*[⏳] ● CENA 01 ● BECO ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[A câmera foca em Madeleine e Xavier, tensos, ainda se encarando. O pai de Coraline engole o seco e rapidamente cai para trás. Xavier, completamente atordoado, tenta processar tudo aquilo.]
Xavier (sussurrando): Serafín... |Solta um berro ensurdecedor.| MACHADO!
[Madeleine, ao perceber que o seu carrasco não pode fazer nada contra ele, resolve não recuar. Corajosamente, ele se aproxima do homem, que se debate.]
Xavier (fora de si): MALDITO! SEU MALDITO! EU IREI TE PRENDER! ACABAR COM A SUA VIDA!
[Madeleine, neste momento, pisa fortemente em uma das mãos do delegado, que grita de dor.]
Xavier (desesperado): VOCÊ ESTÁ LOUCO? HEIN?
[O ex-prefeito, ainda mais corajoso, pisa mais uma vez, com ainda mais força. O delegado começa a chorar de dor.]
Madeleine (provocando): Está gostando, Xavier? |Surta.| ESTÁ GOSTANDO? HEIN? |Lhe dá um forte chute.| POIS SAIBA QUE ISTO NÃO É UM TERÇO DO QUE VOCÊ MERECE, DESGRAÇADO! MALDITO!
Xavier (gritando de forma estridente): PAAAAAREEEE!
[Madeleine, se sentindo vitorioso, lhe desfere mais um chute, deixando Xavier quase inconsciente.]
Madeleine (sarcástico): Por que eu deveria parar? Para você ser solto e voltar a me perseguir por um crime que eu NÃO COMETI?
Xavier (delirando, devido à dor e à fraqueza): Assassino... Desgraçado...
Madeleine (furioso): CALE A BOCA!
[No auge do ódio, Madeleine lhe levanta pela gola de sua camisa e o joga contra a parede, fazendo-o quase desmaiar. Antes de fechar os olhos por tempo indeterminado, Xavier sussurra uma última frase.]
Xavier (perdendo a voz): Eles... Irão me matar.
[Ao dizer isto, ele desfalece por completo. Madeleine, tenso, o observa.]
Madeleine (sussurrando para si mesmo): Eu... Eu tenho que ir embora! Este desgraçado deve morrer, me deixando livre de uma vez por todas.
[Neste instante, ele começa a caminhar para longe dali. Entretanto, de repente, ele para.]
Madeleine (inquieto): Não... Este não sou eu... Não posso deixá-lo morrer.
[Ao dizer isto, ele volta até o delegado, que se encontra em um miserável estado. Como se estivesse lidando com um animal, Madeleine pega em suas pernas e o arrasta para longe dali.]
*[⏳] ● CENA 02 ● RUA AFASTADA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Ainda com a faca apontada para Coraline, Eleonor fica cada vez mais fora de si. A filha de Fátima, completamente em choque, fica pálida e não consegue conter o desespero.]
Coraline (gaguejamdo): Eleonor...
Eleonor (perturbada): Estava com saudades, irmãzinha?
Coraline (sussurrando): Não... EU NÃO SOU SUA IRMÃ! VÁ EMBORA!
Eleonor (começando a chorar): EU VOU TE MATAR! VOCÊ É A CULPADA POR TODA A DESGRAÇA QUE SE INSTAUROU EM MINHA VIDA!
[Coraline, sem saber o que fazer, começa a tremer.]
Eleonor (gritando): EU AGORA JÁ NÃO TENHO MAIS NINGUÉM! MÃE, PAI... IRMÃOS! EU PERDI TODOS ELES! TODOS SE FORAM!
Coraline (chorando): EU NÃO TENHO CULPA! EU PASSEI OITO ANOS DE MINHA VIDA SENDO ESCRAVIZADA PELOS SEUS PAIS! A ÚNICA VÍTIMA NESTA HISTÓRIA SOU EU!
