Sombras do Passado (Estréia)

 




*📺🔥 APRESENTA...*


No passado repousam memórias, 

Reflexos que o tempo não apaga. 

No futuro, esses traços se expandem, 

E a jornada da vida se desvenda em saga.


[...]


*_1928 - Vila Esperança_*


*[⏳] ● CENA 01 ● CASA DE MONTECARLO (QUARTO POUCO ILUMINADO) ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*


[Após um rápido passeio sobre as rústicas casas da pacata Vila Esperança, a câmera focaliza em uma pequena e bela igreja. Em seguida, o foco passa para um casebre localizado ao lado. É lá onde vive Padre Montecarlo, um senhor de aproximadamente 90 anos, em companhia de Daniela, sua fiel serviçal.]


[Adentrando-se, é mostrado o seu quarto, pouco iluminado. O padre, deitado em sua cama, está fraco e pálido, cercado por velas acesas e imagens sagradas.]


Montecarlo (sussurrando com voz fraca): Daniela... Venha cá. 


[Daniela, dedicada e leal, aproxima-se rapidamente da cama do padre, preocupada com sua condição.]


Daniela (com seu sotaque nordestino inconfundível): Sim, sinhô Montecarlo, eu tô aqui do seu lado. O que deseja?


Montecarlo (com dificuldade): Preciso... Preciso que me faça um favor.


Daniela (prestativa): É só o sinhô falar que eu faço. 


[Neste momento, Montecarlo segura em suas mãos e olha em seus olhos.]


Montecarlo: Eu preciso que você encontre ele...


Daniela (confusa): Ele... Quem? Num sei do que o sinhô tá falando. 


Montecarlo (com dificuldade para respirar): Serafín... Serafín Machado... Eu preciso vê-lo antes de partir. 


[Neste momento, a expressão de Daniela muda drasticamente e ela fica aparentemente perturbada com o que acabara de ouvir. A câmara se afasta lentamente, enquanto a tela escurece aos poucos.]


*[⏳] ● CENA 02 ● MONTE VELHO ● EXTERNO (RUAS) ● MANHÃ ● [⏳]*


*📍• Monte Velho (SP)*


_🎶 • Não Me Diga Adeus • Tulipa Ruiz_


[Do alto, são mostrados diversos takes de Monte Velho. Após uma aproximação, a rotina da cidade e de seus moradores é mostrada ao público. Os sons dos poucos automóveis característicos da época se misturam com o tilintar das charretes. Os estabelecimentos antigos exibem sua beleza, contrastando com os primeiros sinais de modernidade que começam a surgir na cidade. Neste momento, a cena corta para um homem elegante com terno impecável e um chapéu de aba larga que caminha satisfeito pelas estreitas ruas. É Madeleine. Conforme caminha, moradores se aproximam para cumprimentá-lo por sua ótima gestão como prefeito.]


Morador: Bom dia, Sr. Prefeito.


Madeleine (sorridente): Bom dia, cidadãos. Um novo dia se inicia, e nossa jornada diária também recomeça. 


[A câmera focaliza no rosto de Madeleine. Ele continua caminhando e se dirige até a sua maior conquista: a Grande Fábrica de Chocolates Madelein's. Lá, um casal de senhores o aguardam na entrada. Se tratam de Israelita e Leopoldo (conhecidos personagens de Jardim do Éden).]


Israelita (sorridente): Bom dia, caro Madeleine. 


Madeleine (surpreso): Meus caros amigos... O que os trazem aqui? 


Leopoldo: Oras... Não iríamos sair de Arcanjo para buscar algo além do melhor chocolate do país. Não é mesmo?


[Madeleine sorri. A música que penetra a cena se intensifica. Ambos adentram à fábrica, onde é mostrado o intenso trabalho de seus operários. Minutos mais tarde, todos estão reunidos. Madeleine está no centro do salão, rodeado pelos seus funcionários, que aguardam ansiosos às palavras do empresário.]


Madeleine (dirigindo-se à todos): Queridos operários e operárias, os chamei aqui porque tenho uma ótima notícia para falar-lhes. 


