Café Amargo - Capítulo 17

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 17


*CENA 01 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


A situação continua calorosa no Casarão Sampaio, após Irmã Benedita ter flagrado Pompeu e Tailândia juntos e deduzido que a megera é amante do próprio cunhado.


Instrumental de tensão 🎶.


Irmã Benedita: |Fria.| Vosmecê é uma pecadora sem solução, dona Tailândia. E TU, SEU PREFEITO!? TENS VERGONHA NESSA CARA NÃO!?


Tailândia: |Se levanta.| Quem é você para me julgar, sua bajuladora? Tu não passas de uma reles falsa moralista, uma vagabunda que se esconde debaixo de um hábito. SENDO QUE NA VERDADE, VOCÊ SÓ É FREIRA PORQUE NENHUM HOMEM NUNCA TE SATISFEZ DE VERDADE!


Irmã Benedita: |Brava.| Olha aqui, seu demônio, eu já cansei de vossa pessoa! Mas isso não vai ficar assim, NÃO! Eu vou denunciar vosmecê para a polícia agora por todos os seus crimes e acabar com a reputação desse prefeito meia-tigela!


Tailândia: |Determinada.| Ah, mas você vai! Vai mesmo! E vai sair pelo mesmo lugar que entraste!


Pompeu: |Aflito.| TAILÂNDIA, O QUE PENSA EM FAZER!?


Tailândia: VOU ACABAR COM ESSA SITUAÇÃO DE UMA VEZ POR TODAS!


Instrumental de ação 🎶.


[Tailândia se aproxima de Benedita e, utilizando um lençol como proteção e a fim de não deixar impressões digitais, começa a empurrar ela perto da janela.]


Irmã Benedita: |Pressionada.| ME SOLTA, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO!? |Nervosa.|


Tailândia: |Pressionando.| ESTOU FAZENDO UM FAVOR PARA A SUA MISERÁVEL VIDA!


[A situação fica cada vez mais tensa e Tailândia empurra Irmã Benedita pela janela.]


]Enquanto a freira cai, ela dá seus últimos gritos de desespero e atinge o chão. Irmã Benedita morre na hora.]


[A câmera mostra o corpo caído da freira e, em seguida, os olhares perturbados de Pompeu e Tailândia.]




*CENA 02 | CASA DE CALIXTA - INT./MANHÃ*


O clima de suspense e tensão prevalece na casa de Calixta.


Calixta: |Apavorada.| Pe-pe-pelo amor de Deus, Harmonia, largue essa arma. Você não está nada bem da cabeça e pode causar uma tragédia!


Harmonia: |Psicótica.| Mas é exatamente isso que eu quero causar, uma tragédia. Você vai me pagar por ter me causado esses hematomas horríveis, SUA CRETINA!


[Quando Harmonia está prestes a atirar em Calixta, Holofontina aparece por trás e começa a intervir na situação.]


[Um instrumental de ação toca no fundo da sequência.]


Holofontina: |Tentando tomar a arma.| LARGUE ESSA ARMA, SUA MALDITA!


Harmonia: |Tentando se soltar.| AH, ENTÃO VIESTE SE INTROMETER, NÃO É, SUA CACHORRA!? EU AINDA TEREI UMA CONVERSA SÉRIA CONTIGO, SEU ANIMAL!


[Holofontina continua impedindo Harmonia de tirar a vida de Calixta e a arma dispara para lados aleatórios enquanto "Dona Fogosa" se abaixa. A melhor amiga da vítima toma a arma da vilã.]


Holofontina: |Mirando a arma na cara de Harmonia.| FORA DAQUI, SEU DEMÔNIO! FORA! SE NÃO EU ATIRO NESSA SUA CARA DE VÔMITO MAL CUSPIDO!


[Harmonia foge do local desesperadamente. A situação fica mais calma.]


[Calixta abraça Holofontina enquanto um instrumental emocionante toca na cena. O gesto é finalizado.]


Calixta: Olha, eu serei eternamente gra-grata por você ter salvo a minha vida. Estou completamente endividada contigo. Ma-mas, olha, eu ainda não estou pronta para lhe perdoar...


Holofontina: Eu... entendo.


Calixta: Mas isso não significa que eu não esteja de coração fechado para lhe dar uma no-no-nova oportunidade. Você provou que é sim capaz de tudo por mim e pela nossa ex-amizade. Pensarei com muita ca-ca-carinho, Querontina...


Holofontina: |Emocionada.| É Holofontina... |Ri com tristeza.| Aliás... |Se recompõe.| você vai denunciar a Harmonia?


