*[⏳] ● CENA 01 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[A câmera foca no centro da sala da casa de Madeleine, onde ele, Mário e Coraline se fazem presentes, tensos. A moça, perturbada, termina de ler a manchete do jornal.]
Coraline (pálida): Não... Não é possível! Eu me recuso a acreditar nisto...
Mário (sério): É a mais pura verdade, meu amor. Este crápula lhe enganou durante todos estes anos. |Encara Madeleine, com expressão dura.| Você é um assassino e fugitivo da polícia, Madeleine. |Ironiza.| Ou será que devo chamá-lo de Serafín Machado?
[Desesperado e perturbado, Madeleine tenta falar, mas se atrapalha com as palavras.]
Coraline (chorando): Isto é verdade, meu pai? O senhor é um... Um assassino?
Madeleine (gaguejando): Não... Eu não sou... EU NÃO SOU UM ASSASSINO, CORALINE! EU NÃO SEI DE ONDE ESTE RAPAZ TIROU ESSA HISTÓRIA DESCABIDA!
[Mário, neste momento, arranca o jornal das mãos de Coraline. Afrontoso, ele quase o esfrega na cara de Madeleine, mostrando-lhe a manchete.]
Mário (explosivo): HISTÓRIA DESCABIDA, MADELEINE? TEM CERTEZA? VOCÊ NÃO TEM VERGONHA DE TER ENGANADO A SUA FILHA DURANTE DEZ ANOS?
[Madeleine, ao ver o jornal, com sua foto estampada, começa a ficar sem ar. Coraline, chorando, se aproxima dele, e olha no fundo dos seus olhos.]
Coraline (abatida): Então era isso... SEMPRE FOI ISSO QUE O SENHOR ESCONDEU DE MIM!
Madeleine (sussurrando): Filha... Me escute...
Coraline: COMO O SENHOR CONSEGUE VIVER SEM SE ENVERGONHAR DO QUE FEZ, PAI? |Começa a puxar seus cabelos, inquieta e desesperada.| Meu Deus... EU CONVIVI COM UM MONSTRO DURANTE TODOS ESSES ANOS!
Madeleine: EU NÃO FIZ NADA, CORALINE!
Coraline: CHEGA! O SENHOR MATOU UMA CRIANÇA... FUGIU DA CADEIA... MUDOU DE IDENTIDADE E ENGANOU OS CIDADÃOS DE UMA CIDADE INTEIRA, PAI! SEU NOME NUNCA FOI MADELEINE, E SIM SERAFÍN! |Começa a soluçar.| Você é um monstro... UM MONSTRO!
Madeleine (desesperado com as acusações): CHEGA, CORALINE! ME ESCUTE!
[Ele tenta se aproximar da filha, que recua e corre para os braços de Mário.]
Coraline (com a voz embargada): Fique longe de mim...
[Madeleine, sem saber o que fazer, começa a chorar.]
Madeleine (entre soluços): Minha filha... Acredite em mim... EU NÃO MATEI NINGUÉM! Foi um acidente... UM ACIDENTE! EU SÓ ESTAVA TENTANDO AJUDAR O GAROTO, QUE SE DESEQUILIBROU E CAIU DAS ROCHAS! EU NÃO FIZ NADA!
Coraline: E POR QUE O SENHOR FOI PRESO, PAI? POR QUE FOI CONDENADO HÁ VINTE ANOS DE RECLUSÃO?
Madeleine: PORQUE TODOS QUE ESTAVAM LÁ ME ACUSARAM, MINHA FILHA! ME ACUSARAM SEM VER O QUE DE FATO ACONTECEU! EU FUI PRESO E CONDENADO INJUSTAMENTE!
Coraline (fraca): Eu não acredito no senhor...
Madeleine (em desespero): É da palavra do homem que salvou a sua vida que você está desacreditando, Coraline?
Coraline (dura): É da palavra do homem que sempre mentiu para mim que eu estou desacreditando, pai. Nem mesmo sobre a minha mãe o senhor me contou... Apenas que ela morreu...
Madeleine (sério): Coraline, me escute... Eu nunca matei ninguém... As únicas coisas que eu fiz foram fugir da prisão e me tornar o prefeito de uma cidade que precisava de mim.
Mário (intervindo): Já que o senhor se diz inocente, por que sempre escondeu a verdade de Coraline?
Madeleine: PORQUE EU TINHA MEDO DE QUE ELA NÃO ACREDITASSE EM MIM! MAS, AGORA, GRAÇAS À VOCÊ, ISTO ACONTECEU! A CULPA É SUA!
