*[⏳] ● CENA 01 ● RUAS DA CIDADE ● EXTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Do alto, é mostrado Xavier, em completa loucura, mirando a arma engatilhada na cabeça de Madeleine, que está tenso, com as mãos para cima, temendo ser morto. Com um sorriso sádico, o delegado começa a falar.]
Xavier (desorientado): Finalmente... Eu finalmente verei a justiça ser feita... Depois de vinte o oito anos!
Madeleine (com voz fraca): Por favor, Xavier... Abaixe esta arma... Não cometa nenhuma loucura!
Xavier (avançando ainda mais): A loucura é a essência da alma, Serafín... E eu irei apenas vingar a morte de meu filho... |Começa a gritar.| DE MEU AMADO GERVAIS!
Madeleine (tremendo): Amado? Tem certeza, Xavier? |Suspira, corajoso.| Pense bem... Você abandonou a criança e passou anos sem lhe prestar qualquer tipo de apoio. Por que surgiu em você este amor tão genuíno, justamente no momento em que o viu morto, ao pé daquela rocha?
Xavier (com ódio): CALE A BOCA! EU SEMPRE O AMEI!
Madeleine (o desafiando): Nunca... Você NUNCA o amou, Xavier! Pessoas como você não sabem o que é amar... DEFINITIVAMENTE NÃO SABEM!
Xavier (explosivo): CHEGA! O SEU TEMPO ACABOU, SERAFÍN! COMECE A REZAR PARA QUE DEUS LHE RECEBA DE BRAÇOS ABERTOS! |Abaixa o tom e sussurra de forma macabra.| Ou seria Satanás?
Madeleine (sussurrando): Você está completamente desorientado...
Xavier (berrando): EU MANDEI VOCÊ REZAR!
[Madeleine, convicto de que irá morrer, apenas encara o seu carrasco, com lágrimas nos olhos. Um forte instrumental tenso tem início.]
Xavier (pronto para cometer uma loucura): Está bem... Já que prefere assim, é assim que será.
[O instrumental se dissipa, neste momento. Apenas as batidas dos corações dos dois homens são ouvidas. Enquanto Madeleine fecha os olhos, preparado para ter a sua sentença cumprida, Xavier se prepara para atirar. A câmera foca nos rostos dos dois. De repente, quando o ex-inspetor está prestes a apertar o gatilho, uma voz de criança é ouvida, mas apenas por ele.]
Voz (de forma solene, mas, ao mesmo tempo, estrondosa): Papai!
[Ao ouvir isto, em mais uma alucinação, Xavier vira o seu rosto ligeiramente para a direção de onde vem a voz, com os olhos esbugalhados e marejados. Madeleine, confuso, não entende o que está acontecendo, mas se sente aliviado.]
Xavier (olhando fixamente para a direção da voz, gaguejando): Filho... Meu filho...
[Neste momento, o público é transportado para a visão de Xavier. O delegado, completamente fora da realidade, vê seu filho, Gervais, de pé, no centro da rua, com um sorriso estampado em seu rosto. O menino estende a mão para ele.]
Gervais (sorrindo): Eu te perdoo, papai... Vem comigo!
Xavier (com dificuldade para falar, chorando): Meu Deus... É ele... É o meu Gervais!
[Sob efeito do delírio, Xavier começa a caminhar em direção à visão projetada pela sua consciência. Completamente alucinado, ele deixa a arma cair e se aproxima consideravelmente do filho que está presente apenas em sua cabeça.]
Xavier (esboçando um sorriso desorientado): Você é lindo...
Gervais (ainda de mão estendida): Vem... Eu preciso te mostrar algo.
[Neste momento, o garoto abaixa a mão e começa a caminhar. Xavier, parecendo enfeitiçado, o segue, sem exitar. Longe de onde o homem deixara Madeleine, o garoto para, no meio de trilhos de trem. Ele novamente estende a sua mão para o delegado.]
Gervais (sorrindo): Venha até mim, papai!
[Ao dar o primeiro passo em direção à visão, Xavier volta à realidade, como em um passe de mágica.]
