Sombras do Passado - Capítulo 02

 



*[⏳] ● CENA 01 ● PENSÃO (QUARTO DE XAVIER) ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A câmera foca na fachada de uma pensão. É lá onde Xavier está hospedado. É mostrado a região interna do estabelecimento. Em seguida, o foco passa para o quarto de Xavier, que, depois de avistar Madeleine, voltara para o lugar. Ele encara uma fotografia encardida do prefeito, ainda da época em que se chamava Serafín Machado.]


Xavier (olhando fixamente para a foto): Ah, Serafín... Você pode ter mudado de identidade, o visual... Mas à mim você não engana. 


[O inspetor começa então a se perder em suas lembranças.]


*[🕰] ● FLASHBACK (INÍCIO) ● PRESÍDIO (CELA DE MADELEINE) ● NOITE ● [🕰]*


[Em uma cela escura, Xavier encara Madeleine, que está abatido e choroso.]


Xavier (sarcástico): Então você alega que foi um acidente, Machado? Que sua negligência resultou na morte daquela inocente criança?


[Madeleine soluça e tenta falar, mas suas palavras são interrompidas pelo olhar duro do inspetor.]


Xavier (firme): Não me importam suas desculpas. Você tirou a vida de uma criança... Uma vida inocente que nunca terá a chance de crescer, de viver seus sonhos.


[Madeleine se desespera, tentando explicar o que aconteceu.]


Madeleine: Eu juro, inspetor... Foi um acidente! Eu não queria machucar ninguém, muito menos uma criança.


[Xavier se aproxima de Madeleine, encarando-o com desprezo.]


Xavier: NÃO ME VENHA COM MENTIRAS! Você é um assassino e pagará pelo que fez.


[Madeleine cai de joelhos, agarrando-se às pernas do inspetor, implorando por compreensão.]


Madeleine (desesperado): Por favor... Eu nunca quis isso. Eu não sou um monstro! EU NÃO SOU UM MONSTRO!


[Xavier olha para Madeleine com desdém, ignorando suas palavras e empurrando-o com violência.]


Xavier (cruel): Você não merece piedade. A justiça será feita e você pagará pelo seu crime.


[Xavier se afasta, deixando Madeleine sozinho em sua agonia.]


*[🕰] ● FIM DO FLASHBACK ● [🕰]*


[Xavier amassa a foto violentamente e a lança no chão.]


Xavier (decidido): Eu não vou sossegar enquanto não conseguir provar que esse desgraçado e o prefeito são a mesma pessoa. |Levanta-se.| Minha missão de vida é te capturar, Serafín Machado... Vivo ou morto!


[A câmera foca no olhar decidido do inspetor de polícia.]


*[⏳] ● CENA 02 ● CASA DOS TAVARES ● SALA DE JANTAR ● MANHÃ ● [⏳]*


[Todos os membros da família Tavares estão reunidos na mesa, tomando café da manhã. É mostrado que, mais ao longe, Coraline está sentada no chão, segurando um prato velho e comendo com as mãos.]


Galileu (olhando para Carlota): Mamãe... Por que não chama Coraline para sentar e comer com a gente?


[Carlota e Valentin se entreolham.]


Carlota (incrédula): Está louco, moleque? Onde já se viu chamar esse monstrinho para sentar-se conosco? Iria enjoar a todos nós e não iríamos conseguir comer. 


Valentin (duro): Isso mesmo. O lugar dessa ratinha é lá fora, junto aos animais. 


Carlota (interrompendo): E aqui dentro também, quando nós convém, aliás... |Grita.| CORALINE, VENHA CÁ!


[A menina deixa o prato de comida de lado e levanta-se rapidamente.]


Coraline: Estou aqui, senhora.


Carlota: Ótimo! Sirva suco para as crianças.


[Coraline pega a jarra e serve as três crianças. Ao tentar colocá-la de volta à mesa, ela acidentalmente a deixa cair sobre Carlota, deixando-a ensopada e furiosa.]


Carlota: MAS O QUE É ISTO, MENINA? ESTÁ LOUCA?