Calixta: E-e-u-u-eu não vou denunciar a demônia. Agora, hei de me dedicar à Juraciara. A vida vai co-cobrar de Harmonia com o tempo. Sobre essa arma aí, pode me dar... eu vou me livrar dela.


[Holofontina entrega a arma para Calixta, que beija as suas mãos após "Dona Fogosa" guardar o revólver no bolso de seu avental. A ex-amiga dela parte ao mesmo tempo que está esperançosa. O pico do instrumental toca.]




*CENA 03 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


Uma semana se passou. Nesse período, Tailândia mentiu para a polícia no seu depoimento. Ela alegou que Benedita, em estado de surto, tentou entrar no quarto dela pela escada, enquanto a megera conversava sobre política com Pompeu, e caiu devido a um descuido.


```(30/01/1919)```


Saulo decidiu ir até o Casarão Sampaio. Vendo que deixaram a porta aberta, o rapaz entra de forma sorrateira.


[Na sala de jantar, estão Tailândia, Pompeu e Harmonia tomando café.]


Tailândia: Ah, ultimamente só tenho tido paz! Recuperei meu prestígio e, logo em breve, todos nós iremos embora daqui.


Harmonia: Uma pena. Eu já estava acostumada com Santa Conceição. Mas sei me adaptar em outros locais. Preciso tirar minha filha daqui urgentemente!


Pompeu: Agora que a Calixta sabe a verdade e como a Juraciara ainda está namorando aquele Bonfim, temos que partir o mais rápido possível.


Tailândia: Ao menos não teremos mais que olhar na cara do bastardinho do Saulo. Já passei a perna nele.


Harmonia: Esse negrinho desnecessário. Será um livramento!


Pompeu: As tentativas de acabar com o reinado dele sabotando o cafezal podem ter sido em vão, mas ao menos ele vai terminar na sarjeta e quanto a nós, ricos e longe daqui!


[Pompeu, Harmonia e Tailândia fazem um brinde. Saulo interrompe o momento.]


Saulo: |Chegando.| Por que será que eu nem me surpreendo com tanta maldade em cena?


[A câmera dá closes no rosto de cada personagem enquanto um clima de suspense penetra no ambiente.]





*CENA 03 | CASARÃO SAMPAIO - CONTINUAÇÃO*


Tensão 🎶.


Tailândia: |Pega de surpresa.| SAULO!? O QUE VOCÊ FAZ AQUI?


Pompeu: |Cínico.| Olha, estávamos apenas brincando...


Harmonia: |Sincera.| Mas eu não! Nunca te suportei, seu bastardinho.


Saulo: |Franco.| Não precisam se explicar. Já entendi tudo. Muitas das coisas que vocês falaram, infelizmente, não conseguirei provar. Eu, Tailândia, só vim aqui pedir demissão.


Tailândia: É sério? Olha... |Ri.| então está despedido! |Gargalha.|


Saulo: Quero que assine a demissão do Cristevo também. Não queremos mais ter vínculos com vosmecês!


Harmonia: Nós é que não queremos! |Ri.|


Pompeu: |Abre o jogo.| Quer saber? Serei sincero. Nunca te suportei, seu moleque. Sempre te odiei. Tu és igual ao teu pai, Jerônimo, que era um velho mesquinho. A imagem e semelhança do patético do meu irmão. Felizmente, já está morto, fazendo um grande favor para a sociedade!


Saulo: Durante esses últimos três anos, eu já desconfiava do mau caráter de vossas pessoas. Mas não se preocurpem, a verdade sobre a morte do meu pai há de ser revelada e a vida cobrará caro as maldades cometidas por vosmecês. Não só ela, mas a justiça também! |Deboche.| Podemos acertar nossas contas, querida madrasta?


Tailândia: |Ri.| Ah, claro!


[Saulo acompanha Tailândia até o escritório. Harmonia e Pompeu suspeitam da atitude de Saulo. A tela escurece lentamente.]




*CENA 04 | RUAS DA CIDADE - EXT./TARDE*


Juraciara vai até a tenda comprar algumas frutas e avista seu namorado, Bonfim.


Bonfim: |Chamando.| Juraciara!


Juraciara: |Acenando par ele.| Oi, amor!


Tensão 🎶.


[Após comprar as frutas, Juraciara se aproxima de seu namorado. No entanto, ela é surpreendida por uma mulher loira que chega perto de Bonfim e o beija, pressionando o rapaz, como se ele estivesse dando correspondência ao beijo.]


Juraciara: |Lacrimejando.| Não... Não, não, NÃO!


[A mulher continua forçando o beijo e lágrimas caem do rosto de Juraciara.]


[Magoada, a mesma corre dali. Bonfim finalmente consegue largar da mulher loira, mas já era tarde demais.]


Bonfim: JURACIARA! ESPERA! Como você pôde fazer isso, sua loira vagabunda!? JURACIARA!


[Bonfim corre atrás de Juraciara; porém, acaba sendo esbofeteado pela moça.]


Juraciara: |Arrasada.| NÃO ME PROCURE NUNCA MAIS!


Bonfim: |Desesperado.| MAS FOI ELA QUE ME BEIJOU!


Juraciara: E você bem que gostou!


[Juraciara se retira, muito triste e furiosa. Bonfim permanece no local, enquanto sente o gosto amargo do fracasso.]


Suspense 🎶.


[Em outro take, a loira está com Pompeu, que entrega alguns contos de réis para a moça, revelando que isso foi uma armação planejada por ele e Harmonia.]


Pompeu: |Cínico.| Fez muito bem o seu trabalho.


Mulher loira: |Sorridente.| Precisar de novo, é só chamar!


[A moça se retira e deixa Pompeu sozinho, saboreando o fim do relacionamento enquanto sorri diabolicamente.]




*CENA 05 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


