Café Amargo - Capítulo 21

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 21


*CENA 01 | CASARÃO POMPOSO - INT./NOITE*


[O clima fica extremamente tenso com a chegada de Harmonia.]


[Tailândia e Pompeu permanecem apavorados diante da situação.]


[A câmera dá close na expressão psicótica da mulher traída segurando o revólver e, em seguida, na dupla de traidores.]


Instrumental de suspense com tensão 🎶.


Tailândia: |Nervosa.| Harmonia... calma! Por favor!


Harmonia: |Furiosa.| Calma...? CALMA!? VOCÊ ME TRAIU, SUA DESGRAÇADA! MINHA PRÓPRIA IRMÃ ME APUNHALOU PELAS COSTAS!


Pompeu: |Com muito medo.| Harmonia... largue essa arma... sente-se, vamos conver-


Harmonia: |Interrompe.| Sabe o pior!? É que eu escutei vocês planejando uma fuga daqui sem mim... SEM MIM! Vocês são piores do que imaginei... FILHOS DE JUDAS SIM!


Tailândia: |Reparando.| Espere aí... O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM MINHA ARMA DOURADA!?


Harmonia: |Deboche.| Sua arma dourada, querida, está com você. Essa é a minha! Achou que foste a única a receber um revólver de ouro? Se enganou. O papai também me deu uma... e pediu para que eu não contasse a você.


Tailândia: ENTÃO TU NÃO TENS MORAL NENHUMA PARA ME CHAMAR DE TRAIDORA!


Harmonia: É CLARO QUE TENHO! Se eu não contei sobre a arma, foi pensando no teu bem, SUA MERETRIZ! |Respira.| Mas agora... estou fazendo questão de trazer essa decepção para você, minha cara irmã. E não trago só isso, como também... DAREI A HONRA DE MORRER PELAS MINHAS MÃOS!


[Harmonia fecha os olhos e fica prestes a atirar contra Tailândia.]


[A bala é disparada, mas a irmã traidora consegue desviar a tempo.]


Harmonia: |Mira a arma no marido.| E você, Pompeu... como pode ter largado às traças nossa união... seu traidor... seu covarde... |Respira.| Não consegui atirar na sua amante, mas já que não foi assim, vou começar por você!


Pompeu: HARMONIA! ABAIXE ESSA ARMA POR FAVOR! NÃO FAÇA NADA QUE POSSA SE ARREPENDER! |Chora.| Por favor, eu suplico! Me perdoa...


[Harmonia se aproxima de Pompeu. Tailândia mantém um afastamento para também não ser acertada, enquanto sente muito medo.]


Tailândia: POR FAVOR, HARMONIA, NÃO FAÇA NADA!


Harmonia: TARDE DEMAIS!


[Harmonia atira na perna direita de Pompeu. O instrumental de tensão se intensifica.]


Pompeu: |Gritando de dor.| AI! AI! Ai... ai... |Soluça.|


[Tailândia coloca as mãos na boca. Mirando na mesma perna, Harmonia dá outro tiro.]


Pompeu: |Derramando as lágrimas.| AI! PARA! PARA-A!


[Tailândia começa a chorar enquanto assiste o parceiro sendo torturado.]


[Sádica, Harmonia mira na outra perna e dá DOIS disparos seguidos nela.]


Pompeu: |Se contorce.| AI! Para... pelo amor de Deus... eu não aguento mais...


Harmonia: E agora... não vai ser só as pernas que você vai perder... Sabe por quê? PORQUE EU VOU ACABAR COM A SUA VIDA! 


Instrumental de ação 🎶. 


[Harmonia se prepara para atirar na cabeça de Pompeu, mas Tailândia avança em cima da irmã e empurra contra a parede, derrubando o revólver.]


[Tailândia tenta pegar a arma, no entanto, Harmonia também empurra a sua irmã e tenta mobilizá-la no chão, enquanto Pompeu chora e geme de muita dor.]


Harmonia: |Sentada em cima de Tailândia.| EU VOU ACABAR COM VOCÊ, SUA TRAIDORA! |Dá uma bofetada.|


Tailândia: |Sendo surrada.| PARA! |Leva outra bofetada.| PARA-A! |É esbofeteada novamente.| AI!


