Cena 01 - Quarto de Lana e Maurício [NOITE]
LANA: É algo que realmente não vem ao caso. Olha, recentemente eu encontrei uma carta de um político corrupto ao meu pai. O meu pai estava servindo de laranja. Eu quero que você encontre provas do que aconteceu e se possível provas de outros crimes.
Maurício começa a chorar e demonstrar aflição.
LANA: Então, Maurício, vai fazer o que estou pedindo ou prefere que eu mate a sua mamãezinha?
MAURÍCIO: Eu faço, desde que você não mate a minha mãe!
LANA: Vai depender da qualidade dos seus serviços...
Lana se retira.
MAURÍCIO (aflito): Ah, meu Deus, eu preciso urgentemente fazer as pazes com Leandro.
Cena 02 - Motel [NOITE]
Tiana tenta fugir, ela anda rapidamente pelos corredores. Um homem alto esbarra na moça, é Leandro.
LEANDRO (Irritado): Não olha por onde anda? Serviçais andam cada vez mais inúteis.
Tiana abaixa a cabeça e prossegue. Um funcionário superior surge no local.
FUNCIONÁRIO: Onde você pensa que vai?
Ele olha para o crachá.
FUNCIONÁRIO: Agora é a reunião da diretoria com os funcionários, esqueceu?
TIANA: Esqueci...
FUNCIONÁRIO: Estranho, você é recém contratada? Nunca te vi por aqui...
TIANA: É... sou.
FUNCIONÁRIO: Então me acompanhe até o local da reunião.
Tiana revira os olhos demonstrando sua insatisfação.
Cena 03 - Mansão de Roberto [NOITE]
Suzy conversa com sua empregada.
SUZY: É verdade, Gilda. Também percebi que o Roberto anda muito estranho... Vou ficar no encalço dele.
O telefone toca, a empregada atende.
EMPREGADA: Alô? É o número do Roberto.
A empregada escuta com atenção a pessoa que está do outro lado da linha.
EMPREGADA: O quê? Ahhh, que horror...
A empregada revela com um semblante triste a sua tristeza com a notícia.
SUZY: Gilda, você ficou imóvel depois da ligação. Deixa eu ver o que está acontecendo.
Suzy pega o telefone.
SUZY: Alô, Roberto?
PESSOA: Alô, é a senhora Suzy?
SUZY: Oi, sou sim. Cadê o meu marido?
PESSOA: O seu marido... morreu.
Suzy fica paralisada.
SUZY: Como? Ele saiu daqui em mais perfeito estado.
PESSOA: Ele entrou no motel com uma mulher, encontramos o corpo dele, mas não encontramos a moça que estava com ele.
Suzy deixa o celular cair com a notícia.
SUZY: Aquele desgraçado estava me traindo? EU VOU NA PORTA DESSE MOTEL FAZER UM BARRACO! [Ela pega novamente o celular] Me fale o endereço... Vamos nesse motel, Gilda. Vou descer a mão na cara da vagabunda!
GILDA: Ai, meu Deus. Porque a biba da Jêh sempre está de folga nesses momentos?
SUZY (Gritando): ANDAAAAA!!!
Gilda se retira com Suzy.
Cena 04 - Motel [NOITE/EXT]
Suzy acaba de chegar com Gilda e seu motorista.
SUZY: Que alarido todo é este?
REPÓRTER: Suzana Vieira, mulher do defunto, acaba de chegar ao motel.
Suzana é atacada pelos repórteres.
REPÓRTER: Senhora, é verdade o que estão dizendo?
SUZY: Sim, ele morreu.
REPÓRTER: Não, não é isso. É verdade que seu marido, que Deus o tenha, te traía e você não terminou tudo com ele por interesse no dinheiro?
SUZY: Vocês são um bando de desocupados mesmo, viu?
A multidão de jornalistas oprimem Suzy e Gilda.
SUZY (Irritada): Deixa eu passar, saiam.
Suzy aparta os jornalistas e passa.
Cena 05 - Motel [NOITE/INT]
Suzy percebe que homens do IML estão tirando o corpo de Roberto.
SUZY: Vocês aí, parem!!
