Café Amargo - Capítulo 25 (FINAL)

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 25 (FINAL)


*CENA 01 | IGREJA - MANHÃ/INT.*


```(15/04/1919)```


Na igreja, a tensão e a expectativa prevalecem, após Cristevo, Celeste e Altair anunciarem que já têm em mãos a identidade do assassino de Dom Jerônimo.


Instrumental de suspense 🎶.


Saulo: |Interessado.| Vosmecês já sabem quem são os assassinos do meu pai e de todas essas vítimas? Pois vamos. Digam quem é!


Cristevo: Olha, tudo começa quando... [...]




☕ FLASHBACK ☕


Dom Jerônimo: |Abismado.| Cristevo... eu escutei uma conversa entre Tailândia e seus filhos... |Aflito.| Ela quer me matar!


Cristevo: |Chocado | Meu Deus, seu Jerônimo... o senhor tem que fazer alguma coisa!


[Algum tempo se passa depois desse diálogo.]


D. Jerônimo: |Com a mão no peito.| Um empregado do Pompeu disse que ouviu ele e Harmonia planejando a minha morte para o dia da festa, e me contou tudo... |Respira.| Estou em choque!


Cristevo: |Intrigado.| E o que o senhor pretende, patrão!?


D. Jerônimo: |Se acalmando.| Cristevo... eu vou ter que mudar o testamento. Preciso me prevenir. Esses três farsantes não vão pôr um dedo na minha herança!


☕ FIM DO FLASHBACK ☕




Calixta: |Lacrimejando.| Co-co-coitado do meu irmão... estava vivendo num berço de lobos!


Holofontina: |Sussurrando.| Lobo, cobra, leão, jacaré... Tudo que dá bote! 


Alicy: |Espantada.| Meu pai do céu, quanto horror...


Loreta: |Também espantada.| Misericórdia, minha amiga...


Cristevo: |Continuando.| Ele chegou, sim, a alterar o testamento. Mas nunca me disse o que mudou de fato. Nem me atrevi a perguntar...


M. Esposa: |Chocada.| Por isso a mamãe ficou "na miséria"...


Nélio: |Refletindo.| Agora tudo faz sentido...


Juraciara: |Raciocinando.| Aquele plano de campanha que o tio Jerônimo deixou também para o Pompeu...


Cristevo: Eu passei a ser o guarda-costas de Dom Jerônimo... mas fraquejei...




☕ FLASHBACK ☕


[Cristevo observa o momento em que o assassino, fantasiado, coloca veneno na xícara de café que Jerônimo iria beber.]


[Neste momento, o pai de Saulo se encontra na sala, conversando com alguns convidados.]


[Cristevo está prestes a pegar a xícara, mas o assassino surpreende ele por trás e o ameaça com um canivete, de forma discreta.]


Assassino: |Sussurrando.| Você não vai a lugar nenhum...


[O assassino obriga Cristevo a acompanhá-lo até a varanda.]


[Lá, o mesmo começa a fugir do fiel escudeiro de Jerônimo.]


[Ele tenta tirar a fantasia do assassino, mas a pessoa dá um chute na barriga de Cristevo e foge.]


[Após isso, Cristevo retorna para a sala de jantar; mas já era tarde demais: Dom Jerônimo havia começado a passar mal.]


[Depois, Cristevo lembra que enquanto colocava o veneno, o assassino, de forma amadora, estava sem luvas e colocou as mãos na xícara. Utilizando um pano, ele rouba o objeto e a delegada nota o sumiço do mesmo.]


☕ FIM DO FLASHBACK ☕




Cristevo: Sei que foi errado... mas minha intenção era fazer uma investigação... porém, a única coisa que descobri de fato foi o sexo do assassino... graças às pegadas que a pessoa percorreu, deixadas na areia da fazenda... a linha cruzada pelo mesmo que eu vi correndo e o tipo de sandália entregaram...


Saulo: Tudo bem, Cristevo... eu entendo vossas motivações.


Juliete: |Curiosa.| Está certo, mas o que mais vosmecês descobriram?


Delegada Blanco: O Padre Serafim deixou uma carta, delatando o assassino. PARECE que este ser, apesar de tudo, era uma pessoa cristã e decidiu aliviar a culpa. Entretanto, ficou com medo de ter sua identidade exposta pelo padre e cometeu queima de arquivo contra o sacerdote...


Policial Altair: Após lermos a carta, decidimos apurar tudo. Coletamos todas as impressões digitais da xícara e descobrimos que algumas delas coincidiam com a pessoa citada na carta escrita pelo padre Serafim.


