Tecido Escarlate - Capítulo 7

 


*TECIDO ESCARLATE*

*CAPÍTULO 7*


*1 - Int. Galeria Castellani - Noite*


Rosana, Tomás e Antônio estão surpresos com a saída repentina do verdadeiro Teo e sua esposa.


A diferença entre os anfitriões do evento e Antônio, é que ele está risonho, por mais que não faça ideia do que Isis tramou.


ANTÔNIO - É… Parece que ele não pôde ficar.


ROSANA - Será que aconteceu algo grave?


TOMÁS - O que quer que tenha sido, dificilmente saberemos. Ele saiu até sem se apresentar; apesar de que eu acho que já vi esse rapaz em algum lugar.


ANTÔNIO (esbugalha os olhos) - Deve ser impressão sua - Ele solta uma risadinha nervosa - Vamos voltar?


À passos de tartaruga, os três retornam para onde estavam, e olhando por cima do ombro, Rosana demonstra suspeita.


*Sonoplastia: Instrumental Tenso de Passagem*


*2 - Int. Igreja/Salão - Noite*


O culto acabou, e há uma movimentação de fiéis se preparando para ir para casa, enquanto outros conversam amigavelmente entre si. Marta, Tati e Alan estão socializando com um pequeno grupo. Heitor e Emílio estão indo para o lado de fora.


EMÍLIO - Finalmente!


HEITOR - Achei que você amava vir à igreja.


EMÍLIO (erguendo a sobrancelha) - Mas me diga: eu tenho cara?


Heitor ri. 


EMÍLIO - Vem comigo. Quero te mostrar uma coisa.


Heitor hesita por um segundo, mas depois segue-o até uma área mais afastada do prédio, onde grandes árvores moldam uma passagem até um pequeno gazebo cercado por trepadeiras, aparentemente abandonado há um tempo.


*3 - Int. Igreja/Gazebo - Noite*


*Sonoplastia: Instrumental Fantasia Estrelada*


HEITOR - O nosso gazebo está mais preservado.


EMÍLIO - O de vocês. Esse é o meu. Meu recanto particular. Uma pena ele estar aqui na igreja.


Emílio vai até um vaso lotado de lírios e pedras minerais. Ele pega uma gema e entrega na mão de Heitor.


EMÍLIO - Uma sodalita, para proteção espiritual.


Heitor encara a pedra, encantado. Ela brilha pelo reflexo da Lua.


HEITOR - É divina.


EMÍLIO - E já recebeu muitos banhos de Lua. Está bem energizada.


HEITOR - Então você é o senhor das pedras?


EMÍLIO (sorrindo) - De todas elas. Você gostou?


HEITOR - Definitivamente sim.


Emílio o encara de maneira diferente, como se quisesse dizer algo que não pode, pois tem medo.


EMÍLIO - Bom, te apresentei ao meu canto particular. Só falta você me apresentar o seu.


O outro o olha, sorrindo. 


HEITOR - Obrigado pela sodalita.


EMÍLIO - Que isso, cara, só quero seu melhor, tá? - Ele dá um tapinha amigável no ombro do loiro - Vamos?


Heitor faz que sim com a cabeça, e com tranquilidade, iluminados pelas estrelas, eles saem de cena.


*4 - Int. Galeria Castellani - Noite*


Rosana está caminhando diante das obras de arte. Antônio está atrás dela. Sem aviso, o rapaz a agarra pelo braço e a puxa para um canto escuro.


ROSANA - Antônio!


ANTÔNIO - Pois não?


ROSANA - Eu não posso fazer isso aqui.


ANTÔNIO - O perigo deixa tudo mais excitante.


ROSANA (sorriso travesso) - Tenho um lugar.


ANTÔNIO - Por favor, não aguento mais esperar para ter você nos meus braços.


Ele deixa sua mão escorregar até as coxas da mulher, e levanta seu vestido. Ela o segura.


ROSANA - Vem comigo.


Ela o leva dali.


*5 - Galeria Castellani/Escritório - Noite*


*Sonoplastia: Instrumental Jazz Romântico*


Eles entram no quarto.


ROSANA - Um lugar tão perigoso quanto você gostaria.


ANTÔNIO (perverso) - O escritório do Tomás?


ROSANA - Não faça mais perguntas.


Ele segura o vestido da mulher, e abre com violência, deixando-a quase nua.


ROSANA - Eu quero… Eu quero… - Ela está sem ar.


Antônio coloca o dedo na boca dela, como quem pede silêncio.


ANTÔNIO - Não precisa dizer mais nada.


*Sonoplastia: O instrumental decresce, e Lose Control - Teddy Swims começa a tocar*


Ele arranca com desejo o sutiã da mulher, que respira ofegante. Seus seios cobertos apenas pelos cabelos. Takes das mãos do homem explorando cada curva do corpo dela.


