• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — PENÚLTIMO CAPÍTULO | 24
*CENA 01 | CELEIRO - INT./NOITE*
Antes que pudesse dar o tiro de misericórdia, Tailândia se afasta aos poucos e adia a chance de acabar com a vida de Saulo.
Suspense 🎶.
Saulo: |Esgotado.| Nã-não... vai... atirar!?
Tailândia: |Cruel.| Antes de acabar com a sua miserável vida, existem algumas coisas que você precisa saber. Está vendo essa arma? Foi a mesma que usei para matar a sua avó, Maristela!
[Neste momento, o instrumental de suspense começa a se intensificar e Saulo fica chocado com a revelação.]
Saulo: |Abismado.| Então foi vosmecê que matou minha avó e colocou a culpa na tal da empregada...? Meu Deus, tu és um monstro! Esqueceste que um inocente pagou por algo que não fez e ainda tirou a própria vida!?
Tailândia: |Gargalha.| Sobrevivência dos mais fortes, Saulo! A propósito, fui eu mesma quem matou a Irmã Benedita, a Madre Superiora, o Josias Lopes e aquele seu funcionário que te traiu e roubou a herança para mim. Neste último caso, usei minha arma dourada!
Saulo: |Voz trêmula.| Eu não me surpreendo nem um pouco... Ma-mas e as outras vítimas!? Foi vosmecê quem matou meu pai!?
Tailândia: |Cruel.| Isso é uma coisa que eu farei questão de que você JAMAIS DESCUBRA! |Ri.| Sobre esta roupa de freira... foi a que usei na época do convento. |Deboche.| Ainda cabe em mim. Você gostou?
Saulo: |Cansado.| Me poupe de suas piadas...
Tailândia: |Decidida.| Que seja. Agora, chega de revelações. Quero negociar! Saulo da Silva, caso você me diga a localização atual da sua fortuna, pouparei vossa vida; vou te desamarrar e abrirei as portas do celeiro para você pedir socorro. |Deboche.| Mas se quiser, posso acabar com teu sofrimento agora mesmo!
Saulo: |Cabisbaixo.| Eu... preciso pensar...
Tailândia: Pensar!? Meu querido, olha para sua situação. Moleque, tu não tens o que pensar. É agora ou nunca.
Saulo: |Sem voz.| Eu... eu...
Tailândia: |Decidida.| Cansei de você. Já que não queres colaborar, procurarei o dinheiro por conta própria e vou acabar com sua vida dolorosamente. O seu tempo? Acabou!
Saulo: |Sem forças.| Tailândia... espere... por favor...
Tailândia: |Determinada.| Tarde demais! Não perderei a chance de me vingar de você.
[Tailândia pega duas garrafas de gasolina que estavam no fundo do celeiro e começa a espalhar pelo local.]
[À medida que a vilã espalha, Saulo perde cada vez mais a esperança de poder sair dessa situação.]
Tailândia: |Enquanto espalha a gasolina.| Depois de dar um fim na sua miserável vida, serão os seus amigos, familiares e Cristevo as próximas vítimas. |Fria.| Pouparei meus filhos, mas deixarei de considerá-los do meu sangue.
[O instrumental de suspense chega em seu ápice. Tailândia se aproxima de Saulo, enquanto segura uma caixa de fósforo.]
Tailândia: |Sorriso diabólico.| Quais as suas últimas palavras?
[A câmera dá close no rosto de Saulo, que nada diz, uma vez que já aceitou que irá morrer ali mesmo.]
[Em seguida, é dado zoom na expressão de Tailândia, que sorri diabolicamente.]
[O pico do instrumental é alcançado.]
*CENA 01A | CELEIRO - CONTINUAÇÃO*
Instrumental de tensão 🎶.
Antes que Tailândia pudesse jogar o palito de fósforo no chão para matar Saulo queimado, alguém interrompe a situação e começa a bater com tudo na porta do celeiro.
Tailândia: |Revoltada.| QUEM ESTÁ AÍ!? PARE JÁ COM ISSO AGORA!
