Flor de Formosura - Capítulo 06

 



🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 06/20 | 🌺


CENA 01 [PREFEITURA • NOITE]


[Ao som de um instrumental sedutor, Lorena continua envolvendo Pafúncio em seus braços. O prefeito, apesar de demostrar inquietação, parece atraído.]


Pafúncio (gaguejando): Lo-Lorena... O que significa isso?


Lorena (sussurrando): Não seja lesado, Funcinho... Aproveitei que você estava sozinho e vim lhe fazer uma visita íntima... Relembrar os velhos tempos. 


Pafúncio (se esquivando): Num tem intimidade entre nós, Lorena. Esqueceu que sou casado?


Lorena: Você me trocou pela Helena por dinheiro, Pafúncio... Não precisa fingir para você mesmo que não sente mais nada por mim.


[Lorena continua próxima do rosto de Pafúncio. A tensão sexual no ar é palpável. O prefeito parece estar quase cedendo aos encantos da megera.]


Pafúncio (ofegante): Não... não, não! Eu... eu não posso!


[Embora ele relute, Lorena continua tentando seduzí-lo. Não conseguindo mais se controlar, Pafúncio acaba se deixando controlar pela mãe de Carlos, que lhe dá um caloroso e longevo beijo. Enquanto a situação ocorre, a câmera desliza até a janela do gabinete, revelando alguém com um celular na mão, filmando toda a situação. É Carlos, que está lá a mando da mãe.]


[De volta aos dois, Pafúncio finalmente consegue ceifar o beijo. Sem fôlego, ele se afasta ligeiramente de Lorena.]


Lorena (sorrindo): Eu sabia, Funcinho... Eu sabia que você ainda me amava.


Pafúncio (arrependido): Isso num podia ter acontecido... |olha para Lorena.| Vá imbora, sua peste! VÁ!


Lorena (satisfeita): Está bem... Mas não pense que eu desisti. 


[Com postura firme, a mulher se retira. No lado externo, ela encontra Carlos e os dois comemoram o sucesso do plano.]


Carlos: Gravei tudo, mamãe. Aliás... que beijo, hein?


Lorena: Beijo técnico, meu filho. |Olha para a câmera, esboçando um sorriso malicioso.| Ah, Pafúncio, agora você vai comer na palma da minha mão. Esse é o preço por você ter destruído os planos de uma menina ingênua e sonhadora.


[A câmera foca no rosto de Lorena, que pisca para o telespectador com um olho só. Em seguida, ela e Carlos se retiram dali. Enquanto o carro dos dois se afasta, a tela escurece. Logo é dia novamente.]




CENA 02 [SÍTIO DE ISAQUE • MANHÃ]


🎶 • Lembrança de um beijo • Fagner


[Diversos takes do sítio de Isaque são mostrados ao som da música-tema do protagonista. Na estrada, é visto um carro, que se aproxima rapidamente. Dentro dele, estão: Pafúncio, Juscicleiton e o vice-prefeito, Jacob.]


Pafúncio: Juscicleiton, você foi um gênio nesse isquema de desvio de dinheiro. Agora, eu compro o voto até de Deus. 


[O carro segue até a casa do rapaz. Pafúncio não faz ideia de quem mora lá. Ao estacionar, os três descem e começam a bater palmas.]


Pafúncio: Ô DE CASA! AQUI É O SEU ILUSTRE PREFEITO, PAFÚNCIO LEITÃO!


Juscicleiton: Quem será que mora aqui?


Jacob: Deve de ser algum matuto. Com 50 reais, a gente compra até a alma dele.


[Neste momento, a porta da casa se abre, revelando Marcelina, que fica radiante ao ver quem está lá.]


Marcelina: PREFEITCHO!


Pafúncio (reconhecendo a moça): MINHA NOSSA SINHORA! 


Juscicleiton: Calma, prefeito. Vamo ter que fingir simpatia. 


Pafúncio (suando frio): Essa quenga do campo e o cavalo de duas pata... É muito azar, meu Deus!


[Marcelina, sorrindo maliciosamente, se aproxima dos três.]


Marcelina (olhando para Pafúncio): Bom dia, prefeitcho... A que devo a visita de sua maraviosa pessoa?


Pafúncio (gaguejando): É... e-eu... vim aqui pedir a ajuda de você e de seu digníssimo irmão para a minha reeleição. 


[Neste momento, Isaque surge rapidamente pela porta, parecendo furioso. Pafúncio estremece, conforme o rapaz se aproxima.]


Isaque (cara a cara com Pafúncio): Eu posso saber o que o sinhô tá fazeno aqui?


Pafúncio (nervoso): Calma, rapaz... Vamo deixar nossas desavenças de fora da conversa... Viemos aqui pra tratar de assuntos políticos.


Isaque (com olhar ameaçador): Depois de me humilhar daquele jeito, o sinhô tem a ousadia de vir até minha propriedade tentá comprá meu voto?


Pafúncio (tremendo): Não... num é isso, meu querido. 


