Café Amargo - Capítulo 19

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 19


*CENA 01 | CAFEZAL - EXT./MANHÃ*


Instrumental de suspense 🎶.


[Atrás de uma árvore queimada, está Tailândia, segurando seu clássico revólver dourado, o mesmo que ela usou para matar a avó de Saulo, enquanto mira no próprio rapaz. Seu rosto ainda está marcado devido à queimadura sofrida do café. A mulher observa Saulo e Juliete com ódio e vingança no olhar.]


Tailândia: |Cautelosa.| Depois que eu queimei o teu cafezal, Saulo, agora é a sua vez de perder a vida...


[Tailândia mira a sua arma em Saulo e dispara um tiro que, aparentemente, acerta a cabeça dele.]


Instrumental de impacto 🎶.


Tailândia: |Vibrante.| ISSO!


[Saulo cai no chão desacordado e Juliete se desespera.]


Juliete: |Desesperada.| SAULO! SAULO! FALE COMIGO! CRISTEVO! ALGUÉM ME AJUDE! SOCORRO!


[A câmera mostra o lado esquerdo da testa de Saulo sangrando.]


[Depois, foca na expressão de satisfação de Tailândia.]


[Por fim, é dado um close em Juliete, que segue desesperada. A tela escurece.]




*CENA 02 | HOSPITAL - INT./MANHÃ*


Após sofrer um tiro inesperado de Tailândia, Saulo é levado urgentemente para o hospital. Lá, Cristevo e Juliete aguardam notícias.


Cristevo: |Preocupado.| E então, doutor? Como o Saulo está?


Médico: |Direto.| Para a sorte do jovem Saulo, o tiro foi apenas de raspão. No entanto, ele acabou desmaiando por conta do susto e, possivelmente, do som do disparo. Ainda assim, o deixaremos em observação. Com licença! |Se retira.|


Juliete: |Aliviada.| Graças a Deus está tudo bem com ele!


Suspense 🎶.


[A cena corta para o quarto que Saulo está. Perto dele, uma enfermeira se aproxima do rapaz com um travesseiro.]


[A enfermeira, então, revela ser, na verdade, Tailândia. Ardilosa e estando disfarçada, ela foi até lá no intuito de matá-lo.]


Tailândia: |Pensativa.| (Desta vez você não vai escapar... seu bastardinho caipira).


Ação 🎶.


[Tailândia tenta asfixiar Saulo com um travesseiro, que nada faz, pois ainda está inconsciente.]


[No meio do processo, Juliete entra no quarto e flagra o atentado.]


Juliete: |Apreensiva.| O QUE VOSMECÊ ESTÁ FAZENDO? PARE COM ISSO AGORA!


[Quando Tailândia se vira para Juliete, surpreende a moça.]


[Furiosa, a namorada de Saulo se aproxima da vilã e a puxa para o lado.]


Juliete: |Agarrando-a.| TU NUNCA MAIS HÁ DE FAZER MAL PRA NINGUÉM!


[Juliete empurra Tailândia e dá-lhe uma forte bofetada.]


[Vingativa, a vilã devolve o tapa e faz a moça cair diretamente no chão.]


[Guardas policiais flagram a situação e Tailândia acaba fugindo pela janela.]


Guarda: |Preocupado.| Está tudo bem!? 


Juliete: |Se recompondo.| Sim, mas a criminosa da Tailândia escapou!


[A cena corta para o lado externo. Tailândia está fugindo de um guarda. Em dado momento, ela o despista.]


[Aliviada, a mesma aproveita a chance para se esconder novamente.]