[A pessoa que está batendo desobedece e passa a bater com tanta intensidade, que a porta fica cada vez mais fraca, chegando ao ponto de tentar arrombá-la.]
Tailândia: NÃO ADIANTA TENTAR ARROMBAR A PORTA! O DESTINO DE SAULO JÁ FOI CEIFADO!
[A pessoa que estava arrombando a porta finalmente consegue adentrar no celeiro. Trata-se de Cristevo. Quando Saulo abre os olhos e vê seu amigo, seu olhar se enche de esperança.]
Cristevo: |Mirando uma arma.| Eu imaginei que o desaparecimento de Saulo tinha suas mãos, Tailândia! DESAMARRE ELE AGORA!
[Tailândia também mira a sua arma contra Cristevo.]
Tailândia: TARDE DEMAIS, CRISTEVO! SAULO NÃO QUIS COLABORAR COMIGO E VAI MORRER POR ISSO!
Cristevo: |Furioso.| Se você não desamarrá-lo, EU VOU ACABAR COM SUA VIDA!
[Sendo a mulher baixa que é, Tailândia mira a sua arma dourada na cabeça de Saulo.]
Tailândia: SE ÉS TÃO CORAJOSO, ATIRA, CRISTEVO! ATIRA PARA MATAR! |Debocha.| ATIRA! ETERNO CAPACHO DE DOM JERÔNIMO!
[Cristevo começa a bufar. O instrumental de tensão se intensifica cada vez mais.]
[Tomado pela fúria, Cristevo atira no braço de Tailândia, o mesmo que ela usou para mirar na cabeça de Saulo.]
[Tailândia grita de dor e se afasta devido ao impacto. A arma dela é jogada para longe após levar o tiro.]
[Corajoso, atira no peito da vilã, que cai de vez no chão. Saulo fica em pânico com a situação.]
Tailândia: |Ferida.| Ma-... ma-... ma-... MALDITO-O! MALDITO! DESGRAÇADO-O!
[Cristevo corre em direção de Saulo e começa a desamarrá-lo.]
[Em um último ato, Tailândia pega a caixa com palito de fósforo, que estava no bolso, acende uma unidade e o joga num ponto específico do chão, que está molhado de gasolina.]
[Um incêndio se inicia.]
Instrumental pesado de impacto 🎶.
Tailândia: |Sádica.| SE É MEU DESTINO MORRER AQUI, NÃO SERÁ SOZINHA! |Vaza muito sangue do seu peito.| Ai... |Põe a mão nele.| Maldito...
[O fogo se espalha rapidamente pelo celeiro.]
[Cristevo finalmente consegue desamarrar Saulo.]
[Após desamarrá-lo, eles notam que quase todas as passagens de fuga estão fechadas pelas chamas.]
Tailândia: |Gargalha enquanto ainda está deitada.| NÓS VAMOS TODOS MORRER QUEIMADOS! |Gargalha novamente.|
Cristevo: |Furioso.| SUA LOUCA! DEMÔNIO!
Tailândia: |Em estado de loucura.| Se eu não posso ficar com a fortuna de Dom Jerônimo, ela não vai ser de MAIS NINGUÉM! |Gargalhada diabólica.|
[Cristevo vê uma brecha livre do fogo e parte da parede de madeira rachada e se quebrando.]
[Ele puxa Saulo, debilitado, que vê também o atalho, e ambos fogem dali, enquanto Tailândia fica abandonada.]
Tailândia: |Inconformada.| EI! VOLTEM AQUI! VOCÊS NÃO PODEM ME DEIXAR SOZINHA!
[Cristevo e Saulo derrubam parte da parede do celeiro e saem de lá.]
[Na externa, ambos estão tossindo bastante e com algumas queimaduras.]
Cristevo: |Preocupado.| Está tudo bem com você?
Saulo: |Tossindo muito.| Agora, acho que sim...
[Enquanto isso, do lado de dentro, as chamas começam a consumir toda área interna do celeiro.]
