Café Amargo - Capítulo 18

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 18


*CENA 01 | CAFEZAL - EXT./MANHÃ*


Uma semana se passou desde o incidente do incêndio no cafezal, causado por Tailândia. Apesar de não ter sido comprovado o culpado, a vilã segue como a principal suspeita.


```(07/02/1919)```


[Saulo reuniu seus funcionários para uma importante reunião.]


Saulo: |Determinado.| Infelizmente, meus caros amigos, a inveja e a cobiça destruíram grande parte do legado deixado pelos trabalhadores rurais dos Sampaio. Mas, nós, não iremos desistir. Vamos lutar para reerguer o que sobrou da colheita. Iremos plantar novamente, cultivar e não deixaremos que pessoas maldosas atrapalhem nossos planos. Temos que ser fortes a partir de agora, hei de contratar seguranças mais eficazes, intensificar as barreiras protetoras e tratar nosso cafezal como o maior ouro de nossas vidas. NÃO VAMOS DESISTIR! VAMOS TRABALHAR E RECONSTRUIR NOSSO LEGADO!


[Todos começam a vibrar com a determinação de Saulo e ele é aplaudido. Um instrumental emocionante penetra na cena.]


Cristevo: |Firme.| É isso, mesmo, Saulo. Não iremos desistir. Muitos daqui, infelizmente, foram embora, mas os que restaram, hão de ajudar na reconstrução. Vamos investir bastante com a fortuna deixada pelo seu pai e iremos, sim, recuperar o nosso cafezal. VIVA AO SAULO! VIVA A NÓS! VIVA AO CAFEZAL!


[Todos vibram e aplaudem novamente. Vários trabalhadores se abraçam e Saulo sorri para Cristevo, que retribui o sorriso. A câmera se afasta lentamente e o pico do instrumental é alcançado.]




*CENA 02 | VILA DOS ANJOS - EXT./MANHÃ*


São mostradas paisagens aleatórias ao som de Parabolicamará - Gilberto Gil (🎵). Em seguida, takes dos prédios da capital de Santa Conceição. A câmera se aproxima das ruas da cidade.


[Calixta sai de uma loja e acaba se esbarrando com Holofontina.]


Calixta: |Gentil.| É... oi, Ho-o-o-lofontina!


Holofontina: |Sem graça.| Bom dia, Calixta...


[Cada uma segue seu rumo. Calixta olha para trás e depois retoma a sua caminhada. Logo após, é a vez de Holofontina observar a sua ex-amiga. A mulher também retoma o seu rumo. Um clima triste e de esperança prevalece na cena.]




*CENA 03 | CASARÃO POMPOSO - INT./TARDE*


Mais tarde naquele dia. Harmonia, Pompeu e Juraciara estavam lanchando, até que tocam a campainha.


Harmonia: |Curiosa.| Quem será?


Pompeu: Não lembro de ter combinado nada com ninguém...


Juraciara: |Meio triste.| Deixem que eu atendo.


[Juraciara abre a porta. Curiosos, Harmonia e Pompeu vão até a sala para descobrirem quem é.]


Tensão 🎶.


Juraciara: |Leve sorriso.| Tia Calixta! A senhora por aqui?


Calixta: |Beija e abraça.| O-o-oi, minha filha. Tudo bem?


Harmonia: |Nervosa.| Mas o que você quer na minha casa!?


Pompeu: |Aflito.| Calixta, o que estás a fazer aqui?


Calixta: |Determinada.| Eu vim acabar com todos os se-se-segredos de uma vez por todas!


Juraciara: |Intrigada.| Do que a senhora está falando, tia?


Harmonia: |Rígida.| Eu acho melhor você ir embora!


[Um clima leve, mas silencioso, começa a penetrar na cena. Calixta pega nas mãos de Juraciara e olha nos olhos da jovem.]


Calixta: |Olhos marejados.| Ju... sa-sabe por que eu e você sempre tivemos essa forte conexão?


Juraciara: |Confusa.| Nã-não, eu não sei, tia. Por que a gente se ama?


Calixta: |Decidida.| É porque eu, Ju-Ju-Juraciara... sou a sua verdadeira mãe! Você é a filha que tiraram de mim, que foi trocada pelo bebê morto de Harmonia. |Soluça.| Essa mu-mu-mulher aí trocou nossas filhas, ficou com a viva e me entregou a criança morta que ela deu a luz!


Instrumental de tensão 🎶.


[Juraciara fica cada vez mais intrigada. Ela encara Harmonia e Pompeu, que estão nervosos, e, em seguida, olha nos olhos de Calixta, enquanto ambas lacrimejam. O pico do instrumental toca.]






*CENA 04 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*


Maria Esposa e Nélio estão no quarto deste último conversando sobre as decisões tomadas por ambos.


Instrumental tocante 🎶.


Maria Esposa: Bem, agora que finalmente cortamos os laços com a mamãe, temos que seguir em frente e focar nos nossos sonhos.


Nélio: Concordo plenamente. Temos que retomar a nossa peça, ao mesmo tempo que temos que intensificar nossa redenção com o Saulo. Felizmente, ele nos deixou morar aqui...


Maria Esposa: Só não entendo o porquê da Juliete ter recusado.


Nélio: Já se esqueceu? Foi para apoiar o irmão, pois ele brigou com a namorada, nossa prima Juraciara.


