Café Amargo - Segundo Capítulo
• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 02
*CENA 01 | CASA DE ALICY E SAULO - INT./MANHÃ*
Saulo: O senhor... é meu pai, Dom Jerônimo?
Jerônimo: Sim, meu filho, sou eu. Tive um reencontro com sua mãe há 5 anos, depois de muito tempo em busca dela. Nós... tivemos um romance no passado, mas, quando fomos flagrados juntos, minha finada mãe, Maristela, a expulsou de casa
☕ FLASHBACK ☕
1894.
Instrumental de tensão 🎶.
É mostrado Alicy (CLARA MONEKE), numa versão jovem, beijando Jerônimo (JESUÍTA BARBOSA), também rejuvenescido, e ambos sendo flagrados pela matriarca do casarão: a falecida dona Maristela (Irene Ravache).
Maristela: |Surpresa.| Mas o que significa isso!?
Jerônimo: |Nervoso.| Mãe, eu posso explicar...
Alicy: |Surpresa.| Dona Maristela, me perdoa, só que...
Maristela: |Furiosa.| MAS NADA! ESTA ATROCIDADE TERMINA AGORA!
[Em outro take, é mostrado Alicy, já expulsa, revelando para Jerônimo que está grávida, enquanto Maristela escuta tudo.]
Maristela: |Revoltada.| MAS VOCÊ NÃO VAI ASSUMIR ESSA MALDITA CRIANÇA COISA NENHUMA! JERÔNIMO, VÁ PARA DENTRO, AGORA!
[Jerônimo entra de volta no casarão. A cena corta para o pico do diálogo entre Alicy e Maristela.]
Maristela: |Fria.| Eu te darei uma boa quantia, Alicy. Para você criar seu filho. Sou uma mulher rígida, mas não cruel. Entretanto, mocinha, eu prezo pela moral e os bons costumes e essa sua relação com meu filho, Jerônimo, não está dentro desses... padrões.
Alicy: |Cabisbaixa.| Sim, senhora, eu... vou aceitar vosso dinheiro. Não por mim, mas porque não quero que meu fi morra de fome.
Maristela: Muito bem! Você vai para bem longe, para um lugar que meu Jerônimo jamais poderá te encontrar!
Alicy: |Semblante triste.| Como quiser, dona Maristela...
☕ FIM DO FLASHBACK ☕
Saulo: Nossa, que história triste...
Jerônimo: Pois é, filho. Tempos depois, me casei com a mais nova moradora da cidade, Tailândia Montenegro. Não era rica, mas possuía elegância e minha mãe gostou bastante dela... apesar de já possuir 2 filhos, fruto do casamento anterior.
Saulo: Olha, seu Jerônimo, quero que o senhor saiba que... eu não sou nenhum interesseiro, tá? Se eu for morar com o sinhor, quero trabalhar, crescer na vida e ajudar como posso nos teus cafezal...
Jerônimo: Não se preocupe, filho, será como quiseres!
Alicy: É, fi, e se vosmecê escolher ir para capitar com vosso pai, crescer na vida, não se esqueça da tua mãe não, tá certo?
Saulo: Claro que não, minha mãe. Vou te visitar sempre que puder, isso caso eu precise ir pra lá.
Jerônimo: Posso... te dar um abraço, Saulo?
Saulo: |Tímido.| Oh, seu Jerônimo, é claro que vosmecê pode...
[Jerônimo e Saulo se abraçam enquanto um instrumental emocionante toca. Alicy observa a cena comovida.]
*CENA 02 | CASA DE LORETA - INT./MANHÃ*
Loreta finaliza a leitura de uma carta. Juliete se aproxima dela.
Juliete: |Curiosa.| Tá lendo o que, mainha?
Loreta: |Feliz.| Uma carta do meu filho Bonfim, Juliete!
Juliete: Sério? Do meu irmão? O que diz aí?
Loreta: |Um pouco emocionada.| Que ele tá vivendo bem, que conseguiu um emprego no jornal e que tá conseguindo vencer. Eu fico tão feliz que meu neguinho esteja subindo na vida. Puxou o pai... só é uma pena que a pensão deixada pelo falecido já esteja acabando...
Juliete: Posso ler?
[Loreta entrega a carta. À medida que Juliete lê, vai se emocionando, enquanto sua mãe lhe observa estando um pouco comovida.]
*CENA 03 | CASARÃO POMPOSO - INT./MANHÃ*
Pompeu: |Observando pela janela.| O meu irmão foi "conhecer" o bastardinho...
Harmonia: É, bem que você disse que ele não demoraria a encontrá-lo. Quando minha irmã Tailândia descobrir que o Jerônimo quer assumi-lo, será um choque...
Pompeu: Por que não contaste a ela?
Harmonia: Quis poupá-la.
Enquanto Pompeu e Harmonia dialogam, um empregado negro se aproxima.
Empregado: |Nervoso.| É... dona Harmonia, com vossa licença: mas a cozinheira está a te perguntar se vosmecê quer carne bovina ou suína, p-p-porque a sinhora não disse nada a ela em relação a isso...