*CENA 03 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


Dois dias depois. Saulo se recupera totalmente do incidente e vai para casa. Lá, ele pede para conversar com Juliete. 


```(10/02/1919)```


Juliete: Fico feliz que vosmecê esteja melhor. Enfim! Pode dizer o que queres conversar, meu Saulo...


Saulo: Agradecido, minha Juju. Bom... eu queria dizer que vosmecê foi a garota mais encantadora que conheci, além de ser a mulher da minha vida. Mas como todo cavalheiro, tenho que fazer jus aos meus sentimentos. Dito isso, eu quero saber, Juliete Valfredo, se tu queres... casar comigo?


Mentiras - Adriana Calcanhoto (🎵).


[Saulo se ajoelha e mostra uma aliança muito bonita.]


[Juliete se encanta com as palavras de Saulo e seus olhos ficam marejados com o pedido.]


Juliete: |Intimidada.| Eu... não sei nem o que dizer...


Saulo: |Esperançoso.| Por favor, meu amor, só aceite. É o que mais desejo na vida ultimamente!


Juliete: |Feliz.| Eu... quero sim, Saulo da Silva Sampaio. Quero me casar com vosmecê! Eu ti amo, meu amor.


Saulo: |Apaixonado.| Agora posso dizer que sou o homem mais feliz do mundo. Também "ti" amo, minha Juliete!


[Saulo se aproxima da amada. Apaixonados, um beijo é iniciado, enquanto o tema deles toca e a câmera gira em torno deles. O clima é de amor e romance. A câmera se afasta lentamente deles.]




*CENA 04 | CASA DE CALIXTA - INT./MANHÃ*


Calixta está varrendo a casa, até que é interrompida com o batido da porta e a mesma decide atender. Ao abrir, se surpreende com a visita.


Calixta: |Mexida.| Ju-Juraciara!?


Juraciara: |Nervosa.| Oi, tia... eu posso entrar?


Calixta: Claro, en-entre. O que faz aqui? Veio me visitar? E essa-s malas?


[Juraciara entra na casa.]


Instrumental emocionante 🎶.


Juraciara: Na verdade, eu gostaria de saber se eu posso morar aqui...


Calixta: |Esperançosa.| Claro! Pode sim! Faço questão! Só que vo-você tem que ficar esperta. Porque de vez em quando, eu recebo uns ra-rapazes e-


Juraciara: |Interrompe.| Não se preocupe. Eu não julgo. Você tem o direito de namorar quem quiser. Na verdade, eu só quero me aproximar mais da senhora... |Pega nas mãos dela.|


Calixta: |Emocionada.| Oh, minha filha, é mesmo? Não sa-sabes o quanto isso me deixa contente. A casa é sua, Juraciara!


Juraciara: |Feliz.| Obrigada, muito obrigada. Tenho certeza que seremos grandes amigas, e que essa nova fase da minha vida, vai me fazer enxergar coisas que não via com grande ampliação... |Reflete.| como o caráter sujo dos meus pais...


Calixta: |Pega no cabelo dela.| Esquece isso, minha querida. Ago-gora, será apenas eu e você a partir de hoje.


Juraciara: Posso ajudar no almoço?


Calixta: E você sabe co-cozinhar?


Juraciara: Claro!


Calixta: |Se levanta.| Então venha comigo!


[Juraciara dá as mãos para Calixta e ambas vão até a cozinha para começarem a preparação do almoço.]




*CENA 05 | CASA DE HOLOFONTINA - INT./MEIO-DIA*


Harmonia decide ir até a casa de Holofontina para acertar as contas com a ex-cúmplice.


Tensão 🎶.


Holofontina: |Intrigada.| O que você quer!?


Harmonia: |Insatisfeita.| Você não deveria ter feito isso comigo!


Holofontina: |Firme.| A Calixta já disse, ela achou o diário e eu apenas confirmei a história.


Harmonia: Não deveria ter confirmado!


Holofontina: E você acha que ela é burra!? Como a senhora é iludida, dona Harmonia...


Harmonia: Que seja, deverias ter negado até a morte. Agora, a qualquer momento, tanto eu, quanto você, e até o Pompeu, podemos todos parar atrás das grades!