[Tailândia inala muita fumaça.]
Tailândia: |Tossindo.| Estou tossindo mais que a... |Tossi novamente.| que a Fantine do livro "Os Miseráveis". |Tenta respirar.| Preciso fugir daqui... |Põe a mão no peito ferido.|
[Tailândia nota que está cercada pelo fogo e começa a fechar os olhos enquanto inala mais fumaça.]
[Quando a vilã abre os olhos, nota uma escuridão total ao seu redor.]
Tailândia: |Aparentemente em perfeito estado e com trajes comuns.| Onde estou...? O que é isso...?
[Neste momento, um instrumental sombrio, com muito suspense, penetra no ambiente 🎶.]
[Tailândia começa a ouvir vozes perturbadoras e sinistras.]
Voz 1: A herança...
Voz 2: Herança...
Voz 3: A herança de Dom Jerônimo...
Tailândia: |Apavorada.| QUEM SÃO VOCÊS!? VÃO EMBORA-A! ME DEIXEM EM PAZ!
[Logo após, as vozes se transformam em espíritos imaginários, muito parecidos com alguns personagens falecidos que Tailândia conheceu.]
Dom Jerônimo: |Sombrio.| Eu vou te levar para o inferno...
Irmã Benedita: |Sorriso diabólico.| Vamos rezar juntas... irmã Tailândia? |Gargalhada sinistra.|
Josias: |Demoníaco.| A herança nunca será sua, Tailândia. Você... FRACASSOU! |Vomita um sangue preto.|
Ex-capanga: |Olhos escuros e fundos.| Eu vou abrir sua boca, rasgar a sua pele e arrancar sua carne... |Risada macabra.|
Maristela: |Com o rosto extremamente envelhecido e olhos amarelados.| Venha... junte-se a nós! |Abre a boca e produz saliva preta.|
Tailândia: |Assustada.| SAIAM DAQUI-I! POR FAVOR!
[Neste momento, os supostos espíritos se transformam em caricaturas horripilantes, com rostos deformados, olhos negros, pele pálida e crescem gradativamente, se aproximando de Tailândia.]
Espíritos: |Vozes monstruosas.| VOCÊ VAI PAGAR POR TODAS AS SUAS MALDADES!
[Tailândia começa a suar frio e solta um grito extremamente alto.]
[O pico do instrumental é alcançado.]
[Tudo fica completamente escuro e silencioso.]
[Em seguida, Tailândia desperta da alucinação e se dá conta que ainda está ferida, deitada no chão e usando roupa de freira. A vilã observa que o celeiro ainda está pegando fogo.]
Tailândia: |Exausta.| Eu preciso... sair daqui... Eu não quero morrer... |Chora.| Eu não posso morrer!
[Instrumental de ação misturado com sons de impacto 🎶.]
[Quando menos percebe, o fogo do incêndio sobe pelas pernas de Tailândia, que entra em pânico.]
Tailândia: |Desesperada.| Não... Não. NÃO! NÃ-Ã-Ã-O! |Se contorce.|
[As chamas começam a consumir todo o corpo de Tailândia, que grita desesperadamente por socorro.]
Tailândia: |Em pânico.| A-A-A-AH! A-A-I-H!
[Impulsionada pelo fogo, ela se levanta e começa a correr em círculos, por todos os lados, enquanto é queimada viva.]
Tailândia: |Pegando fogo.| AH! AI! AH! SOCORRO! EU NÃO QUERO MORRER! ME AJUDEM! AH-AH-AH-AH! A-A-A-AI!
[Neste momento, ela tem flashbacks de quando Jerônimo e Josias morreram envenenados e sente a queimação do fogo na sua garganta como se fosse veneno.]
O instrumental de impacto chega em seu ápice 🎶.
[Depois, Tailândia se lembra da vez que incendiou o cafezal de Saulo e sente como se estivesse sendo queimada junto com as plantações de café, em completo estado de loucura e voltando a alucinar. A voz dela se transforma em ecos.]
