Café Amargo - Capítulo 14

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 14 


*CENA 01 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


```(21/01/1919)```


Suspense 🎶.


No casarão, Tailândia continua nervosa ao reencontrar Irmã Benedita, uma mulher de seu passado. Neste momento, ela se lembra de uma conversa que teve com Harmonia há três anos.




☕ FLASHBACK ☕


Harmonia: Agora... eu lembro de quando mamãe lhe mandou para aquele lugar depois de flagrar você deixando de ser donzela. |Ri.| Inesquecível!


Tailândia: |Inconformada.| Você bem que gostou porque ficou com o quarto só para você, não é? |Dá um tapinha no ombro dela.|


Harmonia: Ah, que nada. Eu senti sua falta...


Tailândia: Eu fiquei uma década naquele inferno. |Sorri.| Felizmente saí de lá e dei o golpe do baú no velho caquético do Jerônimo.


☕ FIM DO FLASHBACK ☕




Tensão 🎶.


Tailândia: |Apavorada.| I-I-Irmã Benedita!?


Irmã Benedita: |Feliz.| Ah, querida! Vosmecê lembraste. Vem cá, me dá um abraço!


[Tailândia e Irmã Benedita se abraçam.]


Irmã Benedita: Como tu estás!?


Tailândia: É... estou muito bem, obrigada.


[A cena corta para elas no escritório que era de Saulo e que, agora, pertence a Tailândia.]


I. Benedita: Ah, meu amor! Que saudade eu senti de vosmecê. Depois de mais de vinte anos, eu finalmente encontro vossa pessoa. Mas, olha, motivos é que não faltaram pa tu fugir!


Tailândia: Pelo amor de Deus, Irmã, não toca neste assunto. Você sabe muito bem que eu desapareci porque fiquei com medo de me acusarem.


I. Benedita: E vosmecê acertaste, Maranhão inteira procurou por ti; não só por vosmecê, mas pela vossa família também.


Tailândia: Eu... convenci eles a... se mudarem comigo.


I. Benedita: Ah, sim, querida, eu entendi! Mas, cá entre nós, vosmecê não matou a Madre Superiora mermo não, não é?


[Tailândia engole seco a pergunta de Benedita e começa a ter lembranças.]




☕ FLASHBACK ☕


1895. Convento, Maranhão.


A freira Irmã Tailândia (JULIANA PAIVA), numa versão jovem, está na capela, seduzindo o Padre João (SAMUEL DE ASSIS), sacerdote do convento.


Irmã Tailândia: |Ofegante.| Ai, Padre João, me beije, vai, estou louca de desejo! E te ver nessa batina, então, me deixa mais doida ainda!


Padre João: |Atentado.| Oh, Irmã, desse jeito, eu hei de não resistir!


[A cena corta para o quarto da freira. Enquanto Padre João e Irmã Tailândia faziam amor, uma freira observava toda a situação e decidiu contar para a madre. Em outra ocasião, a matriarca do convento pegou eles no flagra.]


A madre superiora (Lília Cabral) convoca irmã Tailândia para uma conversa séria.


Madre Superiora: |Autoritária.| Você, irmã Tailândia, cometeu um pecado gravíssimo!


Irmã Tailândia: |Nervosa.| Eu juro para senhora, Madre, que não sei o que deu na gente. Quando menos percebemos, já estávamos nos beijando!


Madre Superiora: O padre João era um homem santo. Por culpa dos teus caprichos carnais, ele teve que largar a batina. A culpa é sempre da mulher!


Irmã Tailândia: Pelo amor de Deus, madre, mesmo que eu tivesse seduzido o homem, ele também cometeu um pecado.


M. Superiora: De fato, mas isso não anula nem um pouco a sua culpa. Está expulsa desse convento! E vou contar para a sua mãe o pecado que cometeste.


I. Tailândia: PELO AMOR DE DEUS, MINHA MÃE NÃO, ELA VAI TER UMA ENORME DECEPÇÃO!


M. Superiora: TARDE DEMAIS! EU HEI DE SOLICITAR UMA CARTA PARA ELA AINDA HOJE!


[Ação (🎶). Utilizando um grande crucifixo, Tailândia dá uma pancada na cabeça da Madre Superiora.]


[Vendo que ficou suas expressões digitais no objetvo, ela o limpa com um pano. Em seguida, a madre começa a despertar.]


[Desesperada, Tailândia usa o próprio pano e amarra no pescoço da senhora para asfixiá-la.]


[Após alguns minutos, a Madre Superiora morre. Irmã Tailândia fica aflita com a situação.]


