Café Amargo - Capítulo 13

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 13 


*CENA 01 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


```(19/01/1919)```


Suspense 🎶.


Saulo: Quem são esses homens, Tailândia?


Eriberto: Muito prazer, senhor Saulo. Não sei se o senhor lembra da gente, mas somos os representantes do testamenteiro Josias, que, como você bem sabe, descansa em paz, e viemos aqui para mostrarmos uma descoberta.


Tailândia: Foi descoberto que o testamento emitido por Josias Lopes era falso. E a principal motivação era que o Dom Jerônimo, meu eterno marido, não conseguiu modificar o testamento a tempo para incluir você nele.


Saulo: |Nervoso.| Não, não pode ser...


Eriberto: Josias era um grande amigo de Jerônimo e sempre se preocupou com as vontades e desejos dele. No entanto, ele exagerou: pegou tudo o que era de direito de dona Tailândia e transmitiu para você e Cristevo. No testamento original, apenas Cristevo tem direito a algumas terras.


Tailândia: Dito isso, Saulo, esta casa é minha, e a fortuna de Dom Jerônimo também. E como primeira ordem, eu exijo que VOCÊ SAIA DESTA CASA AGORA!


[A situação fica cada vez mais calorosa.]


Saulo: Você não pode me expulsar daqui!


Tailândia: Não só posso, como eu vou. Eis a prova!


[Tailândia mostra o documento.]


[Saulo se surpreende. Ele tenta pegar a folha, mas ela esquiva o papel.]


Tensão 🎶.


Cristevo: E onde está o documento anterior!?


Tailândia: |Falsa.| Eu... não sei.


Eriberto: Nós o descartamos. Afinal, não serviria de mais nada. |Pensativo.| (Tolos)...


Saulo: |Revoltado.| Cretinos! 


Cristevo: |Intrigado.| É muito conveniente vocês terem descartado o documento original e oficial!


Tailândia: |Cínica.| Você quis dizer falso e sem valor algum. Enfim!


Cristevo: Essa história não faz nenhum sentido. Dom Jerônimo conviveu com o Saulo por 5 anos. Impossível ele não ter mudado o testamento nesse espaço de tempo!


Tailândia: |Debochada.| Cristevo...? Mas não era você que era o grande amigo do meu falecido marido? Deveria estar ciente de todos os passos dele.


Cristevo: |Cabisbaixo.| Eu não me intrometia nos assuntos pessoais dele...


Tailândia: Que seja! Vocês podem continuar no cafezal... como meus funcionários. Mas não quero que morem aqui; arranjem outro local. Eu já os suportei demais!


Saulo: |Determinado.| Nós continuaremos no cafezal!


Cristevo: Tem certeza, Saulo!?


Saulo: Mas é claro. Eu não tenho medo de trabalhar e hei de honrar o legado do meu pai. Confie em mim, Cristevo!


Cristevo: Tudo bem.


Tailândia: Ótimo. Agora... retirem-se. Tenho muito o que resolver... NA MINHA CASA!


Saulo: Vamos, Cristevo. Vamos pegar nossas coisas!


[Cristevo balança a cabeça positivamente. Um instrumental dramático toca no fundo da cena. Saulo e Cristevo vão aos quartos]


[Eriberto e os outros funcionários do cartório também partem. Entretanto, o primeiro citado aguarda na parte externa.]


[Saulo e Cristevo descem com suas coisas. O instrumental dramático para de tocar.]


Tailândia: Ah! Fico feliz que agora minha casa ficará livre DE LADRÕES, FARSANTES E IM-POS-TO-RES!


Saulo: |Enfurecido.| Olha aqui, MINHA PACIÊNCIA JÁ CHEGOU NO LIMITE!


Instrumental de impacto 🎶.


[Saulo avança em cima de Tailândia e começa a sufocá-la. A vilã fica sem ar e pede socorro.]


[Sob estado de fúria, ele precisou ser contido por Cristevo e Nélio.]


Tailândia: |Nervosa.| VOCÊ NUNCA MAIS TOCARÁ UM DEDO EM MIM, SEU IMUNDO! BASTARDO! IMBECIL! |Se acalmando.| Eu só não demito vocês porque são bons no que fazem, caso contrário, ESTARIAM MORTOS AGORA MESMO! Entretanto, se atentarem contra minha vida novamente, eu juro que acabo com a raça de vocês e, de quebra, os denuncio para a polícia. AGORA, SAIAM! FORA DAQUI! 


[Nélio observa a situação nervoso. Saulo e Cristevo se retiram. Tailândia acaricia seu próprio pescoço. O pico do instrumental toca.]


[A cena corta para o lado externo do casarão e é mostrado Tailândia e Eriberto conversando.]


Tailândia: Você queimou o documento como lhe encomendei?


Eriberto: Mas é claro! Fiz tudo o que a senhora mandou 


Tailândia: Ótimo! Em breve procurarei você para acertarmos nossas contas. Até mais vê, Eriberto! |Entra para dentro.|


Eriberto: |Sorriso maléfico.| Até mais vê, dona Tailândia...


[Já dentro de casa, Tailândia olha ao seu redor e percebe que conseguiu vencer.]


Nação Zumbi - O Inferno (🎵).


Tailândia: |Feliz.| Nem acredito que o casarão, agora, é meu, só meu. |Se deita no sofá.| Ah! Isto merece uma comemoração. Chamarei Pompeu para tomar um delicioso vinho. |Se levanta.| Hei de chamar minha irmã Harmonia também, só para ela sentir um pouco do gosto da vitória. |Sobe as escadas.| Agora, vou desfrutar deste momento! |Gargalha.|


[A câmera se afasta do ambiente enquanto a música segue tocando. São mostrados takes aleatórios da cidade.]




*CENA 02 | CASARÃO POMPOSO - INT./MEIO-DIA*


```(20/01/1919)```


[A câmera se aproxima do Casarão Pomposo.]