Delegada Blanco: Outro detalhe importante: uma pessoa usando capa com capuz foi vista depois da morte de Bartolomeu Barbosa e Filipa Maysenga. Dito isso, o assassino, ou assassina, tinha este item e a fantasia de fantasma como disfarces para os delitos. 


Cristevo: Depois da leitura, também fiz uma outra pesquisa — isso antes de eu falar com a polícia — viajando até por lugares diferentes, e descobri mais um fato que contradiz o argumento de defesa do assassino; até porque... ninguém fica em dois lugares ao mesmo tempo, não é?


[O olhar de cada personagem se torna suspeito e todos começam agir como se fosse o culpado, demonstrando ansiedade e nervosismo. O pico do instrumental é alcançado.]





*CENA 01A | IGREJA - CONTINUAÇÃO*

[A sequência continua.]

D. Blanco: Bem, acho que já não nos restam mais dúvidas... já sabemos quem é o assassino.  

[O instrumental de suspense começa a se intensificar. A câmera dá close no rosto de cada personagem, ficando uma grande expectativa no ar. Um último close é dado no rosto da delegada Blanco.]

[Delegada Blanco dá um passo à frente.]

Instrumental de tensão 🎶.

Delegada Blanco: Pelo assassinato de Dom Jerônimo Sampaio em 1916 e das duas testemunhas que estiveram presentes no momento do crime; também pela morte do Padre Serafim, por falso testemunho e compra ilegal de veneno, a senhora está presa, dona... JULIETE VALFREDO!

[O instrumental de tensão se intensifica.]

[Zoom rápido no rosto de Juliete.]

[Neste exato momento, todos ficam boquiabertos e de olhos arregalados. A respiração de Saulo fica ofegante e Juliete entra em estado de nervosismo. O clima fica cada vez mais tenso.]

Juliete: |Tensa.| EU PRESA? MAS EU NÃO FIZ NADA! NEM FUI NESSA TAL FESTA DO DOM JERÔNIMO!

Saulo: |Sem ar.| Juliete... que história é essa...? EU EXIJO EXPLICAÇÕES!

Juliete: |Aflita.| EU NÃO MATEI NINGUÉM, SAULO! POR FAVOR, CONFIE EM MIM!

Policial Altair: |Autoritário.| A senhora não tem para onde ir, Juliete Valfredo! Na carta do padre Serafim, foi alegado que você contou sobre seus crimes no confessionário, DIAS ANTES DA MORTE DELE!

Cristevo: Além disso, Juliete, suas marcas foram encontradas na xícara. Eu peguei seus documentos e os deixei na delegacia para que a análise das impressões digitais fosse concretizada; tudo isso sem você perceber, é claro. |Lacrimeja.| Saulo, me perdoe por isso. Eu sinto muito, de verdade!

[Saulo começa a passar mal e senta no chão do altar. Bonfim e Maria Esposa se aproximam, para prestarem apoio.]

D. Blanco: |Lendo a carta.| “É com muito pesar que denuncio nesta carta a jovem Juliete Valfredo. Ela confessou que foi a responsável pela morte de Jerônimo Sampaio, Filipa Maysenga e Vereador Barbosa. Não só isso, como também mentiu sobre o lugar que estava no momento do crime e que também comprou veneno ilegalmente. Juliete recusou em se salvar e contar tudo para a polícia. Agora, é minha vida que está em jogo.” Assinado: Padre Serafim.

Alicy: |Raciocinando.| Mas Loreta... vosmecê disse que Juliete estava na casa da avó... Tu encobristes a tua filha!?

Loreta: |Nervosa.| E-e-eu achei que ela estava lá!

Bonfim: |Se levant.| MENTIRA, MAMÃE! A vovó morreu meses antes do assassinato de Dom Jerônimo. Seria impossível Juliete estar em dois lugares ao mesmo tempo, ainda mais com um deles nem existindo mais!

[Todos os convidados começam a cochichar e encaram Juliete e Loreta com julgamento.]

Cristevo: Foi aí que encontrei o grande furo do caso... eu conversei com dona Loreta em uma de minhas viagens e ela garantiu que Juliete estava na casa da avó, que morava longe. Acontece que a senhora em questão já tinha falecido há um certo tempo...

Saulo: |Se levanta/Chorando de raiva.| VOSMECÊ MATOU MEU PAI, JULIETE! EU NUNCA VOU TE PERDOAR! SEU MONSTRO!