[Usando seus braços e a força deles, Tailândia consegue sair e devolve as bofetadas na irmã, lhe dando dois tapas seguidos, fazendo-a cair no chão.]


Tailândia: |Se aprox.| POMPEU, MEU AMOR! VOCÊ ESTÁ BEM?


Pompeu: |Agonizando.| NÃO VÊ QUE EU ESTOU DEFINHANDO!?


[Um clima de suspense penetra no ambiente.]


[Harmonia se aproxima de Tailândia com o revólver, a fim de matá-la. Entretanto, a irmã mais velha pressente a presença da caçula; a mesma pega um vaso que tinha perto e o quebra na cabeça da predadora. Harmonia cai no chão e fica inconsciente.]


Instrumental dramático 🎶.


Pompeu: |Com as pernas ensanguentadas.| Tailândia... me tire daqui... me leve ao hospital... peça ajuda... |Chora.| 


[Tailândia enxuga suas lágrimas e se aproxima de Pompeu.]


Tailândia: |Serena.| Meu Deus... |Respira.| Me perdoe, mas... eu não posso. A polícia pode me prender. Eu preciso fugir enquanto é tempo. |Sendo sincera.| A Harmonia vai nos expor e eu... não posso carregar um peso morto. Você nem consegue andar. |Derrama uma lágrima.| Me perdoa... agora é cada um por si. |Soluça.| Adeus, Pompeu... boa sorte!


[Tailândia aproveita a situação e foge dali.]


Pompeu: |Desesperado.| Tailândia... você não pode fazer isso comigo... |Gritos.| VOLTE AQUI! TAILÂNDIA! TAILÂNDIA! TAILÂNDIA-A-A-A-H! 


[Algum tempinho depois. Harmonia desperta e vê Pompeu praticamente sem forças.]


Suspense 🎶.


Harmonia: |Se levanta.| Ai... cadê a....? Ah! |Deboche.| Pelo visto, a sua amiguinha te abandonou, não é? |Franca.| Muito bem... eu não vou te matar. Vou fazer uma coisa muito pior!


Pompeu: |Sem forças.| O que pretendes fazer, Harmonia...?


Harmonia: |Sorri.| Eu vou denunciar seu esquema de corrupção para a polícia. Entregarei todo o dinheiro lavado por você e os documentos que comprovam o péssimo papel de prefeito que sua pessoa desempenhou!


Pompeu: |Deboche.| Não, você não pode fazer isso... Sabe por quê? Porque eu também vou te entregar. Vou denunciar você pelos quatro tiros dados. |Frio.| Tu vais se auto-sabotar, porque sem dinheiro, você não vai ter para onde ir, sua burra!


Harmonia: Que seja. Usarei minhas economias e venderei minhas jóias. O que lhe resta? Estar atrás das grades. |Encara o marido.| Adeus... querido Pompeuzinho. |Beija a testa do esposo.|


[Harmonia recolhe sua arma e se retira.]


[Pompeu olha para os lados e sente uma derrota interna. Depois, observa suas pernas criando pus e, em seguida, volta a chorar. A câmera se afasta lentamente do local, o pico do instrumental é alcançado e a tela escurece.]




*CENA 02 | DELEGACIA - INT./NOITE*


Na mesma noite, quando Delegada Blanco e Policial Altair estavam prestes a irem embora, ambos são surpreendidos pela chegada de Harmonia.


Instrumental de suspense 🎶.


Delegada Blanco: Dona Harmonia!? A senhora por aqui!? O que desejas?


Harmonia: Boa noite... Perdão o horário, mas, tenho uma denúncia para fazer.


Policial Altair: E que denúncia seria essa!?


Harmonia: |Mostrando uma bolsa.| Eu vim denunciar meu marido por lavagem de dinheiro. Aqui estão as provas!


[Celeste e Altair se encaram, surpreendidos com a atitude de Harmonia. Ela, por sua vez, se mantém séria e determinada.]




