Coração Oriental | 01
de Pedro Valente
{Falas japonesas em português para eficiente comunicação com o leitor}
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CENA 1.
// Neste começo, ouve-se uma linda música japonesa antiga. Vê-se imagens de rios, gueixas com lindos leques e pessoas andando nas ruas mais famosas de Tóquio. Numa quebra de sentimentos, vê-se de repente, Felipe num avião particular de ida ao Japão.
Felipe: Que justiça farsante! País de terceiro mundo! |Ele ri discretamente|. Se fosse nos Estados Unidos, eu estaria preso numa das prisões de maior segurança.
// A polícia chega às pressas ao aeroporto, entretanto, de uma grande janela, todos os profissionais veem o avião a voar.
Delegado I: Maldição! Perdemos ele.
Delegado II: O que nos resta a fazer?
Delegado I: Entrarmos em contato com as autoridades japonesas e avisar que um bandido está a entrar em seu país.
Delegado II: Ele é um dos homens mais ricos do Brasil, você acredita mesmo que isso funcionará.
Delegado I: É a carta na manga que temos neste momento, não podemos fazer mais que isso.
// Um instrumental tenso toma conta da cena, pode-se ver Felipe tomando um champanhe comemorando sua vitória.
Felipe: |Levanta a taça de champanhe com elegância|. Um brinde à minha vitória. Um brinde à minha inteligência. |Ele toma três goles|. Quinhentos anos se passaram desde seu descobrimento, mas seguem com uma justiça fedida, podre e o pior, o que não combateram lá atrás levarão anos para combater. Azar de quem é pobre, as leis estão do meu lado e se não estiverem, eu passo por cima delas.
// A imagem sobrevoa ruas japonesas, neste momento, ao som de um belíssimo instrumental japonês, vê-se pessoas felizes em ruas desenvolvidas, conversando, comendo em restaurantes e gueixas belas com seus leques charmosos. Numa quebra de emoções, a imagem corta para a maior favela do Japão, lá está Hinata, uma jovem linda e sonhadora.
Hinata: Mãe, eu estava simplesmente dançando.
//Fusa perde a paciência com sua filha, ela segura o copo de vidro com tanta força que ele quebra em suas mãos, cortando seus dedos.
Hinata: MÃE?| Ela o diz preocupada|.
Fusa: Olha só o que você me fez fazer. Hinata, eu lhe disse que não quero você a dançar. |Ela o diz brava|.
//Hana, sua irmã mais nova chega.
Fusa: Filha, eu quero falar pra você algo que o mundo irá te dizer, então será mais fácil escutar de mim. Filha, você é feia, você nunca conseguirá atingir seus sonhos porque ser bonita é sinônimo de ter sucesso, entende? É o mínimo.
Hana: Eu lhe havia dito, mas você acha que por ser mais nova, não tenho credibilidade. Entenda, Hinata, você é horrível.
//Hinata ouve e, num instrumental triste, ela esbraveja enquanto Fusa pega um kit de primeiros socorros para cuidar de suas feridas..
Hinata: Dona Fusa, você não tem limites, sabia? |Ela o diz fervendo de raiva|.
//Haruto, pai de Hinata entra na casa escutando o tom alto
da filha desferindo palavras de ataque contra sua mãe.
Hinata: E lhe digo mais, que pais são vocês? Pariram filhos somente pelo fato de que eram pobres. Aqui neste país, os pais geralmente trabalham MUITO para que seus filhos tenham sucesso, mas não, vocês não, vocês tiveram filhos para que houvesse mais pessoas pedindo dinheiro para terem o que comer. |Ela o diz muito brava|
Haruto: Mas que pouca vergonha é essa? Que maneira louca de falar com sua própria mãe! |Ele o diz num tom médio|
//Um instrumental fortemente tenso começa a tocar enquanto Hinata prepara suas palavras sem qualquer medo de consequências.