[Ela foge do local e arruma suas malas na frente de Irmã Benedita (numa versão jovem), que vê a fuga da vilã.]


☕ FIM DO FLASHBACK ☕



Suspense 🎶.


Tailândia: |Respondendo.| Cla-cla-claro que não!


Irmã Benedita: Foi uma perda irreparável! A propósito, o padre João também faleceu.


Tailândia: |Lacrimejando.| Me-mesmo!? 


Irmã Benedita: Sim, ele pegou uma forte depressão. Que Deus o tenha! 


Tailândia: Eu... lamento...


Irmã Benedita: O homem que tu se envolvestes...


Tailândia: Bem, irmã, eu tenho algumas coisas para fazer, se você me der licença...


Irmã Benedita: Ah, sim, não se preocurpe, eu já tou de saída.


[Enquanto Benedita e Tailândia se despedem, é revelado que Nélio estava ouvindo tudo atrás da porta. Vendo que a freira está para sair, o mesmo sai do local.]


Irmã Benedita: Até mais vê, querida! Foi um prazer te reencontrar. Que a paz do senhor prevaleça na sua vida!


Tailândia: Igualmente, meu bem!


[Irmã Benedita se retira. Tailândia fica sozinha e reflexiva.]


Tailândia: |Monólogo.| Eu preciso que essa mulher saia de Vila dos Anjos imediatamente. Ela pode colocar todos os meus planos a perder. Está certo que o crime já foi prescrito, mas isso pode manchar a minha reputação e me levar à ruína. Tenho que fazer alguma coisa, preciso convencer a Irmã Benedita sair dessa cidade E PRA JÁ! |Respira fundo.|


[O pico do instrumental toca e a tela escurece.]




*CENA 02 | IGREJA - INT./MANHÃ*


Ainda nesta manhã, a Irmã Benedita decide conversar com o padre da cidade: Serafim (OSMAR PRADO), um velho conhecido da freira.


Padre Serafim: Mas você tem certeza que a dona Tailândia esteve envolvida na morte da Madre Superiora!?


Irmã Benedita: É claro que eu tenho, Padre. Ela ficou bastante nervosa quando toquei no assunto. Eu só preciso da confissão dela!


Padre Serafim: Eu duvido que ela lhe confesse!


Irmã Benedita: Mas eu ainda hei de conseguir!


Padre Serafim: Vamos supor que ela confesse: o que vossa pessoa vai fazer depois disso?


Irmã Benedita: Eu vou fazer ela se converter ao espírito santo e se arrepender de seus pecados.


Padre Serafim: Ah, irmã! Às vezes, você é esperançosa até demais!


Irmã Benedita: A esperança é a última que morre, Padre Serafim! E eu já disse, hei de conseguir.


[Irmã Benedita e Padre Serafim seguem conversando enquanto caminham pela igreja e a câmera se afasta deles.]



*CENA 03 | CASA DE CALIXTA - INT./MANHÃ*


Calixta volta da feira após uma manhã cansativa. O que ela não esperava é que encontraria todos os seus ex-namorados na sua casa e, ambos, sentados em seus dois sofás.


Instrumental cômico 🎶.


Calixta: |Chocada.| M-MA-M-MAS QUE PATAQUADA É ESSA!? 


Ex-namorado 1: Bom dia, fogosinha. Viemos aqui para namorar você!


Calixta: |Nervosa.| Ai, meu J-j-Jesus, mas todos de uma vez!?


Ex-namorado 2: Exatamente! Queremos namorar você de forma grupal.


Calixta: Meu Deus do céu, é muita ten-tentação...


Ex-namorado 3: Vem logo, Calixtita. Vem ser feliz conosco!


Ex-namorado 4: É, a gente está morrendo de desejo.


Calixta: Bem, se não tenho o-o-outra escolha...


Tico tico - Carmen Miranda (🎵).


[Calixta senta-se no sofá, no meio de seus ex-namorados, e beija o do lado esquerdo e, depois, o do lado da direita.]


[Em seguida, os homens se beijam entre si, já que a casa tem muita gente.]


[Após isso, Calixta começa a desabotoar o seu vestido, num gesto parecido com o conhecido hoje em dia como striptease.]


[A tela escurece enquanto o tema segue tocando. Takes aleatórios da cidade são mostrados.]




*CENA 04 | DELEGACIA - INT./TARDE*


Kid Abelha - Como eu quero (🎵).


Delegada Celeste Blanco e Policial Altair Cezar estão se beijando intensamente na encolha. Entretanto, batem na porta e o clima é interrompido. 


