Sombras do Passado - Capítulo 05
*[⏳] ● CENA 01 ● RUA DESERTA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Fátima, de frente para o delegado, se desespera com a ordem de prisão.]
Fátima (atordoada): Não... O senhor não pode fazer isso!
Delegado: Não só posso, como já fiz.
[Ele empunha um par de algemas. Os três homens aproveitam o momento de distração para fugirem dali.]
Fátima (com sua tosse aumentando): Não, delegado... Por favor, POR FAVOR... EU NÃO FIZ NADA!
[O delegado não lhe dá ouvidos e a algema. Neste momento, é visto um homem que passava por ali se aproximando. É Madeleine, que presencia toda a cena.]
Madeleine (curioso): O que está acontecendo aqui, delegado?
Delegado: Estou prendendo esta arruaceira, senhor prefeito. Foi capturada importunando três cidadãos de bem.
Fátima: NÃO! AQUELES HOMENS ESTAVAM ME ATACANDO. EU NÃO FIZ NADA!
[Fátima cai, aos prantos. Seu estado é cada vez mais crítico. Madeleine se compadece.]
Madeleine: Solte a moça, delegado. Aparentemente está doente.
[O delegado, ofendido, se aproxima do prefeito.]
Delegado: Olhe aqui, meu prefeito, o senhor não pode me impedir de cumprir com o meu trabalho.
Madeleine (insistente): Eu não estou lhe impedindo, senhor delegado. Apenas estou vendo que a moça está em um estado crítico. Deveria ser levada para o hospital, não para a prisão.
[Neste momento, Fátima levanta-se, com dificuldade, e caminha em direção ao prefeito. Ao ficar cara a cara com o mesmo, ela cospe em sua cara, deixando-o em estado de choque.]
Fátima: EU NÃO QUERO A AJUDA DE UM HOMEM COMO O SENHOR! POR SUA CAUSA EU PERDI O MEU EMPREGO, SEU VERME!
Madeleine (limpando-se): Tenha calma, senhorita. Eu não tenho nada a ver com as demissões que ocorrem em minha fábrica.
Delegado (os interrompendo): Bom, se já acabaram a conversinha, vou levar a delinquente. Licença, senhor.
[Fátima chora. O delegado, frio, a puxa pelas algemas.]
Madeleine (decidido): Permita-me acompanhá-los. Eu não irei permitir que esta moça doente sofra maus tratos.
[O delegado consente e os três se afastam. Neste momento, é mostrado que uma quarta pessoa observa a cena ocorrida. É Xavier, que sorri maliciosamente e começa a seguir os três.]
*[⏳] ● CENA 02 ● DELEGACIA ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Minutos depois, já na delegacia, o delegado prepara-se para levar Fátima para a cela.]
Delegado: Não há mais o que discutir. Essa prostituta passará, no mínimo, uma semana atrás das grades.
[Fátima, cada vez mais debilitada, cai aos prantos.]
Madeleine (implorando): Delegado, por favor, reconsideremos isso. Esta mulher não merece ser presa.
Delegado (arrogante): As leis são claras, Senhor Prefeito. Ela cometeu um crime... Importunou e atacou três homens, provavelmente porque não quiseram o seu corpo.
[Fátima, tossindo incessantemente, interrompe a discussão.
Fátima (ofegante): Por favor, delegado... Não posso ser presa. Tenho uma filha... Uma filha que depende de mim.
[A confissão de Fátima causa um leve desconforto em Madeleine.]
Madeleine (olhando para o delegado) Veja, ela é mãe. Certamente, há outra maneira de resolver isso.
[O delegado abre um sorriso sarcástico.]
Delegado: Me poupem desse teatrinho ridículo...
[Fátima, desesperada, tenta se explicar.]
Fátima (entre lágrimas): Há oito anos, deixei minha filha com um casal que cuida bem dela. Todo mês envio dinheiro. EU NÃO POSSO SER PRESA!
[O delegado ignora as palavras de Fátima.]
Delegado (zombando): Mensalmente, você diz? Como se isso a isentasse de seus atos? |Balança a cabeça.| Não há nada que livre a sua pele.
[A pressão emocional atinge Fátima, que entra em desespero.]
Fátima (berrando): EU NÃO MEREÇO ISSO!
[Tossindo violentamente, ela desmaia.]
Madeleine (alarmado): Ela precisa de ajuda médica imediatamente. CHAME JÁ UMA AMBULÂNCIA, DELEGADO!
[O delegado consente. Logo o socorro chega e Fátima é levada.]
*[⏳] ● CENA 03 ● DELEGACIA ● EXTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Minutos mais tarde, depois que Fátima finalmente é socorrida, Madeleine sai da delegacia. O mesmo está cansado, em decorrência do longo diálogo com o delegado e da ajuda que prestara a mulher. O calor é forte. Ele abre um pouco de sua camisa, deixando parte de seu peito cabeludo exposto. Antes que possa se afastar do local, é abruptamente surpreendido por uma abordagem. É Xavier, que a tudo observava. O inspetor sorri, maliciosamente, enquanto o prefeito engole o seco, assustado e ansioso.]