[Todos esperam com ansiedade.]


Madeleine: Eu sei o quanto cada um de vocês se empenha diariamente para fazer da fábrica um sucesso. Estou muito orgulhoso de todos. E é por isso mesmo que eu tomei uma decisão. A partir de hoje, todos vocês terão um aumento de 15% em seus salários. 


[Após suas palavras, Madeleine é ovacionado por todos. Ele sorri, satisfeito com a reação dos funcionários.]


Madeleine: Esse aumento é só um pequeno gesto de gratidão pela dedicação e comprometimento de cada um. Continuem fazendo um excelente trabalho. Bom dia à todos.


[Os funcionários continuam aplaudindo, enquanto o mesmo se retira. A câmera se afasta, e todos retomam suas respectivas funções.]


*[⏳] ● CENA 03 ● FÁBRICA DE CHOCOLATES ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


_🎶 • Lua Branca • Maria Bethânia_


[Mais tarde, ainda na fábrica, é mostrada a rotina de uma operária. De semblante sofrido, Fátima trabalha arduamente. Após vários minutos de lida, ela para para descansar, aparentemente exausta e com uma tosse seca e persistente a acompanhando.]


Fátima (ofegante): Ah... Hoje tá puxado, meu Deus!


[Neste momento, uma mulher se aproxima, por suas costas. É Gilda, com seu semblante debochado sempre estampado no rosto.]


Gilda (sarcástica): Está faltando serviço, Fátima? Pelo que eu pude perceber, além de ter chegado tarde, você está fazendo pausas a cada 10 minutos... |Se aproxima mais, em tom provocador.| Toma cuidado para a superintendente não te flagrar. 


[Fátima nada responde, apenas fecha os olhos, tentando se conter. Gilda a encara por alguns segundos e, em seguida, se afasta.]


Fátima (pensando consigo mesma): Aguenta firme, Fátima... Pela sua filha... Você precisa desse emprego. 


[Fátima, ainda tossindo, senta-se em um banco. Ela encosta sua cabeça na parede e começa a ter uma série de flashs.]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● ESTRADA ● MANHÃ ● [🕰]*


[Fátima, mais nova, caminha por uma estrada semi-deserta, com uma criança pequena nos braços. Ela está exausta. Ao longe, avista uma taberna e decide se aproximar.]


[Fátima chega à taberna e vê uma mulher na porta. É Carlota, que iremos conhecer mais tarde, uma mulher de aparência selvagem e nada simpática.]


Fátima (ofegante): Por favor, me ajude! Eu estou há horas caminhando com minha pequena nos braços. Já não aguento mais.


Carlota (dura, porém educada): O que aconteceu?


[Fátima entra na taberna e, em meio às lágrimas, conta sua história triste. Ela explica que não tem mais ninguém, apenas Coraline, sua filha. Carlota finge se interessar.]


Carlota: Sinto muito pelas suas perdas, Fátima, mas creio que não posso fazer nada. Agora, se você me der licença, preciso ir olhar minhas filhas. 


[Neste momento, Fátima olha para Carlota, com uma faísca de esperança no olhar.]


Fátima: Filhas... Você tem filhas?


Carlota: Sim, duas meninas lindas...


[Fátima se aproxima de Carlota, de repente, e segura em suas mãos.]


Fátima (séria): Fique com Coraline. Eu juro que lhe dou todo o dinheiro que trago comigo, se aceitar. Eu não posso cuidar dela, não agora. Estou indo para Monte Velho e não conseguirei emprego com uma criança nos braços. |Se aproxima mais ainda de Carlota.| Por favor... Crie a minha pequena. Eu lhe envio quantias de dinheiro mensalmente, ou sempre que ela precisar. Quando tiver condições, eu volto para buscá-la.


[A câmera focaliza no rosto de Carlota. A mulher está hesitante, porém a proposta é tentadora.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[...]