*CENA 03 | CASA DE CALIXTA - INT./MANHÃ*


```(19/02/1919)```


No dia seguinte. Calixta e Juraciara estão tomando café. Neste momento, alguém bate na porta e interrompe a refeição.


Calixta: |Curiosa.| Que-quem será?


Juraciara: |Gentil.| Deixe que eu abro.


[Juraciara abre a porta e se surpreende com a visita.]


Juraciara: Você!?


Harmonia: Oi, Juraciara... eu vim aqui para te dar três notícias.


[Calixta chega na sala.]


Calixta: Ma-ma-s o que você está fazendo aqui!?


Harmonia: |Séria.| Olha, você feche essa matraca porque o assunto é com minha filha. Bem, a primeira é que se eu fosse você, correria para o jornal agora, pois tu tens uma notícia extremamente importante para dar ao povo.


Juraciara: |Intrigada.| Do que você está falando!?


Harmonia: |Cínica.| O seu pai foi preso ontem... por corrupção.


Juraciara: |Respira.| Ah... por que eu não me surpreendo? Não se preocupe. Hei de visitar o "senhor prefeito"!


Harmonia: |Com vergonha.| A segunda é que... fomos nós, eu e seu pai, que armamos para que aquela loira beijasse aquele pre-, digo, o Bonfim à força! 


Juraciara: |Bate palmas.| Parabéns! |Debocha.| Belos pais vocês foram. Felizmente, não são de sangue!


Instrumental dramático 🎶.


Harmonia: E a terceira notícia é que... eu estou indo embora e quero me despedir de você. Sei que, nesse momento, tu me odeias, mas eu nunca deixei de te amar, minha filha. Tenho a noção, sim, de que fui uma péssima mãe, mas nunca duvide de todos os gestos de carinho que eu te dei. 


Juraciara: |Derrama lágrimas.| Ah... tudo bem. Pode ir em paz. Eu... não tenho mágoa de você, Harmonia. Espero que dê tudo certo na sua vida...


Harmonia: |Respira.| Obrigada. |Pega em suas mãos.| Muito obrigada, Juraciara! Por ser essa menina de luz... |Debocha.| Quanto a você, Calixta, eu ainda te acho patética. E espero nunca mais te ver em toda minha vida. Assanhada...


Calixta: |Também debochada.| O sentimento é recíproco! |Séria.| Ago-go-gora... saia da minha casa, por gentileza.


[Harmonia começa a partir e olha para Juraciara pela última vez.]


[Após a mãe postiça sair, a jovem encara Calixta, se emociona e abraça a progenitora. As duas choram juntas.]


[Enquanto isso, do lado de fora, Harmonia reflete consigo mesma.]


Harmonia: |Séria.| Tenho que ir embora o mais rápido possível... A essa altura, a polícia já deve estar me procurando. É, Harmonia... parece que um novo ciclo está para começar. |Olha o horizonte.|


[A câmera se afasta de todo o local aos poucos. O pico do instrumental é alcançado. A tela escurece lentamente.]




*CENA 04 | DELEGACIA - INT./MANHÃ*


Através de um carro de aluguel, Juraciara chega à delegacia.


Tensão 🎶. 


Juraciara: |Intrigada.| Como assim o meu pai "ainda está no hospital"?


D. Blanco: Você não ficou sabendo!?


Juraciara: Não, a minha mãe só contou que ele foi preso!


Delegada Blanco: |Surpresa.| Você esteve com ela? Harmonia é uma foragida! 


Policial Altair: De fato, ele está sob vigilância. No entanto, o, agora, ex-prefeito foi encontrado baleado, após Harmonia ter denunciado o mesmo por esquema de corrupção.


Juraciara: E quem baleou o Pompeu!?


D. Blanco: |Respira.| Foi a própria dona Harmonia, Juraciara. Ao menos, segundo a própria vítima, foi, sim, dona Harmonia que atirou nele...


Policial Altair: |Sincero.| E logo depois de Harmonia... flagrar ele traindo a mesma com... Tailândia Montenegro!


[Juraciara fica chocada com as palavras dos policiais.]


Delegada Blanco |Franca.|: Na denúncia, Harmonia garantiu também que Pompeu e Tailândia planejavam fugir da cidade juntos e roubar a fortuna de Saulo.


Policial Altair: E não precisa avisar ao seu primo Saulo, nós da polícia, cuidaremos disso!


