Café Amargo - Capítulo 20

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 20


*CENA 01 | DELEGACIA - INT./TARDE*


[Um clima de tensão domina o ambiente e Policial Altair encara Delegada Blanco enquanto se sente inconformado.]


P. Altair: |Inconformado.| Você não pode fazer isso, é o seu emprego, É O SEU SONHO!


D. Blanco: Eu sei, Altair, mas... do que adianta eu permanecer no cargo e não poder honrá-lo!?


P. Altair: Você está fazendo o que pode. Nós vamos conseguir resolver os casos mais difíceis. Eu estou com você, Celeste...


D. Blanco: |Mexida.| Obrigada, Altair. Obrigada por estar sempre comigo. Eu hei de pensar mais sobre isso...


P. Altair: |Aliviado.| Eu que te agradeço por existir...


[Altair e Celeste ficam prestes a se beijar. No entanto, são interrompidos por outros policiais.]


Instrumental de tensão 🎶.


Policial 1: |Entusiasmado.| DELEGADA! NÓS CONSEGUIMOS APURAR UM OBJETO NA CENA DO CRIME NO DIA DA MORTE DE IRMÃ BENEDITA!


D. Blanco: |Intrigada.| E que objeto é esse!?


[O policial 2 mostra uma pulseira de espessura fina, que está embalada numa sacola.]


Policial 1: Encontramos ela um pouco enterrada na areia.


[Celeste Blanco pega a pulseira, na sacola, e a observa, reconhecendo o objeto.]


D. Blanco: Essa pulseira... É DE TAILÂNDIA MONTENEGRO!


P. Altair: Então já é verídico, Tailândia matou a freira. Motivos? Eu não sei. Mas com certeza a Irmã Benedita sabia de algo que Tailândia não queria que outras pessoas soubessem...


D. Blanco: Eu vou anotar aqui na ficha. Tailândia será indiciada pelo assassinato de Irmã Benedita, além de ser suspeita no atentado contra Saulo da Silva e no incêndio do cafezal. Também nas outras mortes por envenenamento...


Policial 1: Ainda não acabamos...


D. Blanco: O que mais vocês encontraram!?


Policial 2: Uma testemunha abriu o jogo e nos contou que viu Tailândia Montenegro entrar na casa de Josias Lopes, exatamente no mesmo dia de sua morte. Aliás, quase no exato momento...


D. Blanco: |Enérgica.| FINALMENTE ESTAMOS CONSEGUINDO PROVAS PARA PRENDER ESTA MULHER! Ai, que felicidade, Altair!


P. Altair: |Feliz.| Eu falei que conseguiríamos avançar nos casos.


D. Blanco: Tragam essa testemunha AGORA!


Policial 1: Ela está aqui fora. Eu vou trazer ela para cá.


D. Blanco: |Ansiosa.| Traga, traga, por favor!


[O policial 1 se retira. Já o 2, se aproxima da delegada.]


Policial 2: Tem mais...


D. Blanco: |Surpreendida.| MAIS!? Então conte, oras!


Policial 2: Mandamos uma equipe até o Maranhão, local do convento que Irmã Benedita pertencia, como a senhora encomendou. E o que Saulo e companhia falaram era verdade, Tailândia Montenegro foi mesmo freira e é suspeita na morte da Madre Superiora em 1895. Uma pena que o caso já esteja prescrito...


D. Blanco: Mas isso é ótimo, policial! Dará suporte para que a pena dessa mulher aumente no dia do julgamento. Precisamos do máximo de influências possíveis para prendê-la. 


Policial 2: E por último... uma empregada da casa confirmou que Tailândia queimou um lençol no mesmo dia que Irmã Benedita morreu. A doméstica concordou em depor e deve passar aqui mais tarde.


D. Blanco: Maravilha! Estarei aguardando. |Esfrega as mãos.| Pelo visto, as coisas finalmente decidiram se adiantar. |Decidida/reflexiva.| Tailândia Montenegro, ainda vou conseguir te pegar! 


[A câmera escurece lentamente enquanto Policial Altair encara Delegada Blanco; ambos estão entusiasmados. O pico do instrumental é alcançado.]




