Coração Oriental - Capítulo 04

 


Coração Oriental | 04


de Pedro Valente



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CENA 1.


//Hinata chegou à casa de Tizuka, sua nova patroa. Agora ela está sentada prestes a ouvir a história de Tizuka. 


Tizuka: |Com seu olhar triste|. Eu estou sozinha nessa casa, sozinha nessa vida.


//Hinata não compreende. 


Hinata: Por que? 


Tizuka: Meus filhos, eles se entregaram ao tráfico! Nossa vida era um inferno, não dava mais, eu expulsei eles de casa. 


Hinata: Era tão ruim?


Tizuka: |Ela começa a chorar|. Eu sofro a falta deles, porém, sofro menos sem eles. Eles chegaram a me bater, eu caí da escada e perdi o movimento das pernas. 


Hinata: Meu Deus! Que horror. 


Tizuka: Por isso preciso de alguém que cuide de mim, sabe? Até tinha outra moça, mas eu detestei ela. Pela sua cara, irei preferir você. 


//A câmera focaliza outra vez na esclera de Hinata mostrando que meses se passaram, e Hinata e Tizuka viraram melhores amigas, uma amizade como de mãe e filha. 


Tizuka: Hahaha, você já está a meses aqui, está se saindo muito bem, não está chegando atrasada, é uma filha pra mim. 


//Hinata fica tímida.


Tizuka: A melhor coisa do mundo foi te encontrar. Mas saiba que um dia você será recompensada por tudo o que você fez por mim. 


Hinata: |Ela pega na mão de Tizuka|. Você está sendo a mãe que eu nunca tive, eu que lhe agradeço! 


Tizuka: Por que você não vem morar comigo? 


//Hinata não acredita no que ouve.


Hinata: Morar com você? Está falando sério. |Ela o diz de forma alegre|.


Tizuka: Claro! Você não pagará passagem nem nada disso, vai ficar muito mais fácil pra você e até lhe quero pagar mais. 


//Hinata se curva demonstrando respeito à Tizuka.


Hinata: Muito obrigado, mãe! Eu irei cantar umas músicas lindas em japonês só para agradecê-la. 


Tizuka: No dia da minha morte, lhe terei um presente pra você, você será a pessoa mais respeitada. Eu tenho certeza! 


//Num momento de alegria, o cenário muda numa transição desvanecente misturada com trovões. Hinata está no hospital, indicando que poucos meses se passaram. Hinata está no hospital e Tizuka está na cama, totalmente fraca.


Hinata: |Aos prantos|. Mãezinha do coração, não me deixe aqui, você me deu momentos felizes enquanto eu precisei. 


Tizuka: |fraca|. Vida, minha hora chegou e meu corpo está parando de funcionar. Mas eu não te deixarei ao léu, disse que você terá uma surpresa e ela está perto de acontecer. 


//Tizuka não consegue mais respirar e as máquinas apitam mostrando que Tizuka está perdendo seus sinais vitais. 


Hinata: |Desesperada|. NÃO! MÃE! POR FAVOR, NÃO! 


//Tizuka vai fechando os olhos pouco a pouco. 


Doutor: Paciente morreu às 9h47 de causas naturais, eu sinto muito. 


//Hinata se põe no chão a chorar muito. Nesse momento há um instrumental extremamente triste. 


Hinata: MÃEEEEE! 


//Ela encosta sua cabeça no peito de Tizuka.


Hinata: Volta, mãe. Eu necessito de você. |Ela o diz extremamente triste|.


CENA 2.


//Agora, o instrumental de abertura toca enquanto Hinata está chorando. A câmera se aproxima de uma lágrima de Hinata, ela entra dentro da lágrima mostrando Hinata na casa de Tizuka alguns dias depois. Hinata está sentada assistindo Andando nas Nuvens quando batem à porta.


//Hinata abre. 



Hinata: Doutor Hans! Que surpresa. Eu gostaria de saber o que está acontecendo, afinal, você já havia falado comigo antes por e-mail. 


Dr. Hans (Carlos Vereza): Bem, como você bem sabe pelas conversas que tivemos, eu sou o advogado de Dona Tizuka! Quero conversar com você. 


Hinata: Pois bem, sente-se. |Ela o diz curiosa|.


//Ele se senta.


Hinata: Deseja um copo d’água, algum refresco?


Dr. Hans: Não porque serei breve! Vim aqui por um motivo que acredito que você não saiba, não é?


Hinata: Não senhor, não tenho ideia. 


Dr. Hans: É sobre a D. Tizuka.


Hinata: Mas o que um advogado teria a ver com ela? Seria sobre os filhos dela? Eles nem foram ao funeral, eu não os conheço! Se for sobre eles, nada tem a ver comigo. 