Suspense 🎶.


Saulo: |Entrando.| Boa tarde! 


Delega Blanco: |Recompondo-se.| Olá, Saulo! O que te traz aqui?


Saulo: Eu... gostaria de fazer uma denúncia.


Policial Altair: Contra?


Saulo: Contra a minha ex-madrasta, Tailândia Montenegro.


[O pico do instrumental toca e são mostrados closes do rosto de cada personagem. Saulo finaliza a denúncia.]


Delegacia Blanco: Okay, então temos que montar um plano de confissão de culpa, tanto de Tailândia, quanto do homem do cartório, e uma solicitação que devolva o casarão, a fazenda e os bens para você, certo?


Saulo: Exatamente, é isso mermo que eu quero. Aquela mulher há de pagar por esse golpe!


Policial Altair: Dona Tailândia está se saindo pior que a encomenda. Nem parece aquela senhora chorona que conhecemos na época da morte de seu pai.


Delegada Blanco: Tudo fingimento. E eu não descarto a possibilidade dela ter assassinado Dom Jerônimo.


Saulo: Muito menos eu, delegada Blanco...


[Na externa da delegacia, Bonfim aguarda seu amigo. Saulo sai da parte interna e conversa com o mesmo.]


Bonfim: Você está muito aflito, precisa se distrair.


Saulo: E como vou conseguir me entreter? Está dando tudo errado...


Bonfim: Olha, se você quiser, eu posso te levar até um dancing novo que abriu aqui na cidade...


Saulo: Mas vosmecê não é comprometido com minha prima Juraciara?


Bonfim: Claro. Mas eu vou levar para você se distrair. Quanto a mim, irei apenas beber uma tequila enquanto te espero.


Saulo: Mas tu vais contar para vossa namorada que foi nesse tal de dancing, não é?


Bonfim: Claro. Honestidade e confiança em primeiro lugar! E eu pagarei tudo para você.


Saulo: |Grato.| Muito obrigado, Bonfim, não sei o que faria sem amigos como você!


Bonfim: |Sorri.| Eu que te agradeço por ser o irmão que a vida me deu.


[Saulo e Bonfim se abraçam. Um clima emocionante penetra o ambiente. A tela escurece.]




*CENA 05 | DANCING - INT./NOITE*


Mais tarde. Bonfim e Saulo adentram no dancing. Várias músicas aleatórias dos anos 1910 estão tocando. Bonfim vai até a parte das bebidas e Saulo dança com algumas garotas. Enquanto o mesmo está a dançar com uma das dançarinas, ele avista Juliete e Maria Esposa se aproximando do local.


Mentiras - Adriana Calcanhoto 🎵.


Saulo: |Impressionado.| Juliete...


Juliete: |Surpreendida.| Saulo...


Maria Esposa: |Chocada.| Meu Deus, Juliete, mas são o Saulo e o Bonfim ali!


[Juliete e Saulo seguem se encarando enquanto o tema deles toca. Maria Esposa encara o filho de Dom Jerônimo e, em seguida, olha para Bonfim.]




*CENA 06 | CASA ABANDONADA - INT./NOITE*


Num ambiente escuro e clima de suspense, Holofontina se encontra com uma pessoa misteriosa.


Pessoa misteriosa: Você segue fazendo o que lhe encomendei?


Holofontina: |Cabisbaixo.| Sim... eu continuo sendo amiga da Calixta como você pediu...


Pessoa misteriosa: Ótimo, não quero que, nem por um segundo, ela desconfie daquele delito que eu e você cometemos.


Holofontina: Olha... não sou apenas amiga da Calixta porque você manda não, mas sim porque gosto dela. Apesar de tudo...


Pessoa misteriosa: Para todo caso, continue assim. E o mais importante, solicite a ela que pare de fazer aquilo. Quero evitar aproximações e os menores problemas possíveis. Quero paz, estabilidade e você ficará a cargo disso. Caso contrário, eu paro de te pagar e, ainda por cima, conto seu segredo para todo mundo. Além de mandar assaltarem a sua casa novamente...


Holofontina: Sim, senhor(a)...


[A pessoa misteriosa se afasta de Holofontina e ela fica sozinha refletindo suas atitudes e escolhas.]




*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - INT./NOITE*


Tailândia está no seu quarto, com um semblante assustado, até que Nélio entra no cômodo.


Nélio: Mãe?


Tailândia: Ah, sim, filho. Entre!


Nélio: |Curioso.| Posso... te fazer uma pergunta?