Maria Esposa: De fato, havia esquecido. Enfim, o Saulo é um bom homem... Tem seus deslizes como qualquer ser humano, mas possui um coração de ouro.


Nélio: Você ama ele, Mariposa?


M. Esposa: Não diria amar, mas... eu sinto um grande carinho e um imenso afeto por ele. Apesar de já ter... você sabe... com ele... eu o vejo como um irmão. Mas agora quem eu amo de verdade, mesmo, é você, Nélio. Meu irmãozinho!


Nélio: |Se emociona.| Eu também te amo, minha irmã. Você é o meu maior tesouro e não deixarei ninguém te fazer mal.


M. Esposa: |Sorri.| É recíproco!


[Os dois irmãos se abraçam enquanto a câmera se afasta deles lentamente. Um clima de carinho, amor e harmonia é prevalecido no ambiente.]




*CENA 05 | CASARÃO POMPOSO - INT./TARDE*


No Casarão Pomposo, a situação continua calorosa após Calixta revelar a verdade para Juraciara.


Tensão 🎶.


Juraciara: |Se afasta.| MAS QUE HISTÓRIA É ESSA!? QUE LOUCURA É ESSA QUE VOCÊ ME CONTOU, TIA CALIXTA!?


Calixta: É a mais pu-pu-pura verdade, minha filha. Eu sou a sua mãe.


Harmonia: |Aflita.| Pelo amor de Deus, Juraciara, não acredite nessa assanhada!


Juraciara: |Desesperada.| E você, pai!? NÃO VAI FALAR NADA!?


[Pompeu nada diz, só observa a situação enquanto permanece muito nervoso.]


Calixta: |Chorando.| Sabe esses he-he-hematomas na sua mãe e o fato do seu pai ter ficado muito machucado? Eu que dei uma surra neles. Por eles terem roubado vo-vo-você de mim!


Juraciara: Não, isso não é verdade... NADA DISSO É VERDADE!


Calixta: Olha, tu-tudo começou quando...


[Enquanto Calixta conta com detalhes para Juraciara como tudo aconteceu, o volume de sua voz baixa, sendo substituído por um instrumental de suspense. Algum tempinho depois, as vozes de ambos são retomadas.]


Juraciara: ISSO É VERDADE, MINHA MÃE!?


Harmonia: |Cínica.| MAS É CLARO QUE NÃO! ESSA RAMEIRA ESTÁ MENTINDO!


Instrumental de tristeza 🎶.


Pompeu: |Sincero.| Olha... é verdade sim. Eu não vou mais mentir, Juraciara. Você foi a única coisa pura que existiu na minha vida. Eu, Holofontina e Harmonia fomos responsáveis, sim, pelo seu roubo. Nossa vontade de mostrar para a sociedade, devido à pressão do povo, que tínhamos tido um filho legítimo era tão grande, que nem nos preocupamos com seus sentimentos. Eu lamento profundamente por essa situação ter chegado a tal ponto...


Harmonia: |Revoltada.| POMPEU, SEU TRAIDOR!


Pompeu: |Cabisbaixo | Sei que não presto e admito que não presto mesmo, bem como a sua mãe. Mas meu afeto por você, Juraciara, é o mais sincero de todos. Apesar dos pesares, eu te amo, minha filha!


Juraciara: |Furiosa.| NÃO ME CHAME DE FILHA!


Calixta: O-o-lha, Ju, eu queria dizer que-


Juraciara: |Interrompe.| E QUANTO A VOCÊ, CALIXTA? DEVERIA TER ME CONTADO A VERDADE ASSIM QUE DESCOBRIU!


Calixta: |Triste.| Eu precisava me pre-pre-preparar para este momento...


Juraciara: MESMO ASSIM! Sei que você deve ter sofrido muito e lamento por isso... |Respira fundo.| Mas agora preciso sair daqui! Preciso desabafar com alguém. EU PRECISO IR EMBORA! |Corre e sai pela porta.|


Harmonia: JURACIARA, VOLTE AQUI! Viu o que você fez, sua desgraçada?


Calixta: |Limpando as lágrimas.| Não me arrependo e te-tenho fé de que minha filha voltará para mim. A-agora, eu preciso ir. Parte do meu dever já foi cumprido. Adeus!


[Calixta também se retira. Harmonia encara Pompeu com frieza. Um clima de tensão penetra novamente no ambiente.]


Harmonia: |Se aproxima de Pompeu.| Isso tudo É CULPA SUA!


[Harmonia dá uma forte bofetada no rosto de Pompeu e sai de cena.]


Pompeu: |Pensativo.| (Sei que é, minha cara Harmonia. E eu mereci este tapa. Agora, Tailândia, só tenho você. Tu és minha única esperança de escape. Já perdi minha filha, Harmonia está se perdendo na própria arrogância e minha irmã me odeia — com razão. Juntaremos todo o dinheiro que conseguirmos coletar e iremos embora daqui... custe o que custar)!




*CENA 06 | CASA DE BONFIM - INT./TARDE*


Após ter tido uma grande decepção, Juraciara corre até a casa de Bonfim e decide se abrir com o amado.


Instrumental dramático 🎶.


Bonfim: |Intrigado.| Juraciara? O que fazes aqui?


Juraciara: |Voz embargada.| Bonfim... independentemente de como está nossa relação, eu preciso de você... Eu preciso do seu apoio!


Bonfim: |Comovido.| Meu Deus, meu amor, o que aconteceu?


Juraciara: |Chorando.| Só me abrace... Apenas me abrace!


[Bonfim se aproxima e abraça Juraciara com todo carinho do mundo. Ela retribui o gesto. Após beber uma água e alguns minutos de conversa, Juraciara termina de contar tudo. Ambos estão sentados no sofá.]