Bonfim: |Chorando.| Por que... você fez isso, Juliete? E você, minha mãe? Por que encobriu ela? 

Juliete: |Decidida.| Pois muito bem... Eu confesso. EU MATEI, SIM, DOM JERÔNIMO! E, TAMBÉM, TODOS AQUELES QUE CONSIDEREI UMA AMEAÇA!

Todos os convidados: |Chocados.| OH-OH-OH-OH!

[O instrumental de tensão se agrava ainda mais.]



☕ FLASHBACK ☕

1916, noite da festa 🎭.

Após contratar um carro de aluguel, Juliete desce do veículo. Sua mãe lhe deu todas as economias guardadas para a garota viajar.

Juliete: |Desce.| Agradecida!

[O carro parte.]

[A moça põe seu disfarce, sendo uma fantasia, e adentra na Fazenda Sampaio.]

[A cena corta para: Juliete no meio dos convidados, se aproximando de Jerônimo. Em seguida, ela coloca gotas de veneno na xícara que o pai de Saulo iria beber.]

[Juliete percebe, em seguida, que Cristevo viu tudo. Usando um canivete, ela vai em direção ao mesmo e ameaça o homem.]

[A sequência avança para ela numa pensão, após ter matado Dom Jerônimo. A mesma se encontra no quarto.]

Juliete: |Chorando.| Se um dia Saulo descobrir... jamais há de me perdoar!

☕ FIM DO FLASHBACK ☕



Juliete: Mas eu só fiz tudo isso porque MINHA MÃE MANDOU!

[O instrumental de tensão chega em seu ápice.]

Todos os convidados: OH-OH-OH-OH!

Loreta: |Encurralada.| CALE ESSA BOCA, JULIETE!

Juliete: |Lacrimejando.| Depois que dona Alicy revelou para minha mãe que Saulo era filho do maior produtor de cafés da região, ela ficou louca de interesse. A pensão que meu falecido pai deixou já estava acabando e precisávamos de dinheiro. Então... mainha me empurrou pra Saulo, mas pediu que tudo fosse o mais natural possível. Depois, pediu que eu matasse Dom Jerônimo, com um veneno que ela conseguiu e também me deu as devida encomendação. Foram três anos tentando conquistar Saulo, esperando ele se interessar também por mim... até que chegou um tempo que eu precisei ir atrás dele. Por isso vim morar aqui em Vila dos Anjos, unicamente para seduzir Saulo, casar com ele e herdar toda fortuna de Dom Jerônimo.

Saulo: |Arrasado.| INTERESSEIRA! OPORTUNISTA! RAMEIRA!

Juliete: |Chorando.| Eu juro, Saulo, que meu amor por vosmecê era sincero. Mas minha mãe, literalmente, me obrigava a fazer essas coisa e acabou que a ambição alheia foi maior que nossa relação... Foi por isso que mudei da água do vinho pra vosmecê. Às vezes, ela me dava conselhos positivo e respeitava meus sentimento. Mas no fim das conta, ela atropelou tudo isso por dinheiro. Só anos depois, que me dei conta do amor que sentia por ti. Sei que tu nunca vais me perdoar, mas fico satisfeita por vossa ter me amado de forma sincera...

[Loreta se aproxima de Juliete e dá uma forte bofetada.]

Loreta: |Brava.| GAROTA IMUNDA! Deveria ter ficado de bico fechado até o fim para virarmos o jogo. Boca de caçapa! Eu num ti criei pra me trair com essa facilidade não! A propósito, eu não mandei você usar luvas para não deixar as impressão!?

Juliete: Estava tão nervosa que esqueci...

Loreta: |Cruel.| BURRA! INCOMPETENTE! 

Alicy: |Triste.| Vosmecê foi a pior decepção que eu tive, Loreta...

Loreta: |Cínica.| Me perdoe, Alicy, eu gostava de vosmecê, mas meu bem-estar em primeiro lugar!

Bonfim: |Magoado.| Eu tenho vergonha de vocês duas... 

D. Blanco: |Firme.| Bem, acho que nosso trabalho já terminou. Loreta e Juliete, queiram nos acompanhar...

Loreta: |Cabisbaixa.| Mas eu não vou mermo...

Ação 🎶.

[Loreta começa a fugir e vai para a parte externa da igreja. Pelas ruas, Altair corre atrás dela.]

[A perseguição é intensa e ele tenta atirar nas pernas dela, porém, não consegue.]

[Sem nenhum cuidado, Loreta aumenta sua velocidade, mas é surpreendida por um carro desenfreado, que atropela a trambiqueira.]

