Pais e Filhos - Capítulo 5

 


Cena 01 - Quarto [NOITE]


A câmera revela um quarto pequeno, porém aconchegante. Uma mulher está enrolada em alguns lençóis junto a um homem. 


MULHER: É tão bom ter você comigo. Você é um homem de verdade e sabe me excitar como ninguém.


HOMEM: Eu te trato como a cachorra que você é de verdade. Quem diria, uma moça de família rica e conhecida, deitada na cama de um motorista pé rapado.


MULHER: Porque eu estou apaixonada por você e vou ser capaz de tudo para sairmos dessa história com todo o dinheiro de minha família.


O JOGO DE CÂMERAS REVELA QUE A MULHER É *LANA.*


LANA: Só espero que o Maurício não acabe com os meus planos. Ele é uma peça importante nesse tabuleiro.


HOMEM: Esse teu plano é tudo ou nada. As chances de darem errado são enormes. Não é nem de longe um plano perfeito.


LANA: Mas já está dando certo, essa tentativa de suicídio do Maurício é um sinal... Bom, agora preciso ir. Meus pais já devem estar me esperando para ir naquele maldito hospital.


O homem beija Lana e ela se retira.


Cena 02 - Mansão de Lana [NOITE]


LANA: Mamãe, papai...? 


ÁGATA: Estávamos lhe esperando para visitar o Maurício. Mas parece que...


LEANDRO: Lana... você terá que ser forte.


ÁGATA: Várias colunas de imprensa divulgaram a morte do Maurício.


LANA (chocada): O QUÊ?


Cena 03 - Hospital / Recepção [NOITE]


Jeanice está sentada, mexendo em seu celular. A senhora espera ansiosamente por notícias de seu filho. Por alguns instantes, ela sai para beber água e é alvejada pela imprensa.


JEANICE (assustada): O que é isso?


REPÓRTER: Dona Jeanice, são verídicas as notícias que estão sendo veiculadas em diversas colunas sobre a morte de seu filho, Maurício?


JEANICE: NÃO, O MEU FILHO ESTÁ VIVO. EM ESTADO GRAVE, MAS VIVO. 


Ela sai dali em lágrimas e se senta novamente na poltrona onde estava.


JEANICE (chorando): Não, o meu filho não pode morrer...


Ela vê um médico passando por ali e o aborda.


JEANICE: O Maurício está bem, doutor?


MÉDICO: Fizemos uma lavagem e ele já se encontra consciente. Porém, o quadro continua delicado.


JEANICE: Eu já posso vê-lo?


MÉDICO: Pode sim, venha comigo.




Cena 04 - Calçadão [NOITE]


A câmera foca em um grande calçadão nas regiões costeiras de São Paulo. Tiana está vestida com roupas chamativas, de aplique, unhas feitas e maquiagem. Ela segura em suas mãos a sua bolsinha Marry Betany. Um carro chique para e Tiana entra no mesmo.


Cena 05 - Carro [NOITE/INT]


Ela beija um homem que está vestido com terno e sapatos sociais.


HOMEM: Minha Titi...


TIANA: Sr. Roberto, eu fui despejada daquele apartamento que você estava bancando. Pobre de mim, fui rebaixada a lavadora de chão de quitanda mofada.


SR. ROBERTO: Oh, que triste fim. A Lurdinha esqueceu de pagar, irei providenciar minha Pitoniza de Tebas.


Eles dão um longo beijo.


Cena 06 - Hospital / Quarto [NOITE]


MAURÍCIO (sussurrando) Ma-mãe...


JEANICE (chorando): Meu filho... por que você tentou fazer isso?


MAURÍCIO (sussurrando/choro): Eu não podia ter me casado... eu estava num estado de mix de sentimentos. O sentimento que predominava em meu peito era a culpa e o remorso por estar me casando com a filha do meu amante.


JEANICE: Promete pra mim que você nunca mais vai fazer isso? 


MAURÍCIO: Pro-prometo.


JEANICE: Bom, eu não posso ficar aqui por muito tempo... Tchau, querido.


Jeanice sorri e beija a testa de seu filho.


MAURÍCIO: Tchau, mamãe.


Jeanice se despede e sai dali em seguida. 


Cena 07 - Hospital / Recepção [NOITE]


Jeanice volta a recepção e se depara com Lana, Leandro e Ágata.


