• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 23
*CENA 01 | FAZENDA SAMPAIO - EXT./MANHÃ*
```(27/02/1919)```
Suspense 🎶.
[Após golpear o filho de Dom Jerônimo, Tailândia se aproxima do corpo caído de Saulo e começa arrastá-lo, o levando para dentro do celeiro. Depois de adentrar nele, trazendo a vítima consigo, ela tranca a porta.]
[Tailândia chega perto de Saulo, inconsciente, e o observa, ainda sorrindo diabolicamente, como se estivesse planejando algo maléfico. O pico do instrumental é alcançado.]
*CENA 02 | CASA DE CALIXTA - INT./MEIO-DIA*
Calixta convidou seus amigos e familiares para um almoço especial. No entanto, o único que não chegou a tempo ao compromisso, foi Saulo.
[Um clima de suspense penetra no ambiente.]
Juliete: |Cabisbaixa.| Nossa, a gente já comeu e nada do Saulo chegar...
M. Esposa: Disse ele que resolveria algumas pendências na fazenda e que viria depois.
Nélio: Mas até agora nada...
Juraciara: Será que aconteceu alguma coisa!?
Calixta: Vi-vire essa boca para lá, menina! O meu sobrinho há de chegar, e se não, nos dará uma boa explicação depois!
Bonfim: |Preocupado.| Mas algo me diz que ele teve um grande imprevisto sim.
Cristevo: |Se levanta.| Eu é que não vou ficar aqui esperando o pior; irei à fazenda. Preciso descobrir o porquê de tamanho atraso, até porque, ele não é disso. |Se direciona à porta.| Com licença!
[Cristevo se retira. Todos se mantêm sérios, mas preocupados.]
*CENA 03 | CELEIRO - INT./TARDE*
Dentro do celeiro, o clima é soturno, obscuro e de muito suspense. A câmera se aproxima de Saulo. Ele está amarrado num pilar de madeira, que é conectado com o teto do local.
[Após ser raptado por Tailândia, o mesmo desperta e fica confuso com toda situação.]
Saulo: |Desnorteado.| Meu Deus, o que está acontecendo...? Tailândia? O que vosmecê está fazendo aqui? E essa roupa de freira? |Desperta.| ESPERA! POR QUE EU ESTOU AMARRADO!?
[O clima fica cada vez mais tenso e Tailândia se aproxima dele.]
Tailândia: |Fria.| É tão burro assim? Eu te sequestrei, seu animal. Ou você achou que ficaria livre e feliz, depois de ter tomado o que era meu por direito?
Saulo: |Suando.| Eu apenas recuperei a minha fortuna. Aquilo não era seu, nada é seu! Meu pai deixou tudo para mim, e antes de morrer, com certeza se deu conta da COBRA QUE TU ÉS!
Tailândia: Você fala besteira demais. Bem, antes de irmos para a etapa final ou fazermos um acordo... |Ri.| eu quero brincar com você antes!
Saulo: |Receoso.| O que vosmecê vai fazer!?
Tailândia: |Deboche.| Vou te dar uma tarde maravilhosa de paz e lazer!
[A situação fica calorosa. Tailândia abre uma maleta; dentro dela, estão alguns objetos cortantes e perigosos.]
Tailândia: |Segurando um canivete afiado.| Não vai doer nada... |Ri.|
Saulo: O que vosmecê está fazendo!? Por favor... PARE, POR FAVOR!
[Tailândia usa um canivete para fazer diversos cortes nos braços de Saulo.]
[Ele grita de dor e o sangue começa a derramar de seus membros.]
[Tailândia se satisfaz com o sofrimento do inimigo.]
Saulo: |Se tremendo.| AI! AI! Que ardência...
Tailândia: |Diabólica.| Agora... eu vou marcar a sua face! Igual você fez comigo, quando jogou café quente no meu rosto...
Saulo: |Chorando.| Não... não... NÃO!