*CENA 02 | CASA ALUGADA - INT./MANHÃ*


No dia seguinte. Tailândia e Pompeu se encontram novamente no local em que a vilã está escondida.


```(18/02/1919)```


Pompeu: |Entusiasmado.| Tenho uma notícia para te dar!


Tailândia: |Curiosa.| Mesmo? Qual?


Pompeu: Harmonia acabou de viajar!


Tailândia: Para onde?


Pompeu: Na casa daquela amiga, a Desirée. Ela dormirá lá.


Tailândia: E... o que isso quer dizer?


Instrumental sensual 🎶.


Pompeu: |Se aprox.| Que eu e você podemos desfrutar do meu casarão hoje! E realizar o seu fetiche...


Tailândia: |Animada.| Fazer amor na cama de vocês? Ai! Eu quero...


Pompeu: Pois alegre-se, meu amor. Hoje realizarei o seu desejo. |Beija ela.|


Tailândia: Ah, eu sempre quis isso! Aquela cama chique e perfeita de vocês... O Jerônimo sempre foi modesto e humilde, nunca comprou uma cama de alta qualidade. Mas a de vocês, ha! É do meu gosto... |Retribui o beijo.|


Pompeu: Será o nosso último grande ato nessa cidadezinha. Depois, iremos roubar a fortuna de Dom Jerônimo, que está com Saulo, e fugirmos daqui. |Abraça ela.|


Tailândia: |Retribui o abraço.| Estou ansiosa. Mas aflita também. Receio que tudo pode dar errado...


Pompeu: |Consolando.| Vai dar certo, meu amor. Não se preocupe! |Beija a testa dela.|


[A câmera se afasta deles aos poucos enquanto o instrumental segue tocando.]




*CENA 03 | DELEGACIA - INT./TARDE*


Delegada Blanco e Policial Altair reúnem todos os interessados na prisão de Tailândia. Dentre os convidados, estão: Saulo, Juliete, Cristevo, Maria Esposa, Calixta, Juraciara e Bonfim.


Suspense 🎶.


Delegada Blanco: |Séria.| Bom, pessoal, eu os reuni aqui para atualizar a situação de dona Tailândia.


Saulo: |Meio nervoso.| Bem... pode prosseguir.


Policial Altair: Antes de mais nada, me respondam: um de vocês, reconhece esta pulseira? |Mostra o objeto.|


Maria Esposa: |Reconhecendo.| É da minha mãe!


Nélio: |Também reconhecendo.| Exatamente...


P. Altair: |Satisfeito.| Foi o que pensei.


D. Blanco: Bem, já decretamos a prisão dela. Tailândia será presa por tentativa de assassinato contra Saulo da Silva no hospital da cidade, pelos assassinatos de Josias Lopes e Irmã Benedita, suspeita nas mortes de Dom Jerônimo Sampaio, Filipa Maysenga, Bartolomeu Barbosa e Padre Serafim. Além do incêndio no cafezal, a tentativa de envenenamento e o tiro dado em Saulo uma semana depois...


Cristevo: |Cabisbaixo.| Essa mulher é uma criminosa de alto nível...


Juraciara: |Reflexiva.| Não à toa, Harmonia também tem o mesmo caráter...


Calixta: |Revoltada.| Duas ví-víboras! 


Bonfim: Só espero que ela não faça mais mal a ninguém...


Juliete: É o que nos resta, torcer para que nada de ruim aconteça mais...


[A câmera dá close no rosto de cada personagem, enquanto uma expectativa em torno da prisão de Tailândia é mantida.]




*CENA 04 | IGREJA - INT./TARDE*


Depois de um tempo sentindo receio, o coroinha Fabiano finalmente decidiu abrir a carta que o Padre Serafim escreveu antes de morrer.


Coroinha Fabiano: |De olhos fechados.| Eu preciso tomar coragem, meu Deus. Eu preciso tomar coragem!


[Lentamente, o coroinha abre o envelope e segura a carta com suas próprias mãos.]


Coroinha Fabiano: Força, Fabiano! Você consegue...


[Um clima de tensão e suspense toma conta do ambiente. À medida que Fabiano lê a carta, o choque interno transparece na sua expressão de surpresa.]


C. Fabiano: |Surpreso.| Meu Deus... então foi essa pessoa quem matou o tal de Dom Jerônimo e, provavelmente, também o Padre Serafim...