Tailândia: Claro que pode.


Nélio: Esse tal de Padre João... é meu pai?


Suspense 🎶.


Tailândia: |Pega de surpresa.| Meu Deus... do que você está falando!?


Nélio: Quero saber a verdade. Eu ouvi a conversa de vocês. Sei também que é suspeita no caso da morte da tal madre superiora. Agora, me responda, o padre João é meu pai?


Tailândia: Claro que não, meu filho, mas que coisa...


Nélio: Você sempre evitava falar de seu passado.


Tailândia: Olha, filho... eu não sei, mas... é muito provável que o João foi sim seu pai...


Nélio: Imaginei... a senhora tem mais pecados do que eu imaginava, viu?


Tailândia: Por favor, não me julgue. Agora, a mamãe precisa sair. Não conte para ninguém o que você ouviu.


Nélio: Onde a senhora vai?


Tailândia: Na casa da minha irmã. Não se preocupe, irei com o motorista. |Falsa.| E jamais se esqueça, a mamãe te ama! |Dá um beijo na bochecha dele.|


[Tailândia se retira. Nélio reflete sozinho.]




*CENA 08 | CASARÃO POMPOSO - INT./NOITE*


No quarto de Harmonia, e a sós com a irmã, Tailândia termina de contar tudo.


Instrumental sinistro 🎶.


Harmonia: |Chocada.| Meu Deus, minha irmã, mas isso é muito grave!


Tailândia: Gravíssimo. Tenho que manter essa freira longe da cidade.


Harmonia: Concordo plenamente. Mas... você pretende matá-la?


Tailândia: Não quero me arriscar. Mas se essa freirinha miserável insistir em me abordar, ela vai se dar muito mal!


Harmonia: Faz muito bem, minha irmã.


Tailândia: E você? Tens algo para contar?


Harmonia: |Aflita.| A Juraciara... está namorando um garoto...


Tailândia: E isso é bom?


Harmonia: Não, porque... o rapaz é negro. Negro, negro. Muito escuro...


[Enquanto Harmonia fala, o volume de sua voz baixa. O pico do instrumental é alcançado.]




*CENA 09 | CASA DE BONFIM - INT./NOITE*


Na casa de Bonfim, estão reunidos: o anfitrião, Saulo, Maria Esposa e Juliete. Todos relatando os últimos acontecimentos.


M. Esposa: A minha mãe está perdendo o juízo a cada dia que passa...


Juliete: Sinto muito, Mariposa, mas ela está mermo. Olha, Saulo e Bonfim, a Maria Esposa mudou; viramos amigas e a mesma há de ficar do nosso lado.


Bonfim: Mesmo, Maria Esposa?


M. Esposa: Sim!


Saulo: Olha, Mari, queria te pedir perdão por aquelas coisas horríveis que eu falei... achava que vosmecê era tão ruim quanto a vossa mãe...


M. Esposa: Tudo bem, Saulo... Está perdoado!


Saulo: |Sorri.| Agradecido.


Bonfim: E o Cristevo? Está demorando demais.


Saulo: Disse ele que foi resolver algo de extrema importância. |Muda de assunto.| É... Juliete, será que podemos conversar a sós?


[No quarto de hóspedes, que Juliete dormia antes de fugir, ambos conversam.]


Saulo: Me perdoa... |Chorando.| Me perdoa por ter sido um lixo com vosmecê.


Juliete: |Pega na mão dele.| Está perdoado, Saulo. |Lacrimejando.| Nós fomos vítima de uma armação muito covarde!


Saulo: |Esperançoso.| Então quer dizer que vosmecê vai voltar comigo!? 


Juliete: Não, ainda não... Eu não estou pronta. Vamos deixar a poeira baixar. Aí pensamos na gente... Está certo?


Saulo: |Enxugando as lágrimas.| Está certo...


[Os dois voltam para a sala. Batem na porta. Bonfim atende.]


Saulo: Finalmente, Cristevo! |Observa.| NÉLIO? O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?


Cristevo: Depois que vocês resgataram Juliete e Maria Esposa, eu percebi que faltava uma pessoa para ser resgatada... o Nélio.


Nélio: Antes de mais nada, pessoal, boa noite. Segundo, é que eu queria dizer que estou disposto a ir para o lado de vocês e contar tudo o que sei sobre minha mãe.


[Um clima de suspense se inicia. A câmera dá close no rosto de cada personagem.]


*•A IMAGEM CONGELA EM NÉLIO · 📰🌾🗞️•*