Flor de Formosura - Capítulo 04
🌵 | Flor de Formosura | Capítulo 04/20 | 🌺
CENA 01 [CASA DE PAFÚNCIO • MANHÃ]
[A câmera foca na fachada da casa de Pafúncio. Ao adentrar, na cozinha, é visto Cesária conversando com Esperança, que parece aflita.]
Cesária: Esperança, calma... Me explica essa história do começo.
Esperança (tremendo): Eu tava indo pa casa de minha madrinha, quando... quando o Homi de Preto mi atacô.
Cesária (desacreditada): Mas... Isso é uma mera lenda, minha amiga...
[Esperança permanece desesperada, sem saber o que fazer.]
Cesária (séria): O que esse homi fez com você, Esperança?
Esperança (tentando lembrar): Eu... Eu num lembro. Só sei que eu desmaiei, e, quando acordei, já tava sem blusa... desorientada...
Cesária (em choque): Esperança... Amiga, isso num foi assombração nenhuma. Você sofreu um abuso!
Esperança: Não... Não, Cesária! Era ele! Eu vi. Era o mesmo homi que atacô e ataca muieres desde quando mi entendo por gente.
Cesária (compadecida): Você devia denunciar, Esperança. É nítido que isso é algum maníaco disfarçado pra abusá das suas vítimas e se passar por assombração.
Esperança (se recompondo): Num tem disfarce nenhum, Cesária. Era ele... O Homi de Preto!
[A câmera foca no rosto aflito de Esperança. Cesária pega em suas mãos como forma de apoio. As horas começam a passar e logo é tarde.]
CENA 02 [RUA • TARDE]
[Cesária caminha de volta para casa com algumas sacolas de legumes, comprados na feira. De repente, ela avista Isaque em um cavalo, ao longe.]
Cesária (murmurando): Diacho... Esse caipira machista de novo.
[Neste momento, ela vê que o rapaz vem em sua direção, e começa a andar rapidamente. Ela entra em uma rua deserta, e Isaque logo a acompanha.]
Isaque (provocando): Num vai falá cumigo, franguinha? Cadê sua consideração?
Cesária (caminhando): O que o sinhô quer? Num vê que num tenho apreço por sua pessoa?
[Isaque desce do cavalo e caminha até a moça, puxando o animal pelo cabresto.]
Isaque (tímido): Na verdade, eu... eu queria pedir disculpa pra você.
[Ao ouvir isso, Cesária para, sem perceber que está em cima de um bueiro. O tema dos dois — Boca em Brasa — começa a tocar. A moça encara o caipira, sem falar nada.]
Isaque: E intão... Você mi perdoa por istragá sua fuga e levá ocê pro seu pai?
[No entanto, quando Cesária abre a boca para responder, algo inusitado acontece. A tampa do bueiro cede e a moça cai para dentro, sujando-se inteira e levando consigo as suas compras.]
Cesária: AAAAAAIIIIII!
Isaque: Virge Maria... CESÁRIA!
[Um instrumental de suspense toca no fundo da cena. A câmera focaliza no rosto de Isaque, que se espanta com a situação.]
[A tensão continua. Dentro do bueiro e sentindo muito medo, Cesária pede socorro.]
Cesária (gritando, desesperada): PELO AMOR DE DEUS, MI AJUDE!
Isaque: Calma... Eu vô te ajudá!
Cesária (com nojo): Ai... tô toda suja de merda...
[Isaque, com cautela, estende a mão para a filha de Pafúncio.]
Isaque: Agarra com força!
[Cesária segura fortemente na mão do rapaz, que lhe puxa para cima. A moça, desequilibrada, acaba caindo em seus braços. Um clima romântico e uma forte tensão sexual dominam os dois, que se encaram firmemente.]
Cesária (envergonhada): É... Agradecida!
Isaque (a soltando): Num tem de quê...
Cesária: Eu... eu lhe perdoo sim...
Isaque (sorrindo): Finalmente a franguinha cedeu...
Cesária (esbravejando): Pare de me chamar assim, seu bronco!
[Isaque se cala, sorrindo. Cesária tenta voltar para casa, mas percebe que machucou o seu pé.]
Cesária (com dor): AI!
Isaque: Precisa de ajuda?
Cesária (decidida): Num preciso da ajuda de ninguém.
[Ela tenta caminhar novamente, mas acaba caindo. Isaque monta em seu cavalo e vai até ela.]
Isaque (estendendo a mão): Vem! Eu levo você em casa.
Cesária (tentando não ceder): Mas... eu...
Isaque: Anda, franguinha, sobe logo.
[Sem saída, Cesária segura em sua mão e monta na garupa do cavalo.]
Isaque (provocativo): Oh, mas você tá fedida, hein?
Cesária (estressada): CALE A BOCA!
[O moço ri da situação, enquanto o cavalo se afasta dali com os dois. A noite já está caindo.]
CENA 03 [CASA DE PAFÚNCIO • NOITE]
[Helena está sentada em sua poltrona, lendo um jornal.]
Helena (gritando): ESPERANÇAA! TRAGA UMA XÍCARA DE CAFÉ PRA MIM!
[Após alguns segundos, a moça se aproxima, trazendo o que a patroa pediu. No entanto, antes que Helena pegue, Esperança deixa a bandeja cair sobre ela, queimando-a com café.]
Helena (desesperada): AI! SUA INCOMPETENTE! ME QUEIMOU INTEIRA COM CAFÉ! MANCA DISGRAÇADA!
Esperança (aflita): Ai, mi perdoe, Donelena, pelo amô de Deus. Eu... Eu tô com a cabeça longe!
Helena (explodindo): POR MIM, VOCÊ PODIA TÁ COM A CABEÇA NO QUINTO DOS INFERNOS, MAS QUE PRESTASSE ATENÇÃO NO QUE TÁ FAZENO, SUA PESTILHADA!
Esperança (tremendo): Donelena, eu lhe imploro... Num mi demita, por favô!
Helena (com fúria): SUMA DAQUI! SUMA!
[Esperança corre para a cozinha, deixando Helena queimada e furiosa.]
Helena (murmurando): Disgraçada... Eu devia ter feito o que me impediram de fazer quando você nasceu.
[A câmera focaliza no rosto de Helena.]