Xavier (perdido): Não... Cadê ele? Filho... Gervais.. GERVAIS!
[Se dando conta de que estava delirando, o seu estado piora. Cambaleando, ele, sem se dar conta do perigo, para em cima dos trilhos de trem. É neste momento que Madeleine, que a tudo observara, surge a alguns metros de distância.]
Xavier (com a voz distorcida): Serafín... |Aponta o dedo para Madeleine.| A culpa é... Sua...
[Após o sussurro, a câmera enquadra o rosto de Xavier. A cena é silenciosa. Com o olhar fixo em Madeleine, várias lembranças de seu passado começam a passar por sua cabeça.]
*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● ESTRADA DESERTA ● NOITE ● [🕰]*
[Em uma estrada abandonada, é mostrado Xavier, mais novo, à frente de uma mulher sofrida, que chora muito. O homem, com semblante duro, a encara friamente.]
Mulher (aos prantos): Por favor, Xavier... Não faça isso... É seu filho... |Começa a gritar, entre soluços.| O NOSSO FILHO!
Xavier (furioso): SEU FILHO! ESTA MALDITA CRIANÇA QUE ESTÁ EM SEU VENTRE É APENAS SUA!
[A mulher, desesperada, se ajoelha aos seus pés, soluçando.]
Xavier (a chutando): EU NUNCA VOU ASSUMIR O FILHO DE UMA PROSTITUTA COMO VOCÊ! SUMA DE MINHA VIDA!
Mulher (fraca): Você é um monstro... Um mostro...
*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*
[De volta ao presente, Xavier, com os olhos fitados em Madeleine, começa a balbuciar.]
Xavier (sussurrando): Um monstro... Eu sou um monstro...
[Neste momento, um forte soundtrack de tensão volta a ter início. Ao longe, é possível ver que o trem se aproxima. Xavier, parecendo estar em estado de choque, continua a encarar o pai de Coraline.]
Xavier (chorando, começando a gritar): EU SOU UM MONSTRO! EU SOU O ÚNICO CULPADO, SERAFÍN MACHADO!
[Madeleine, chocado com o que acabara de ouvir, olha para Xavier, sem reação, enquanto o trem está cada vez mais perto.]
Xavier (falando consigo mesmo): Gervais... Me perdoe... ME PERDOE! EU SOU UM MONSTROOOOOOOOOOOOOOOOOO!
[Ao terminar de falar, Xavier olha para o trem que se aproxima descontroladamente. Com os braços abertos, ele se prepara para morrer.]
Xavier (olhando de maneira perturbada para o trem, sorrindo): AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
[No mesmo instante, um grande clarão toma conta da tela. Xavier está morto. Madeleine observa toda aquela macabra cena, sem qualquer reação.]
Madeleine (sussurrando): Xavier...
[Madeleine, vagarosamente, caminha até os trilhos. O corpo de Xavier fora arrastado pelo trem, e apenas poças de sangue foram deixadas para trás.]
Madeleine: Que triste fim...
[Com remorso, Madeleine vira as costas e começa a retomar o seu percurso. Entretanto, de repente, ele para, hesitante.]
Madeleine (decidido): Eu não posso... Não posso desistir de Coraline!
[Ao terminar de falar, decidido, ele começa a voltar para casa.]
*[⏳] ● CENA 02 ● CASA DE MOISÉS ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Mário, em choque, continua encarando Dinha e Moisés, desacreditado com o que acabara de ouvir.]
Moisés (com a voz embargada): Que história é essa, tia?
[Moisés, desesperado, se aproxima de Mário, tentando inventar uma desculpa.]
Moisés (tenso): Mário, mon petit fils, a sua tia está louca! Não dê ouvidos para ela.
Mário (o ignorando): Tia... Pelo amor de Deus... QUE HISTÓRIA É ESSA?
[Dinha, com lágrimas nos olhos, se aproxima de Mário, séria, e olha no fundo dos seus olhos.]