[O coroinha retoma a leitura e nota algumas observações.]


C. Fabiano: Aqui diz que antes de mostrar para a polícia, essa carta deve chegar nas mãos de Cristevo... o amigo pessoal do finado Jerônimo. Minha nossa senhora! |Receoso.| Tenho que procurá-lo e ser rápido. Se não, acabarei sendo a próxima vítima!


[Fabiano fecha a carta, guarda no seu bolso e retoma suas atividades de coroinha na igreja.]




*CENA 05 | CASA DE CALIXTA - FIM DE TARDE/INT.*


Na cozinha, Calixta e Juraciara adiantam em fazer o jantar.


Calixta: Espero que essa mu-mulher seja presa o mais rápido possível!


Juraciara: Ai, eu também torço. Já não basta a "minha mãe" andar solta por aí...


Calixta: |Ri de nervoso.| P-pois é.


Juraciara: É... a senhora... não sabe mesmo quem é meu pai?


Calixta: O-olha, filha, infelizmente não. Eu me relacionei com muitos homens e jamais terei a certeza da real identidade do seu verdadeiro pai...


Juraciara: |Feliz.| Compreendo... Mas me contento em ter você!


Calixta: |Sorri.| É re-recíproco!


Juraciara: Aliás, mãe, diga-me onde estão os coentros. Eu não estou achando.


[Neste exato momento, um instrumental emocionante penetra na cena e os olhos de Calixta ficam marejados.]


Calixta: |Emocionada.| Filha...


Juraciara: |Curiosa.| Oi...?


Calixta: Vo-você não acredita no que eu acabei de ouvir...


Juraciara: O quê!? Fala! Não me deixe curiosa...


Calixta: Juraciara...


Juraciara: FALE!


Calixta: |Animada.| VOCÊ ME CHAMOU DE MÃE!


Juraciara: |Impressionada.| CHAMEI!?


Calixta: |Se aprox.| Ai, f-filha... eu esperei tanto por esse momento! Sempre s-so-sonhei com minha filha viva e me chamando de mãe, mamãe, mainha... E VOCÊ REALIZOU!


Juraciara: |Olha nos olhos dela.| Fico feliz que tenha gostado. |Sorri.|


Calixta: |Segura nas mãos da filha.| Eu t-te amo, minha filha!


Juraciara: |Abraça a mãe.| Eu também te amo... mamãe!


[Calixta e Juraciara se abraçam enquanto uma faz carinho na outra. A câmera se afasta lentamente delas enquanto o pico do instrumental é alcançado.]





*CENA 06 | CASA DE DESIRÉE - EXT./NOITE*


Harmonia e a amiga dela, Desirée (MAITÊ PROENÇA), estão diante da casa desta última. Devido a um incêndio acidental, a casa pegou fogo e as duas estão lá fora aguardando o corpo de bombeiros.


Tensão 🎶.


Harmonia: |Falsa.| Ai, minha amiga, não sabe o quanto lamento esse triste acidente!


Desirée: |Grata.| Nem me fale. Agradeço o seu apoio.


Harmonia: |Vitimismo.| Agora se você está sem onde dormir, imagine eu...


Desirée: |Amigável.| Não se preocupe, o meu motorista te deixará em sua cidade.


Harmonia: |Cínica.| Tem certeza que você não vai precisar dele?


Desirée: Tenho sim. Vou dormir na casa de minha tia. Não é muito longe, irei a pé.


Harmonia: |Sorriso falso.| Se você está oferecendo, eu vou aceitar a sua gentileza... Agradeço.


Desirée: |Sorri.| Nada. Eu não iria te deixar desamparada.


[Harmonia abraça a amiga em forma de agradecimento, enquanto dá um falso sorriso — uma vez que a mulher não possui caráter, nem tem amizade sincera com praticamente ninguém.]




*CENA 07 | RUAS DE VILA DOS ANJOS - EXT./NOITE*


Uma hora de viagem depois. Harmonia chega em sua cidade. Ela agradece ao motorista por ter a levado até Vila dos Anjos.


Harmonia: |Desce do carro.| Muito obrigada!


Motorista: Até mais vê, madame!


[O motorista se retira e Harmonia anda pelas ruas.]


Harmonia: Nossa, mas já está tudo fechado. Nenhum restaurante está aberto para eu me alimentar antes de chegar em minha casa! O jeito é caminhar até o casarão estando com fome mesmo…


