Tecido Escarlate - Capítulo 8

 


*TECIDO ESCARLATE*

*CAPÍTULO 8*


*1 - Ext. Ruas Vazias - Noite*


Cecília está desnorteada, chorando. Sua cabeça gira.


Ela cai no chão e desaba em lágrimas.


*Sonoplastia: Sons obscuros de ventos uivantes*


Ela deita no chão, e ali fica, até um carro aparecer distante subindo a rua em alta velocidade. Ela se assusta e levanta-se abruptamente.


*Sonoplastia: Buzina e freada brusca*


Antes de se chocar contra ela, o carro freia, não chegando a atropelar a jovem.


De dentro, desesperados, saem Tati e companhia.


TATI (correndo para acolhê-la) - Cecília, meu Deus, o que você faz aqui?


CECÍLIA (chorando) - Por favor, eu não quero voltar para aquele lugar.


ALAN - O que aconteceu?


Tati faz uma cara de quem já imagina o que houve.


TATI - Foi a sua avó, não foi?


Cecília não consegue falar, pois está soluçando.


MARTA - Cecília, respira.


HEITOR - Você precisa voltar.


CECÍLIA - NÃO!


TATI - Eu te acompanho, tá? Não vou deixar ela chegar perto de você.


CECÍLIA - E-eu n-não quero.


TATI - Você pode dormir com a Fabiana.


Cecília faz que sim com a cabeça.


Eles levam a menina para o carro.


*2 - Int. Galeria Castellani - Noite*


Antônio desce as escadas apressado e vai até o salão principal. Quando avista Tomás, se vira e corre para o lado de fora do prédio.


Rosana, do outro lado, vai de fininho em direção ao banheiro feminino. Seu marido a flagra.


TOMÁS - Rosana!


Ela petrifica. Logo se vira devagar.


ROSANA - Oi, meu amor.


TOMÁS - Estava procurando por você desesperado.


ROSANA - Estava recebendo visitantes.


TOMÁS - E deixou seu celular jogado com a bolsa?


ROSANA - Você me ligou?


TOMÁS - 3 vezes. 


ROSANA - Bom, estou aqui, né?


Foco nela, depois nele, com um olhar desconfiado.


Corta e…


*3 - Int. Galeria/Entrada - Noite*


Rosana se aproxima de Antônio.


ROSANA - Ei…


ANTÔNIO - Oi. E aí, o que rolou?


ROSANA - Está tudo certo, aparentemente.


ANTÔNIO - Queria falar com você.


ROSANA - Não podemos de novo, Teo…


ANTÔNIO (cortando-a) - Não é isso - ele ri.


ROSANA - Ah, que bobeira minha. À vontade.


Zoom no rosto pretensioso de Antônio com um instrumental de suspense.





*4 - Int. Apartamento Duncan/Sala - Madrugada*

Antônio abre a porta, contente, e em sua mão, uma garrafa de champagne, que ele abre com um estrondo!

ISIS (levando um susto) - Que loucura é essa?!

ANTÔNIO – A loucura dos astutos!

ISIS - Seu doido, você conseguiu?

ANTÔNIO - Não foi difícil levar a madame carente no papo, que aliás, é boa no que faz. O marido não quer, tem quem queira.

ISIS - Que vulgar, Antônio. Adoro!

Ela corre na direção do jovem, dando-lhe um abraço feroz e arrancando a bebida de sua mão, virando tudo na boca.

ISIS (devolvendo a garrafa) - E o que você falou?

ANTÔNIO - Que tinha uma irmãzinha que precisava muito de uma oportunidade de trabalho. Garota esperta, astuta e muito safada! E ela, como minha amante oficial e personalidade importante naquela empresa desgraçada, poderia te dar essa chance.

Ela gargalha.

ANTÔNIO - O que você fez essa noite, hein?

ISIS - Apenas um trote bem feito. Já que funcionou, né?
 
ANTÔNIO - E qual foi o trote?

_*FLASHBACK*_

ISIS (ao telefone) - Boa noite, Mercês! Lembra de mim? Hannah! - pausa, ela ri - Que bom. Queria convidá-la para ir ao restaurante comigo e uma amiga - pausa - Valentina Delfin! - pausa - Ah, ótimo, eu sabia que você iria amar.

_ISIS (em off) - Então, com a ajuda de Camille, consegui o número da velha Valentina e do marido dela. Em seguida, a convidei para ir comigo, e compartilhei seu número com Mercês, assim como o do marido de Valentina. Aleguei que por precaução._

Isis está mandando uma mensagem para Mercês, e um letreiro aparece na tela, mostrando a mensagem: “Eu e Valentina iremos juntas”

_ISIS (em off) - É claro que não iríamos juntas. Mais tarde, liguei para Mercês, que já estava no restaurante, tadinha, avisando que sofri um acidente, por isso não poderia mais ir._

Take de Mercês recebendo a mensagem e ficando apavorada com a notícia.

_ISIS (em off) - Ela não pensou duas vezes, e logo ligou para Augusto Defin para contar que a doce esposa dele havia sofrido um acidente._

_*FIM DO FLASHBACK*_

ISIS - E pelo visto, deu certo! Ele ligou para o filho e ele parou de te empacar.

ANTÔNIO - E o que aconteceu depois?

ISIS (caminhando até a janela) - Eu sei lá. Também nem me importo. Não necessito mais da Mercês. Além disso, você conseguiu o que precisávamos.