*[🕰] ● FLASHBACK 2 (INÍCIO) ● PEQUENA CASA (SALA DE ESTAR) ● NOITE ● [🕰]*


[Fátima, pouco menos de 1 ano antes dos acontecimentos do flashback anterior, se encontra em uma calorosa discussão com um homem. Se trata de Fernão.]


Fátima (desesperada): COMO ASSIM VOCÊ NÃO VAI ASSUMIR ESSA CRIANÇA, FERNÃO? VOCÊ É O PAI, NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO!


Fernão (violento): EU JÁ FIZ, FÁTIMA! COLOQUE NA SUA CABEÇA QUE EU SOU UM HOMEM CASADO. VOCÊ SABE QUE SEMPRE FOI SÓ UMA DISTRAÇÃO PARA MIM, SE PONHA NO SEU LUGAR! EU NÃO VOU ASSUMIR ESSA CRIANÇA, E SE VOCÊ INSISTIR, EU TE MATO!


[Fátima, aos prantos, parte para cima de Fernão, estapeando-o freneticamente.]


Fátima: DESGRAÇADO! DESGRAÇADO!


[Tomado de ódio, Fernão desfere um forte tapa em seu rosto, fazendo-a cair.]


Fernão: AGORA SUMA DAQUI! A MINHA ESPOSA ESTÁ QUASE CHEGANDO! 


[A câmera foca no rosto de Fátima e é mostrado o seu sofrimento. Ela levanta-se com dificuldades e encara Fernão.]


Fernão (ameaçando): Espero nunca mais te encontrar, caso contrário... Eu acabo com você. 


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[...]


*[🕰] ● FLASHBACK 3 (INÍCIO) ● CASA DO PAI DE FÁTIMA (INTERNO) ● NOITE ● [🕰]*


[Fátima se encontra em uma nova discussão, dessa vez com seu pai, Andrei, que está furioso após descobrir sua gravidez.]


Fátima (chorando): Pelo amor de deus, pai... Eu não vou desistir dessa criança, NÃO VOU! Eu já a amo e vou cuidar dela com o seu apoio ou não.


[Andrei para, por um instante, refletindo.]


Andrei (quebrando o silêncio): Pois bem... Se é assim que você quer... |Se aproxima da filha.| Vá embora, Fátima. Você desonrou a minha família. VÁ EMBORA, FÁTIMA! VÁ!


[Fátima se choca com as palavras do pai.]


Fátima (com a voz embargada): O senhor está me expulsando, pai? É isso? 


Andrei: É isso mesmo, Fátima. AGORA PEGUE AS SUAS TRALHAS E SAIA DA MINHA CASA AGORA! AQUI VOCÊ NÃO FICA MAIS!


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[Fátima, neste instante, abre os olhos e enxuga suas lágrimas.]


Fátima (decidida): Eu ainda vou te buscar, filha. Eu juro...


*[⏳] ● CENA 04 ● TABERNA DOS TAVARES ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


_🎶 • Vou Te Encontrar • Paulo Miklos_


[A câmera mostra a fachada de um rústico estabelecimento. É a Taberna dos Tavares, local onde Fátima deixou Coraline. O imóvel se encontra no meio de uma vasta floresta, aparentemente isolado. Ao aproximar-se, é possível ver uma duas crianças pequenas brincando: uma de aproximadamente 9 anos, e a segunda um pouco mais nova, ambas bem vestidas. As duas brincam com caras bonecas de porcelana. Se tratam de Eleonor e Adelaide, respectivamente. Um pouco distante, se encontra uma terceira criança. Diferente das outras, essa é negra, tem aparência sofrida, cabelos desgrenhados, veste trapos e brinca com pequenos pedaços de madeira. É Coraline, a filha de Fátima.]


[De repente, a imagem corta para uma mulher saindo da taberna, carregando um balde seco. É Carlota. Ela passa pelas filhas e dirige-se até Coraline.]


Carlota (com aparência raivosa): Levanta daí, menina. Preciso que você vá até a fonte buscar água.


[Coraline, tímida e triste, deixa os brinquedos improvisados de lado e levanta-se, dirigindo-se à mulher.]