Coraline (desesperada): Me perdoe, senhora, foi um acidente, e-...


Carlota: CALE JÁ ESTA MALDITA BOCA! 


[Coraline abaixa a cabeça, temendo ser castigada. Carlota levanta-se abruptamente e para em frente à menina.]


Carlota: Olhe para mim.


[Coraline levanta a cabeça, hesitante. Neste momento, Carlota desfere-lhe um violento tapa em seu rosto, fazendo-a cair.]


Carlota (cruel): Isto é para aprender a se portar como gente, criaturazinha insolente!


[Coraline levanta-se com dificuldade, aos prantos.]


Coraline: VOCÊ É UM MONSTRO! EU QUERO A MINHA MÃE!


[Carlota se assusta com a coragem de Coraline, mas sua agressividade aumenta.]


Carlota: Mas é muita petulância mesmo... Olha aqui, negrinha, A SUA MÃE LHE ABANDONOU, E SABE POR QUÊ? POR SUA CULPA! PORQUE ELA NÃO AGUENTOU OLHAR PARA ESSA SUA CARA MALDITA! MALDITA! 


[Coraline começa a chorar.]


Carlota (ameaçando): Agora, eu acho melhor você calar essa boca porca e sair da minha frente, ANTES QUE EU CRAVE UMA FACA EM SUAS COSTAS!


[Coraline enxuga as lágrimas e sai correndo do local. Carlota dirige-se à Valentin.]


Carlota: Valentin, escreva uma nova carta para a desgraçada da Fátima. Exija muito, mas MUITO dinheiro, caso contrário, eu vou escorraçar esse monstrinho sem pensar duas vezes.


Valentin: Mas ela enviou a mensalidade há menos de um mês, certamente irá desconfiar. 


Carlota: Invente que a menina está doente, oras. Ela ama a filha e não hesitará em mandar a quantia que você exigir.


Valentin: Tá certo...


[O dia passa. Logo cai a noite e amanhece novamente.]


*[⏳] ● CENA 03 ● CASA DE FÁTIMA ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[A câmera foca na vista frontal de uma pequena casa. É lá onde vive Fátima. Ao adentrar-se, a miséria torna-se visível. O imóvel é velho e apresenta poucos móveis. Não há eletricidade, tampouco rádios ou telefones. No centro da sala, sentada em uma cadeira velha, está Fátima. A mulher está lendo uma carta, aparentemente atordoada.]


Fátima (desesperada): Meu Deus... Minha menina... Minha menina está doente. 


[Com o decorrer da leitura, sua aflição aumenta gradativamente.]


Fátima (ao ver a quantia exigida): Mas isso aqui é muito dinheiro. Eu não tenho tudo isso. 


[A mulher levanta-se, agoniada, e se vê sem saber o que fazer. Sua crise de tosse recomeça.]


Fátima (tossindo): Eu tenho que dar um jeito ainda hoje... A minha Coraline precisa, e eu não posso negar.


*[⏳] ● CENA 04 ● CASA DE MADELEINE ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[O prefeito está em sua biblioteca, seu lugar favorito da casa. De repente, a empregada Rosa aproxima-se rapidamente.]


Rosa: Seu Madeleine, há uma mulher lá na sala querendo muito falar com o senhor. Ela diz que veio de longe só para lhe dar um recado. 


[Curioso, Madeleine vai até a sala e se depara com a mulher, de costas para ele, mas não a reconhece.]


Madeleine: Senhora?


[Neste momento, a mulher se vira para o prefeito e revela tratar-se de Daniela. A expressão de Madeleine muda abruptamente, e uma mistura de surpresa e horror dominam o seu rosto.]


Madeleine (gaguejando): Daniela...


Daniela: Olá, Serafín Machado... |Olha ao redor, analisando a moradia.| Pelo visto você mudou de vida rapidin, num é? 


Madeleine (sussurrando): Oras, fale baixo! O que te traz aqui? 