Madeleine (abalado): Inspetor... O senhor novamente...
Xavier (dissimulado): Caro Madeleine... O que o senhor fazia na delegacia uma hora dessas? Perdoe-me a curiosidade, mas... Aconteceu algo?
Madeleine (breve): Não se preocupe, inspetor, está tudo bem. Agora, se o senhor me permite, preciso ir para casa.
[Ignorando as palavras do ex-presidiário, Xavier se aproxima, deixando Madeleine ainda mais incomodado.]
Xavier (demonstrando curiosidade): Está tudo bem, prefeito? Sinto que o senhor está levemente incomodado com a minha presença.
Madeleine (mentindo): Estou apenas cansado, o senhor deve entender.
Xavier: Claro...
[Antes que possa falar mais alguma coisa, os olhos de Xavier flagram algo que o deixa perplexo. Ele encara algo no peito de Madeleine. É uma mancha em formato de estrela. Automaticamente, vários flashes passam pela sua cabeça.]
*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● PRESÍDIO (CELA DE MADELEINE) ● NOITE ● [🕰]*
[Em uma cela pouco iluminada, Madeleine (Serafín Machado) está desesperado, lutando para ser libertado.]
Madeleine (gritando): ME TIREM DAQUI, PELO AMOR DE DEUS! EU NÃO SOU UM ASSASSINO...! |Começa a chorar.| EU NÃO SOU!
[Neste momento, Xavier entra na cela com um olhar frio.]
Xavier (cruel): Seu choro não vai mudar nada, Serafín. CALE ESSA BOCA!
[Madeleine continua aos prantos. Ignorando os seus apelos, Xavier lhe desfere um chute violento, fazendo-o cair ao chão.]
Madeleine (gemendo): Por favor, pare... PARE!
[O inspetor, impiedoso, continua a espancar Madeleine, indiferente aos seus pedidos. Entre os golpes, Xavier nota uma mancha em formato de estrela no peito de Madeleine. A mesma que ele acabara de ver no tempo presente.]
Xavier (com sarcasmo): O que é isso? Uma estrela da sorte? Parece que ela não está fazendo um bom trabalho para você.
*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*
[A lembrança se desfaz. Quando Xavier cai em si, Madeleine já caminha longe. O mesmo o encara friamente, e um sorriso brota em seu rosto.]
Xavier (sussurrando): A sua hora está chegando, maldito!
[A imagem escurece.]
*[⏳] ● CENA 04 ● HOSPITAL ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
[Vários takes com corredores de um hospital são mostrados. Em um quarto, Fátima encontra-se deitada em uma cama, pálida e frágil. Ela murmura palavras desconexas enquanto delira, provavelmente como efeito de uma forte febre.]
Fátima (sussurrando, gemendo): Quem é você?
[Ela agoniza. Seu estado é crítico.]
Fátima (ainda delirando): É você, filha? Oh, meu amor... Venha cá, me abrace...
[Neste instante, uma enfermeira entra no quarto e verifica sua temperatura. A febre persiste. A câmera foca no rosto pálido e desacordado de Fátima. A câmera se afasta. A noite corre rapidamente e logo é dia novamente.]
*[⏳] ● CENA 05 ● CASA DOS TAVARES ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*
[A câmera foca na fachada da casa dos Tavares. Ao adentrar, é mostrado que a família está tomando café da manhã, com exceção de Coraline, por motivos óbvios, e Galileu, que está no quarto onde dorme com Eleonor e Adelaide. O garoto, aproveitando o fato de estar sozinho, explora entre as roupas e pertences de suas irmãs. De repente, ele encontra uma peça de vestuário de Eleonor, uma delicada e rendada saia.]
Galileu (sussurrando): É magnífica... Será que... Eu posso provar?
[Movido pela curiosidade, Galileu decide experimentar a saia. A peça, um pouco grande para ele, arrasta-se pelo chão enquanto ele dá passos desajeitados. O garoto se depara com um espelho e, ao se observar, seus olhos brilham com fascínio.]
Galileu (sorrindo): Pareço um príncipe... Ou talvez uma princesa.
[No ápice de sua diversão, a porta se abre abruptamente, revelando Carlota, que se espanta com a cena presenciada. Galileu entra em desespero.]
Galileu (pálido): Mãe, eu... Eu...
Carlota (incrédula): O que diabos você está fazendo, Galileu?
[Galileu, tomado de medo, tenta se explicar.]
Galileu (com voz trêmula): Eu... Só estava brincando, mãe. Não tem mal nenhum nisso.
[Os olhos de Carlota se estreitam. Ela se aproxima rapidamente do filho, com fúria no olhar.]
Carlota (furiosa): Essa não é uma brincadeira apropriada para um menino! TIRE ISTO IMEDIATAMENTE, MOLEQUE!
Galileu: Mãe...
[Antes que Galileu tenha a chance de continuar, a mão de Carlota desce com força, lhe desferindo um tapa. O menino leva as mãos ao rosto, chorando.]