Coraline (interrompendo): NÃO CULPE ELE, PAI! MÁRIO APENAS FEZ O QUE QUALQUER HOMEM DE BEM FARIA!
Mário: Agora tudo faz sentido... Era por isto que ele queria viver às escondidas com você... Para não ser capturado e voltar para a prisão.
Madeleine: EU SÓ QUERIA A SEGURANÇA DE CORALINE! VOCÊ NÃO SABE DE NADA, RAPAZ INSOLENTE! DE NADA!
Mário: EU DEVERIA TE ENTREGAR À POLÍCIA, SEU CRIMINOSO! SÓ NÃO FAREI ISTO POR CORALINE!
Madeleine (surtando): CHEGA! SAIA DE MINHA CASA, IMEDIATAMENTE!
Coraline (fora de si): NÃO! O MÁRIO NÃO VAI EMBORA SEM MIM! EU NÃO FICAREI COM O SENHOR!
[Ao ouvir isto, Madeleine cambaleia, sem reação.]
Madeleine (atônito): Como é, Coraline? VOCÊ ESTÁ QUERENDO DIZER QUE VAI ME ABANDONAR POR CAUSA DESTE INFELIZ?
Coraline (enxugando suas lágrimas): Não... Não é por causa dele... |Aponta para Madeleine.| É POR SUA CAUSA!
[Madeleine, chorando desesperado, tenta fazer com que a filha mude de idéia.]
Madeleine (ofegante): Coraline... Meu amor, não faça isso comigo... EU SOU O SEU PAI! O HOMEM QUE CUIDOU DE VOCÊ E TE DEU AMOR DURANTE DEZ ANOS!
Coraline (quase sem voz): Eu nunca esquecerei de nada disso... Mas eu não posso continuar aqui, com você.
[Neste momento, Madeleine cai, aos prantos, enquanto um instrumental extremamente melancólico tem início. Coraline e Mário o observam, sem falar nada.].
Coraline (decidida): Eu vou embora e me casarei com ele. Já não vivo mais sob o seu domínio. |Suspira.| Adeus, Serafín Machado!
[No pico do instrumental, Madeleine se agarra aos seus pés, soluçando.]
Madeleine (berrando): POR FAVOR, CORALINE! NÃO VÁ!
[Coraline, com lágrimas nos olhos, se afasta, deixando o pai para trás, em um estado lamentável.]
Coraline (olhando para Mário): Vamos!
[Mário concede, e, logo em seguida, os dois saem. A câmera foca em Madeleine, caído no chão, chorando descontroladamente.]
Madeleine (já sem forças): Coraline... Filha... Não me abandone... CORAAAALIIIIINEEEEEEEEEEEEE!
[Neste momento, enquanto o instrumental se dissipa, a tela começa a ficar escura. A câmera começa a focar em vistas panorâmicas da cidade, enquanto dias nascem e se põem, indicando que mais alguns se passaram.]
*[⏳] ● CENA 02 ● IGREJA ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
_🎶 • Ontem Ao Luar • Rubel_
[A câmera foca na fachada de uma bela e suntuosa igreja. Em seu interior decorado e ornamentado com requinte, o aguardado casamento de Mário e Coraline está prestes a acontecer. No altar, o rapaz, vestindo um elegante terno cinza, aguarda ansioso, enquanto Coraline, envolta em um deslumbrante vestido de seda, caminha pelo corredor, magnífica. Entre os convidados principais estão: Moisés, Dinha e Rafael. Apenas Madeleine não está lá, o que deixa a noiva menos feliz. A cerimônia tem início, depois que o casal finalmente fica unido à frente do padre.]
Padre (solene): Irmãos e irmãs, estamos reunidos aqui para testemunhar a união sagrada de Mário Durand e Coraline.
[Mário e Coraline se entreolham, sorrindo. O padre continua suas palavras enquanto os noivos trocam os votos.]
Mário (com ternura): Coraline, meu amor... Desde o momento em que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, eu soube que você era a razão da minha felicidade. Prometo amar, honrar e cuidar de você até o último dia de minha vida.
Coraline (com emoção): Mário, você é meu porto seguro, minha fonte de alegria. Prometo estar ao seu lado em todas as jornadas, na alegria e na tristeza.
[Enquanto um instrumental romântico tem início, a cerimônia tem andamento. Mário coloca a aliança no dedo de Coraline, que, em seguida, faz o mesmo com o amado.]