[A mãe de Juliete morre na hora. O veículo passa direto sem prestar socorro e Altair observa o estado deplorável do corpo da mulher, que se encontra esmagado e desfigurado.]

[A atenção da cena retorna para a parte interna da igreja.]

Instrumental dramático 🎶.

[Juliete estende as mãos e é algemada por um policial. Saulo está mais calmo.]

Juliete: |Ainda chorando.| Eu não queria que tivesse sido assim...

Saulo: |Resmungando.| Eu nunca mais quero saber de você em TODA MINHA VIDA! |Olha no olho dela.| LEVEM ESSA VAGABUNDA DAQUI! AGORA!

[A câmera dá close em Juliete, que está soluçando.]

_“Após se revelar uma traidora e ser presa, Juliete foi condenada a muitos anos de prisão; mas não ficou nem metade da pena. Aprisionada, ela descobriu que estava grávida, mas nunca contou para ninguém, muito menos para Saulo. Ao decorrer do tempo, ninguém nunca mais ouviu falar em Juliete e seu filho.”_

[O policial leva Juliete dali. A delegada acompanha.]

[O volume da voz de todos baixa, enquanto o instrumental dramático se intensifica no ambiente.]

[Saulo chora muito. Alicy chega perto do filho e dá um abraço apertado nele. Cristevo observa tudo.]

[Maria Esposa e Nélio também se abraçam, enquanto Juraciara dá carinho no seu namorado, Bonfim, que está chorando muito.]

[Calixta se encontra visivelmente abalada e Holofontina dá apoio e suporte para a amiga. A cena corta para o lado externo da igreja, a câmera se afasta de tudo e a tela escurece.]






*CENA 02 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*

Mais tarde naquele dia. Os amigos e familiares integrantes da família Sampaio partem para o casarão. Juntos, eles refletem a situação. 

Instrumental melancólico 🎶.

Alicy: |Em choque.| Eu ainda tou processando tudo o que aconteceu...

[Todos compartilham do mesmo estado.]

Juraciara: |Acolhedora.| De verdade, Bonfim, eu sinto muito pelo que aconteceu. |Beija a bochecha dele.|

Bonfim: |Retribui o carinho.| Obrigado, meu amor. Eu nem acredito que minha própria família foi capaz de tudo isso... Minha irmã presa e minha mãe morta... |Enxuga as lágrimas.| 

[Zoom devagar em Bonfim e Juraciara.]

_“Bonfim e Juraciara superaram os últimos acontecimentos que abalaram suas estruturas. Anos depois do casamento, eles também viraram os donos do jornal que trabalhavam e tiveram vários filhos; a primeira, uma garota de cor mestiça. A felicidade e a harmonia foram o pilar do sustento emocional desta futura família.”_

Maria Esposa: |Triste.| Foi uma situação muito tensa mesmo... Eu tinha a Juliete como uma irmã...

Calixta: |Aliviada.| Fe-fe-felizmente a justiça foi feita...

Nélio: |Cabisbaixo.| De fato, dona Calixta...

[Close nos rostos de Nélio e M. Esposa.]

_“Nélio e Maria Esposa tiveram um futuro promissor no mundo da arte. Além de ficarem ricos, cada um formou a sua própria família, mas sem perderem o contato de irmãos e sem abandonarem a carreira artística. Eles foram muito felizes.”_

[Holofontina nada diz, apenas observa toda situação, também estremecida.]

Instrumental cômico 🎶.

[Zoom lento no rosto de Holofontina.]

_“Holofontina? Bem, ela se casou novamente por interesse, com um senhor de idade muito rico e conseguiu entrar na alta sociedade, mas sem se esquecer de suas amizades, como a boa e velha amiga Calixta.”_

[O clima melancólico e dramático é retomado.]

Saulo: |Descendo as escadas.| Com isso, aprendemos que não podemos confiar em praticamente ninguém. Sei que é doloroso, mas independente do amor que vosmecê tem por aquela pessoa, é sempre bom ficar com um pé atrás. Só assim, conseguiremos nos prevenir da maldade humana. 

[Todos os personagens balançam a cabeça positivamente, concordando com que Saulo disse.]

Saulo: |Respira.| Bem... vou ao cafezal. Cristevo está me esperando. Licença. |Se retira.|

[Todos se apoiam. A câmera se afasta de todo ambiente. A tela escurece.]



*CENA 03 | PRISÃO - INT./MANHÃ*