Dinha (direta): É isso mesmo que você ouviu, Mário. Eu sou sua mãe!
[Mário, incrédulo, cai para trás, ofegante e com os olhos marejados, tentando processar aquela informação. Moisés, fora de si, tenta reverter a situação.]
Moisés: NÃO! EU JÁ DISSE QUE ELA ESTÁ LOUCA! A SUA MÃE É A ROSE, MÁRIO! A ROSE!
Dinha (explosiva): CHEGA, MOISÉS! CHEGOU A HORA DE MÁRIO SABER TODA A VERDADE!
Mário (chorando): Deixe que ela fale, vô...
[Moisés, tremendo e sem ar, não reage. Dinha, decidida, continua a encarar Mário.]
Dinha (com a voz embargada): Mário... Quando Rose morreu, você ainda não havia nascido... |Começa a chorar.| Toda essa história foi tramada pelo Moisés.
Mário (soluçando): Não...
Moisés (inquieto): É mentira...
Dinha (continuando): E tem mais... Leonel não é o seu pai!
Mário (pálido): Não... Isso não é verdade! O SENHOR DA IGREJA ME CONFIRMOU! VOCÊ ESTÁ MENTINDO!
Dinha: O VELHO QUE VOCÊ VIU NA IGREJA FOI PAGO POR ESTE DESGRAÇADO PARA INVENTAR AQUELA HISTÓRIA PARA VOCÊ, MEU FILHO! TUDO O QUE VOCÊ VIVEU FOI UMA MENTIRA! UMA FARSA ARMADA POR MOISÉS PARA LHE ESCONDER A VERDADE!
[Mário, sem reação, senta-se no chão, desolado, enquanto Moisés parte para cima de Dinha.]
Moisés (fora de si): CALE A BOCA, DINHA!
Dinha (se esquivando): A VERDADE, MÁRIO, É QUE MOISÉS É UM SER REPUGNANTE! ELE ME FORÇAVA À FAZER COISAS HORRÍVEIS COM ELE, DESDE A MINHA INFÂNCIA!
[Neste momento, um soundtrack de tensão tem início. A câmera foca no rosto de Mário, que está com os olhos esbugalhados, e, em seguida, em Dinha, que chora dolorosamente.]
Dinha (entre soluços): E foi em uma dessas que você surgiu...
[Após a declaração, a cena fica silenciosa. Dinha, chorando muito, observa enquanto Mário se levanta, atônito, e se aproxima dela.]
Mário (quase sem voz): A senhora está me dizendo que... Eu sou filho de um incesto?
Moisés (tentando se defender, mas sem forças): NÃO!
Dinha (envergonhada): Pior, meu filho... Você é fruto de uma violência! Uma violência que marcou as nossas vidas para sempre...
Mário (aos prantos): Não... NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!
[Completamente entregue ao sofrimento, ele corre para abraçar Dinha, soltando altos soluços. Moisés, perturbado, tenta se aproximar.]
Moisés (ofegante): Mário... Mon fils, acredite em mim... Ela está mentindo...
Mário (partindo para cima do avô): CALE A BOCA, SEU MALDITO! EU TE ODEIO! VOCÊ É UM MONSTRO! UM MONSTRO!
[Moisés, passando mal e se vendo sem saída, começa a caminhar para fora da cozinha, completamente perturbado. Mário volta a abraçar Dinha, enquanto o velho abre a porta da frente e sai para fora do casarão, tropeçando em suas próprias pernas. Sem nenhuma noção, ele entra no meio da rua movimentada, sem conseguir respirar.]
Moisés (ofegante): Desgraçada... DESGRAÇADA!
[Neste momento, um automóvel se aproxima em alta velocidade. Antes que Moisés possa fazer algo, é fortemente atingido pelo veículo, que, sem prestar socorros, se afasta dali, deixando o velho caído no chão, ensanguentado, quase perdendo a consciência.]
*[⏳] ● CENA 03 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada da casa de Madeleine. Coraline, procurando pelo pai, entra pela porta. Ao ver tudo empoeirado e com aparência de abandono, a jovem se entristece profundamente. Ao ver que o homem não está ali, ela começa a se preocupar.]