Padre: Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva!
[Apaixonados, os dois se beijam, enquanto aplausos da plateia ecoam. Sorrindo, Coraline afasta o seu rosto, e olha no fundo dos olhos de Mário.]
Coraline (sussurrando): Eu te amo...
Mário (sorrindo): Eu também te amo, minha Coraline!
[Apesar do sorriso, é possível perceber uma sensação de tristeza em Coraline.]
Mário (percebendo): Você está assim por causa dele?
Coraline (triste): Sim, Mário... Ele foi o homem que cuidou de mim e me deu amor durante dez anos... Eu queria que ele estivesse presente no momento mais importante de minha vida, apesar de tudo.
Mário: Você tentou, Coraline... Mas, infelizmente, ele não quis redenção. Se ele realmente te amasse, teria me recebido quando eu o procurei para conversar e convidá-lo.
[Triste, Coraline abaixa a cabeça.]
Mário (doce): Olhe para mim...
[Coraline novamente olha em seus olhos, esboçando um discreto sorriso.]
Mário: Nossa felicidade está apenas começando, meu amor.
[Um sorriso de orelha a orelha é esboçado pela jovem. Neste momento, a câmera corta para a porta da igreja, onde uma figura maltrapilha observa o casal. Se trata de Eleonor. Desolada, a filha dos Tavares, que agora mora na rua, encara os dois. Uma lágrima desce pelo seu rosto, e, em seguida, ela se afasta dali. O foco volta para o casal novamente, e, logo depois, a imagem começa a se dissipar.]
*[⏳] ● CENA 03 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Em companhia de uma melodia fúnebre, a câmera foca na fachada da casa de Madeleine. No interior, nada é como antes. Os móveis estão empoeirados e tudo se encontra imerso em uma triste atmosfera. Sentado em uma cadeira, Madeleine, com uma expressão triste e olhos marejados, encara uma foto amassada de Coraline.]
Madeleine (sussurrando): Ah, minha filha... Sem você, não tem como eu seguir em frente. |Suspira.| Depois que você foi embora, sem me dar esperanças de um possível perdão, eu já não penso mais em um amanhã. Tudo o que consigo pensar é em como tudo seria diferente se eu nunca tivesse subido naquela rocha para ajudar aquele garoto... Foi ali que eu assinei a minha sentença de morte. |Neste momento, beija a foto e levanta-se de seu assento.| Mas, agora... Nada mais pode ser feito. Eu pensei muito e cheguei à conclusão de que a única medida a ser tomada, para que eu finalmente encontre a minha redenção, é me entregar, de uma vez por todas...
[Ao dizer isto, o homem coloca a foto da amada filha no bolso de sua jaqueta de couro.]
Madeleine (com a voz embargada): Espero que um dia você acredite em mim e vá me ver, nem que seja por uma última vez.
[Depois disso, ele bate a porta e sai dali. O instrumental se intensifica, enquanto ele caminha para longe.]
*[⏳] ● CENA 04 ● CASA DE XAVIER ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Em seu quarto pouco iluminado, é mostrado Xavier, sentado em sua cama, com uma caixa em suas mãos, acariciando um objeto não identificado, ainda mais desorientado. Um sorriso sádico está estampado em seu rosto contorcido.]
Xavier (sussurrando): Ah, Machado... Desta vez eu não serei paciente... Sua hora finalmente está chegando.
[Neste momento, ao som de um instrumental de suspense, é revelado que o objeto dentro da caixa é um velho revólver. Xavier, completamente louco, pega a arma e começa a encará-la, com uma expressão nefasta.]
Xavier (decidido): A justiça finalmente será feita... O seu destino está selado... |Olha para a câmera.| Hoje é o seu dia, Serafín Machado!
*[⏳] ● CENA 05 ● CASA DE MOISÉS ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[No quarto de Mário, ele e Coraline estão na cama, se beijando intensamente. Um clima de paixão paira no ar.]
Mário (sorrindo): Eu quero morar neste carinho para sempre...
Coraline: Eu também, meu amor...
[Mário, percebendo que Coraline ainda está levemente triste, acaricia o seu rosto, compreensivo.]
Mário (sussurrando): Ei... Já que você está assim... Por que não procura Madeleine?
Coraline (cabisbaixa): Eu não sei, Mário... Ainda estou muito magoada, mas algo dentro de mim me manda ir atrás dele... Para conversar e, talvez, perdoá-lo.