Eleonor: CHEGA! CHEEEEEGAA! VOCÊ DEVERIA TER CONTINUADO SENDO AQUELA ABERRAÇÃOZINHA! VOCÊ ESTÁ OCUPANDO UM LUGAR QUE DEVERIA SER MEU! UM HOMEM QUE DEVERIA SER MEU!
[Ao perceber que ela está falando de Mário, Coraline estremece.]
Coraline (sussurrando): Mário...
Eleonor (fora de si): SIM, O MÁRIO!
Coraline (criando coragem): VOCÊ ESTÁ COMPLETAMENTE LOUCA!
Eleonor (avançando): CALE A BOCA, NEGRA DESGRAÇADA!
[Na companhia de um explosivo soundtrack de tensão, Eleonor parte para cima de Coraline. Entretanto, para a sua frustação, a jovem desvia, e consegue se salvar.]
Eleonor (explosiva): SUA PARASITA!
[Quando está prestes a atacar novamente, Coraline, tomada de um coragem inexplicável, arranca a faca de suas mãos, jogando-a para longe. Eleonor paralisa, enquanto a moça parte para cima dela.]
Coraline (corajosa): ACABOU, ELEONOR!
[Neste momento, Coraline lhe agarra pelos cabelos e a imobiliza. Eleonor se debate, mas em vão. A força de Coraline parece ser invencível.]
Coraline (ameaçadora): Você quer saber? TUDO O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ E A SUA FAMÍLIA É POUCO! OS ÚNICOS PARASITAS SÃO VOCÊS!
[Após terminar, ela empurra Eleonor fortemente, fazendo-a cair ao longe, sem forças.]
Coraline (séria): Toda desgraça para os Tavares é insuficiente. Adeus!
[Com coragem, ela começa a caminhar. Já ao longe, a sua ficha cai e ela começa a chorar. Com medo, a moça decide voltar para casa. De volta para Eleonor, a jovem, ainda no chão, começa a chorar dolorosamente. A câmera se afasta lentamente, enquanto a filha dos Tavares solta agoniantes gritos de dor.]
*[⏳] ● CENA 03 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[O confronto ainda persiste. Enquanto estudantes e policiais se enfrentam, pessoas correm para longe, temendo por suas vidas. No meio do caos, Madeleine caminha atordoado, em busca de Coraline.]
Madeleine (ofegante): Filha... |Deixa cair uma lágrima.| Por favor, meu Deus... Não deixe que nada de ruim aconteça com minha Coraline!
[A câmera sobe aos poucos, mostrando o momento caótico em que a cidade se encontra.]
*[⏳] ● CENA 04 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[A câmera foca na região interna da morada de Madeleine. O ambiente está completamente escuro. De repente, a porta se abre abruptamente, revelando Coraline, que entra aos prantos. Ela cai de joelhos ao pé da porta, soluçando.]
Coraline (entre soluços): Me perdoa, pai... Me perdoa!
[Ao perceber o silêncio presente na casa, a moça estranha. Secando as lágrimas, ela se levanta e se dirige ao quarto de Madeleine.]
Coraline (preocupada): Pai, o senhor está aí?
[Ao entrar no cômodo e perceber que o homem não está lá, uma expressão de pavor toma conta de seu rosto.]
Coraline (sussurrando): Meu Deus... Ele foi atrás de mim!
[A câmera foca em seu rosto, que está com medo e arrependimento estampados.]
*[⏳] ● CENA 05 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Em uma rua afastada e deserta, é possível ver os pés de um homem, no meio de sacos de lixo. É Xavier, que fora jogado lá por Madeleine. Seus pés e mãos já estão desamarrados, mas seu corpo está repleto de hematomas. De repente, ele começa a despertar lentamente. Sentindo muita dor, ele tenta se levantar, mas, de início, não consegue. Ao olhar ao redor e ver que está no meio do lixo, tudo se torna ainda mais estranho.]
Xavier (sussurrando, com dificuldade): Serafín...