Coraline (desconfiada): PAI, ONDE O SENHOR ESTÁ?
[Ao vasculhar toda a casa e não encontrá-lo, Coraline, devastada, começa a chorar, com uma imensa angústia.]
Coraline (com a voz embargada): Meu Deus... Para onde ele foi?
[Neste instante, na companhia de um instrumental de suspense, a porta atrás dela se fecha fortemente. Assustada, Coraline olha rapidamente para lá e, horrorizada, engole o seco ao ver Valentin à sua frente, esboçando um sorriso maligno. O homem segura uma faca com uma de suas mãos.]
*[⏳] ● CENA 04 ● RUA ● EXTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Do alto, é mostrado Moisés caído, agonizando, quando, de repente, Dinha se aproxima sorrateiramente dele. Ela para ao seu lado, mas não fala nada.]
Moisés (perdendo a voz): Mon fils... Me ajude... Não me deixe mourir...
Dinha (dura): Por que eu deveria ajudá-lo, Moisés?
Moisés: Eu... Eu sou o seu pai...
Dinha (cruel): Nunca foi, e nunca será! Você é um verme, Moisés! UM VERME!
Moisés (perdendo a vitalidade): Por favor... Dinha... Me ajude...
Dinha (olhando nos olhos de Moisés): Vá para o inferno!
[Ao dizer isto, ela vira as costas e começa a caminhar de volta para casa. Enquanto isso, Moisés, cada vez mais fraco, perde os seus últimos sinais vitais.]
*[⏳] ● CENA 05 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Coraline, frente a frente com Valentin, teme pela sua vida. O homem, completamente diabólico, começa a avançar em sua direção.]
Valentin (sussurrando de maneira perturbadora): Sentiu saudades de mim, docinho?
Coraline (desesperada): Por favor, me deixe em paz...
Valentin (sorrindo maliciosamente): Fique calma, Coraline... Eu vim apenas terminar aquela brincadeira que começamos dez anos atrás.
Coraline (se vendo sem saída): Você é um monstro... |Começa a gritar.| SOCORRO! SOCOOOOOOOOOOORROOOOOOOOOOOOOOOO!
Valentin: Pode gritar... O seu papai, pelo visto, não virá te acudir.
Coraline (chorando): Não me faça mal... Eu lhe imploro!
Valentin: Já disse que quero apenas brincar com você. Agora, se você não colaborar, eu serei obrigado a usar a minha velha companheira.
[O pai de Eleonor olha para a faca, de maneira assustadora. Coraline, com medo de ser atacada, tenta correr, mas o homem se põe à sua frente, deixando-a sem saída.]
Valentin (começando a se aproximar): Você não tem para onde correr, garota... Não se faça de difícil, apenas me obedeça.
Coraline: NUNCA! EU NUNCA IREI CEDER À UM NOJENTO COMO O SENHOR! SAIA DA MINHA FRENTE!
[Coraline se lança contra ele, que a imobiliza. Com todas as suas forças, a jovem se debate, mas Valentin lhe mantém presa.]
Valentin (perverso): Eu mandei não resistir...
[De uma forma repulsiva, o homem começa a beijar o pescoço de Coraline, que grita desesperadamente por ajuda, em vão. Lá fora, no entanto, Madeleine, que decidira voltar para casa, começa a ouvir os gritos da filha, e, sem pensar duas vezes, corre para lá. Ao chegar na sala, ele se depara com a terrível cena. Sem hesitar, ele parte para cima de Valentin.]
Madeleine: LARGUE A MINHA FILHA, SEU DESGRAÇADO!
[Com todas as suas forças, ele consegue afastar Valentin de Coraline, que corre para longe, aos prantos. Madeleine, furioso, começa a desferir vários socos no ex-tabelião. Entretanto, na companhia de um instrumental de ação, o homem, ao lembrar-se da faca, empunha o objeto cortante e o crava na barriga de Madeleine, que, com muita dor, percebe o sangue que escorre.]