Holofontina: Já ouviu falar em prescrição de crime não? Além disso, Calixta não vai denunciar você não. Ela está muito ocupada e preocupada em se reaproximar da verdadeira filha dela do que travar uma batalha nos tribunais com você! Embora merecesse... já que tentaste matar ela recentemente!


Harmonia: Isso foi uma atitude impulsiva... já me arrependi. Aquilo poderia ter custado caro minha liberdade e reputação.


Holofontina: Que seja! E sinceramente, dona Harmonia? Eu não me arrependo de ter confirmado a história para Calixta. Já estava na hora dela saber a verdade e finalmente tirei um peso na consciência!


Harmonia: Mas de quebra perdeu a amizade daquela infeliz e ainda tirou a minha filha de mim!


Holofontina: |Determinada.| A Juraciara nunca foi a sua filha! Você conseguiu ela por meios ilegais e deu a ela uma péssima criação, a colocando num internato e vendo a pobrezinha apenas uma vez por ano. Deu luxo, mas não deu amor, e isso, a Calixta fará questão de dar!


[A situação fica cada vez mais tensa e Harmonia tenta dar uma bofetada em Holofontina; no entanto, ela se defende e impede o tapa.]


Holofontina: |Segura o braço da inimiga.| Você nunca mais vai me agredir, sua cretina. |Solta o braço dela.| Agora, fora da minha casa! Não tenho mais nada para resolver contigo. Fora!


Harmonia: |Rancorosa.| Eu desejo o pior mal possível para você e àquela gaga miserável. Ainda hei de recuperar a minha filha, nem que eu tenha que utilizar meios ilegais novamente... |Se afasta.| Adeus! 


[Harmonia se retira e fecha a porta com tudo. Holofontina respira aliviada e põe a mão no próprio peito.]




*CENA 06 | IGREJA - INT./TARDE*


O Padre Serafim está rezando uma missa e ele pede que todos se levantem.


Padre Serafim: Os fiéis se levantem por favor!


[Os fiéis da igreja se levantam.]


Padre Serafim: Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém!


[Um clima de suspense e tensão toma de conta do ambiente.]


Padre Serafim: Chega, então, o momento da hóstia! |Toca o sino.| Os que fizeram o catecismo, façam as filas por favor!


[Os ouvintes chamados fazem a fila para o consumo da hóstia.]


[O Padre Serafim pega uma taça de vinho e bebe ela. Ele sente um gosto diferente e observa a bebida, para ver se tem algo. No entanto, nada o padre vê.]


Padre Serafim: |Pensativo.| (O que é isso, meu Deus? Mas que peso no meu peito é esse...? Está apertando).


[O coroinha Fabiano percebe que o Padre Serafim está estranho e se aproxima aos poucos.]


Coroinha Fabiano: Padre? Está tudo bem?


[O padre começa a passar mal e cai no chão. Os fiéis se movimentam e demonstram curiosidade e preocupação. Um médico que estava assistindo a missa tenta cuidar do padre.]


Padre Serafim: |Passando mal.| FABIANO! A CARTA! NÃO SE ESQUEÇA DA CARTA! |Morrendo.| Ela... é... importante... |Desfalece.|


[Fabiano fica com medo da situação e chora de desespero ao ver o Padre Serafim morrendo.]


[Após alguns segundos e tentativas de cuidado médico, o sacerdote falece.]


Médico: Infelizmente... o Padre Serafim morreu...


[Um instrumental melancólico domina o fundo da cena.]


[Muitos fiéis se desesperam e choram também.]


[A câmera se afasta lentamente de todos e a tela fica embaçada.]





*CENA 07 | CASA ALUGADA - INT./MANHÃ*

São mostrados takes aleatórios da cidade. As ruas estão enfeitadas e o clima é carnavalesco. Um samba toca no fundo dos takes. Uma semana se passa. A câmera se aproxima de um outro bairro mais distante. Nele, Tailândia alugou uma casa pequena para se esconder da polícia e, também, poder namorar o seu amante, Prefeito Pompeu.