Bonfim: |Chocado.| Nossa... mas seus pais são dois criminosos!


Juraciara: |Mais calma.| Eles não são meus pais, Bonfim. Podem ter cuidado bem de mim, mas eu não passo de um objeto de conquista para eles!


Bonfim: E quanto à sua verdadeira mãe? Tu pretendes aproximar-se dela?


Juraciara: Sobre isso, tenho que pensar... Foi um baque muito forte e tenho que refletir mais sobre os últimos acontecimentos...


Bonfim: Enfim, Ju. Você pode ficar o tempo que quiser aqui...


Juraciara: Obrigada, Bonfim. De verdade, muito obrigada!


[Juraciara deita a sua cabeça no colo de Bonfim, enquanto ele faz carinho na mesma. Ela se sente acolhida e o rapaz fica esperançoso em poder retomar sua relação com a ex-namorada.]


[São mostrados takes aleatórios, ao som de Girl On Fire - Alicia Keys (🎵), dos prédios de Vila dos Anjos. A câmera se aproxima da delegacia.]




*CENA 07 | DELEGACIA - INT./TARDE*


Delegada Blanco e Policial Altair discutem os últimos acontecimentos na delegacia.


Delegada Blanco: |Inconformada.| Já faz uma semana que Tailândia está desaparecida. 


Policial Altair: A gente vacilou, deveríamos ter entrado no casarão, e não esperar do lado de fora, mesmo correndo os riscos previstos.


D. Blanco: De fato, Altair. Enfim, ainda temos que apurar a morte dessa freira. É evidente que Tailândia e até o prefeito são suspeitos na morte dela. Precisamos averiguar o local da tragédia mais vezes. Ah! E ainda tem esse incêndio no cafezal...


P. Altair: |Esperançoso.| Sim... Mas, agora, será que podemos falar da gente?


D. Blanco: |Cansada.| Olha, Altair, eu não estou com cabeça para falar de relação e essas coisas. A gente nem tem nada sério, apenas trocamos alguns beijos. Sem contar que sou muito mais velha que você...


Instrumental triste 🎶.


P. Altair: |Decepcionado.| Ah! Entendo... Eu estou indo lá, vou inspecionar algumas coisas. Até mais tarde! |Se retira.|


D. Blanco: |Reflete.| Ai, Altair, se você soubesse que eu sou perdidamente apaixonada por sua pessoa... Mas a nossa diferença de idade, infelizmente, não permite que a gente se relacione; nem essa sociedade hipócrita.


[Delegada Blanco retoma seu trabalho ao começar a reanalisar alguns documentos e a tela escurece lentamente.]





*CENA 08 | CASARÃO SAMPAIO - INT./NOITE*


Mais tarde. Saulo chamou Juliete para ter uma conversa séria com a mesma. Eles se encontram na sala principal.


Juliete: |Nervosa.| Estou aqui, Saulo. Vosmecê já pode falar!


Saulo: |Também nervoso.| Eu... gostaria de lhe fazer um pedido.


Juliete: Pedido?


Saulo: Quero que vosmecê saia do dancing, assim como fez Maria Esposa; ela e Nélio já estão me ajudando, alugando as terras que herdaram do meu pai e dando suporte na colheita.


Juliete: Mas por que queres que eu saia do dancing? É meu sustento para ajudar meu irmão Bonfim.


Saulo: |Respira.| Porque quero que vosmecê more aqui. E quero saber se tu queres... ser minha namorada novamente. Juliete, quer voltar comigo?


Mentiras - Adriana Calcanhoto (🎵).


Juliete: |Tímida.| Vosmecê insistindo assim me faz querer aceitar...


Saulo: |Animado.| Então tu aceitas!?


Juliete: |Corajosa.| Ai... está certo! Eu volto com vosmecê e aceito morar nessa casa. Mas só se eu puder ajudar nas colheita e essas coisa, viu?


Saulo: |Apaixonado.| Como vosmecê quiser!


[Saulo e Juliete se beijam apaixonadamente e retomam a sua relação de forma oficial.]


[Nélio e Maria Esposa observam a cena da escada, enquanto se encantam pelo casal. A tela escurece novamente.]





*CENA 09 | IGREJA - INT./MEIO-DIA*


Suspense 🎶.


Após lamentar o triste fim de Irmã Benedita, Padre Serafim passa a se comportar de maneira estranha. Apreensivo, ele escreve uma carta.


[O padre chama o coroinha Fabiano (MATHEUS UETA) e lhe entrega a carta.]


Coroinha Fabiano: Pode dizer, seu padre!


Padre Serafim: Por tudo que é mais sagrado, Fabiano; você, em hipótese alguma, vai abrir esta carta e irá guardá-la como se tivesse protegendo sua própria vida. Tu, rapaz, poderás abrir apenas caso algo aconteça comigo. Algo grave mesmo. Pois nesta carta, estão verdades que podem mudar o destino de muita gente!


Coroinha Fabiano: |Nervoso.| Tu-tudo bem, Padre Serafim, farei o que o senhor está pedindo.


Padre Serafim: |Pega nas mãos do jovem.| Obrigado, meu filho, muito obrigado!




*CENA 10 | CAFEZAL - EXT./MANHÃ*


No dia seguinte. Saulo leva Juliete para conhecer o cafezal.