Daniela (direta): Vim a mando de Seu Montecarlo. Ele tá pra bater as botas e quer muito ver você. Agora, o porquê eu num sei... Depois de tantos anos sem notícias, ele me inventa de querer saber de um assassino de crianças como você. 


Madeleine (se aproximando): Você sabe muito bem que eu não matei ninguém, Daniela. E se Montecarlo quer me ver, ele verá. Eu devo tudo o que sou hoje à ele. Jamais lhe negaria qualquer pedido. Só preciso ser cauteloso para que ninguém de Vila Esperança me reconheça. 


Daniela: Pois bem, mas que seja logo. Ele tá cada dia pior e pode partir dessa pra mió a qualquer instante. 


[Daniela se retira, deixando Madeleine pensativo. Em seguida, o mesmo dirige-se até Rosa.]


Madeleine: Rosa, arrume uma mala pequena para mim, por favor. Tenho um assunto muito importante para resolver bem longe de Monte Velho.


[A câmera foca no rosto de Madeleine.]


*[⏳] ● CENA 05 ● RUAS DE MONTE VELHO ● EXTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


_🎶 • Anything Goes • Cole Porter_


[Do alto, são mostrados vários takes de Monte Velho. Pessoas vão em vêm pelas ruas. Por uma delas caminha Xavier. Ele se aproxima de uma senhora idosa, que está sentada em um banco, lendo um jornal.


Xavier (dissimulado): Bom dia, minha senhora. Desculpe incomodá-la, mas... A senhora poderia me dar algumas informações?


[A idosa olha para Xavier, desconfiada.]


Senhora: O que deseja saber?


Xavier: Bom... É sobre o prefeito Madeleine. Estou... É... Fazendo uma pesquisa sobre a vida deste caro governante. Poderia me contar algo sobre ele?


Senhora (simpática): Ah, o prefeito... Ele chegou aqui há uns dez anos. Eu me lembro bem. Subiu na vida depois de salvar o prefeito da época. Em retribuição, recebeu um cargo na prefeitura e foi galgando posições até se tornar prefeito e dono da fábrica de chocolates. Um homem de coração gigantesco. 


[Xavier sorri, intrigado com a história.]


Xavier: E antes de chegar aqui... O que ele fazia? Onde morava?


Senhora: Bom, isso eu não sei. Na verdade, acho que ninguém sabe. O prefeito é muito discreto e não é de andar falando sobre o seu passado. 


Xavier: Interessante... Obrigado, minha senhora. Suas informações me foram bastante úteis. 


[Xavier agradece e se afasta.]


Xavier: Um passado enigmático... Parece que a vida foi generosa com você, Serafín... Mas agora você vai voltar para onde nunca deveria ter saído, desgraçado.


[A câmera se afasta. O dia passa rapidamente e logo a noite cai.]


*[⏳] ● CENA 06 ● CASA DE MONTECARLO (QUARTO POUCO ILUMINADO) ● INTERNO ● NOITE ● [⏳]*


[A câmera mostra o céu escuro de Vila Esperança, e, em seguida, foca na igreja e na casa de Montecarlo. Em seu quarto, o padre está cada vez mais fragilizado. É mostrado, nesse instante, Madeleine entrando pela porta. Ele se compadece ao ver o estado do velho, que dorme.]


Madeleine (aproximando-se): Senhor Montecarlo... 


[Ao sentir a presença do ex-presidiário, Montecarlo desperta e sorri ao vê-lo.]


Montecarlo (com dificuldades): Meu filho... Que bom que você veio. Eu não podia partir sem me despedir. 


Madeleine (emocionado, segurando suas mãos): Padre Montecarlo, estou aqui, como me pediu. Como o senhor está se sentindo?


Montecarlo: Serafín... ou melhor, Madeleine. Sinto-me fraco, mas meu coração se enche de paz ao vê-lo.


[Neste momento, Madeleine se ajoelha ao pé da cama, com os olhos marejados.]


Madeleine: Eu não sei como agradecer por tudo o que fez por mim. O senhor me acolheu quando todos me condenaram... Eu nunca tive ninguém e todos que presenciaram a morte do menino me culparam... Só o senhor acreditou em mim, e foi graças à sua bondade que eu tive a oportunidade de mudar de vida.