Juraciara: |Mexida.| Tudo bem... É... eu vou ao hospital, visitar o "meu pai"... Depois, irei até o Casarão Sampaio, prestar algum suporte. Obrigada. Até mais!


[Juraciara se retira. Celeste e Altair se encaram, meio abatidos.]




*CENA 05 | HOSPITAL - INT./MANHÃ*


Pegando outro carro de aluguel, Juraciara chega ao hospital.


Pompeu: |Surpreendido.| Filha...? Você faltou ao trabalho só para me ver...?


Juraciara: |Respira.| Eu já sei de tudo, Pompeu. |Se aprox.| E... vim aqui saber como você está...


Pompeu: Ah, minha filha... você já está vendo minha situação. Recebi uma notícia horrível, aliás...


Juraciara: |Curiosa.| Que notícia?


Pompeu: Eu perdi os movimentos das pernas, minha filha.


[Neste momento, um clima dramático domina o ambiente e Juraciara se sente comovida.]


Juraciara: |Triste.| Eu... sinto muito... de verdade... Não queria que isso tivesse acontecido.


Pompeu: Obrigado, filha. Muito obrigado! |Respira.| Agora, eu queria saber se... você consegue... me perdoar?


Juraciara: |Chega mais perto.| Oh, meu pai... eu te perdoo sim pelos seus erros. Até porque a vida já está te cobrando e guardar rancor não faz bem. Eu rezarei pela tua saúde e sua estadia na prisão...


Pompeu: |Se emociona.| Obrigado, minha filha... |Soluça.| Muito... obrigado!


[Juraciara derrama algumas lágrimas. Triste demais, ela se despede de Pompeu e sai do quarto. O vilão fica sozinho e se dá conta do calvário que está passando.]






*CENA 06 | GRAMADO - EXT./TARDE*

Instrumental de natureza 🎶.

Maria Esposa e Nélio estão fazendo um piquenique particular num gramado da cidade.

Maria Esposa: |Feliz.| Enfim, um momento de lazer!

Nélio: |Satisfeito.| Ah, a gente merece, vai.

M. Esposa: |Morde uma maçã.| Com certeza, meu irmão.

[M. Esposa e Nélio consomem os alimentos do piquenique.]

[Neste momento, uma figura familiar se aproxima deles. Trata-se de Tailândia.]

[Um clima tenso e de suspense domina o ambiente.]

M. Esposa e Nélio: |Ao mesmo tempo.| MÃE!?

Tailândia: |Franca.| Meus filhos... eu vim me despedir de vocês. Sei que estou longe de ter sido uma boa mãe, mas encarando a possibilidade de nunca mais ver vocês, eu os segui até aqui para... me despedir.

Nélio: |Revoltado.| A gente não quer mais nada com você. Vai embora!

M. Esposa: Exatamente. |Levanta.| A única coisa que queremos é ver você atrás das grades, pagando pelos seus crimes. Não temos mais pena de você!

[Nélio também se levanta. Eles se aproximam lentamente de Tailândia, que começa a se afastar. Ela corre e os filhos vão atrás.]

Instrumental de ação 🎶.

[Durante a perseguição, ambos adentram numa floresta.]

[Todos continuam a correr incansavelmente.]

[Tailândia tropeça, mas se levanta rapidamente.]

[Nélio é atingido por um galho, mas M. Esposa o ajuda sair dessa. A corrida é retomada.]

[A correria é grande e, pouco tempo depois, Tailândia consegue despistar os próprios filhos.] 

[Nélio e M. Esposa param num lugar específico, cansados.]

Nélio: |Ofegante.| DROGA! Ela escapou...

M. Esposa: |Cansada.| Não se preocupe, Nélio... |Determinada.| Tailândia ainda será pega pela justiça!



*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*

```(20/02/1919)```

Saulo decidiu ir até o cofre com Cristevo para fazer uma retirada.

Saulo: |Abrindo o cofre.| Só espero que os nossos planos dêem certo...

Cristevo: |Aguardando.| É, meu amigo, eu também espero.

Suspense 🎶.

[Quando Saulo abre o cofre, entra em choque e fica sob estado de pânico.]

Saulo: CRISTEVO!

Cristevo: |Assustado.| O QUE FOI SAULO!?

Saulo: |Apavorado.| O COFRE ESTÁ VAZIO!

[Neste momento, Saulo e Cristevo ficam desesperados com o desaparecimento da fortuna.]

[A câmera dá close nos dois homens e, em seguida, zoom no cofre vazio. O pico do instrumental é alcançado.]

*•A IMAGEM CONGELA NO COFRE · 📰🌾🗞️•*