Instrumental dramático (piano) 🎶.
Tailandia: |Voz ecoando.| EU NÃO QUERO MORRER-R-R-R! NÃ-Ã-O-O! NÃ-Ã-Ã-O-O-O-O-H!
[O instrumental se intensifica. Tudo fica em câmera lenta. Debilitada e aceitando a morte, seu corpo cai no chão lentamente, enquanto as chamas consomem Tailândia de uma vez por todas. O pico do instrumental é alcançado.]
Do lado externo, Cristevo e Saulo observam toda a situação.
Instrumental de tensão 🎶.
Saulo: |Preocupado.| Temos que fazer alguma coisa... vamos chamar os funcionários para apagarem o incêndio... |Tossi.| Temos que tirar Tailândia daí, precisamos salvar ela...
Cristevo: |Decidido.| Não, Saulo, não. É tarde demais... Eu ia pedir para que você puxasse a megera também, mas pensei melhor. Vamos esperar o fogo consumir totalmente o celeiro e depois pediremos ajuda. Esse é o preço por Tailândia ter feito tantas maldades, além do possível envolvimento na morte de Dom Jerônimo.
Saulo: |Aflito.| Mas... e se não foi ela quem matou o Dom Jerônimo!?
Cristevo: |Frio.| Se foi ou não, não importa. O fato é que nos vingamos de uma vez por todas de Tailândia, ao deixarmos ela morrer no incêndio e eu ter atirado na vagabunda. E mais, ninguém precisa saber disso. É um segredo nosso, certo?
Saulo: |Nervoso.| Ce-certo...
[Saulo estranha a crueldade de Cristevo, mas entende suas motivações. A câmera se afasta aos poucos de todo o ambiente. O celeiro começa a implodir e desaba aos poucos. As chamas consomem totalmente o local. O pico do instrumental é alcançado e a tela escurece lentamente.]
*CENA 02 | CEMITÉRIO - EXT./MANHÃ*
```(28/02/1919)```
No cemitério, o enterro de Tailândia é realizado. Maria Esposa e Nélio foram os únicos participantes do funeral da mãe.
Instrumental melancólico 🎶.
M. Esposa: |Reflexiva.| Foi melhor assim...
Nélio: |Cabisbaixo.| Ela nunca mais fazer mal a ninguém...
[Neste momento, Saulo aparece. Um detalhe a ser notado são seus vários curativos em todo corpo, além de suas mãos enfaixadas — uma vez que Tailândia arrancou as suas unhas.]
Saulo: |Segurando algo dentro de um pano.| Eu... vim entregar isso a vocês...
[Nélio e M. Esposa olham para trás e se surpreendem. Saulo revela que o objeto é, na verdade, o que sobrou da arma dourada de Tailândia. Ele entrega para os dois irmãos e parte, com um sorriso esperançoso. M. Esposa e Nélio sorriem de volta.]
M. Esposa: Vamos... enterrá-la?
Nélio: Pode ser...
O Inferno - Nação Zumbi (🎵).
[M. Esposa e Nélio enterram a arma dourada de Tailândia, bem em frente ao túmulo dela. Eles se levantam e dão as mãos um para o outro. Em seguida, os dois irmãos ficam abraçados, dando apoio simultâneo.]
_“Este... foi o trágico fim de Tailândia: uma mulher ambiciosa, ardilosa e manipuladora; fez o que pôde e moveu fundos e mundos, a fim de se tornar cada vez mais rica e garantir o seu futuro econômico e físico. Ela nunca mais fará mal a mais ninguém, absolutamente... NINGUÉM!”_
[A câmera se afasta de todo ambiente enquanto a tela fica embaçada. A música segue tocando.]
*CENA 03 | CASA DE HOLOFONTINA - INT./TARDE*
No mesmo dia, Calixta decide visitar Holofontina.
Instrumental emocionante 🎶.
Holofontina: |Abre a porta.| Calixta? Você por aqui? Quanto tempo...?