Montecarlo (cada vez mais fraco): Eu sempre soube da sua inocência, meu filho. Sempre acreditei em você e no seu arrependimento sincero.


Madeleine: Foi o senhor quem me mostrou o caminho da redenção e do amor. Obrigado por me ensinar o verdadeiro sentido da vida.


Montecarlo: Não há necessidade de agradecer, meu filho. Você encontrou sua própria paz e se tornou um homem de bem.


Madeleine (chorando): Eu prometo honrar sua memória, padre. Continuarei usando minha posição como prefeito para fazer justiça e ajudar aqueles que precisam.


Montecarlo: Seja a luz que ilumina os corações das pessoas, Madeleine... Nunca esqueça o que lhe disse há dez anos: Eu furtei a sua alma dos maus pensamentos e do espírito da perdição para entregá-la a Deus. 


Madeleine: Eu não vou esquecer. Prometo ao senhor que farei tudo que estiver ao meu alcance para evitar que outros passem pelo mesmo que eu passei. 


Montecarlo (com dificuldade para respirar): Estou orgulhoso do homem que você se tornou, Serafín Machado... Agora, siga em frente e faça a diferença neste mundo.


[A emoção de Madeleine aumenta. Um instrumental melancólico toma conta da cena, enquanto Montecarlo perde suas forças completamente.]


Madeleine (entre soluços): Suas palavras e seu amor sempre estarão comigo, padre...


Montecarlo: Eu... Eu te abençoo. 


[O padre enfim falece. Madeleine abraça o seu corpo, aos prantos.]


Madeleine: Descanse em paz, Padre Montecarlo.. 


[O instrumental melancólico se intensifica, enquanto a tela escurece lentamente.]


*[⏳] ● CENA 07 ● CEMITÉRIO ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


_🎶 • Nascente • Milton Nascimento_


[O sol nasce. Os sinos da igreja tocam tristemente enquanto o cortejo fúnebre de Montecarlo segue em direção ao cemitério. Madeleine caminha ao lado do caixão com lágrimas nos olhos, junto com Daniela. O silêncio pesa no ar, e a tristeza envolve cada uma das pessoas presentes. Ao chegar ao cemitério, o caixão de Montecarlo é colocado cuidadosamente na sepultura. Madeleine, com as mãos trêmulas, lança uma rosa branca sobre o caixão.]


Madeleine (emocionado): Que Deus receba o senhor de braços abertos... 


[É mostrado a terra caindo sobre o caixão, enquanto a tela escurece lentamente e o som da música se dissipa.]


*OBS: Temendo ser reconhecido por alguém, Madeleine se disfarça, usando um chapéu que esconde quase todo o seu rosto. Menos de dez pessoas se fazem presentes no cemitério.*


*[⏳] ● CENA 08 ● FÁBRICA DE CHOCOLATES ● INTERNO ● MANHÃ ● [⏳]*


[São mostrados diversos takes de operários trabalhando na fábrica. Fátima está entre eles, um pouco abatida e tossindo frequentemente. O tempo passa e logo é horário de almoço. Fátima está comendo ao lado de colegas, quando Gilda surge, dissimulada.]


Gilda (sarcástica): Fátima, querida... Você não sente remorso de estar aqui enquanto a sua cria está aos cuidados de estranhos?


Fátima (assustada): Do que você está falando?


[Gilda se aproxima, com malícia.]


Gilda (sussurrando): Da filha que você abandonou, oras...


[Fátima, em choque, levanta-se rapidamente e encara a mulher.]


Fátima: Você está louca? Eu não sei do que está falando.


Gilda: Ah, sabe muito bem... Digamos que eu fiz algumas pesquisas e descobri muita coisa do seu passado podre. 


Fátima (incrédula): Como assim? QUE HISTÓRIA É ESSA, GILDA? QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA VASCULHAR A MINHA HISTÓRIA? ISSO NÃO TE DIZ RESPEITO!