[Tailândia esquenta um pedaço de metal áspero e, em seguida, passa no rosto de Saulo, dando leves e suaves esfregadas.]
[A face dele é queimada e cortada, ficando com o lado esquerdo um pouco desfigurado.]
Saulo: |Gemendo.| AI! AI! PARA! PARA!
Tailândia: |Parando.| AH-H! QUE MOMENTO MARAVILHOSO! |Gargalha.|
[Tailândia joga o pedaço de metal fora. Em seguida, a vilã pega um forte alicate.]
Tailândia: |Segurando.| Está vendo isso aqui? Eu vou usar para arrancar... SUAS UNHAS!
Saulo: |Apavorado.| Não... não... Não faz isso, não... NÃO!
[Tailândia arranca a unha do polegar da mão esquerda de Saulo. Ele grita bastante de dor, ao mesmo tempo que chora.]
[Logo após, implicitamente, Tailândia arranca todas as unhas de Saulo, uma por uma, fazendo ele sentir a pior sensação do mundo. Obs.: não é mostrada a extração em si, mas a reação do personagem sim.]
[Seus dedos estão cobertos de sangue.]
Saulo: |Sentindo muito dor.| Para... para... me deixe em paz. Eu te dou o que quiser, mas acabe com esse sofrimento... |Suplica.| Eu imploro!
Tailândia: |Debochando.| Acabar? Mas eu nem comecei! |Ri.| Agora, de brinde, meu enteado, vou arrancar um pedaço de sua orelha! |Gargalhada diabólica.|
Saulo: |Em pânico.| NÃO! JÁ CHEGA! PARE POR FAVOR!
[Tailândia esquenta a ponta do alicate e encaixa na ponta da orelha de Saulo. Ao sentir o toque, o pânico do rapaz é imediato.]
[Ela puxa a orelha do enteado e arranca um pedaço dela, esguichando e respingando sangue]
[Saulo dá um grito tão forte, que é possível ouvir seu eco, após a cena cortar para a parte externa do celeiro.]
*CENA 04 | CASA DE CALIXTA - INT./TARDE*
Após o sumiço de Saulo e a ida de Cristevo, todos vão para suas casas. Calixta e Juraciara ficam na sala conversando.
Juraciara: Ontem eu tive um "pesadelo"...
Calixta: O que você so-sonhou!?
Juraciara: Eu sonhei com meus "ex-pais"... Harmonia e Pompeu...
Calixta: Ah... normal. Você vi-viveu com eles durante anos. Ainda está em fase de adaptação...
Juraciara: Eu sei, minha mãe... Aliás, falando nisso, você já perdoou a Holonilda?
Calixta: |Ri.| É Ho-o-o-lofondina. Não! Ho-Ho-Holofontina. Sim, isso! Bem, eu... ainda nã-não a perdoei. E você?
Juraciara: É... promete não ficar brava? Eu perdoei sim... falei com ela recentemente. Estive lá esses dias.
Calixta: Ah... entendo. Eu não vou ficar bra-brava. Foi uma escolha sua e esteve no seu direito.
[Calixta sorri para Juraciara, que retribui o gesto. A mãe passa a mão na cabeça da filha, enquanto encara a mesma com delicadeza.]
*CENA 05 | CIDADE DISTANTE - INT./TARDE*
Em um interior afastado e morando num casebre, está Harmonia. A mulher se encontra num estado deplorável, praticamente falida e carregando baldes com água, após sair de um poço.
[Harmonia enche seu tanque e, em seguida, decide ir até uma loja, para vender as jóias que sobrou. Enquanto caminha, a mesma reflete sua real situação.]
Harmonia: Se eu continuar nesse ritmo, vou acabar sendo despejada e virando mendiga... Meu Deus do céu, como fui estúpida. Eu não deveria ter entregado Pompeu e poderia ter pegado o dinheiro da lavagem de impostos. Aí, eu estaria vivendo muito bem. Mas como sempre... meu impulso falou mais alto!