Mário (solene): Coraline, eu te entendo... |Olha nos olhos da moça.| Procure-o! Vai fazer bem para você.
Coraline (suspirando): Está bem, eu vou! Ele ainda é o meu pai... |Lamenta.| Ai, Mário... Como eu queria que tudo fosse um sonho...
Mário: Mas, infelizmente, é a realidade, Coraline.
[Coraline, triste, o abraça, buscando consolo. Logo chega a tarde.]
*[⏳] ● CENA 06 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Depois de tomar a sua decisão, Coraline caminha com confiança, rumo à casa de Madeleine, sem imaginar que o homem, sem esperanças, decidiu se entregar para a polícia. Ela passa por uma rua pouco movimentada, sem se dar conta que chamara a atenção de uma pessoa desconhecida, que a observa de longe. Um instrumental de suspense tem início, enquanto a câmera revela que se trata de Valentin. Com aparência maltrapilha e perturbada, o homem esboça um sorriso maligno, enquanto encara a moça que se afasta.]
Valentin (sussurrando): Ah, negrinha... Finalmente chegou a hora do nosso acerto de contas.
[Neste momento, o homem começa a caminhar na direção de Coraline. O instrumental chega ao seu ápice, enquanto são mostrados takes de pontos aleatórios da cidade.]
*[⏳] ● CENA 07 ● CASA DE MOISÉS ● INTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Na cozinha, Dinha toma uma xícara de chá, parecendo perdida em seus pensamentos, quando, de repente, Moisés se aproxima lentamente.]
Moisés (sarcástico): Dinha, mon fils... Estou tão tête baissée... Não gostaria de dançar uma valsa comigo na sala? |Sorri.| Você é uma imprestável, havemos de concordar, mas, ao menos para uma valsa, você deve ser útil.
Dinha (de cara fechada): Que bom que está de bom humor, papai. Assim não irá se exaltar quando eu contar a verdade para Mário.
[Moisés, ao ouvir isto, fica tenso.]
Moisés (sussurrando): Não se esqueça do que eu sou capaz, Dinha...
Dinha (sorrindo, com coragem): Ah, Moisés, eu sei muito bem do que você é capaz... Sei melhor do que ninguém.
Moisés (ameaçando): Pois tome muito cuidado antes de qualquer ação, sua chienne!
Dinha (enfrentando): Por que? Vai me matar na frente de Mário? |Sorri.| Se bem que não me surpreenderia...
Moisés (levantando o tom): Já chega! Cale a boca, Dinha! VOCÊ NÃO PODE ME AFRONTAR!
Dinha: Ah, mas eu posso sim, seu velho maldito!
[Moisés, com raiva, levanta a mão para bater em Dinha, mas a mulher a agarra com força, o fazendo gritar de dor.]
Moisés: ESTÁ LOUCA?
Dinha (sorrindo): VOCÊ NUNCA MAIS FARÁ NADA CONTRA MIM, SEU INFELIZ!
Moisés (nervoso): EU MANDEI CALAR A BOCA!
Dinha (sussurrando): Calar a boca por quê? |Sorri.| Para que Mário não escute que EU SOU A VERDADEIRA MÃE DELE?
[Neste momento, um pesado soundtrack de ação invade a cena. De repente, um barulho de objeto de vidro se quebrando é ouvido. Ao virar-se, Dinha vê que é Mário que está ali. O rapaz, pálido, ouvira tudo.]
Mário (gago): Mãe?
[A câmera foca, neste instante, nos rostos dos três personagens presentes.]
*[⏳] ● CENA 08 ● RUAS DA CIDADE ● EXTERNO ● TARDE ● [⏳]*
[Enquanto toca um instrumental melancólico, é mostrado um homem vagando por uma rua deserta, indo em direção à saída da cidade. Trata-se de Madeleine, que caminha para o presídio mais próximo, disposto a se entregar. A câmera foca em seu rosto, molhado de lágrimas. De repente, o instrumental triste se transforma em uma melodia tensa e frenética. Atrás de Madeleine, é mostrado um homem mirando uma arma em sua cabeça. É Xavier, que sorri de forma maligna. Ao percebê-lo, Madeleine para, tenso.]
Xavier (engatinhando a arma e a encostando na cabeça de Madeleine): Fim de jogo para você, Serafín Machado!
[A câmera foca no rosto pálido e desesperado de Madeleine, enquanto o instrumental alcança o seu pico.]
*A IMAGEM CONGELA EM MADELEINE.*