```(31/01/1919)```


Após ter estranhado a demissão de Saulo, Tailândia decidiu convidá-lo para um café a fim de negociar e fazer as pazes com o enteado — falsamente. Ele aceita, suspeitando de algo. Nélio está a par de tudo e não deixará a sua mãe prejudicar o rapaz.


Saulo: |Cínico.| Então vosmecê quer reatar a nossa "boa" relação? Não sei se acredito.


Tailândia: |Falsa.| Pois acredite. Eu quero muito que a gente volte a se dar bem, querido!


Nélio: É, Saulo... acredite nas intenções de minha mãe.


[Eis então que a empregada chega com a bandeja de cafés.]


Tailândia: |Entusiasmada.| Ah, finalmente os cafés! 


[Tailândia presta atenção nas xícaras e observa a que está com a asa rachada, que é o café para Saulo tomar.]


Tailândia: |Bebendo o café.| Estupendo!


Nélio: |Tomando.| Está mesmo.


Tailândia: |Sorrindo.| Não vais beber, Saulo?


Saulo: |Falso.| Claro! Só que eu gosto de café gelado. |Falando com a empregada.| Com licença, você pode pegar um pouco de gelo?


Tailândia: |Nervosa.| Ah, não precisa, o café já está meio-frio. E o gelo acabou.


Saulo: Eu insisto.


Empregada: Não, dona Tailândia, tem gelo sim. Vou buscar alguns pedaços!


Suspense 🎶.


[Numa tigela, os gelos são trazidos. Inteligente, Saulo coloca um pedacinho de gelo no seu café e nota que ele afundou.]


Saulo: |Frio.| Então vosmecê tentou me envenenar, dona Tailândia...?


Tailândia: |Nervosa.| Eu posso explicar...


[Saulo pega o seu café e joga na roupa de Tailândia.]


Tailândia: |Se contorcendo.| VOCÊ ENLOUQUECEU!?


Impacto 🎶.


[Não satisfeito, Saulo pega o café de Tailândia e joga o líquido, que está mais quente, no rosto de Tailândia, queimando a vilã.]


[Nélio assiste tudo com muita aflição.]


Tailândia: |Com a mão no rosto.| AI! AI! ESTÚ-Ú-PIDO-O!


Saulo: |Furioso.| ACHOU MERMO QUE VOSMECÊ IA ME ENVENENAR, DONA TAILÂNDIA!? ESTÁS ENGANADA! EU SOU MAIS ESPERTO E AGORA EU VOU DESTRUIR O RESTO DESSE TEU REINADO!


Tailândia: |Tirando a mão do rosto.| O QUE VOCÊ VAI FAZER, SEU ANIMAL!?


[Neste momento, Maria Esposa, Cristevo, Calixta e Juliete invadem o casarão e vão até o cômodo que todos estão presentes.]


Tailândia: |Incrédula.| MAS O QUE SIGNIFICA ISSO!? Maria Esposa!? Ah... agora está tudo explicado... ISSO FOI UM COMPLÔ MONTADO POR VOCÊS PARA ME CERCAR! Mas isso não vai ficar assim... Eu vou denunciar você, Saulo, por agressão física!


Saulo: Mas vosmecê não vai mermo! Sabe por que, dona Tailândia? Porque o seu Eriberto, o homem do cartório, confessou a sua culpa e entregou a folha original do testamento, com autenticação e tudo. Delegada Blanco e Policial Altair conseguiram convencê-lo a dizer tudo, após muitas ameaças! 


Nélio: Inclusive, ele já foi preso...


Cristevo: O que isso significa? Que você, Tailândia, ESTÁ EXPULSA DESTA CASA!