[Neste momento, ele percebe algo que lhe deixa intrigado. É uma folha de papel retirada do lixo, dentro do bolso de sua jaqueta, com algo escrito. Com todas as suas forças restantes, ele consegue sair do meio dos sacos e sentar-se encostado em uma parede. Ao ver o que tem escrito, seus olhos esbugalham.]
Xavier (lendo): "Agora você deverá eternamente a sua vida à mim, o suposto assassino do seu filho renegado."
[Neste momento, a folha cai de suas mãos trêmulas. Sem reação, o delegado deixa o seu corpo cair ao chão, sem forças. Enquanto a câmera se afasta, ele começa a agonizar.]
Xavier: Não... |Solta um berro estridente e perturbador, saído do fundo de sua garganta.| NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOO!
[A câmera se afasta totalmente.]
*[⏳] ● CENA 06 ● RUAS DE SÃO PAULO ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[De volta ao confronto, o caos ainda está no ar. Alguns jovens baleados estão caídos, agonizando no chão. Um pouco afastado do triste cenário, Mário caminha com dificuldade, machucado e ofegante. Ele se encosta em uma parede, tentando se recompor. Um semblante triste toma conta de seu rosto.]
Mário (sussurrando): Coraline...
[Neste momento, se dando conta de que a amada já deve ter partido, ele começa a lembrar de momentos especiais ao seu lado.]
*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● PRAÇA ● NOITE ● [🕰]*
Mário: E eu acho que... Estou completamente apaixonado, por você.
[Após a fala do rapaz, a música (tema do casal) se intensifica. Coraline, envergonhada, não diz nada. Mário se inclina em sua direção. Seu rosto fica quase colado ao da moça, que está tensa. No ápice do clima romântico, ele coloca as mãos sobre os ombros da amada e a surpreende com um beijo apaixonado. De início, Coraline não reage, mas, após alguns segundos, completamente apaixonada, se deixa entregar à paixão.]
*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*
[Neste momento, na vista de uma segunda pessoa, é mostrado que alguém está, ao longe, com um revólver mirado em Mário, que não se dá conta. Um pesado instrumental de ação tem início. É mostrado que o portador da arma é um policial, que se importa apenas em acabar com a revolta.]
Policial (sussurrando, prestes a disparar): Adeus, rebelde desgraçado...
[A câmera foca em seu rosto decidido e, em seguida, em Mário. De repente, o disparo é ouvido. A cena fica silenciosa, enquanto o jovem rapaz olha para o seu peito e vê que está completamente ensanguentado. Enquanto o policial se afasta, satisfeito, ele começa a perder a consciência.]
Mário (com dificuldade): Cora... Line!
[Neste momento, ele cai, agonizando. De repente, passos de um homem misterioso que se aproxima são ouvidos. Ele chega até o corpo quase sem vida do rapaz e o observa.]
Voz de homem (sussurrando): Mário...
[Neste instante, é revelado que o portador da voz é Madeleine, que ouvira o barulho do disparo e foi ver o que havia acontecido. Ele encara Mário, incrédulo e assustado.]
Mário (sussurrando): Ajuda...
[Madeleine, sem saber como agir, se aproxima do rapaz.]
Madeleine (consigo mesmo): Eu não posso... Não posso deixá-lo morrer.
Mário (perdendo a voz): Moisés... Moisés Durand!
[Ao dizer isto, ele finalmente desmaia. Madeleine, desesperado, rapidamente lhe pega nos braços e começa a se afastar dali, carregando-o.]
*[⏳] ● CENA 07 ● CASA DE MOISÉS ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada do casarão de Moisés. A atmosfera é tensa. No interior, Dinha está sentada em uma poltrona, com semblante de abatimento. Ela parece estar sentindo que algo ruim irá acontecer. De repente, ao som de um discreto instrumental tenso, alguém começa bater a porta fortemente, várias vezes seguidas. Dinha, receosa, levanta-se e vai até lá.]
Dinha (preocupada): Meu Deus... Será que é o Mário?