Coraline (envergonhada): É... Senhora, depois que eu chegar, posso brincar com Eleonor e Adelaide?


[Carlota a encara, por um momento, e solta uma estridente gargalhada.]


Carlota (rindo): Você brincando com as minhas filhas? Ah, Coraline... Não me faça rir. 


[Coraline abaixa a cabeça. Uma lágrima desce pelo seu rosto.]


Carlota (furiosa): ANDA, IDIOTA! VAI BUSCAR ESSA ÁGUA, ANTES QUE EU PERCA A PACIÊNCIA!


[Assustada, Coraline pega o balde e corre rumo à fonte, que fica situada no meio da floresta, enquanto Carlota a observa.]


Carlota (bufando): Monstrinho insolente...


[Após falar isso, a tabeliã entra para dentro. Lá, encontra seu marido, Valentin, resmungando.]


Valentin: Carlota, Carlota... Onde você estava com a cabeça quando aceitou criar essa negrinha junto com as nossas filhas? Essa maldita só nos traz problemas. 


Carlota: Estava com a cabeça no dinheiro que a Fátima prometeu nos dar, meu marido. E eu acho bom você parar de resmungar, pois o dinheiro das mensalidades que ela envia nos ajuda muito. E a menina... Bom, com ela aqui, nós não precisamos de serviçais. 


Valentin: O dinheiro ajuda sim, mas eu não aguento mais olhar para essa menina, Carlota. Você pode ter certeza que, a qualquer descuido da Fátima, eu me livro desse estorvo definitivamente. 


Carlota (se aproximando): Calma, Valentin, calma... A Fátima acha que Coraline é tratada como uma princesa e não hesita quando pedimos aumento na mensalidade ou algumas quantias extras. Ela é a nossa galinha dos ovos de ouro, e eu só permitirei que você dê um fim nela caso as coisas mudem drasticamente. 


[Valentin nada diz, apenas a encara, com amargura no olhar. A câmera se afasta.]








*[⏳] ● CENA 05 ● FLORESTA (FONTE) ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[Coraline caminha rápido pela floresta, aparentemente com medo, pois o local é afastado da taberna . Ela chega até a fonte e, apressadamente, enche o balde. Mesmo com dificuldades para carregar tanto peso, ela inicia o trajeto de volta, quando, neste momento, escuta um barulho vindo da mata. A menina fica pálida e coloca o balde no chão.]


Coraline (assustada): Quem está aí?


[Neste instante, ela escuta uma voz parecendo ser de uma criança, provavelmente brincando. Ela reconhece ser de Galileu, o filho mais novo do casal Tavares.]


Coraline: Galileu...


[Ela se dirige ao local de onde vem o barulho. Chegando lá, Coraline encontra Galileu brincando com uma velha boneca. O menino, um pouco mais novo que a filha de Fátima, se assusta ao vê-la.]


Galileu (alarmado): Coraline, por favor, não conte para os meus pais que me viu aqui. Eles podem voltar a me bater, caso descubram que eu voltei a brincar com bonecas. 


Coraline: Calma, eu não vou contar. Os seus pais são cruéis... Eles me batem e me castigam a troco de nada.


Galileu (se aproximando): Eu também não gosto deles, nem eles de mim...


Coraline: Acho melhor você ir embora, antes que sintam sua falta. Eu vou indo na frente, pois eles podem se zangar, caso nos vejam juntos.


[Galileu consente, e Coraline segue sua trajetória. A imagem escurece, ao som de um instrumental melancólico. A noite cai e logo já é dia.]


*[⏳] ● CENA 06 ● ESTAÇÃO DE TREM DE MONTE VELHO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


_🎶 • Tenha Pena De Mim • Elza Soares_


[A câmera mostra a movimentada estação de trem de Monte Velho. Pessoas correm de um lado para o outro, enquanto os trens chegam e partem, em sincronia com a música. De repente, o clima muda drasticamente. Um instrumental emblemático invade a cena e o foco vai para um homem misterioso descendo do trem. Ele está vestido com um terno escuro e segura uma maleta nas mãos. O mesmo se aproxima da câmera e revela-se como o inspetor de polícia Xavier. Ele olha diretamente para a câmera, com uma expressão séria.]