Hinata: Vocês não servem como pais! Me usam como entretenimento, riem de mim, não ligam se eu estou triste, feliz, com fome, com frio. São tão desprezíveis que no mês passado me proibiram de pedir dinheiro por dizerem que eu sou tenebrosamente feia, mas todos aqui são parecidos um ao outro. Vocês despejam em mim seus sofrimentos do passado, os abusos que vocês sofreram. Por que isso?
Tiveram medo de enfrentar seus problemas? Covardes.
//Haruto ouve com total desaprovação, neste momento ele esbraveja.
Haruto: Chega! Já basta! Eu não irei ficar com um estorvo dentro de casa que só vive a reclamar. Pega suas tralhas, eu quero você fora desta casa em menos de 30 minutos.
//Todos se põem perplexos, ninguém acredita no que houve.
Fusa: Haruto, talvez não seja essa a forma… |Ele a interrompe|
Haruto: Essa é exatamente a forma. Vá rápido porque dois minutos já se passaram.
//Um instrumental triste toca enquanto Hinata vai ao seu quarto para arrumar suas coisas, neste momento, ela tem flashbacks de sua infância conturbada.
{Flashback | Início}
//Vê-se a pequena Hinata com apenas cinco anos vendo sua mãe a se lamentar no sofá. Hinata se aproxima preocupada.
Hinata: Mãe? Por que estás triste?
Fusa: Filha, eu não queria lhe dizer, mas é preciso. Você se sente triste por ser feia, borralheira e desengonçada?
Hinata (Sem entender): O que?
Fusa: Sim, filha! Eu não quero que você fique triste comigo, mas é por isso que você não sai muito de casa, imagina os vizinhos? O que eles irão pensar?
//Hinata sai desapontada.
{Flashback | Fim}
Hinata: |Decidida| Quer saber? Pra mim chega. Eu não sou qualquer coisa pra me submeter a isso. Eu não irei mais ficar UM SEGUNDO nessa maldita casa.
//Hinata sobe e prepara suas coisas, coloca seus pertences em pequenas sacolas. Ela não tem muito o que vestir, por isso, são fáceis de carregar, após isso, ela desce.
Haruto: Estorvo horrível! Cara de corvo! Como algo tão feio pode ser saído de dentro de sua mãe? Saia daqui.
//Fusa consente a situação, contudo, não tem coragem de ir contra uma ordem de Haruto.
Hinata: あなたが嫌いです! {eu odeio vocês}
Haruto: 今すぐ出て行け!! {saia já}
//Um instrumental de tristeza invade o ambiente. Hinata anda desnorteada, entretanto, passa em frente a um restaurante. Hinata adentra o restaurante.
Hinata: Olá. Gostaria de falar com o gerente.
Atendente: Por que você faria isso? Olha seu estado. Acredita mesmo que o gerente falaria com uma mendiga?
//Hinata não acredita do que ouve.
Hinata: Você não está entendendo, eu vim para falar com o atendente e eu irei falar com o atendente! Ou você quer que eu faça um escândalo e espante todos os clientes? |Ela o diz com firmeza e em voz alta|.
Atendente: um minuto…
//A atendente chama o gerente que não acredita no que vê.
Gerente: Seja breve! Eu não tenho muito tempo.
//Hinata tira sua pose de firmeza e cai ao chão em prantos.
Hinata: Por favor! Deixe-me ficar aqui! Eu não tenho pra onde ir, não tenho onde trabalhar, tive uma vida difícil. |Ela o diz com tristeza e angústia|.
Gerente: Tá bom! Se acalme! Os clientes estão vendo.
//Hinata se levanta e se acalma.
Gerente: Está bem! Mas antes terá que lavar-se, terá que arrumar-se. Devo ter um uniforme pra você.
//Hinata se alegra, ela abre um grande sorriso.
Gerente: Ah, e terá que cuidar melhor de seus dentes.
Hinata: Certo! Quando começo?