[Harmonia segue caminhando enquanto um clima soturno penetra no ambiente.]




*CENA 08 | CASARÃO POMPOSO - INT./NOITE*


Tailândia e Pompeu estão no quarto desfrutando de momentos íntimos enquanto eles pensam que Harmonia realmente passará a noite fora.


Instrumental sexy 🎶.


[Ambos estão de trajes íntimos, enrolados num lençol.]


Tailândia: |Agarrada com ele.| Estou amando esse momento íntimo entre nós! |Beija ele.|


Pompeu: |Retribui o beijo.| Eu também estou. Enfim, um momento de lazer depois de muito estresse!


Tailândia: |Debocha.| Pelo visto, minha irmã Harmonia não estava dando conta do recado aqui na cama, não é...? |Ri.|


Pompeu: |Também ri.| Não mesmo! Felizmente, tenho você. Que é mais velha que ela... experiente... fogosa... mais mulher... tudo o que eu gosto no sexo feminino!


Tailândia: |Sensual.| Você também é o meu homem dos sonhos!


[Os dois voltam a se beijar com muita intensidade, como se não houvesse amanhã.]


[Graças a uma cópia da chave, Harmonia entra no casarão, acreditando que seu marido já está dormindo.]


Suspense 🎶.


Harmonia: |Caminhando.| Pompeu! Cheguei! Pode ir acordando.


[Pompeu e Tailândia não percebem a chegada da esposa e o clima de suspense se intensifica cada vez mais.]


[Harmonia se aproxima do corredor e percebe sons suspeitos vindo de seu quarto.]


[Chegando perto, ela escuta atrás da porta uma voz feminina e a de Pompeu.]


Harmonia: |Pensativa.| (Mas o que é isso!? Pompeu... Pompeu...Você não é nem louco em ousar me trair. Essa voz... eu conheço... Não, não pode ser! Parece a voz de Tailândia. Não deve ser verdade. Não pode ser verdade)!


[Harmonia continua escutando os diálogos provocativos entre Pompeu e Tailândia, além de assuntos comprometedores.]


[A mulher acaba derramando lágrimas de tanto ódio.]


Harmonia: |Pensativa.| (Não, não é verdade, NÃO É VERDADE! Eu tenho que fazer alguma coisa. Não posso deixar isso barato).


[Harmonia vai até a despensa da casa.]


Harmonia: |Enxuga as lágrimas.| Desta vez, não vou usar o seu revólver, Pompeu, pois ele me deu azar. |Leve risada.| Mas sim, um objeto mais do que especial! |Sorri.|


[No local, Harmonia pega um objeto bastante familiar. O item, em questão, é uma arma banhada a ouro, idêntica ao revólver de Tailândia.]


Harmonia: |Deboche.| Ai, Tailândia... não foi só você que herdou uma arma dourada do papai... Ele me pediu para guardar segredo no intuito de não te chatear. Uma pena! Porque além de se decepcionar, minha querida irmã, você vai morrer por essa mesma arma! |Discreta risada.|


[Harmonia sai da despensa e se aproxima sorrateiramente do quarto.]


[Vendo que a porta não está trancada, ela abre com tudo e invade o local, mirando a arma no casal de adúlteros.]


Instrumental de impacto 🎶.


[Zoom no rosto de Harmonia enquanto aponta o revólver.]


Harmonia: |Revoltada.| TRAIDORES! FILHOS DE JUDAS!


[Zoom no rosto de Tailândia.]


Tailândia: |Apavorada.| HARMONIA!


[Zoom no rosto de Pompeu.]


Pompeu: |Com medo.| NÃO É O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO!


[Pompeu e Tailândia se recompõem.]


Harmonia: |Sádica.| Vocês me vão pagar por essa traição.... VOCÊS TÊM QUE PAGAR! |Manuseia a arma.|


[O clima fica extremamente tenso com a chegada de Harmonia.]


[Tailândia e Pompeu permanecem apavorados diante da situação.]


[A câmera dá close na expressão psicótica da mulher traída segurando o revólver e, em seguida, na dupla de traidores.]


*•A IMAGEM CONGELA EM POMPEU E TAILÂNDIA · 📰🌾🗞️•*