Então ele tira a própria camisa, revelando suas costas musculosas. A câmera foca no encontro dos lábios dos dois, e suas línguas dançando frenéticas ao som da música.


Ele abaixa suas roupas íntimas, revelando sua nudez, e coloca a mulher sobre a mesa, seu corpo tremendo de antecipação. 


Nesse movimento, de graça, seus seios são mostrados num flash. Rosana grunhe antes de Antônio descer vagarosamente até onde a câmera não consiga mais captá-lo…

A tela escurece aos poucos…







*6 - Int. Galeria Castellani/Escritório - Noite*

*Sonoplastia: Jazz Romântico*

Antônio e Rosana estão deitados no chão. O silêncio reina.

ROSANA (acariciando Antônio) - Eu não achei que fosse gostar tanto de estar com alguém que conheci a tão pouco tempo.

ANTÔNIO - Nem mesmo eu. Você é tão magnética. Sinto que nosso encontro naquele aeroporto não foi por acaso.

ROSANA - Sabe que eu nunca acreditei no acaso?

ANTÔNIO - Parece, às vezes, que tudo na nossa vida acontece por acaso, né? Descobrir um objeto de valor enquanto faz uma simples caminhada no parque, encontrar um amigo numa cidade estrangeira sem ter combinado isso, ou até conhecer uma mulher incrivelmente singular depois que a esteira do aeroporto quebra.

Ela solta uma risada gostosa.

ANTÔNIO - Mas se você parar para pensar, nada realmente é por acaso. Tudo que rola na nossa vida está conectado a uma decisão que tomamos, uma conexão que fizemos, sei lá. Essa ideia de acaso é só uma forma que nós arranjamos de tentar fechar os olhos para os acontecimentos que podem fazer toda a diferença em nossas vidas.

Rosana o olha fixamente por alguns segundos, encantada.

ROSANA - Você é realmente muito sábio para sua idade.

ANTÔNIO - Porque eu proferi meia dúzia de palavras que até uma criança formularia?

ROSANA - Porque você sabe como encantar uma mulher.

ANTÔNIO - Amei te ver e estar com você. Mas sabe qual meu maior desejo nesse momento?

ROSANA - Qual?

ANTÔNIO - Te beijar.

*Sonoplastia: O instrumental cresce, tomando conta da cena*

E eles se beijam intensamente.

*7 - Int. Galeria Castellani - Noite*

Tomás está procurando por Rosana entre os convidados da festa, preocupado.

TOMÁS (se dirigindo a um figurante) - Você viu a Rosana por aí?

FIGURANTE - Não vi, querido.

Ele coça a barba com uma expressão tensa.

*Sonoplastia: Instrumental Tenso Curto*

*8 - Int. Galeria Castellani/Escritório - Noite*

Antônio e Rosana estão se arrumando freneticamente.

ANTÔNIO - Eu vou para o hall, você vai para o banheiro.

*Sonoplastia: Sons de passos*

TOMÁS (chamando de longe) - Rosana! Você está aí?

*Sonoplastia: Instrumental de Tensão se intensifica*

Os dois amantes olham para a porta, nervosos.

*9 - Int. Casa Cordeiro/Sala - Noite*

Cecília está descendo as escadas, arrumada. Zulmira está na poltrona, sentada e lendo um livro.

ZULMIRA - Onde você vai?

CECÍLIA (fria) - Sair.

ZULMIRA - Disso eu sei, mas eu quero saber onde você vai.

Cecília vai até o frigobar pegar uma bebida.

CECÍLIA (mais apática) - E isso realmente te interessa ou você só quer saber pra ficar no meu pé?

ZULMIRA (se levantando) - Você não mora sozinha, Cecília. Precisamos saber onde você vai, caso alguma desgraça aconteça.

CECÍLIA (franzindo o cenho) - Quê? Por que você já pensou na desgraça?

ZULMIRA - Porque com você é assim. Sai de casa e já acontece algo ruim. Vai com quem?

CECÍLIA - Eu só vou com minhas amigas ao shopping para ser uma adolescente normal.

ZULMIRA (rindo-se) - Normal você nunca foi, né, Cecília? - A menina começa a ficar com raiva - E a última vez que você saiu com suas amigas, quase foi abusada por um velho tarado.

Cecília aperta a latinha de refrigerante com tanta força que ela explode, assustando Zulmira!

*Sonoplastia: Instrumental Brigas*

CECÍLIA (irritada) - Eu não sou obrigada a ficar relembrando isso!

ZULMIRA - Você é maluca menina?

CECÍLIA (gritando, mas a voz embargada) - Por que você me trata desse jeito? O que eu fiz para você?

ZULMIRA (assustada) - Por que você está tão exaltada, Cecília?