Calixta: |Decidida.| É, Holonira, eu queria dizer que... eu sinto fa-fa-falta de nossa amizade. E que... eu estou disposta a te perdoar. Na ve-verdade... Eu já te perdoei! |Se emociona.|
Holofontina: |Comovida.| Oh, minha amiga... eu já disse... |Sussurra.| Meu nome é Holofontina! |Ri.| Ai, mas sério, obrigada, muito obrigada.
[Holofontina e Calixta dão um abraço simultâneo quase que automático e recíproco. A cena corta para elas conversando.]
Holofontina: |Chocada.| A vagabunda da Tailândia matou sua mãe e armou para acusarem uma inocente? Mas que mulherzinha descarada!
Calixta: Po-po-pois é! O meu sobrinho Saulo me contou tudo. De-Deus que me perdoe, mas ainda bem que essa já foi de arrasta para baixo!
Holofontina: |Sorri.| Ai, amiga, que saudades senti de você!
Calixta: |Comovida.| Ah... eu tam-tam-também senti. Dá outro abraço?
[As duas se abraçam novamente e riem juntas, enquanto se emocionam bastante. O pico do instrumental é alcançado.]
*CENA 04 | DELEGACIA - INT./TARDE*
«Um mês depois...»
Após Cristevo fazer algumas pesquisas e investigações discretas e minuciosas, ele decide ir até à delegacia, pedir reforços, trazendo consigo o coroinha Fabiano e a xícara que Dom Jerônimo bebeu — no dia de sua morte.
```(25/03/1919)```
Suspense 🎶.
Cristevo: O motivo de minha pessoa ter roubado a xícara, foi para me redimir de um vacilo que eu dei no momento do assassinato de Dom Jerônimo.
D. Blanco: |Intrigada.| E... posso saber onde você vacilou?
Cristevo: No exato momento que eu vi o assassino, usando uma fantasia de fantasma, já que era carnaval, colocando o veneno no café, assim que Dom Jerônimo saiu. Quando fui pegar a xícara no intuito de jogar fora, a pessoa me surpreendeu por trás com um canivete e me ameaçou. Acabamos indo para fora e, quando tentei pegá-lo para arrancar a identidade, o mesmo fugiu. Quando retornei, já era tarde... Dom Jerônimo já estava morrendo...
Policial Altair: |Abismado.| Meu... Deus!
Cristevo: |Chorando.| Eu me senti extremamente culpado... Eu tinha que iniciar uma investigação pessoal para me redimir... Eu fui muito idiota! |Enxuga as lágrimas.|
Policial Altair: |Inconformado.| Cristevo... você deveria ter mostrado esta xícara no momento que o seu Fabiano MOSTROU A CARTA!
Delegada Blanco: |Incrédula.| Pior, Altair: não deveria nem ter roubado a xícara. Sabia que você pode ser preso por isso?
Cristevo: De verdade, eu peço que me perdoem; prometo que hei de arcar com as consequências. Mas viajando, descobri algumas coisas sobre o assassino...
Coroinha Fabiano: E antes de seu Cristevo contar o que descobriu — logo após a leitura da correspondência escrita pelo padre Serafim, eu trouxe comigo a famigerada carta. |Entrega ela.| Tomem!
Delegada Blanco: |Pega a carta.| Antes de lermos a carta, pode nos dizer, Cristevo, qual é a etnia ou cor do assassino?
Cristevo: Sei sim, dona delegada. Consegui identificar já na época do assassinato, pois o(a) assassino(a) não usou luvas. E a identidade da pessoa... está na carta.
[Delegada Blanco e Policial Altair lêem a carta. À medida que a leitura avança, seus olhos vão ficando cada vez mais arregalados.]
D. Blanco: |Chocada.| Misericórdia...
P. Altair: Vamos ter que apurar isso. Registrar as impressões digitais e provarmos de uma vez por todas que foi esta pessoa que matou Dom Jerônimo, Padre Serafim e todas as outras vítimas.