Gilda (enfrentando-a): Mas diz respeito à superintendente e ao Senhor Madeleine. Você sabe muito bem que a fábrica contrata apenas mulheres que ainda não são mães. Ou seja... VOCÊ MENTIU!


Fátima (tossindo, desesperada): MAS ISSO É UM ABSURDO! 


Gilda (falando para todos ouvirem): Absurdo é você ter omitido que teve uma filha com um HOMEM CASADO e que FOI EXPULSA DE CASA PELO SEU PAI, QUE NÃO AGUENTOU A VERGONHA QUE VOCÊ TROUXE PARA A FAMÍLIA!


[Todos os presentes começam a comentarem entre si, enquanto Fátima fica mais desesperada.]


Fátima: ISTO É MENTIRA, GILDA! MENTIRA!


Gilda: Não, não é mentira. E como se ser uma devassa não bastasse, VOCÊ AINDA ABANDONOU A POBRE CRIANÇA!


[A angústia toma conta de Fátima, que começa a se ver sem saída. A mulher não para de tossir.]


Fátima (com lágrimas nos olhos): EU NÃO ABANDONEI A MINHA FILHA! EU A AMO MAIS DO QUE TUDO!


Gilda (com sarcasmo): Ah, claro... Você é uma mãe exemplar... E que bom que confessou que pariu, largou a criança e ainda mentiu para conseguir este emprego.


Fátima (gritando): NÃO FALE ASSIM DE MIM! Você não sabe o que eu passei! Eu luto todos os dias para dar uma vida melhor para minha filha!


Gilda (rindo): Lutar? Você só envergonhou sua família com suas atitudes irresponsáveis. |Se aproxima de Fátima.| Você é só uma mulherzinha que deseja subir na vida à custo dos outros e, para isso, aplicou o famoso golpe da barriga... Uma verdadeira prostituta!


Fátima (explosiva): CHEGA! EU NÃO VOU TOLERAR QUE VOCÊ FALE ASSIM COMIGO!


[Neste momento, Fátima parte para cima de Gilda, lhe dando vários e fortes tapas. A mulher cai e ela continua lhe batendo freneticamente.]


Gilda (sangrando pelo nariz): PARE, SUA LOUCA!


[Fátima não para. Os outros operários separam a briga e a superintendente presencia a cena.]


Superintendente: MAS O QUE SIGNIFICA ISSO?


Gilda (se vitimizando): A Fátima... Ela está louca! 


Superintendente (se dirigindo a Fátima): VOCÊ PODE ME EXPLICAR O QUE FOI ISSO?


Gilda: PODE DEIXAR QUE EU EXPLICO, SENHORA! ACONTECE QUE EU DESCOBRI QUE ELA MENTIU PARA TODOS!


Superintendente: Como assim "mentiu"? Que história é essa?


Fátima (desesperada, tossindo): CALE ESSA BOCA!


Gilda (continuando): MENTIU, SIM! EU DESCOBRI QUE FÁTIMA TEM UMA FILHA DE OITO ANOS, SENHORA! 


Superintendente: Isso é verdade, Fátima? Você tem noção da gravidade deste problema? VOCÊ FOI CONTRA AS NOSSAS REGRAS?


[Fátima abaixa a cabeça, aos prantos.]


Fátima: É verdade sim... Mas eu fiz isso pela minha filha. Se eu não conseguisse dinheiro, o casal que cuida dela a despejariam.


Superintendente: EU NÃO ACREDITO NUMA COISA DESSAS! Você mentiu, Fátima, e isso é inadmissível.


Fátima: Eu sei, senhora, mas... Eu preciso muito do emprego. Por favor, me deixe continuar trabalhando aqui. EU IMPLORO!


Superintendente: Já chega desse teatro, Fátima. Você está demitida. SAIA DESSA FÁBRICA AGORA! VOCÊ IRÁ EMBORA, E SEM LEVAR NENHUM TOSTÃO!


[Gilda se vê satisfeita. A câmera foca no olhar desesperado de Fátima.]


*A IMAGEM CONGELA EM FÁTIMA.*