Gerente: Se acalme, eu ainda não terminei. Como estamos com o quadro de funcionários cheio, eu não tenho como pagar você, entretanto, se você está mesmo precisando pode ficar na casa dos funcionários e comer apenas UMA refeição do restaurante em troca da sua mão de obra.
//Hinata fica perplexa com o que foi dito, entretanto, aceita.
Gerente: A casa dos funcionários fica ali atrás |Ele aponta|. Rápido! O uniforme, irão te mostrar onde está.
CENA 2.
É noite, e vê-se Felipe chegando ao Aeroporto de Osaka, ele já é um velho conhecido do país. Nota-se que ele cumprimenta um velho amigo.
Felipe: Doutor Mishima, quando tempo não o vejo.
Dr: Felipe, o que você faz aqui? Ligou para mim tão desesperado, o que necessitas?
Felipe: Aquele favor, você lembra? Eu preciso gastá-lo.
Dr: Está fugindo da polícia de novo? A justiça brasileira é horrorosa.
Felipe: Exato! Mas eles nunca mais irão me encontrar. Hoje, irei me transformar num japonês.
//Dr Mishima não entende bem, entretanto, ele, pelo caminho vai explicando suas artimanhas pra fugir da polícia local e da brasileira. Eles vão até sua clínica, ao chegar, Felipe abre um sorriso malicioso. Um instrumental tenso invade o ambiente.
Felipe: Hoje morre o Felipe, a partir de agora, eu sou o Kenji Kobayashi.
Dr: E como irá mudar seus documentos, Kenji?
Felipe: Eu contatei um amigo, ele trabalha num lugar onde fazem identidades japonesas, eu só preciso mandar a fotografia pra ele, portanto, teremos de ser rápidos.
//O instrumental de tensão continua. Neste momento é visto a cirurgia por cima, cortando as partes mais pesadas. Uma passagem de tempo de algumas horas acontece.
Dr: Terminado.
//Felipe olha-se no espelho.
Felipe: Eu estou a cara do Yudi, um artista brasileiro. |Ele o diz com entusiasmo|. Ficou genial! Doutor, considere-se livre de favores.
Dr: Eu que agradeço.
//Kenji/Felipe sai, ele percebe que demorou e vai comer tomando bastante cuidado com o processo de cicatrização de seu rosto. Ele adentra o restaurante.
Kenji: Olá! A eu gostaria de algo pra comer, qualquer coisa.
//Hinata se vira, curva-se mostrando respeito, ela adentra e quando sai, traz uma bandeja cheia de sushis e um refresco para outra mesa, entretanto, ela escorrega e tudo cai em cima de Kenji.
Kenji: Maluca! Olha o que você me fez! Eu cheguei ao Japão há pouco tempo, não tenho outras roupas. |Ele o diz extremamente bravo|.
//Hinata aparenta estar muito desesperada, ela tenta limpa-lo.
Hinata: ごめん! ごめん! ごめん! {Desculpa, desculpa, desculpa}.
//O gerente percebe o furdunço e averigua o caso.
Gerente: O que houve aqui?
Kenji: 地獄!! Essa atendente borralheira, ela jogou propositalmente tudo isso em cima de mim.
//Hinata olha fundo aos olhos de Kenji e sente borboletas em seu estômago, ela está apaixonada, todavia, neste momento seu gerente lhe fala e ela está paralisada.
Gerente: Hinata? Hinata?
//Segue paralisada.
Gerente: HINATAAAAAA!!!
//Ela desparaliza.
Hinata: Perdão! O que houve?
Gerente: Não se faça de desentendida! Você está demitida!
//Hinata fica sem chão.
Gerente: Pedimos perdão, senhor! Outro atendente lhe trará outra bandeja.
//Hinata sai chorando olhando feio para Kenji.
Gerente: EI! O UNIFORME!!
//Ela sai rapidamente ignorando o grito do ex-gerente.
Hinata: Perdi a única oportunidade de me manter por agora. O que será de mim?