[Quando finalmente abre a porta, uma expressão de horror toma conta de seu rosto. Quem está lá é Madeleine, que carrega Mário em seus braços. Os dois estão ensanguentados, e Dinha cai para trás com o que vê.]
Dinha (desesperada): MÁRIO! |Avança para cima de Madeleine, aos prantos.| O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?
Madeleine (ofegante): Senhora, pelo amor de Deus, se acalme. Ele foi baleado. Eu o encontrei, quase sem vida, e ele me falou um nome... Moisés! Moisés Durand! Não hesitei antes de procurá-los.
Dinha (aos prantos): Mário...
Madeleine (colocando o rapaz em um sofá): Ele precisa de socorro, senhora. É urgente!
[Ao dizer isto, Madeleine se retira. Dinha, desesperada, corre até o sobrinho, abraçando-o e chorando.]
Dinha (entre soluços): PAI! PAAAAAAAAAAAAAAIIIIIII!
[O velho surge na sala, neste momento.]
Moisés (irritado): Mon Dieu, que berreiro é ess-... |Vê, neste instante, a filha chorando sobre o corpo desacordado do neto.| MÁRIO!
[Ele corre até lá. Enquanto a dor toma conta de Dinha, e Moisés procura por ajuda, a tela escurece lentamente, ao som de um instrumental melancólico.]
*[⏳] ● CENA 08 ● BECO ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[No beco em que Xavier fora deixado para ser morto, alguém lhe procura incessantemente, com uma arma engatilhada em suas mãos. É Rafael, que se desespera ao saber que o assassino de Galileu não está mais ali.]
Rafael (surtando): Droga... DESGRAÇADO!
[Ele ainda procura mais um pouco, desistindo, após não obter sucesso.]
Rafael (desorientado): Ainda não acabou... Eu vou vingar a sua morte, Galileu... Nem que seja a última coisa que eu faça!
[A câmera foca no rosto decidido de Rafael. A noite começa a correr. O confronto finalmente tem fim, deixando um rastro de dor e sofrimento. A maioria dos jovens que buscavam justiça foram presos, enquanto outros conseguiram fugir ou, infelizmente, foram assassinados.]
*[⏳] ● CENA 09 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Na casa de Madeleine, no início de mais uma manhã, Coraline dorme em uma cadeira, depois de passar o restante da noite esperando pelo pai, desesperada. De repente, a porta se abre lentamente. Ela logo desperta, e seus olhos se enchem de lágrimas ao ver Madeleine.]
Coraline (emocionada): PAI! |Corre em direção ao homem, o abraçando fortemente, aos prantos.| Pai... Me perdoa, por favor!
Madeleine (retribuindo o abraço): Filha... Está tudo bem!
Coraline (soluçando): Foi horrível, pai... Eu encontrei ela... A Eleonor... Ela tentou me atacar...
Madeleine (acolhedor): Fique calma, meu amor... Tudo isso passou.
[Coraline, inconsolável, olha nos olhos de Madeleine.]
Coraline (sussurrando): Eu fiquei com medo de te perder.
Madeleine: Nunca... Você nunca irá me perder.
[Neste momento, os olhos de Coraline captam as manchas de sangue na jaqueta do homem.]
Coraline (assustada): O que é isso? Que sangue é esse, pai?
[A câmera foca na expressão de receio feita por Madeleine. Ele teme a reação de Coraline ao saber que seu amado está entre a vida e a morte.]
*[⏳] ● CENA 10 ● HOSPITAL ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[Em um importante hospital da cidade, Mário está internado. Do alto, a câmera mostra o rapaz, deitado em uma cama, pálido e inconsciente, enquanto Dinha, ao seu lado, faz uma oração. O médico que estava em companhia dos dois sai do local, parecendo desacreditado. O cenário é triste.]
Dinha (com a voz embargada, terminando a oração): Mas livrai-nos do mal. Amém!
[A câmera foca no rosto pálido do rapaz.]
*A IMAGEM CONGELA EM MÁRIO.*