[Enquanto Harmonia caminha, ela é avistada por um grupo de pessoas negras.]
Suspense 🎶.
Homem 1: Olha lá... aquela não é a ex-primeira dama de Vila dos Anjos que tá sendo procurada pela puliça!?
Mulher 1: É verdade, hômi! Aliás, essa muié é racista, viu? Parece que ela maltratava os funcionário negro.
Homem 2: E é, mermo, é? Então vamo dar uma liçãozinha nessa branquela azeda!
[O grupo se aproxima de Harmonia e cerca a mulher. Confusa, ela questiona o porquê disso tudo.]
Harmonia: |Intrigada.| Mas quem são vocês? O que querem comigo? Saiam da minha frente, BANDO DE MACACOS!
[O grupo de negros começa a vaiar com os insultos da ex-madame.]
Mulher 2: É, minha gente, parece que vamo ter mermo que dar uma lição nesse resto de ser humano.
[Os negros começam a carregar Harmonia e tentam remover ela dali.]
Tensão 🎶.
Harmonia: |Pânico.| ME SOLTEM! O QUE VOCÊS QUEREM!? ME DEIXEM SAIR!
[Harmonia continua sendo levada dali e a câmera se afasta aos poucos. A cena corta para: a vilã amarrada numa árvore, de costas, enquanto várias pessoas observam a situação.]
O Fortuna - Carl Off (🎵).
Homem 1: |Segurando um chicote.| VAMO DAR PRA ESSA "RAINHA FRANCESA ESNOBE" O QUE ELA MERECE!
Todos: |Vibrando.| É-É-É-É!
Mulher 1: Deixe que eu comece...
[O homem 1 entrega o chicote para a mulher 1. Ela dá a primeira chicotada em Harmonia.
Harmonia: |Sentido dor.| AI! |Leva outra chicotada.| AI! |Recebe mais outra.| PAREM! PAREM!
Homem 1: NÃO PARA NÃO! CONTINUE! SERÁ CEM CHICOTADAS POR PESSOA!
Mulher 1: Vou dar pra essa sinhazinha tudo o que ela merece! |Risada maléfica.|
Harmonia: |Recebe algumas chicotadas.| AI! PARA! POR FAVOR!
Mulher 1: VASSUNCÊ TÁ GOSTANDO!? POIS TOME MAIS, SINHÁ DE CORRUPTO!
Harmonia: |Violentada.| PELO AMOR DE DEUS, PARE JÁ COM ISSO! |Leva mais outra chicotada.| AI! AI! |Chora de dor.|
[Tudo fica em câmera lenta. À medida que Harmonia apanha, ela se lembra de todas as vezes que proferiu falas racistas e, também, quando chicoteou e mandou chicotear funcionários negros, supostamente desobedientes.]
[Suas costas sangram e mancham seu vestido. Enquanto isso, lágrimas caem, deslizando pelo seu rosto.]
Harmonia: |Sem aguentar.| Parem... parem... |Quase sem voz.| Por favor... chega.. |Soluça.|
[A música chega em seu ápice. A câmera começa a se afastar de todo ambiente e a tela fica embaçada.]
_“Este foi o desfecho de Harmonia: uma mulher prepotente; foi capaz das piores atrocidades e cometeu diversas maldades desumanas. Após todo esse sofrimento, seus dias de miséria foram chegando aos poucos e a mesma ficou cada vez mais arruinada, tanto fisicamente e emocionalmente, quanto economicamente e mentalmente. Eu duvido que ela tenha superado tudo isso!”_
[A música, por fim, é finalizada. A tela escurece lentamente.]
*CENA 06 | DELEGACIA - INT./TARDE*
A delegada Celeste Blanco está observando o mapa mental feito por ela e Altair, sobre o assassinato de Dom Jerônimo, até que o Policial Cezar chega.
Delegada Blanco: O que foi, Altair Cezar?
Policial Altair: Eu... gostaria de lhe fazer uma proposta.