```(22/04/1919)```

Uma semana depois. Saulo decide visitar Cristevo na prisão. O clima é fúnebre.

Saulo: |Cabisbaixo.| Eu ainda não acredito que vosmecê confessou que influenciou na morte de Tailândia e se entregou pelo crime de ocultação de provas... 

Cristevo: |Triste.| Eu tinha que fazer isso... Mas agora, Saulo, eu preciso te revelar toda a verdade, e, também, porque prejudiquei Tailândia...

[Cristevo começa a revelar verdades comprometedoras para Saulo.]

Tensão/Suspense 🎶.

Cristevo: |Franco.| Eu não atirei em Tailândia, nem deixei ela morrer, apenas por conta das incontáveis maldades cometidas por ela; houve outras motivações também.

Saulo: |Curioso.| Que... motivações?

Cristevo: |Respira.| A empregada que foi presa injustamente pela morte de sua avó Maristela... era minha irmã. Ela me contou tudo e deduzimos que a mesma foi vítima de uma armação — orquestrada por dona Tailândia. Como você bem sabe, a minha irmã se matou na cadeia e, desde então e naquele dia, eu jurei que me vingaria daquela megera e faria a mesma ter uma morte lenta e dolorosa...

[À medida que o diálogo avança, lágrimas escorrem do rosto de Saulo e de Cristevo também. Um instrumental triste e melancólico penetra no fundo da cena.]

Cristevo: |Emocionado.| Eu me tornei empregado de Dom Jerônimo justamente para me vingar daquela bruaca... só que me apeguei tanto a ele — e a você também — que eu adiei essa vingança; ele se tornou um pai para mim. |Sádico.| Mas quando vi Tailândia mobilizada, após eu ter dado o tiro nela, percebi que era a oportunidade perfeita para ela passar o que eu e minha irmã passamos. E assim o fiz, deixei ela morrer queimada e impedi que você fizesse algo. E sinceramente? Não me arrependo nenhum pouco...

[Saulo fica horrorizado com as revelações de Cristevo. Mas ao invés de julgá-lo, o rapaz se aproxima do amigo e dá um forte abraço nele. Cristevo se sente acolhido e ambos choram juntos.]

_“Este... foi o final de Cristevo: um homem marcado pela bondade e senso de justiça; foi parar atrás das grades depois de confessar seus crimes, provando que até os mais bons podem cometer delitos. Assim como Juliete, saiu da prisão antes da pena prevista por bom comportamento. Menos de dez anos depois, Cristevo recomeçou a sua vida e foi muito bem recebido por aqueles que querem seu bem.”_

[A tela fica embaçada, a câmera se afasta aos poucos e, por fim, escurece até ficar tudo preto.]