Dr. Hans: Não. Não é sobre eles, é sobre um segredo que Tizuka guardou de você todos os meses que vocês estiveram juntas. 


//Hinata se põe desconfiada.


Hinata: Tem certeza? Nós tínhamos uma convivência de mãe e filha, nesses últimos meses, eu morei com ela para ajudá-la a viver melhor. Nós ríamos, eu contava histórias que eu passei para ela e ela me contava as delas. Alguns dias antes dela falecer, fizemos uma festa japonesa com muitas comidas, danças e… |Ela é interrompida|.


Dr. Hans: Não, querida. É sobre a herança que ela lhe deixou, ela pediu para que eu lhe adicionasse no testamento dela. 


Hinata: Calma aí! |Ela demora a raciocinar|. Está querendo dizer que ela me deixou esta casa como herança? |Hinata tem os olhos esbugalhados de surpresa|.


Dr. Hans: Não! Esta casa será demolida como a finada havia pedido. 


Hinata: Eu não entendo. Como será demolida? Então o que ela deixou para mim? Esta casa é bem grande, bem bonita, não há nada que esteja em cacarecos aqui que mereça ser demolido.


Dr. Hans: Hinata, espere eu terminar! Contenha sua curiosidade. O que quero lhe dizer é que você herdou a gorda.





//Hinata não entende

Hinata: Que gorda? É alguma parente dela que eu terei que cuidar para conseguir sobreviver? Que fofa! Ela não queria que eu ficasse desempregada e me indicou para outra parente e… |Ele a interrompe|.

Dr. Hans: Não, Hinata! Perdoe-me! O erro foi meu que não fui específico. Estou falando que você não irá pensar em trabalhar por enquanto.

//Hinata segue na desconfiança.

Hinata: Doutor, estou falando sério! Como vou sobreviver se não trabalhar?

//Doutor Hans bate a mão na cara e tenta ser mais específico. 

Dr. Hans: Hinata, você está rica, você herdou a herança gorda dela. Tizuka é filha de um gigante produtor de café quando o Brasil dependia muito mais do que depende hoje. Como os filhos dela se perderam nas drogas e sumiram no mundo, você detém todos os quatrocentos milhões que a ela pertencia. 

//Hinata treme, não sente suas mãos e não acredita no que está ouvindo.

Hinata: Doutor, como ela tinha tudo isso e não morava numa mansão em outro bairro? Não consigo entender.

Dr. Hans: Eu lhe explico! Os pais de Tizuka se separaram e como tudo pertencia ao pai, a mãe dela teve que sair, entretanto, seu pai lhe havia dado algum dinheiro para que seus filhos não vivessem debaixo da ponte. 

Hinata: Ela comprou essa casa?

Dr. Hans: Sim! Tizuka ao crescer, foi morar com o pai, contudo, ele morreu e Tizuka decidiu vender tudo numa época que sua mãe estava doente e veio para esta casa cuidar dela. Aqui a mãe de Tizuka morreu, sabe? E Tizuka nunca precisou de muito, ela sempre se adequou super bem a esta casa. Aqui ela teve seus filhos e os criou até acontecer o que aconteceu. 

//Hinata se choca com a história. 

Dr Hans: Essa casa significa sua mãe e todos os momentos bons que viveu com seus filhos. Tizuka morreu sem saber do paradeiro deles, se estão vivos, se estão mortos… 

Hinata: Então é verdade, eu estou rica…

//Hinata olha para a câmera com uma cara extremamente assustada. Nesse momento a câmera sobrevoa seu cabelo ao som de “Thousand Nights” numa transição “walk by” indicando que dois meses se haviam passado desde a visita com Dr. Hans. Ela está num carro, contudo, ele de repente para.

CENA 3.

Hinata: Merda! O que aconteceu? |Ela fica nervosa|. Ah não, acabou a gasolina! O que eu vou fazer? 

//Hinata percebe a presença de uma moça. O nome dela é Maria Elizabete, está usando algumas substâncias, contudo, mesmo assim Hinata pede para que ela a ajude.

Hinata: MOÇA! MOÇA! |Hinata grita|.

Mabete: Olá! |Ela diz quase cambaleando|

Hinata: Você saberia me dizer onde fica o posto de gasolina mais próximo daqui? 

Mabete: Ih moça! |Ela diz totalmente grogue|. Você vai ter que andar muito, heim! Tá loooooooonge. |Na ênfase que ela dá na última palavra dita, ela também ergue seu braço no ritmo da ênfase|.

Hinata: Droga! E agora, o que irei fazer? 

Mabete: Óh japa, o que eu posso fazer por ti é ir pra você até lá e voltar, mas tem que ter aquele agradinho, né? 

//Hinata desconfia. 

Hinata: E como irei saber se você irá mesmo? 