Harmonia: |Cruel.| Primeiramente, seu negrinho, é vassuncê e não vosmecê. Respeite as pessoas de autoridade e poder! Segundo, sinhá Harmonia; aqui prezamos pelas tradições antigas, seu energúmeno. E não, não estou apta para responder sua pergunta. Que aquela preguiçosa cozinhe os dois tipos de carne, ora essa! No horário do almoço, eu e meu marido decidimos o que vamos comer. Agora saia!
Empregado: Sim, sinhá, com vossa licença... |Se retira.|
Pompeu: Harmonia, pelo amor de Cristo, não estamos mais no século 19!
Harmonia: O que realmente é uma pena!
Pompeu: |Ácido.| Voltando ao assunto do Jerônimo, querida Harmonia, quero que ele vá desta para melhor o mais rápido possível. E eu não medirei esforços...
[Um instrumental sombrio toca no fundo da cena e Pompeu sorri de forma diabólica enquanto encara Harmonia, que está séria.]
*CENA 04 | DELEGACIA - INT./MANHÃ*
São mostrados alguns takes aleatórios de Vila dos Anjos com um instrumental aleatório de fundo (🎶). A delegada e inspetora Celeste Blanco (CAROLINA KASTING) assume os trabalhos do local de polícia e recebe suporte do policial Altair Cezar (CADU LIBONATI).
Delegada Blanco: |Entusiasmada.| Enfim, fui a primeira delegada mulher eleita de Santa Conceição e de Vila dos Anjos também!
Policial Altair: É uma gratificação e tanto, senhora Celeste!
Delegada Blanco: |Bate no ombro dela.| Não me chame de senhora, moleque!
Policial Altair: Ué? E a senhora não me chame de moleque. Eu sou um homem e um policial competente!
Delegada Blanco: É o que veremos, senhor Cezar! |Pensativa.| (Só espero cumprir o meu trabalho com maestria. Não posso ser uma mancha para meu sexo)!
[São mostrados alguns takes de Santa Conceição ao som de Como eu quero - Kid Abelha 🎵.]
*CENA 05 | RUAS DO INTERIOR DE SANTA CONCEIÇÃO - EXT./MEIO-DIA*
Adriana Calcanhotto - Mentiras 🎶.
[Juliete procura Saulo e o encontra perambulando pelas ruas.]
Juliete: Saulo?
Saulo: Ah... oi, Juliete, tudo bem?
Juliete: Eu queria dizer que já tenho uma resposta.
Saulo: E?
Juliete: |Nervosa.| Acho que correspondo aos teu sentimento.
Saulo: Você acha?
Juliete: Acho...
Saulo: |Frio.| Pois eu acho que faço melhor me afastando de vosmecê.
Juliete: Nossa, Saulo, por que diz isso?
Saulo: Porque passei a vida toda me rastejando atrás de ti e vossa pessoa nunca houve de dar bola para mim. Eu cansei, Juliete, eu cansei. Não quero ser escravo de seu amor.
Juliete: Não precisava falar assim comigo...
Saulo: Foi o melhor a se fazer. Com licença!
[Saulo se retira e deixa Juliete pensativa e triste. A câmera dá close na sua expressão.]
*CENA 06 | CAFEZAL - EXT./TARDE*
Audio Idols - Love a Rainy Night 🎵.
São mostradas paisagens da Fazenda Sampaio. Dom Jerônimo está no seu cafezal supervisionando os trabalhos e tem um diálogo com seu fiel escudeiro, Cristevo.
Dom Jerônimo: Ah, Cristevo... eu sou o homem mais feliz do mundo! Não só porque tomei coragem de contar a verdade para meu filho, mas também porque tenho você como um grande amigo. Te amo muito, meu irmão!
Cristevo: Também amo você, meu patrão. O senhor é mais que meu chefe, é meu amigo, quase um pai para mim. Sempre estarei à tua disposição pra te proteger, Dom Jerônimo.
Dom Jerônimo: |Aperta a mão do rapaz.| Obrigado, Cristevo. Muito obrigado! Você também pode contar comigo sempre. |Sorri.|
[Cristevo sorri de volta e, em seguida, os dois se abraçam.]
*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*
Dom Jerônimo pede para ter uma conversa franca com Tailândia e os dois se reúnem na biblioteca.
Instrumental de suspense 🎶.
Tailândia: Pode dizer, meu amor! Estou ouvindo.
Dom Jerônimo: Sabe o rapaz que eu disse que é meu filho e que minha pessoa o visitava fingindo ser cobrador, mas na realidade era para pagar as despesas dele? Então... eu pensei e repensei, e tomei uma decisão: pretendo assumi-lo para a sociedade logo em breve. O que achas, Tailândia? |Sorri.|
[A expressão de Tailândia muda, e ao mesmo tempo que demonstra um sorriso falso, por dentro, se expressa de forma raivosa.]