Suzy tira o lençol que está sobre o rosto do senhor.
SUZY: Desgraçado, como pode?
Um homem para Suzy.
HOMEM: A senhora por acaso é a mulher desse senhor?
SUZY: Sou uma delas! Ao que me parenta esse ser tinha várias outras além de mim.
HOMEM: É... realmente. Encontramos esse brinco sem par, o IML fará a autópsia do corpo e dependendo do resultado, ele será peça necessária numa longa investigação da polícia.
SUZY: Hum, deixa eu ver.
Ela averigua o brinco.
SUZY: A vagabunda tinha bom gosto...
Suzy devolve o brinco.
SUZY: Eu queria comer esse desgraçado vivo, mas é melhor deixar isso para os decompositores.
GILDA: Calma, dona Suzy. O seu marido morreu.
SUZY: Queria eu ter matado esse verme. Vamos, Gil.
Cena 06 - Motel [INT/NOITE/PARTE DOS FUNCIONÁRIOS]
O gerente do hotel dirige a reunião dos funcionários.
GERENTE: Enfim, estamos reunidos hoje para uma oficina de como tratar clientes, áreas da limpeza do motel e coisas que estão ligadas à área de cada um que se faz presente aqui...
A câmera da zoom em Tiana.
TIANA (Pensando): Senhor, eu preciso fugir...
GERENTE: Vamos dar uma breve pausa para beberem água, irem ao banheiro porque o teste será longo.
TIANA (Pensando): Essa é a minha chance.
Todos estão distraídos. Tiana consegue sair sem ser vista.
Cena 07 - Cativeiro [NOITE/INT]
Os homens estão almoçando. Jeanice está no local com uma feição de tristeza.
JEANICE (Sussurrando): Á-água.
CAPANGA: Posso dar água pra ela?
CAPANGA 2: Claro que pode, imbecil. A chefia quer ela em bom estado e ela virá daqui a pouco.
É possível ouvir o som de um carro se aproximando da cabana onde estão.
CAPANGA 2: Só pode ser ela...
A porta se abre. A câmera mostra Lana adentrando o local com calças largas, brancas e com brincos de argola.
CAPANGA: Chefe?
JEANICE (Balbuciando): Vo-você?
LANA: Quanto tempo, sogrinha.
JEANICE: Não pode ser... Eu jamais pensei que você seria capaz de tudo isso... Por quê? Por quê, hein!?
LANA: Quantas perguntas...
JEANICE: EU EXIJO RESPOSTAS!!! Você me passou a imagem de uma garota com bom coração e agora eu me surpreendo com esse seu surto repentino.
LANA: Não é um surto, você é uma peça no meu jogo. Eu estou usando este sequestro para deixar o seu filho, Maurício, em minhas mãos. Ele é uma peça fundamental e vai me ajudar a conquistar provas contra meu pai, quando ele cumprir o plano, eu liberto a senhora deste lugar.
JEANICE: Eu e meu filho não temos nada a ver com a sua relação contra o seu pai, não acha que está agindo de maneira muito baixa me usando e usando ao meu filho nessa sua história sórdida?
LANA: É, pode ser... Mas só quem sabe o que o monstro do meu pai fez comigo e os traumas que eu carrego sou eu! Sou eu que convivo com as dores do...
JEANICE: O seu pai ele abusou de você...?
LANA: Não, não... O meu pai é gay! Mas o que ele fez ou deixou de fazer não vem ao caso.
JEANICE: Vem ao caso já que você armou esse "auê" todo para se vingar dele.
LANA: Enfim, Jeanice, quando você sair daqui eu irei te recompensar muito bem. Pode ficar tranquila.
JEANICE: EU NÃO QUERO!!! NÃO QUERO NADA QUE VENHA DESSA FAMÍLIA. AI, MEU DEUS... COMO EU AVISEI PARA O MAURÍCIO NÃO FAZER ESSE CASAMENTO, NO FUNDO EU SABIA QUE IRIA ACONTECER ALGO.
LANA: Você não sabia e nunca sequer imaginou nada. Nós sabemos muito bem o porquê de você não aprovar esse casamento. Por quê o Maurício é gay, não é?
JEANICE: ...