Marcelina (ainda encarando Pafúncio com um olhar sedutor): Deixe disso, Isaque. O prefeitcho só qué uma cunversa civilizada. Vá pegá um cafezin pra eles.


Pafúncio (tentando esconder seu nervosismo): Exatamente, seu moço... uma conversa civilizada...


Isaque (ainda encarando o homem): Pois tá bem... Mi esperem aí qui eu vô buscá o café. 


[Enquanto ele se afasta, Pafúncio se desespera cada vez mais.]


Pafúncio (apressadamente): PELO AMOR DE CRISTO, ESSE HOMI VAI NOS DEPELAR! RUMBORA DAQUI!


Marcelina (confusa): Oxente!


[Um instrumental tenso com viés cômicos tem início. Desesperados, os três correm para o carro, mas param rapidamente ao ouvirem um tiro que ecoa pelos ares. A câmera foca no rosto pálido do prefeito, que olha rapidamente para trás e vê Isaque com uma espingarda engatilhada.]


Isaque (morando em Pafúncio): O primeiro foi pra cima, mas o segundo vai ser em suas fuça, caso o sinhô não se pique daqui agora.


Pafúncio (percebendo que sua calça está molhada): Mijei... Mijei nas calça!


[Desesperados, os três correm rapidamente até o carro. Pafúncio, no entanto, antes de chegar lá, escorrega e cai sobre uma poça de lama.]


Pafúncio (espatifado): DROGA! MAS QUE M-, ai, esquece! 


[Mesmo imundo, ele se levanta e entra no veículo, que parte desenfreado. Isaque e Marcelina observam a tudo.]


Marcelina (inconformada): Pra quê isso, Isaque? Coitado de Funcinho... tava quase cedeno aos meus encanto. 


Isaque (murmurando): Deixe de ser ingênua, Marcelina. Rumbora pra dentro. 


[Os dois voltam para dentro da casa. Ao longe, o carro de Pafúncio se afasta rapidamente, deixando uma imensa nuvem de poeira flutuando pela estrada. O pico do instrumental é alcançado.]






CENA 03 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]

[Na sala da casa do prefeito, Cesária está sentada no sofá, com uma expressão de desânimo, enquanto Helena parece lhe repreender.]

Helena (com desgosto): Inventar que é sapatão só pra afastar o Carlinhos... Francamente, Cesária! Se você num fosse minha fia, eu lhe jogava num cabaré e nunca mais oiava em sua cara.

Cesária (provocando): Só jogar, mainha. Melhor que aturar a sinhora e o papai me jogando praquele ignorante dos inferno. 

Helena (murmurando): Eu devo ter açoitado Jesus na cruz pra ter que aguentá isso, meu Deus.

[Neste momento, Pafúncio abre abruptamente a porta, e entra completamente sujo, aguçando a curiosidade de Helena e Cesária.]

Helena (espantada): MEU DEUS! MEU MARIDO, POR QUE VOCÊ TÁ MAIS PRETO QUE MINHAS VIRILHAS?

Pafúncio (explosivo): NUM MI ENCHA, HELENA!

[Furioso, ele vai para o banheiro, enquanto Cesária ri da situação.]



CENA 04 [SÍTIO DE ISAQUE • TARDE]

🎶 • Boca em Brasa • Simone

[Isaque e Marcelina estão na porta de casa, jogando milho para as galinhas. De repente, eles avistam, ao longe, alguém conduzindo um cavalo com uma carroça. O animal se aproxima desenfreado. Neste momento, Isaque percebe que a condutora é Cesária.]

Cesária (gritando, desesperada): SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!

Isaque (surpreso): Franguinha... 

[Ao verem que o animal não vai parar e está prestes a atropelá-los, Isaque e Marcelina saem da frente. Entretanto, no último segundo, o cavalo freia bruscamente, fazendo Cesária voar, sob efeitos sonoros cômicos.]

Cesária (desesperada): AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!

[Ela para diretamente nos braços de Isaque, que, devido ao impacto, cai por cima da moça, deixando seus rostos quase colados, enquanto o tema dos dois segue tocando.]

[Marcelina se aproxima e interrompe a situação.]

Marcelina (se aproximando): Virge Maria... O que foi isso, muié?

[Isaque se levanta rapidamente e ajuda Cesária a fazer o mesmo. Eles se encaram, envergonhados.]

Isaque: Eu posso sabê o que Diabo a franguinha tá fazeno aqui de novo, e quase provocano outra tragédia?

Cesária: Me... me perdoe, Isaque. Eu... 

Isaque: Você...?

Cesária (envergonhada): Eu vim lhe pedir desculpa pelo jeito que meu pai lhe tratou.

Isaque (se aproximando): A moça tem certeza de que era só isso mermo?

Cesária: Oxe, mas é claro! O que mais eu havia de querer com um... |Olha nos olhos de Isaque e permanece em silêncio, enquanto um instrumental romântico tem início.| Com um caipirão machista que nem o sinhô!

Isaque (zombando): Ara... Era pra ser muierista?