D. Blanco: Sou toda ouvidos.
P. Altair: Olha, Celeste, eu... prometo que, depois que falar o que pretendo, nunca mais hei de te importunar e ainda vou desistir de sua pessoa, mas... eu quero perguntar, sim, porque acho que estou no direito. Delegada Celeste Blanco: você aceita namorar comigo?
Como eu quero - Kid Abelha (🎵).
D. Blanco: Olha, senhor Cezar... vamos supor que eu aceite a possibilidade de pensar na sua pergunta: você estaria disposto a encarar toda sociedade? Está disposto a se relacionar com uma mulher 20 anos mais velha que você?
P. Altair: |Romântico.| Eu faço tudo por você!
D. Blanco: Pois muito bem. |Se levanta.| Venha comigo!
P. Altair: |Curioso.| Para onde?
D..Blanco: Vamos passear juntos!
[D. Blanco anda até a porta e P. Altair vai atrás dela.]
[Do lado de fora da delegacia, ambos notam a movimentação na parte externa. Celeste, bem devagar, pega na mão de Altair.]
[Ao sentir o toque dela, o policial Cezar se encanta com o gesto da Delegada Blanco e sorri para ela.]
[Os dois andam pelas ruas de Vila dos Anjos, com as mãos dadas, enquanto todos observam.]
[Alguns acham o gesto bonito, outros enxergam com desdém. Entretanto, nem Celeste e Altair estão pouco se importando.]
[Enquanto caminham, eles passam por figuras conhecidas, como Calixta, Juraciara e Bonfim, que vibram com o início do casal. Ambos retomam sua caminhada.]
_“Anos mais tarde, e sem pressa, Celeste Blanco e Altair Cezar se casaram e viveram uma união mais que estável, apesar dos preconceitos sofridos. No entanto, a história deles no presente ainda não acabou. Afinal, eles ainda precisam solucionar o caso da morte misteriosa de Dom Jerônimo.”_
[Chegando num ponto específico, perto de algumas árvores, Celeste encara Altair. Ela aproxima a sua boca da dele e começam a se beijar ali mesmo, ao ar livre.]
[A música chega em seu ápice. A câmera se afasta deles lentamente, enquanto folhas caem e voam sobre o ambiente.]
*CENA 07 | CELEIRO - INT./FIM DE TARDE*
A cena volta para o celeiro. Saulo está literalmente esgotado; cheio de marcas, hematomas, cortes, algumas queimaduras de 2º grau e sem as suas unhas. Agonizando, Tailândia se divertia ao observar o sofrimento do jovem.
Instrumental sinistro 🎶.
Tailândia: |Debochando.| Oh, coitadinho do Saulinho. Tão frágil, tão indefeso... |Ri.| Ai... acho que já me diverti demais.
Saulo: |Definhando.| O... q-que... vosmecê vai fazer... T-Tailândia!?
Tailândia: |Cínica.| Eu... acho que vou acabar com o seu sofrimento!
Saulo: |Esperançoso.| Vai me matar? Vamos... enfrente... me mata logo... saque essa sua arma amarelada... puxe o gatilho... |Chora.| Por favor, me dá um tiro... me dá um tiro... ME DÁ UM TIRO-O!
Tailândia: |Gargalha.| Ah! Como quiser, querido enteado.
[Tailândia saca a sua arma dourada e coloca, lentamente, na testa de Saulo, apontando contra o herdeiro de Dom Jerônimo.]
[O instrumental sinistro se transforma num soundtrack pesado de tensão.]
[Saulo olha nos olhos de Tailândia, enquanto tem uma arma apontada contra sua testa.]
[A vilã encara o rapaz, que está suando frio, enquanto espera o fim de seu sofrimento.]
[O pico do instrumental é alcançado. A câmera dá close na expressão psicótica de Tailândia, enquanto é dado zoom no semblante triste de Saulo, que pede socorro através dos olhares.]
*•A IMAGEM CONGELA EM SAULO · 📰🌾🗞️•*