Carlota: EU JÁ MANDEI VOCÊ TIRAR ISTO, GALILEU! OU VOCÊ QUER LEVAR CHICOTADAS COMO UM NEGRO ESCRAVIZADO?
[Ao ouvir os barulhos da discussão, Valentin vai até o quarto para averiguar o que está acontecendo. Eleonor e Adelaide vão atrás.]
Valentin (ao presenciar a cena): MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?
Galileu (soluçando) Eu só... Eu só queria me divertir.
[Carlota se vira para Valentin, que observa a cena com desaprovação.]
Carlota (explosiva): Valentin, faça alguma coisa imediatamente. O seu filho está se comportando como uma vergonha.
[Valentin nada responde, apenas se aproxima do filho.]
Valentin (com severidade): Galileu, isso não é aceitável. Homens não se vestem assim.
Galileu (com medo): Mas eu gostei de me ver assim, pai...
[Incrédulo com o que acabara de ouvir, Valentin também lhe desfere um tapa, fazendo-o cair.]
Valentin: VOCÊ NUNCA MAIS REPITA ISTO, MOLEQUE!
Galileu (gritando): EU GOSTO DE COISAS DE MENINAS, POR QUE ISSO É TÃO ERRADO?
Carlota (desacreditada): CHEGA! EU NÃO VOU TOLERAR QUE ESSE MENINO FALE TAMANHOS ABSURDOS!
[Ela pega uma corda e começa a desferir fortes golpes em Galileu, que grita de dor, enquanto é impedido de soltar-se pelo pai.]
Carlota: ISTO É PARA APRENDER A PORTAR-SE COMO GENTE!
[Na porta do quarto, Eleonor e Adelaide observam a cena, aterrorizadas.]
Eleonora (sussurrando para Adelaide): Por que estão machucando o Galileu?
[A irmã nada diz. Galileu, completamente sem forças, finalmente é liberado do castigo.]
Galileu (corajoso): EU ODEIO VOCÊS, E QUERO QUE OS DOIS MORRAM!
[Após falar isso, ele salta por uma janela e corre em direção à floresta.]
Valentin: VOLTE AQUI, GALILEU!
Carlota (dura): Deixe, Valentin. Podemos ter a sorte desse estorvo ser devorado por animais.
[A câmera foca no olhar frio da mulher para o marido.]
*[⏳] ● CENA 06 ● HOSPITAL ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*
_🎶 • Linda Flor (Yaya) (Ai, Yoyo) • Gal Costa_
[Após uma breve vista panorâmica de Monte Velho, que desperta em mais um dia, a câmera foca no hospital em que Fátima está internada. Ao adentrar-se, é mostrado um homem na recepção, aguardando ansiosamente. É Madeleine. De repente, uma enfermeira se aproxima.]
Enfermeira (prestativa): Queira me acompanhar, Senhor Madeleine. |O guia até o quarto de Fátima.| É por aqui.
Madeleine: Claro!
[Os dois entram no quarto. A mulher está dormindo, pálida, em um estado lamentável. O prefeito se aproxima, compadecido.]
Madeleine (preocupado): Meu Deus... Está muito abatida.
Enfermeira: Ela apresenta um caso de pneumonia aguda grave. Como provavelmente demorou meses para procurar ajuda médica, os pulmões estão bastante afetados. O seu estado é muito complicado.
[Madeleine nada diz, apenas observa Fátima.]
Enfermeira: Bom, vou deixar o senhor um pouco sozinho com ela.
Madeleine: Obrigado.
[Ele se aproxima de Fátima. Olhando em seus olhos fechados, ele se compadece ainda mais.]
Madeleine (passando levemente a mão em seu rosto): Tão jovem...
[Neste momento, Fátima começa a despertar. Ela abre os olhos, com dificuldade. Sua tosse ainda é persistente, deixando-a mais debilitada.]
Fátima (assustada, com dificuldade): Prefeito... O que o senhor quer? Eu... Eu preciso ir embora... A minha filha precisa de mim.
Madeleine (cuidadoso): Tenha calma... Primeiro você precisa ficar bem.
Fátima: Não... Eu não quero ficar bem... EU PRECISO CUIDAR DA MINHA FILHA!
Madeleine: Olhe, Fátima... Eu entendo a sua aflição, mas-...
Fátima (interrompendo): O senhor não entende... Enquanto eu estiver aqui, a minha filha estará precisando de mim. Eu... Eu preciso buscar a minha Coraline!
Madeleine: Tenha calma... Por favor. Vai ficar tudo bem, eu lhe garanto.
Fátima: Por que o senhor está me ajudando? Remorso por terem me demitido de sua fábrica?
Madeleine: Eu me compadeci com a sua situação, Fátima... Estou disposto a lhe ajudar no que for necessário, inclusive... Eu posso buscar a sua filha e lhes dar uma vida digna.
[Neste momento, os olhos de Fátima se enchem de esperança.]
Fátima (com os olhos marejados): O... O senhor faria isso por mim?
[A câmera foca no olhar debilitado de Fátima, agora cheio de expectativas.]
*A IMAGEM CONGELA EM FÁTIMA.*