```(08/02/1919)```


Instrumental de natureza 🎶.


Juliete: |Admirada.| Que lugar lindo! Vou adorar trabalhar aqui.


Saulo: |Alegre.| É cansativo, mas com o tempo, tu se acostuma. 


Julieta: |Sem graça.| Eu espero. |Ri.| 


Cristevo: Bom, gente, deixarei vocês à vontade e falarei com os trabalhadores. Podem namorar em paz! |Ri.|


[Cristevo se retira e deixa Juliete e Saulo sem graça. Algum tempinho depois e, observando o resto das plantações que sobraram, o casal começa a se beijar ali mesmo.]


[Deitados na terra, ambos dão beijos apaixonados enquanto um clima romântico prevalece.]


[Depois de um momento a sós, eles decidem trabalhar de verdade. No caminho, enquanto Juliete e Saulo andam e conversam, um instrumental de suspense penetra na cena.]


[Atrás de uma árvore queimada, está Tailândia, segurando seu clássico revólver dourado, o mesmo que ela usou para matar a avó de Saulo, enquanto mira no próprio rapaz. Seu rosto ainda está marcado devido à queimadura sofrida do café. A mulher observa Saulo e Juliete com ódio e vingança no olhar.]


Tailândia: |Cautelosa.| Depois que eu queimei o teu cafezal, Saulo, agora é a sua vez de perder a vida...


[Tailândia mira a sua arma em Saulo e dispara um tiro que, aparentemente, acerta a cabeça dele.]


Instrumental de impacto 🎶.


Tailândia: |Vibrante.| ISSO!


[Saulo cai no chão desacordado e Juliete se desespera.]


Juliete: |Desesperada.| SAULO! SAULO! FALE COMIGO! CRISTEVO! ALGUÉM ME AJUDE! SOCORRO!


[A câmera mostra o lado esquerdo da testa de Saulo sangrando.]


[Depois, foca na expressão de satisfação de Tailândia.]


[Por fim, é dado um close em Juliete, que segue desesperada.]


*•A IMAGEM CONGELA EM JULIETE · 📰🌾🗞️•*