Cesária (murmurando): Preconceituoso e misógino, isso que o sinhô é. 

Isaque: Se é isso que você acha, num devia ter vindo. Aliás, eu acho que seu noivo num vai gostá de sabê que você tá visitano homi solteiro.

Cesária (séria): Fique o sinhô sabendo que eu num tenho noivo nenhum. Aquele homi que viste em minha casa é um cabrunco que meus pais insistem em empurrar pra cima de mim.

Isaque (provocando): Você num me deve satisfação... Falano assim, inté parece que tá gostano de outro.

Cesária (gaga): É... e-eu preciso ir. Saí sem que meu pai vesse... Mais uma vez, desculpa... 

Isaque (sorrindo): Apois... tá disculpada!

[Cesária volta para a carroça. Ela se organiza e pega o caminho de volta, enquanto Isaque observa com um olhar apaixonado. Marcelina percebe o amor que o irmão nutre pela filha do prefeito.]

Marcelina (se aproximando): Num negue mais, Isaque. O amô que você sente por ela tá estampado na tua testa.

Isaque (olhando nos olhos da irmã): Tem razão, Marcelina... Tem razão. Eu acho que... que eu tô apaixonado pela franguinha.

Marcelina (segurando nas mãos do irmão): Se declare pra ela, meu irmão. Num deixe que o outro arranque ela de você.

Isaque (sério): Mi declará? |suspira.| Será?

[A câmera foca no olhar confuso de Isaque para a irmã.]







CENA 05 [CASA DE PAFÚNCIO • TARDE]

🎶 • Porta bandeira • André Gabeh

[A câmera mostra a sala de estar da casa de Pafúncio. De repente, Cesária entra rapidamente pela porta, temendo ser questionada sobre sua saída, mas encontra apenas Esperança, que parece incomodada com algo.]

Cesária (falando baixo): Esperança, meu pai tá em casa?

Esperança: Fique tranquila, Cesária, vosso pai saiu com Donelena, mas... tem uma pessoa querendo lhe ver.

[Antes que Esperança possa terminar, Carlos surge com um sorriso no rosto, vindo da cozinha. A empregada se afasta, enquanto o rapaz se aproxima de Cesária, que está visivelmente tensa.]

Carlos: Demorou, meu amor... Vim lhe fazer uma visita. 

Cesária (dura): Num me chame de amor. Eu num sou nada sua.

Carlos (com olhar sedutor): Pare de se fazer de difícil, Cesária... Eu sei muito bem que uma moça como você não resiste a um homem como eu. |Se aproxima ainda mais.| Seus pais não estão por perto, pode soltar a franga. 

Cesária (com raiva no olhar): Tá aqui a franga!

[Furiosa, ela desfere um forte tapa no rosto de Carlos. Um efeito sonora cômico toca rapidamente durante e após a bofetada.]

Carlos (levando a mão ao rosto): AI!

Cesária: Isso foi pro sinhô aprendê a me respeitá e entendê de uma vez por todas que eu não sou sua, E QUE NUNCA SEREI!

Carlos (deixando a sua raiva transparecer): Você vai ver, Cesária... Você vai ver como eu ainda vou te conquistar.

Cesária (lhe encarando friamente): Pois espere sentado, seu mizeravi!

Carlos (sussurrando): Eu lhe amo... Você vai ser minha... não adianta relutar. 

Cesária (explosiva): JÁ CHEGA! SUMA DE MINHA CASA, ANTES QUE EU TIRE O SEU COURO!

Carlos (insistindo): Cesária...

Cesária (apontando para a porta): RUA!

Carlos (suspirando): Está bem! Eu vou... mas eu volto.

[Carlos caminha rapidamente até a porta e sai, deixando Cesária com sangue nos olhos.]



CENA 06 [PRAÇA DE VILA FORMOSA • NOITE]

🎶 • De volta pro aconchego • Elba Ramalho

[Noite. A câmera foca na praça central de Vila Formosa. Mici está sentada em um banco, com uma bíblia na mão, ao lado do Padre Celso. Ambos conversam, enquanto, pela rodovia que corta a pequena cidade, para um ônibus, e dele desce uma mulher negra, que aparenta estar na casa dos cinquenta anos.]

Mulher (acenando para o motorista): MUITCHO OBRIGADA, MEU FI! QUE DEUS LHE PAGUE!

[Ao verem a mulher, P. Celso e Mici começam a fazer comentários, acompanhados por um clima de suspense.]

P. Celso (sussurrando): Valha, meu Deus... é ela... É a Clarita!

Mici (incrédula): Depois de tantos anos? Num é pussive...

[A mulher que acabara de ser revelada como Clarita, a mãe de Isaque e Marcelina, que sumira há anos, observa ao seu redor, com um sorriso no rosto.]

Clarita (suspirando): Voltei, meus fi... Voltei pra ficá! |Ela sorri decididamente.|

[A câmera foca no rosto decidido de Clarita.]

A IMAGEM CONGELA EM CLARITA [🍂🥀].