Mabete: Me dá o dinheiro da gasolina agora, quando eu voltar você me dá o agrado. 

Hinata: Hum, tá bom! 

//Ela abre sua carteira e entrega a Mabete algumas notas. Nesse tempo, Mabete pega sua bicicleta e vai. O restante das amigas notam a ausência de Mabete e saem.

Larissa: Aê dona, cê viu uma muié drogada andando por aqui? 

Hinata: Ela foi comprar gasolina pra mim, disse que lhe ia dar uma boa recompensa. 

Marina: Ihhhh, ela é cheia da grana. Hahaha

Marta: Ô moça, bem que você podia ajudar a gente também, né? Nós não comemos há um bom tempo, usamos o que usamos pra sair dessa realidade miserável.

//Hinata se empatiza com ela. As meninas vão contando as suas histórias, depois de 30 minutos de conversa, Mabete chega com um galão e o entrega à Hinata.

Mabete: Aê dona, toma sua gasolina, agora cadê minha recompensa.

//Hinata pensa bastante. 

Hinata: Além do dinheiro do serviço, quero dar a vocês outra recompensa, quero ser amiga de vocês. 

Marta: Ô dona, deixa de caô e dá logo a ajuda.

Hinata: Eu ouvi essa história, e quem ouviu a minha, lá atrás me ajudou e eu quero fazer o mesmo com vocês da mesma forma que fizeram comigo. 

Mabete: Explique mais, dona.

Hinata: Eu quero dar um banho, roupas novas e uma boa moradia a vocês, e claro, um emprego digno pra vocês se manterem, claro, se vocês quiserem sair do mundo das drogas.

//As amigas estranham o pedido, afinal, pareceu ser tudo muito fácil.

Mabete: Meninas, eu cansei dessa vida, não sei se é verdade, mas eu vou, talvez não haja outra oportunidade e morreremos nesse barraco no meio da mata.

Larissa: Bom, eu também quero. As drogas desgraçaram minha vida.

Marina: Se vocês vão, eu vô.

Hinata: Perfeito, então, entrem no carro. 

Mabete: Pô dona, estamos sujas! Fedidas! 

Hinata: Nada que janelas abertas e um spray não resolva, carro eu compro outro. 

//Hinata faz um rosto de firmeza, ela sabe que ajudou a salvar a vida delas.

Hinata: Eu vou tirar vocês dessa vida miserável! |Ela o diz com firmeza e todas seguram sua mão|.

//Um efeito branco surge inundando a dela, se vê Hinata ao desaparecer deste efeito, ela está na cozinha do Hinata’s Farm numa linda tarde/noite com um rosto em choque, pois, tudo que ocorreu desde o primeiro capítulo havia sido uma lembrança em takes para Hinata que ela teve enquanto contava sua história para as amigas, estamos em 2024 a partir de agora.

Mabete: Hinata, por que você demorou a contar isso para nós?

//Hinata começa a chorar.

Hinata: Eu fui enganada, sem motivo algum, ou pelo menos eu não sei. Fui atirada numa favela, nem saber falar o português nem nada. |Ela o diz chorando|. Eu queria saber o porquê dele ter feito isso. 

Larissa: E o que aconteceu com esse Kenji? 

Hinata: Ele sumiu! A favela de Paraisópolis inteira correu atrás dele depois de saber minha história, foi à mansão e nada… ele sumiu do mapa, mas ele era rico, ele com certeza se mudou de país.

Marta: Amiga, ao menos você nos salvou das drogas! Nos deu casa, nos deu moradia e um emprego que eu nunca pensei em ter! Muito obrigado. |Ela o diz segurando a mão de Hinata|.

Hinata: Mas após isso quem me ajudou foram vocês! E acompanharam todo o crescimento desse império, só por causa que meu carro havia parado.

Mabete: Bendito carro haha. 

Larissa: Mas vamos nos aprontar porque hoje os hóspedes vêm, porque a temporada vai começar!! 

//Hinata engole o choro e levanta. 

Hinata: É verdade meninas, eu quero que essa temporada seja A MELHOR DE TODAS! |Ela o diz gritando|.

Todas: UHUUUUUUUUU.

//Hinata vai à recepção esperar os clientes chegarem.






CENA 4.

//O horário de chegada dos hóspedes se aproxima, portanto, os recreadores estão andando até o hotel, já chegando. Na cena vê-se os Tios Felps, Amora e Zangado. 

Felps: Cara, na moral! Vamos ficar um mês e vamos ganhar OITO MIL REAIS, eu nem acredito. 

Zangado: Exatamente! Cara, meu sonho era ser recreador do Hinata’s. Vou poder pagar todas as minhas dívidas.