Coraline (horrorizada): PAAAAAAAAAAAAAAIIIIIII!
[Madeleine, mesmo perdendo as forças, continua a lutar, movido pelo amor por Coraline. Em um último impulso, ele consegue tomar a faca das mãos de Valentin, e, dando um berro estrondoso, crava a arma branca no peito do abusador, que cai, desfalecido. Coraline, sem reação, assiste ao pai perdendo as forças.]
Coraline (aos prantos): Pai... Nós precisamos procurar ajuda...
Madeleine (perdendo a consciência): Eu te salvei, minha filha... Eu... Te salvei!
[Ao dizer isto, Madeleine desfalece. Coraline, desesperada, o abraça, chorando com todas as suas forças. A noite começa a cair.]
*[⏳] ● CENA 06 ● CASA DE MOISÉS ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Mário, desolado, está sentado em uma cadeira, na sala, quando, de repente, Dinha entra.]
Mário: Encontrou ele?
Dinha (mentindo): Não, meu filho... Mas será melhor assim! A presença daquele monstro só nos deixará pior.
Mário (chorando): E pensar que a senhora sofreu calada durante todos esses anos...
Dinha (acolhedora): O que importa, meu filho, é que agora todo o sofrimento acabou.
[Os dois se abraçam calorosamente, ao som de uma serena melodia.]
Dinha: E Coraline?
Mário: Foi ver o pai... Acho que irão se resolver.
Dinha: Você não teria uma foto deste homem para que eu possa ver, Mário?
Mário: Sim, mas... Por que o interesse?
Dinha: Nada... Apenas gostaria de saber como é o seu sogro.
[Mário, neste momento, tira do bolso de sua camiseta uma fotografia, que mostra Madeleine e Coraline abraçados. Ao vê-la, a expressão de Dinha muda drasticamente.]
Dinha (incrédula): Mas... Mário, este é o homem que salvou a sua vida!
[Neste momento, a câmera foca no olhar atônito de Mário para Dinha.]
*[⏳] ● CENA 07 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Mário, apressadamente, entra na casa de Madeleine, à procura dele e de Coraline. No entanto, um horror indescritível lhe toma conta quando o mesmo se depara com uma triste cena: Coraline, aos prantos, chora desesperadamente sobre o corpo desacordado de Madeleine, e, mais adiante, o cadáver de Valentin deixa tudo ainda mais perturbador. Enquanto Mário se aproxima lentamente da amada, a cena começa a ficar sem som e a tela escurece.]
*[⏳] ● CENA 08 ● HOSPITAL ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Dias depois, em um hospital da cidade, é mostrado Madeleine, internado, olhando fixamente para Mário e Coraline, que estão ao seu lado. A moça chora pelo estado do pai, que está desenganado. Um instrumental melancólico de piano acompanha a cena.]
Coraline (chorando): Me perdoe por tê-lo abandonado, meu pai... Por favor!
Madeleine (pálido e fraco): Está tudo bem, meu amor...
Mário (triste): Obrigado, Madeleine. Se não fosse pelo senhor, eu estaria morto.
[Madeleine, mesmo fraco, esboça um sorriso. Ele segura as mãos de Coraline e olha no fundo dos seus olhos.]
Madeleine (solene): Sente-se, Coraline... Deixe eu lhe contar uma história.
[Coraline, emocionada, consente. Madeleine, hora ou outra tossindo, muito fraco, começa a falar.]
Madeleine: Esta é a história de uma mulher... Uma mulher que, apesar de todo o sofrimento que passou, foi forte até o seu último suspiro. O seu nome... Era Fátima!
[Reconhecendo o nome da mãe, lágrimas escorrem pelo rosto de Coraline.]
Madeleine (continuando): Fátima teve uma filha... Uma filha linda! |Faz uma pequena pausa, para tomar ar.| Infelizmente, assim que a criança nasceu, Fátima foi obrigada a deixá-la com um casal de pessoas horríveis. Enquanto a menina crescia, sendo maltratada e humilhada, sua mãe acreditava que o seu maior tesouro estava tendo uma vida digna.