LANA: Eu já sei de tudo, sei até mesmo do caso dele com meu pai. Inclusive, minha mãe já está sabendo de toda a história.
JEANICE: Ah, é? E como o Maurício reagiu com tudo isso?
LANA: Mal, como esperado.
JEANICE: Eu preciso ver meu filho...
LANA: Quietinha, você está bem amarrada e daqui você não sai.
JEANICE: Eu odeio você...
Lana sorri e chama um capanga antes de sair do local.
LANA: Ei, venha comigo.
Cena 08 - Motel [NOITE/INT]
Maurício adentra ao quarto onde transa com Leandro. Leandro está deitado na mesma cama e se assusta com a entrada repentina de Maurício.
LEANDRO: Maurício, o que você está fazendo aqui?
MAURÍCIO: Eu passei na mansão e não te vi, imaginei que pudesse estar aqui já que não foi para a empresa hoje.
LEANDRO: Ah, o que você quer falar comigo?
MAURÍCIO: Leandro, eu... lutei e relutei, mas não consigo esquecer do nosso amor.
Leandro se levanta da cama e escuta a declaração de Maurício atentamente.
MAURÍCIO: Eu estou completamente apaixonado por você, um amor tão grande que me tornaria capaz de declarar aos quatro ventos este amor foge completamente das convenções.
LEANDRO: Eu...
MAURÍCIO: Não fale nada, apenas me beije.
Maurício se aproxima lentamente de Leandro e começa a beijá-lo. Em questão de segundos, o beijo evolui para uma transa fervorosa. Pequenos takes de Maurício revirando os olhos de prazer sobre Leandro são mostrados. A câmera desfoca a cena gradativamente.
Cena 09 - Motel [NOITE/EXT]
Do lado de fora, Tiana sai do local após muitas tentativas. A câmera mostra Suzy dando entrevistas aos jornalistas que ali se fazem presente. Tiana observa toda situação de longe.
TIANA: Será que tudo isso é por conta do velho que morreu? Vou averiguar.
Gilda encara a moça que estranha a situação. Gilda cochicha no ouvido de Suzy que também passa a encarar Tiana. Suzy se aproxima de Tiana.
SUZY: Então você é a vagabunda que tava com o meu marido?
GILDA: Calma, dona Suzy, a urubuzada toda está aqui tentando se satisfazer com a carniça.
SUZY: A única carniça que eu estou vendo aqui é essa aí!
TIANA: Eu não tenho nada com teu marido, doida.
SUZY: Mas você está usando o mesmo brinco que a amante dele deixou cair no quarto onde eles estavam. Não adianta mentir, esse brinco é caríssimo e não é qualquer uma que teria. Foi ele quem te deu, não é?
TIANA: Eu não sou...
SUZY: EU VOU ACABAR COM A SUA RAÇA, ORDINÁRIAAAA!!!!!
Suzy ataca Tiana com bofetadas e ponta-pés.
JORNALISTA: Meu Deus, o que está acontecendo?
JORNALISTA 2: Não sei, mas vai nos render uma boa matéria!!!
Vários flashs disparam.
Um segurança do motel aparta a briga.
Tiana se recompõe.
TIANA: Era pra doer?
Tiana se retira debochando de Suzy.
SUZY: VAGABUNDA, EU VOU MATAR ELA.
O segurança segura Suzy.
SEGURANÇA: Já acabou. Fica quieta.
Um jornalista olha para a câmera.
JORNALISTA: É... parece que os ânimos estão exaltados por aqui.
Cena 10 - Quarto do Motel [NOITE/INT]
Após a transa, Leandro sai do quarto para o banheiro da suíte e toma banho.
MAURÍCIO: Essa é a minha chance. Pode ter algo do Leandro neste quartinho.
Maurício vasculha as coisas de Leandro. Maurício encontra um papel suspeito.
MAURÍCIO: Isso pode ser útil.
Maurício guarda o papel. Leandro volta ao local na hora e se depara com Maurício vasculhando suas coisas.
LEANDRO: Maurício, o que você está procurando nas MINHAS coisas?
Maurício se assusta.
Congelamento com tom preto e branco no rosto de Maurício.