Cristevo: Em quanto tempo vocês conseguem apurar isso?
D. Blanco: |Pega a xícara, que está empacotada.| Dentro de menos de um mês... daí reuniremos todos os interessados no caso e revelaremos a identidade do(a) assassino(a), e claro: prendermos ele(a)!
P. Altair: |Consolável.| Olha, senhor Cristevo... eu estou disposto a ajudar aliviar o que tu fizeste só pela investigação pessoal que você fez durante esses três anos.
D. Blanco: Além de não ter feito mal ou prejudicado a ninguém; afinal, esta carta do padre foi decisiva para descobrirmos o(a) farsante.
[Todos os personagens se encaram, enquanto o pico do instrumental é alcançado.]
*CENA 05 | IGREJA - INT./MANHÃ*
```(15/04/1919)```
«Algumas semanas depois...»
São mostrados vários takes aleatórios de Vila dos Anjos, ao som de Mentiras - Adriana Calcanhoto (🎵). Chegou o dia do casamento de Saulo e Juliete. O rapaz está no altar aguardando, assim como todos os convidados — que, neste caso, estão sentados nos bancos. Entre os destaques, está a presença de Alicy e Loreta.
Loreta: |Sorrindo.| Óia lá, teu fi, muié. Lindo e galanteador!
Alicy: |Feliz.| O Saulo tá um hômi muito formoso mermo. E já, já tua fia linda entra.
Saulo: |Pensativo.| (Que demora do Cristevo... Ele é meu padrinho no casamento, não pode se atrasar. E a Juliete já, já chega).
[Neste momento, a trilha clássica de casamento começa a ser tocada. Juliete entra na igreja, acompanhada de seu irmão Bonfim. Ela está linda e todos observam com deslumbre.]
Alicy: |Fascinada.| Chegou. Como tá linda essa nora minha.
Loreta: |Alegre.| Eles formam o casal perfeito!
[Juliete sorri para seu noivo. Por fim, a mesma chega no altar.]
Padre: Irmãos e irmãs... Estamos aqui reunidos para celebrarmos o casamento entre Saulo da Silva Sampaio e Juliete Valfredo.
[Juliete e Saulo se encaram, felizes, enquanto o volume da voz do padre baixa.]
[Neste momento, Cristevo invade a igreja e interrompe a cerimônia.]
Instrumental de impacto 🎶.
Cristevo: |Determinado.| PAREM ESTE CASAMENTO!
[Todos os convidados olham para trás e estranham a aparição súbita de Cristevo.]
Saulo: |Confuso.| Cristevo? Finalmente você apareceu! Mas... por que vosmecê está interrompendo meu casamento assim?
Cristevo: Porque eu tenho algo de extrema importância para dizer a todos vocês!
Saulo: |Intrigado.| O quê, meu amigo?
Cristevo: Algo que todos vocês precisam saber, por isso, interrompi a cerimônia; pois o que tenho para lhes dizer, não dá para esperar, não dá para aguardar o casamento acabar, para podermos revelar o que eu, Delegada Blanco e Policial Altair descobrimos.
[Nesse momento, a delegada e o policial entram na igreja.]
Juliete: |Séria.| Nossa, finalmente vosmecês chegaram.
Saulo: |Intrigado.| Podem nos dizer o que está acontecendo!?
D. Blanco: É o seguinte, Saulo e Juliete: primeiramente, nos perdoe. Segundo... gostaria de dizê-los que... já descobrimos quem matou Dom Jerônimo Sampaio!
P. Altair: E viemos aqui justamente nessa intenção, para revelarmos a verdade... a todos vocês!
Todos os convidados: OH-OH-OH-OH!
[Um clima de tensão e suspense é instaurado.]
[Saulo e Juliete ficam intrigados com a descoberta de Cristevo e da equipe policial. Todos os convidados presentes no casamento começam a cochichar. O padre também fica desconfiado.]
*•A IMAGEM CONGELA EM JULIETE E SAULO · 🗞️🌾📰•*