Xavier (firme): Finalmente... Estou mais próximo do que nunca de te encontrar, Serafín Machado!


[A câmera se afasta lentamente, revelando a estação de trem ao fundo, enquanto Xavier caminha com determinação em direção à saída. A música volta a se intensificar e é mostrada a movimentação da cidade.]


*[⏳] ● CENA 07 ● CASA DE MADELEINE (BIBLIOTECA) ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A câmera foca na fachada da casa de Madeleine. Ao aproximar-se, é possível ver que se trata de um domicílio espaçoso e luxuoso. Adentrando-se, são mostrados diversos cômodos da residência. O protagonista se encontra sentado na biblioteca, pensativo. Ela encara dois magníficos castiçais de ouro.]


Madeleine (suspirando): Ah, velho Montecarlo...


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● CASA DE MONTECARLO ● INTERNO ● NOITE ● [🕰]*


[É mostrado Madeleine {Serafín Machado - antes de sua última identidade}, 10 anos antes, ajoelhado aos pés de Montecarlo, que o encara com uma expressão solene.]


Madeleine (chorando): Eu não sei como lhe agradecer por tudo que fizeste por mim, padre. 


Montecarlo (sorrindo): Levante-se, meu filho. Você não precisa me agradecer. Eu fui apenas um homem justo quando o acolhi e acreditei em sua palavra.


[Madeleine levanta e lhe beija as mãos.]


Madeleine: Chegou a minha hora, Padre Montecarlo. Eu vou partir para Monte Velho antes que o dia nasça. 


Montecarlo: Vá, filho... Vá... Mas antes, lembre-se do que sempre lhe disse: Você não pertence ao mal, mas sim ao bem. Eu furtei a sua alma dos maus pensamentos e do espírito da perdição para entregá-la a Deus. 


Madeleine: Eu nunca irei me esquecer de nada que aprendi com o senhor. 


[Madeleine se aproxima de Montecarlo e lhe abraça, emocionado. Após alguns segundos de emoção, o abraço se desfaz. Montecarlo aponta para os dois castiçais, presentes em uma prateleira.]


Montecarlo: Leve os castiçais. Eu não preciso deles, mas você sim. Serão úteis no seu recomeço. O dinheiro irá ajudá-lo muito. |Coloca a mão sobre o ombro de Madeleine.| O mundo está em guerra há quase um ano. Eles logo te esquecerão e você já não precisará viver nas sombras. Dará tudo certo, Serafín Machado. 


[Montecarlo o encara. A câmera foca nos dois objetos.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[...]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● CASA DE MONTECARLO ● EXTERNO ● NOITE ● [🕰]*


[Dias antes, é mostrado Madeleine correndo desesperado, debaixo de um forte temporal. Ofegante, ele avista uma igreja ao longe e corre até ela. Percebendo que a porta da mesma está trancada, ele dirige-se até o casebre de Montecarlo e bate freneticamente em sua porta, até que o velho a abre, permitindo sua entrada.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[Madeleine, visivelmente abalado, levanta-se e vai até a janela. Encarando o lado de fora, ele volta a pensar.]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● VILA ESPERANÇA (ESTRADA) ● MANHÃ ● [🕰]*


_1910 - Vila Esperança_


[A câmera passeia por Vila Esperança, 18 anos antes da fase atual. É mostrado um garoto de rua, Gervais, agarrado à um monte de pedras afiadas, lutando para tirar sua pipa de uma árvore. Neste instante, é visto Madeleine caminhando pela estrada. Ao aproximar-se, seus olhos captam a vulnerabilidade de Gervais. Movido por uma compaixão inesperada, Serafín se aproxima.]


Gervais (gritando): POR FAVOR, ME AJUDE!


[Madeleine sobe até lá e tenta a todo custo desprender a pipa, mas sem sucesso. Graças à isso, a gratidão de Gervais transforma-se rapidamente em insolência, e ele começa a importunar o homem.