*CENA 04 | CASA DE CALIXTA - INT./TARDE*

```(29/04/1919)```

Takes da cidade ao som de Tico Tico no Fubá - Carmen Miranda (🎵) são mostrados. A câmera se aproxima da casa de "Dona Fogosa".

Outra semana se passa. Estando noiva de Bonfim, Juraciara é convocada por sua mãe, Calixta, para uma conversa séria.

Calixta: |Séria.| Eu... que-que-queria te dizer que... rompi com todos os rapazes que eu me relacionava.

Juraciara: |Franca.| Sério? Olha... vou ser sincera contigo, mamãe, eu me sentia realmente desconfortável com todos aqueles homens dentro desta casa.

Calixta: |Compreensiva.| E vo-você estava certa. Justamente pensando em você que rompi, mesmo tu estando morando com Bonfim. Além di-di-disso, eu quero abandonar essa vida de assanhada. Já aproveitei demais e quero focar só na minha família e, principalmente, em você, minha filha.

Juraciara: |Emocionada.| Oh, minha mãe, eu te amo!

Calixta: |Sorri.| Eu também te amo!

[Juraciara e Calixta se abraçam.]

[O tema de Calixta, "Tico tico - Carmen Miranda (🎵)" volta a ficar.]

_“Calixta rompeu com seus namorados e decidiu curtir mais sua família. Recheada de netos, ela se tornou uma grande avó e até se casou novamente, concentrando o seu "clássico fogo" unicamente no seu marido, embora... ela tenha tido um deslize aqui e outro ali. Enfim! Todos eles foram muito felizes!”_

[Ainda estando abraçada, Calixta pisca o olho esquerdo para a câmera, enquanto sorri, e a tela congela. Em seguida, a imagem escurece.]



*CENA 05 | CAFEZAL - EXT./MANHÃ*

Parabolicamará - Gilberto Gil (🎵).

Os meses vão passando. São mostrados takes aleatórios de paisagens próximas da Fazenda Sampaio. Chuva cai, sol vem, nuvens entram e saem e as plantações de cafés crescem. É 1920. O cafezal finalmente foi reerguido.

```(01/01/1920)```

[Saulo se reúne com seus funcionários, amigos e familiares para a reinauguração do cafezal. Entre eles, estão presentes: Maria Esposa, Alicy (que agora vive no casarão), Nélio, Bonfim, Juraciara (grávida), Calixta, Holofontina, Celeste e Altair (ambos os dois últimos de mão dadas).]

Instrumental épico 🎶.

Saulo: |Determinado.| Meus queridos, primeiramente quero lhes desejar um feliz ano novo. Segundo, quero também agradecê-los pela presença de todos, pois é com muito prazer que reinauguro o cafezal da Fazenda Sampaio, após meses de luta e força de vontade. Um agradecimento especial a todos vosmecês pelo apoio e colaboração e aos meus funcionários, que trabalharam duro comigo para que a coisa acontecesse. |Se emociona.| Todos aqui presentes, inclusive o Cristevo — que se encontra ausente, são como uma família para mim. Viva ao cafezal! Viva à Fazenda Sampaio! Viva a todos nós!

[Todos começam a bater palma e Saulo solta fogos de artifícios. Todo mundo olha para o céu, enquanto vibram a comemoração. Todos estão felizes e a câmera dá close na expressão de felicidade de cada um.]

Instrumental de suspense 🎶.

[O clima é de festejo é interrompido quando a câmera foca em alguém misterioso escondido, perto de uma árvore.]

[Esta pessoa observa a comemoração com precisão e a visão de primeira pessoa vai para ele — ou ela.]

[O ser mira uma arma para todos que estão presentes na reinauguração. A pessoa misteriosa aperta o gatilho e um tiro é disparado.]

[A bala atinge a cabeça de Saulo, que cai de forma súbita no chão. O pico do instrumental é alcançado.]

Instrumental de impacto 🎶.

Bonfim: |Em pânico.| SAULO-O-OH!

[Todos os personagens entram em pânico e uma multidão desenfreada se forma, enquanto todos gritam desesperadamente. A câmera começa a se afastar.]

_“A morte de Saulo não foi apenas mais um evento trágico na família Sampaio. Apenas foi a confirmação de que este clã está destinado a viver sob uma maldição. A cada geração, um membro do grupo familiar é assassinado de forma trágica e misteriosa. Maristela, Jerônimo, Saulo... em cada época, um Sampaio é morto de maneira nada amigável e isso já vem acontecendo há muito tempo. Se as próximas gerações serão assim, eu não sei, mas o legado da família jamais será perdido; assim como o show do teatro, o cafezal deve continuar, mesmo que todos tenham que provar o gosto de um quente..._ *_CAFÉ AMARGO ☕”_*

•A IMAGEM CONGELA NA MULTIDÃO · 📰🌾🗞️•ㅤㅤㅤㅤ