ANTÔNIO - E se desconfiarem de algo, espertinha?

ISIS - Não irão.

ANTÔNIO - Como você tem tanta certeza?

ISIS - Não tenho.

Ela ri.

ANTÔNIO - Certo. Acertei com ela daqui a alguns dias. Está acontecendo um recrutamento de secretárias na Cillis.

ISIS (chocada) - Secretária, Antônio?

ANTÔNIO - Você queria o quê? Presidência?

ISIS - Meu Deus, que coisa baixa. Secretária!

ANTÔNIO (se aproximando) - Eu acho melhor você relaxar. Você não vai ficar nessa posição por muito tempo, meu amor. Nosso objetivo é a casa Cordeiro.

*Sonoplastia: Instrumental Perversidade*

Foco nele, depois nela.






*Sonoplastia: Pra Gente Acordar - Gilsons*

Takes diurnos aleatórios de São Paulo. Zoom na casa Cordeiro.

*5 - Int. Casa Cordeiro/Quarto de Cecília - Dia*

Ana Clara abre a porta, e a menina está sedada. Ela fecha a porta novamente, e do lado de fora, Zulmira, Benjamin e Tatiana.

ANA - Dormindo.

ZULMIRA - Isso foi um absurdo. Ela deve ser castigada por todo esse show.

TATIANA - Ora, Zulmira, por favor.

BENJAMIN - Ela precisa de um psiquiatra.

De surpresa, Cecília abre a porta, aparentemente acabou de acordar, e sai do quarto.

CECÍLIA (passando reto) - O que eu preciso é de paz!

ANA (doce) - Cecília, vem aqui falar com a gente.

TATIANA - Cecília, queremos te ajudar.

Cecília continua andando, descendo as escadas, e os adultos correm atrás dela, perseguindo-a.

BENJAMIN - Cecília, meu amor, só queremos entender direito o que aconteceu.

CECÍLIA (inexpressiva) - Perguntem a Zulmira.

ZULMIRA (indignada) - Zulmira não! Eu sou sua avó.

*6 - Int. Casa Cordeiro/Copa - Dia*

Na mesa estão Heitor, Emílio e Benício. Marta está de pé no canto junto com Fabiana.

Os meninos fazem cara de desconforto.

HEITOR (levantando-se) - Eu tenho que ir.

EMÍLIO - Eu vou com você.

CECÍLIA - Isso, fujam! Oi meu amorzinho - Se dirigindo a Benício.

Os quatro adultos param diante dela, e a jovem senta para tentar tomar café.

BENJAMIN - Cecília…

CECÍLIA (chorosa) - Por favor, gente, eu não quero falar sobre isso! Por qual motivo vocês me interrogam mas não fazem o mesmo com ela? - aponta para Zulmira.

ZULMIRA - Não me trate como se eu fosse sua inimiga, garota.

CECÍLIA - É o que parece que você está se esforçando para ser. E vocês dois - se dirigindo a Ana e Benja - Vocês nunca se importam, porque agora?

BENJAMIN - Que isso, Cecília. Somos seus pais. 

ANA - E você está entrando num estado pior do que imaginávamos que era possível. 

CECÍLIA - Quando o vulcão está em erupção, vocês decidem se vão correr? - falando baixo - Por favor, só quero tomar meu café em paz.

TATIANA - Vamos deixá-la, por favor. Sem pressão.

Benja e Ana hesitam em sair dali, a mulher está nervosa e com medo, mas não demora muito para todos se afastarem…

BENÍCIO - Papai falou que vai colocar camisa branca em você, Cecil.

Cecília olha para o garotinho.

MARTA - Benício…

CECÍLIA - Tudo bem, Marta.

FABIANA - Cecília, estou aqui para o que precisar, tá?

Cecília balança a cabeça, agradecida.

Corta, e uma cena mostra o céu mudando de cor, ficando escuro e depois ficando claro várias vezes, como numa passagem curta de tempo.

*7 - Int. Cillis Mirador - Dia*

*Sonoplastia: A Mistake - Fiona Apple*

Isis está entrando no lugar, com roupas simples, e se juntando a uma fila de mulheres que se preparam para a convocação.

Uma mulher aparece.

MULHER - Olá a todas. Podem me seguir.

Todas a seguem. Agora estão no andar superior.

MULHER - Podem sentar. Logo serão chamadas.

Isis puxa uma identidade da bolsa; nela, seu nome é Isis Portella de Luna. Ela faz uma cara de nojo.

ÍSIS (murmurando) - Que sobrenomezinho desgraçado!

De repente, Benjamin e Rodrigo passam do lado dela em direção a cafeteria, mas não a olham, e nem ela a eles.

MULHER (chamando) - Ísis Portella de Luna!

Ísis se levanta, e vai até a porta, elegante. Benjamin se vira depois de pegar um café, e meio que sem querer, vê a mulher!

*Sonoplastia: A música agora aumenta, tomando conta da cena*

O tempo parece congelar por um momento, enquanto ele é envolvido pela aura magnética que emana de Isis.

Benjamin sente seu coração acelerar enquanto seus olhos devoram cada detalhe de Isis, sua mente inundada por uma mistura avassaladora de desejo e fascínio. 

Ele se vê irresistivelmente atraído por ela, que desfila misteriosa e sedutora diante dele. Ela não o percebe ali.
Foco nos olhos do homem, que refletem Isis…