CECÍLIA (gritando) - Ah-Ha-Ha! Porque será hein, vovó? Você não pensa antes de falar, é isso? Qual a razão para ser tão desnecessária?

Fabiana, a funcionária, chega para ver o que está acontecendo. Atrás dela, vindo do hall, Ana Clara e Benjamin.

BENJAMIN - O que está acontecendo aqui?

CECÍLIA - Pergunte a ela!

ANA - Mãe, o que houve?

FABIANA (para Ana) - Eu posso ajudar, dona Ana?

ZULMIRA - Essa menina está descontrolada!

ANA - Cecília, o que você fez?

CECÍLIA (furiosa) - Eu não estou acreditando! A culpa vai cair pra mim?

Ela joga a latinha de lado e sai correndo para a saída.

ANA e BENJAMIN - Cecília, volta aqui!

Zulmira se joga na poltrona, fingindo passar mal. Fabiana a acalma.

*10 - Ext. Casa Cordeiro - Noite*

Cecília corre em direção aos portões de saída e ordena ao porteiro que abra-os.

Ana Clara e Benjamin estão logo atrás, tentando alcançá-la, mas assim que os portões se abrem, Cecília corre ainda mais rápido, sumindo na escuridão.

ANA - Ah, meu Deus, pra onde ela tá indo?

BENJAMIN - Vou pegar o carro.

PORTEIRO - Me desculpem, de verdade, eu não sabia!

ANA - Depois conversamos, Mateus. A prioridade agora é encontrar a Cecília o mais rápido possível!
Eles correm em direção ao carro desesperados! 






*11 - Int. Galeria Castellani/Escritório - Noite*

*Sonoplastia: Instrumental Tenso*

ANTÔNIO - Droga!

ROSANA (apontando) - No toalete.

Antônio corre até lá e Rosana se esconde atrás de uma estante.

Tomás entra no escritório ligando as luzes e chamando pela esposa.

TOMÁS - Rosana! Onde você está?

Ele anda apressado para perto da estante. Rosana prende a respiração. São alguns segundos de angústia. 

Depois o homem sai e rapidamente olha para o toalete e segue até lá, segurando a maçaneta e abrindo devagar. Lá dentro, Antônio que sua frio. 

TOMÁS - Rosana?

*TENSÃO*

Ele vai virando a maçaneta vagarosamente… Gira, gira e… abre! A luz se acende, mas quando ele vai entrar, um homem aparece na porta do escritório.

HOMEM - Tomás, o celular dela está lá embaixo junto com a bolsa.

TOMÁS - Ela não está lá. Já procurei. 

HOMEM - Viu no banheiro?

TOMÁS - Sabe que não?

Ele larga a maçaneta, e sai dali junto com o homem.

Quando percebe que o marido foi embora, deixando tudo ligado, Rosana sai de onde estava e corre até Antônio.

ROSANA - Aqui perto tem umas escadas. Desce por lá. Eu vou pegar o elevador.

Eles saem com rapidez.

*12 - Ext. Igreja - Noite*

Alan e Tati estão indo em direção ao carro. Heitor e Emílio aparecem.

EMÍLIO - Cadê a mamãe?

ALAN - Conversando com algumas amigas.

EMÍLIO - Beleza. 

TATI - Vão logo para o carro.

Os dois jovens vão para carro.

TATI - Então, Alan… Como andam as coisas?

ALAN - Sabe como é. Sozinho enquanto minha esposa e meu filho estão na sua casa.

Tati ri.

TATI - Pode morar lá também se quiser.

ALAN - Seria petulância.

TATI (colocando a mão no ombro dele) - Petulância nada, bobo. Eu adoraria ter você lá.

ALAN - Quem não adoraria é a Zulmira.

TATI - Nem me fale dessa mulher.

ALAN - Achei que se davam bem.

TATI - Eu até tento.

Ela ri e ele devolve com um sorriso.

TATI - Sabe, deixando a Zulmira de lado, tenho notado que você está diferente. Tem feito academia?

ALAN - Continuo o mesmo.

TATI - Duvido. Eu fiquei tanto tempo sem te ver, Alan. Você realmente mudou.

ALAN - Como assim?

TATI - Não sei, mas há algo diferente em você. Você brilha pra mim.

*Sonoplastia: Instrumental Amor Triste*

Os dois se olham. Ela com um sorrisinho no rosto, ele olhando para os olhos dela, tentando a entender.

TATI - Gosto de você. É bom te ver de novo.

ALAN - Digo o mesmo. 

Foco nele, depois nela.

Corta para:

*13 - Ext. Ruas Vazias - Noite*

Cecília está desnorteada, chorando. Sua cabeça gira.

Ela cai no chão e desaba em lágrimas.

*Sonoplastia: Sons obscuros de ventos uivantes* 

Ela deita no chão, e ali fica. 

A tela escurece…