//Amora ri. Nesse momento, ela olha para um cachorro e por ter medo, ele percebe esse medo e começa a rosnar.

Amora: Cachorrinho bonitinho! Cachorrinho amigo! 

//O cão late e corre atrás dela, Amora se assusta e corre também.

Zangado: Hahahaha corre atrás dela!!

//Os outros recreadores não a deixa para trás e seguem correndo até o caminho do hotel, entretanto, Amora passa reto ainda tentando despistar o cachorro. 

Zangado: Uau! Que hotel lindo! 

//Zangado vê rios azuis, Sakuras lindas, bancos belíssimos. Ele adentra o hotel e andam à recepção que está ao lado. 

Hinata: Ah, então vocês são os recreadores, não?

Felps: Exato! Que prazer em conhecê-la, Hinata.

Hinata: É todo meu o prazer! Como combinamos via whatsapp, vocês vão fazer as brincadeiras e as oficinas japonesas, eu vou ajudar vocês no que precisarem! Felps, você será o coordenador da temporada, entendeu? Amanhã, teremos o mirante, então faça o cronograma recreativo de depois de amanhã até domingo, tudo bem?

//Amora adentra toda suja e molhada cheirando a cocô. Todos se assustam.

Hinata: E você deve ser a amora. |Ela diz estranhando|.

Amora: Não liga! É que um cachorro começou a me perseguir e eu morro de medo, mas esses dois idiotas |Aponta aos recreadores|, eles não fizeram nada.

Todos começam a rir.

Hinata: Amora, você não pode receber os hóspedes assim, eles chegam em quinze minutos. A casa dos funcionários se chama Casa Japonesa, lá você irá tomar banho e descer o mais rápido possível. 

//Amora pega as chaves. 

Hinata: Tá vendo aquela mulher que está descendo aquela rua? Então, corra até ela e peça para que ela lhe leve até à casa japonesa. O nome dela é Mabete. 

//Amora corre enquanto os recreadores se matam de rir. 

Hinata: Bom, meninos, amanhã cedo antes do mirante lhes mostrarei o hotel, por isso é preciso que vocês acordem cedo, tudo bem? Amanhã eu irei bater na casa japonesa e chamá-los. 

//Hinata da janela vislumbra uma luz. 

Hinata: Os hóspedes estão chegando! Legal! Recreadores, fiquem atrás do balcão e me ajudem a recebê-los.

//Uma figura estranha entra, contudo, bem conhecida. 

Catucha: Olá, meu bem.

Zangado: Olá!

Hinata: Tudo bem? 

//Catucha olha de cima pra baixo pro zangado, fazendo cara de deboche. 

Catucha: Um anão, era só o que me faltava! Isso é um hotel fazenda japonês, pensava em somente ver asiáticos. Imagine se eu vir uma negra, já pensou? Hahahaha.|Ela o diz no pensamento|.

Catucha: Tudo sim! Sou Catarina Uchôa, mas gosto que me chamem de Catucha. 

Hinata: Ah sim, está aqui! Casa 1042! Tome um guia! Sua casa fica na região Tóquio do hotel. |Ela lhe dá o guia|. 

Catucha: Eu agradeço! |Ela os olha de cima pra baixo e segue debochando, após isso, sai e pega seu carro para ir à casa|. 

CENA 5.

//Kenji está com Crislaine num carro junto à seus filhos, Israel e Jean indo ao fabuloso hotel japonês Hinata’s Farm. 

Israel: Seu idiota! Ô pai, olha ele! 

Crislaine: Se vocês não pararem, a gente vai voltar!

Jean: Ah, então eu vou continuar porque não queria ir pra essa viagem. 

Kenji: Que pena! Vamos prosseguir assim mesmo. 

Crislaine: Meninos! É uma viagem em família, entendem? É para o nosso próprio bem.

Kenji: Chegamos! Vou estacionar. 

//Kenji estaciona e todos descem do carro e adentram a fila para cadastro.

Hinata: Obrigado, sinta-se em sua casa! |Hinata o diz pra o último hóspede da fila antes de Kenji|. E você, a reserva está no nome de quem?

Kenji: Kenji Cobayashi. 

//Hinata que estava olhando seu computador, vira seu rosto e não acredita no que vê. Vê-se uma cara de raiva e ódio misturado com um rosto de quem não acredita na situação. 

Crislaine: Está tudo bem, moça?

//Kenji segue sem reconhecê-la.

Kenji: Moça, está passando mal? 

//Hinata está desesperada por dentro. Sua face não muda, ela está suando frio, quer matar, mas sabe que não o pode fazer naquele momento.


>< A IMAGEM CONGELA NO ROSTO DE ÓDIO DE HINATA FAZENDO COM QUE ELA E O RESTANTE DO PANORAMA VIRE ANIME.