Gervais: Você é só um fracassado! Nem mesmo para desenroscar uma pipa você serve... INÚTIL!


[Neste momento, Madeleine/Serafín é tomado por uma fúria repentina.]


Madeleine (gritando): CALE A BOCA, MOLEQUE INSOLENTE!


[O grito ecoa, assustando Gervais, que, desequilibrado, perde o controle e despenca sobre as pedras abaixo. O som dos ossos quebrando perfura o ar. Do alto, é possível ver o menino caído, completamente ensanguentado, enquanto o desespero toma conta de Madeleine. Um silêncio atordoante invade a cena. Neste momento, um grito rompe a calmaria.]


Mulher: ASSASSINO! 


Madeleine (perturbado): Não... Não! NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!


[Outros cidadãos que presenciaram a cena se unem ao coro acusatório. A poeira da tragédia se mistura à turbulência dos murmúrios acusadores, enquanto Madeleine se desespera e cai aos prantos. A imagem escurece lentamente.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[...]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● SALA DE TRIBUNAL ● TARDE ● [🕰]*


[É mostrada uma sala de julgamento lotada. Madeleine está no banco de réus. O juiz lê sua sentença.


Juiz (duro): Serafín Machado Nascimento, pelo assassinato do menor indigente, Gervais, condeno-o a vinte anos de reclusão em regime totalmente fechado.


[Madeleine olha atônito para o juiz, com seus olhos transbordando em lágrimas.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[...]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● CORREDOR DA PRISÃO ● INTERNO ● TARDE ● [🕰]*


[Madeleine é empurrado violentamente pelos guardas enquanto caminha pelo corredor lotado de presos. Ele é trancafiado numa cela e encolhe-se em um canto, desesperançoso.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[...]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● PRESÍDIO ● INTERNO ● NOITE ● [🕰]*


[A cela de Madeleine está cheia de tensão. Os detentos ao redor estão agitados, sussurrando entre si sobre uma possível rebelião. O protagonista observa tudo atentamente.]


Madeleine (sussurrando): É agora ou nunca...


[A rebelião começa. Detentos revoltados se levantam contra os guardas, lançando objetos e criando um caos generalizado. Enquanto a confusão toma conta do corredor, Madeleine aproveita a oportunidade para se mover silenciosamente pelos cantos mais escuros. Ele chega ao pátio, onde a batalha entre os detentos e os guardas está em pleno andamento. Ele se esgueira entre os grupos de pessoas em confronto, evitando ser visto.]


[Enquanto os guardas estão ocupados controlando a rebelião, Madeleine encontra um ponto fraco no muro. Com determinação, ele escala habilmente até o topo e salta para o lado de fora. Ele olha para trás e vê os guardas tentando conter a rebelião, enquanto os outros detentos são capturados um a um.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[Após isso, Madeleine recorda a sua chegada em Monte Velho. No início, não fora fácil, mas, após coincidentemente salvar o prefeito de um incêndio, este ficara eternamente grato e lhe dera um cargo na prefeitura. Com o passar do tempo, Madeleine foi ascendendo socialmente até tornar-se o que é hoje.]


[Após tanto relembrar o seu passado, Madeleine sai de casa e parte para a prefeitura, enquanto a câmera mostra a movimentação em Monte Velho.]


*[⏳] ● CENA 08 ● MONTE VELHO ● EXTERNO (RUAS) ● MANHÃ ● [⏳]*


[Madeleine caminha com confiança pelas ruas movimentadas em direção à prefeitura. Ele está absorto em seus pensamentos, sem perceber que um homem misterioso o observa de longe. O homem se aproxima lentamente da câmera. É Xavier. Um instrumental de suspense permeia a cena.]


Xavier: Finalmente te encontrei, Madeleine... Ou será que devo chamá-lo de Serafín Machado?


[A câmera foca no olhar de Xavier, enquanto Madeleine se afasta e o instrumental se intensifica.]


*A IMAGEM CONGELA EM XAVIER.*