//A câmera focaliza o rosto preocupado de Hinata.
CENA 3.
Vê-se neste sol poente Fusa, ela está indignada com a atitude de seu marido, e neste exato momento, seus outros irmãos chegam.
Haruto: Vai me crucificar até quando?
Fusa: Até você deixar de achar que é o rei desta casa.
Minato: Trouxemos o dinheiro do dia! |Ele o deixa em cima da mesa|. Onde está Hinata?
//Hana olha para os pais com olhar de julgamento.
Hana: Pai a expulsou.
//Os dois irmãos que acabaram de chegar se entreolham, eles não creem no ocorrido.
Ema: Mãe? Como expulsaram ela?
Fusa; Pergunte ao Haruto.
//Haruto fica constrangido, contudo, consegue manter sua autoridade.
Haruto: Ela nos desrespeitou muito hoje, não gosta de morar comigo, nem com vocês, eu a quero longe daqui.
Minato: Mas ela vai aonde? Como não deu ao menos o tempo dela arrumar um emprego?
Haruto: Eu não quero vocês duvidando da minha ação! Ela se foi, vocês nunca mais a verão porque nesta maldita favela ela não terá futuro. Sigam suas vidas e ponto final.
Os filhos curvam-se diante do pai, pois ainda que achem a decisão louca, eles o têm como pai.
CENA 4.
Estando o ambiente anoitecido, Hinata está na rua, ela sente frio, fome e está desesperada, pensando na morte.
Hinata: Se for para continuar assim, eu não quero mais permanecer aqui.
//Um homem está caminhando pela rua naquele momento, é Kenji. Hinata o avista de longe e logo se levanta, parando ele com uma das mãos. Agora, um instrumental de suspense acompanha o rosto enfurecido de Hinata.
Hinata: Como teve coragem?
Kenji: Está louca de me parar assim? Quem é você?
Hinata: A atendente que você fez com que fosse demitida.
Kenji: Olha, você está me confundido, eu nunca vi você na vida. |Ele o diz dando dois passos para sair, mas Hinata o puxa|.
Hinata: Não! Você não vai!
//Hinata não consegue sustentar sua autoridade por muito tempo, ela cai no chão em prantos.
Hinata: Você desgraçou minha vida, era minha única forma de comer, nem salário eu ganhava. |Ela diz choramingando, olhando para baixo com vergonha|.
Kenji: Como assim?
Hinata: EU SOU UMA MENDIGA, NÃO VÊ? |Ela diz esbravejando pelos olhos|.
//Kenji dá dois passos para trás, contudo, ele ainda a observa.
Kenji: Eu terei ela! Ela é linda! Exatamente o tipo de garota que eu gosto. Eu levo ela ao Brasil, quando enjoar, eu a abandono. Meu amigo aqui embaixo já está alegre. |Ele diz isto em português|.
Hinata: O quê? Fale japonês, não estou entendendo você. Está maluco?
Kenji: Perdoe-me! É que eu estava olhando você, observando melhor, seu jeito, sua autoridade. Como pude ser tão ruim com uma bela mulher como você?
Hinata: Olha aqui seu… |Ela se interrompe e processa as palavras de Kenji|. Que?
Kenji: Ano passado perdi minha mulher num acidente aéreo, ela é a sua cara, um doce de mulher! Eu a vejo em você. |Ele se aproxima de Hinata|.
Hinata: Por que você está me dizendo isso? |Ela o diz bem baixinho, mostrando que está cedendo|.
Kenji: Eu estou apaixonado por você, eu quero ser pai dos teus filhos.
//A câmera foca no rosto de Hinata, totalmente cedido aos prazeres de Kenji. Após isso, a câmera mostra eles na mansão japonesa de Kenji, eles estão no quarto, o cobertor está por cima.
>< A IMAGEM CONGELA NO ROSTO DE HINATA FAZENDO COM QUE ELA E O RESTANTE DO PANORAMA VIRE ANIME.