[Saulo mostra o documento original.]


Instrumental de ação 🎶.


Juliete: |Com ódio.| E quanto a mim, dona Tarântula, tenho umas dívida para acertar com vossa pessoa!


[Juliete se aproxima de Tailândia e dá três bofetadas consecutivas. Na terceira, a vilã cai no chão.]


[Antes que Tailândia pudesse revidar contra Juliete, Calixta toma a frente e olha nos olhos da antagonista.]


Calixta: |Raivosa.| Eu ta-também tenho umas coisas para acertar contigo!


[Calixta desfere um soco forte na boca de Tailândia, que cai no chão novamente. Seus lábios sangram.]


[Em seguida, "Dona Fogosa" a pega pelo cabelo e soca novamente o rosto da megera, desta vez, acertando o nariz em cheio, fazendo o mesmo sangrar também. Ela continua no chão.]


Calixta: Isto é por vo-vo-você ter queimado as cartas que mandei pro meu irmão Jerônimo! |Se recompõe.| Licença, meus queridos, tenho uma casa para varrer, diferente de certas pessoas, que passam o dia com o traseiro enfiado no sofá. |Limpa as mãos.| Até mais vê, queridos!


[Calixta se retira. Tailândia limpa o sangue. Maria Esposa se aproxima da mãe.]


Maria Esposa: |Firme.| Isso não é nem metade do que você merece, minha mãe. Chega de barbaridades e manipulações!


Nélio: |Decidido.| Já não somos mais seus fantoches, dona Tailândia. Seu jogo termina agora!


[Tailândia se levanta e mantém uma postura firme.]


[Um clima tenso volta a penetrar no ambiente.]


Tailândia: |Determinada.| Todos vocês... hão de me pagar! VOCÊS VÃO ME PAGAR! Podem ter vencido a batalha, MAS NÃO VENCERAM A GUERRA! Eu vou me vingar de cada um de vocês! EU AINDA SEREI MUITA RICA! RICA! E FICAREI, SIM, COM A HERANÇA DE DOM JERÔNIMO, POIS EU NÃO NADEI ATÉ AQUI PARA MORRER NA PRAIA! NINHO DE SERPENTES!


[Tailândia se retira com tudo e sobe as escadas para pegar suas coisas já que vai embora.]


[Todos encaram e observam feio a vilã subindo degrau a degrau. A câmera se afasta deles aos poucos.]


Suspense 🎶.


[A cena corta para o quarto de Tailândia. Enquanto arruma as malas, a mesma observa pela janela, de longe, um carro no portão, reconhecendo o veículo. O automóvel em questão é da polícia.]


Tailandia: |Aflita.| Isso é uma armadilha... Tenho que fugir daqui! |Se retira com suas coisas e vai para outro cômodo.|


[Saindo pela janela de um dos quartos de hóspedes e disfarçada com um manto negro, Tailândia foge pela mata da fazenda. O pico do instrumental é alcançado e a tela escurece.]




*CENA 06 | CAFEZAL - NOITE/EXT.*

 

Enfim, anoitece. Após ter sido dada como foragida da polícia, Tailândia adentra na Fazenda Sampaio de forma sorrateira. Tomada pela raiva, a megera se aproxima do cafezal com duas garrafas de gasolina e uma caixa de fósforo no bolso.


Instrumental de tensão 🎶.


Tailândia: |Psicótica.| É hoje que eu queimo esse cafezal... Vou destruir parte do seu império, maldito. O que é teu ainda está guardado e a sua herança VOLTARÁ A SER MINHA!


[Tailândia espalha a gasolina em boa parte do cafezal enquanto o instrumental se intensifica.]


[Após despejar tudo, a vilã se afasta e acende um palito de fósforo.]


[O pico do instrumental é alcançado.]


Tailândia: |Em estado de loucura.| ADEUS, CAFEZAL DE FEZES! 


[O instrumental pesado de tensão se transforma num de grande impacto (🎶).]


[Tailândia joga o palito de fósforo e causa um vasto incêndio no cafezal.]


[Chamas consomem toda a plantação enquanto Tailândia observa tudo com um sorriso diabólico e admiração.]


Tailândia: |Ri.| É O COMEÇO DO SEU FIM, SAULO DA SILVA SAMPAIO! |Gargalhada diabólica.|


[A câmera dá close no rosto de Tailândia, que está um pouco desfigurada por conta do café quente jogado por Saulo, enquanto a mesma se diverte com a desgraça do inimigo.]


[Em seguida, zoom nas chamas que consomem todo o cafezal.]


*•A IMAGEM CONGELA NO INCÊNDIO · 📰🌾🗞️•*