixar que o amô de sua vida diga "sim" àquele homi. Vá atrás, lute por ela!

[Ao ouvir isto, Isaque demonstra grande tristeza.]

Clarita (o encorajando): Ela tem razão, meu fi. Essa é a sua última chance! IMPEÇA QUE ELA SE CASE! TOME ELA PRA VOCÊ!

[Um instrumental de tensão tem início. A câmera foca na expressão de dúvida de Isaque.]



CENA 07 [JARDIM DA CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]

[Ao som de um instrumental cotidiano, a câmera, do alto, foca no local onde será realizada a cerimônia do casamento de Carlos e Cesária, no jardim da casa de Pafúncio. No altar, o noivo aguarda ansiosamente, ao lado de Lorena, que está satisfeita. Padre Celso, o celebrante, demonstra pressa.]

Carlos (suspirando): Ela tá demorando...

Lorena: Se acalme, filho... De hoje não passa!

P. Celso (resmungando): Diacho! Um calô dos infernos, e essa noiva ainda atrasa.

[Helena, que também está próxima, conta os minutos para ver sua filha se casando.]

Helena (ansiosa): Virge Maria... Só ispero que aquela moleca num mi invente de fugir...

[Juscicleiton, de terno e gravata, neste momento, passa na frente da mulher, chamando a sua atenção.]

Helena (sussurrando): Valha, Jesus... Juscinho tá um pitel!

[O moço dá uma piscadela para a esposa de Pafúncio.]

[Entre os convidados, Esperança, Maria Machado e Mici fazem comentários sobre a união e a cerimônia.]

Esperança (com semblante triste): Tadinha de Cesária... Num merecia se casá contra a sua vontade...

Maria Machado: Eu tenho fé que ela vai jogar um belo de um NÃO na cara desse machista. 

Mici (sussurrando): Bem feito! Só assim essa pecadora toma jeito na vida. |Olha ao redor.| Que decoração de mau gosto... 

[Neste instante, ao som de um instrumental típico de cerimônias de casamento, tocado por músicos contratados por Lorena, Cesária surge no início do jardim, belíssima, na companhia de seu pai, que sorri. A moça está abatida, e parece estar a ponto de ter um colapso.]

Carlos (observando): Mainha... Ela tá linda demais.

[Logo, Cesária chega ao altar, e Pafúncio se afasta, deixando-a ao lado de seu noivo. A cerimônia tem início.]

P. Celso: Irmãos e irmãs... Hoje, em um dia comum, para muitos de vocês, esses filhos de Deus se tornarão um só.

[Quase chorando, Cesária encara o noivo. A câmera foca nos olhares de cada um dos personagens presentes, uns felizes, outros não. O tempo começa a correr e logo chega o momento mais esperado.]

P. Celso (olhando para Carlos): Carlos Silveira, você jura, diante de Deus, que irá amá, respeitá e ser fiel à Cesária Leitão, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

Carlos (sorrindo): Sim!

[A tensão se intensifica. Cesária parece estar cada vez mais nervosa.]

P. Celso (agora olhando para Cesária): Cesária Leitão, você jura, diante de Deus, que irá amá, respeitá e ser fiel à Carlos Silveira, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

[Após o questionamento, um silêncio ensurdecedor invade a cena. A câmera foca no rosto de Cesária, que parece sem ar. Carlos, Lorena, Pafúncio e Helena aguardam ansiosamente a sua resposta.]

Carlos (inquieto): Cesária... Responda, meu amor!

P. Celso (resmungando): Minha Nossa Sinhora Aparecida, que demora... Bom, vou refazer a pergunta. |Encara Cesária.| Cesária Leitão, você jura, diante de Deus, que irá amá, respeitá e ser fiel a Carlos Silveira, na alegria, na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

[Quando Cesária abre a boca para responder, em companhia de um soundtrack explosivo, Isaque, montado em seu cavalo, rapidamente chega e para no início do jardim, gerando um imenso falatório entre os convidados.]

Pafúncio (surpreso): Mas o que é isso? O que Diabo esse disgramado faz aqui?

Isaque (encarando Cesária prestes a dizer "sim"): Cesária...

Cesária (olhando fixamente para o rapaz, esboçando um sorriso): Isaque!

Carlos (inquieto): Cesária... Pelo amor de Deus, responda logo ao padre!

P. Celso (inquieto): E então, minha fia? Você aceita?

[A câmera foca no rosto de Cesária, que faz uma expressão de dúvida severa. A cena fica silenciosa, e apenas as batidas de seu coração são ouvidas.]

A IMAGEM CONGELA EM CESÁRIA [🍂🥀].