```(17/02/1919)```

[Tailândia está sentada em frente a um espelho enquanto Pompeu termina de se vestir.]

Tailândia: |Inconformada.| Precisamos apelar. Esse Saulo parece que é osso duro de roer, não morre nunca.

Pompeu: |Reflexivo.| Isso é revoltante. Desse jeito, não vamos fugir nunca daqui!

Tailândia: Já mandei um dos funcionários ficar de olho para descobrirmos onde está o cofre com toda fortuna atualmente.

Pompeu: Tu tens certeza que esse plano há de dar certo?

Tailândia: Tem que dar, Pompeu. Eu já fracassei demais. Estou cansada de tudo isso. Quero sair logo de Santa Conceição e começar uma nova vida longe.

Pompeu: Logicamente esses planos me incluem, não é?

Nação Zumbi - O Inferno (🎵).

Tailândia: |Se aproxima.| Mas é claro! A única excluída de tudo isso, infelizmente, é a nossa querida Harmonia. Coitada... Ela pensa que vai fugir com a gente. Mas é aquilo, não é? Sobrevivência dos mais fortes e dos mais espertos! |Senta no colo de Pompeu.|

Pompeu: |Sedutor.| Exatamente, meu bem. Juntos, vamos dominar o que quisermos e dar um adeus para essa maldita cidade! |Beija ela.|

Tailândia: |Retribui o gesto.| Nós vamos conseguir, Pompeu. Vamos conseguir! |Beija o homem novamente.|

[Tailândia e Pompeu se beijam com bastante intensidade na cama, enquanto rolam feito duas madeiras numa ladeira em queda livre.]

[A câmera se afasta deles e mostra mais takes da cidade enquanto a música citada anteriormente segue tocando.]



*CENA 08 | CASA DE BONFIM - INT./MEIO-DIA*

Decidida, Juraciara decide ir até a casa de Bonfim, no intuito de tomar alguma atitude no que se diz respeito à relação deles.

Bonfim: Fico feliz que você tenha decidido se aproximar de sua verdadeira mãe.

Juraciara: Foi o melhor que fiz. Eu preciso me afastar um pouco mais dos meus pais de criação e criar mais laços com a Calixta.

Bonfim: É louco pensar que o Pompeu, na verdade, é seu tio e dona Harmonia não é absolutamente nada sua.

Juraciara: Pois é. Tailândia também não é nada minha. Também descobri nos últimos dias que ela sabia de tudo. Essa criminosa, mãe desnaturada...

Bonfim: A polícia está procurando-a incansavelmente. Ela tem que pagar pelos crimes que cometeu. Além de ser a principal suspeita no assassinato do seu tio Jerônimo...

Girl On Fire - Alicia Keys (🎵).

Juraciara: Bem, mudando de assunto, eu queria lhe dizer que pensei no nosso relacionamento...

Bonfim: |Nervoso.| E...?

Juraciara: |Franca.| Eu acredito em você. Tenho certeza que foi aquela loira quem forçou a barra. Seja por qual motivo foi. Nunca me deste razão para desconfiar de ti, por que me trairia justamente agora?

Bonfim: |Esperançoso.| Isso quer dizer que...?

Juraciara: |Apaixonada.| Que eu quero voltar com você! Eu te amo, Bonfim.

Bonfim: |Apaixonado.| Eu também te amo, Juraciara...

[Juraciara e Bonfim começam a se beijar ali mesmo enquanto ele pega em seu cabelo levemente. A câmera se afasta aos poucos.]



*CENA 09 | DELEGACIA - INT./TARDE*

Na delegacia, Celeste Blanco está lendo o jornal. Nele, tem um título destacado escrito: "Padre morto: assassinato ou infarto? Polícia e médicos não entram em consenso." O policial Altair se aproxima dela.

P. Altair: Delegada Blanco?

D. Blanco: |Fecha o jornal.| Sim?

P. Altair: Eu vi o que você estava lendo...

D. Blanco: |Desabafo.| Ai, Altair, eu só estou cansada. Ultimamente só tenho acumulado fracassos, nenhum caso importante foi totalmente resolvido pela nossa equipe e posso até ter o risco de perder o cargo.

P. Altair: |Estimulante.| Mas, Celeste, não podemos desistir. Temos que descobrir quem foi o responsável pela morte de Dom Jerônimo e se as outras mortes possuem alguma relação com a mesma.

D. Blanco: O tempo passa, Altair, e simplesmente não descobrimos nada. Sim, achamos uma pista e outra ali, mas nada de tamanha relevância.

P. Altair: E o que você pretende fazer? Ficar aí o dia inteiro lendo notícias que só vão te fazer mal?

D. Blanco: |Decidida.| Não, Altair. Eu vou sair do meu cargo de delegada. Estou abdicando de minhas funções.

[Um clima de tensão domina o ambiente e Policial Altair encara Delegada Blanco enquanto se sente inconformado.]

*•A IMAGEM CONGELA EM DELEGADA BLANCO · 📰🌾🗞️•*