[A emoção de Coraline se intensifica. Mário, compadecido, se aproxima e lhe abraça.]
Madeleine (perdendo o ar): Fátima lutou... Lutou muito. Mas a vida não é justa! Ela morreu sem reencontrar a razão de toda a sua jornada... Mas não sem perder as esperanças... |Começa a gemer de dor.| Um homem que se dispôs a ajudá-la foi atrás da criança. Depois de muitas adversidades, ele finalmente conseguiu lhe mostrar a felicidade. |Com lágrimas nos olhos, aperta a mão da filha.| Você era aquela criança, minha filha...
Coraline (soluçando): E o senhor era o herói... O herói que me ensinou o que é o amor.
Madeleine (sussurrando): Eu te amo, Coraline! Fico feliz em saber que poderei partir em paz, pois Mário cuidará de você, da mesma forma que eu cuidei.
Mário (com a voz embargada): Eu nunca sairei do lado dela, senhor...
[Madeleine sorri. De repente, ele olha no fundo dos olhos de Coraline mais uma vez. Como se fosse falar algo, ele abre a boca, mas nada sai dela. Em companhia de um fúnebre instrumental, os olhos do ex-presidiário perdem o brilho, indicando que ele está morto. Coraline, em completo desespero, o abraça fortemente, soluçando muito.]
Coraline: NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO! NÃO FAZ ISSO COMIGO, PAI... POR FAVOR!
[Enquanto o choro da moça se intensifica, Mário tenta lhe consolar. A câmera começa a se afastar lentamente, e o instrumental se intensifica e alcança o seu ápice.]
*[⏳] ● CENA 09 ● CEMITÉRIO ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*
*_29 de janeiro de 2008_*
[70 anos após os acontecimentos da segunda fase, Coraline, agora com 88 anos de idade, caminha vagarosamente pelo cemitério. Sozinha, ela carrega um buquê de flores, e para em frente à um túmulo. É lá onde Madeleine fora sepultado. A senhora, fraca, senta-se lentamente ao lado da sepultura. Com carinho, ela coloca as flores ao lado da lápide.]
Coraline (fraca e solene): Ele dorme. Embora a sorte lhe tenha sido adversa... Ele viveu! Morreu quando perdeu o seu anjo; partiu com a mesma simplicidade... Como a chegada da noite após o dia.
[Ao terminar suas palavras, a idosa suspira. Com um satisfeito sorriso no rosto, ela deita-se ao lado da morada eterna de Madeleine. Em um enquadramento da câmera, é possível ver que Coraline ainda sorri.]
Coraline (suspirando pela última vez): Me acolha, meu pai... Da mesma forma que o senhor sempre fez...
[Ao terminar, Coraline finalmente fecha os olhos, sem vida, ao lado da sepultura do homem que sacrificou sua vida por ela. Em companhia de um instrumental solene, a tela começa a escurecer. Quando tudo parece triste, uma fagulha de luz surge. A tela volta a ter imagens. É mostrado, a partir daí, um lindo jardim. Ao fundo dele, uma mulher cantarola, parecendo feliz, ao lado de um homem, que observa os pássaros que cantam uma linda melodia. De repente, uma pessoa se aproxima, com passos lentos.]
Voz de moça: Mãe... Pai...
[Neste momento, é revelado que a moça que caminha é Coraline, com a aparência que tinha há 70 anos. À sua frente, Fátima e Madeleine, com sorrisos felizes em seus rostos, a observam.]
_🎶 • Lua Branca • Maria Bethânia_
[Ao som da música que começara a tocar, a moça corre até os dois, com um sorriso radiante, e, ao chegar lá, é acolhida por um quente e emocionante abraço. Agora, depois de tanto sofrimento, Madeleine, Fátima e Coraline, unidos para toda a eternidade, finalmente encontram a felicidade eterna.]
*A IMAGEM CONGELA EM MADELEINE, FÁTIMA E CORALINE.*