JEANICE: Lana...


LANA (fingindo choro): O Maurício... morreu?


JEANICE: Ele obteve melhora e já está consciente.


ÁGATA: Ai, que bom. Nós lemos boatos nas redes sociais sobre o falecimento do rapaz.


JEANICE: Fake news de gente desocupada.


Jeanice se senta.


LEANDRO: Ele ainda corre riscos?


JEANICE: O estado dele é delicado.


LEANDRO: Oh... que tristeza.


ÁGATA: Mas Deus não irá desamparar um moço tão bom. Eu tenho fé de que ele vai sair dessa muito forte.


Ágata abraça Jeanice.





*LENTAMENTE, SÃO MOSTRADAS CENAS DA RECUPERAÇÃO DE MAURÍCIO. EM POUCOS DIAS, O HOMEM RECEBE ALTA.*

Cena 08 - Mansão de Lana e sua família [DIA]

Maurício chega com sua mãe.

JEANICE (alegre): Finalmente, o meu filho recebeu alta.

Lana corre em direção a Maurício e lhe dá um beijo.

LANA: Meu amor... não sabe o quanto fiquei preocupada com o seu estado. Não faça mais isso, por favor.

MAURÍCIO: Eu prometo.

Maurício olha para Ágata e Leandro.

LEANDRO: Bom, Maurício... Bem vindo de novo...?

MAURÍCIO: É... sim, obrigado.

ÁGATA: Bem vindo, meu filho. 

MAURÍCIO: Obrigado, dona Ágata. É... a mamãe pode ficar para o almoço?

JEANICE: Maurício, eu não quero incomodar.

ÁGATA: Incômodo nenhum. Maurício, não precisa pedir, essa casa também é sua agora.

JEANICE: Se é assim, eu fico.

Cena 09 - Mansão de Lana / Escritório [DIA]

É mostrado o motorista que se chama Eduardo e tem um caso com Lana. O motorista procura papéis.

EDUARDO: Esse papel...

Ele averigua e encontra uma carta.

EDUARDO (lendo): Majestoso amigo, Leandro. Venho através desta carta informar que estou depositando toda minha confiança em você. Obrigado por assinar os documentos que lhe davam posse dos bens desviados e espero que você continue provando ser meu aliado cumprindo com a segunda parte do plano. Assinado: Isaías Ferreiro.

EDUARDO (suspeitando): Isaías Ferreiro...? O atual governador do estado de São Paulo? Então quer dizer que o sr. Leandro está servindo de laranja para político corrupto?

Eduardo sai do local com o papel antes que possa ser visto.

Cena 10 - Mansão de Lana / Sala de Jantar [DIA]

LEANDRO: E quem esteve te substituindo na escola, Maurício?

MAURÍCIO: Faz alguns meses que não temos aula. Os professores entraram em greve e eu saí.

ÁGATA: Por que essa greve, Maurício?

MAURÍCIO: Começou com o governo municipalizando a escola. Agora houveram cortes de verbas no salário, um verdadeiro absurdo.

Lana recebe uma ligação.

LANA: Bom, com licença. Eu preciso sair para atender.

Lana se retira dali.

JEANICE: Meu filho, não iria acontecer um movimento dos alunos contra essa municipalização?

MAURÍCIO: Iria, mas com a greve dos professores... Acho que nem tão cedo acontecerá.

Cena 11 - Quarto [DIA]

LANA: Eduardo, por que você me ligou?

EDUARDO: Eu tenho algo para lhe contar.

LANA: Conte logo, sem enrolações.

EDUARDO (sorrindo): Eu descobri que o seu pai é laranja do governador do estado.

LANA: O QUÊ? 

EDUARDO: Eu encontrei esta carta do governador Isaías para seu pai, em março deste ano.

Lana lê a carta atentamente.

LANA: EDUARDO, VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICA ISSO?

EDUARDO: Significa uma nova fase no plano. Plano esse que eu tanto subestimei...

LANA: Pois que aprenda a nunca me subestimar. Mas isso ainda não é o necessário. Agora precisamos estar em posse da mãe do Maurício. Ela é a coisa que ele mais ama e ele faria de tudo por ela, inclusive enganar o meu pai...

Congelamento em tom preto e branco no rosto de Lana.