[Harmonia e Pompeu estão prestes a almoçar enquanto aguardam Juraciara chegar com seu namorado.]


Harmonia: Meu Deus, mas que demora é essa da nossa filha!?


P. Pompeu: O trabalho deles é um pouco puxado, querida Harmonia. Não se esqueça!


[Neste momento, Juraciara entra em casa.]


Juraciara: Mãe? Pai?


Harmonia: Ah, finalmente! Cadê o rapaz?


Pompeu: |Pensativo.| (Harmonia vai ter um treco quando ver a cor da pele dele)...


Juraciara: Venha, Bonfim!


[Bonfim entra na sala de jantar.]


Tensão 🎶.


Bonfim: Boa tarde, gente! Como vai, seu prefeito? É um prazer lhe conhecer, Lady Harmonia! 


[Harmonia fica em estado de choque ao ver a aparência do rapaz, além de seus olhos estarem arregalados.]


[Bonfim e Juraciara estão normais e sorrindo. Pompeu permanece nervoso.}


[O pico do instrumental toca.]




*CENA 03 | DANCING - EXT./MANHÃ*


Após passar dias dormindo na rua e pedindo esmola, Maria Esposa toma coragem e decide procurar trabalho num dancing que está de passagem. Ela avista uma das dançarinas varrendo a calçada e decide abordá-la; trata-se de Josephine (MARIA CAROL) — personagem recém-saída da web novela “Sombras do Passado”.


M. Esposa: Com licença... aqui é o Dancing da Madame Clotilde?


Josephine: É, sim, pois não? No que posso ajudar?


M. Esposa: Eu... preciso de trabalho!


Josephine: Ah, minha filha, nem vem que não tem. As vagas estão quase todas preenchidas, são várias candidatas tentando conseguir uma vaga e eu duvido que a dona Clotilde te aceite.


M. Esposa: Mas, mas-


Josephine: Mas nada! Pode ir embora, vá!


[Neste momento, Madame Clotilde (MARISA ORTH) — também de Sombras do Passado — aparece e adverte a funcionária.]


Clotilde: MAS, JOSEPHINE, ISSO É JEITO DE TRATAR UMA CANDIDATA!? 


Josephine: Mas, mas, dona Clo-


Clotilde: MAS NADA! Venha, querida, entre, vamos ao meu escritório.


[Maria Esposa balança a cabeça positivamente.]




*CENA 04 | DANCING - INT./TARDE*


[Dentro do local, Clotilde explica as condições para M. Esposa.]


M. Esposa: |Nervosa.| Então a cada três meses, vocês estão mudando de estado, certo?


Clotilde: Exato. No entanto, você precisa estar preparada para outra coisa...


M. Esposa: O quê!?


Clotilde: Logo em breve, o dancing deixará de ser também um local para danças, se tornando um tradicional... bordel. Estamos passando por uma crise e cortes precisam ser feitos.


M. Esposa: Ah... eu entendo.


Clotilde: |Interesseira.| Está disposta a aceitar nossos termos? Com a possibilidade de viajarmos em breve e o dancing se tornar um bordel tradicional? 


M. Esposa: Eu... acho que sim!


Clotilde: Então, topa trabalhar conosco?


M. Esposa: Olha... |Determinada.| eu aceito sim!


Clotilde: |Sorri.| Ótimo! |Pensativa.| (Essa mulata tem muito potencial. Olha que corpo! Certeza que vai atrair mais clientela, assim como a outra negra que contratei).


[Clotilde manda chamarem a colega de quarto que compartilhará o mesmo ambiente com M. Esposa.]


Clotilde: Vem, querida, entre! Esta é Maria Esposa, sua nova colega de quarto e que, assim como você, também entrará em fase de teste!


[Quando Maria Esposa se vira, se surpreende ao ver quem é a sua colega de quarto.]


Instrumental de surpresa 🎶.


M. Esposa: |Espantada.| JULIETE!?


[Juliete, também chocada, observa a expressão de Maria Esposa e, em seguida, encara Clotilde.]





*CENA 05 | CASA DE BONFIM - INT./TARDE*

[Na sala, estão reunidos: Bonfim, Saulo e Cristevo; ambos tomando café.]

Saulo: |Grato.| Sou muito agradecido por vosmecê, Bonfim, de verdade. Tu nos acolhestes, me perdoaste. És um grande amigo!

Bonfim: |Feliz.| Eu que sou grato por você ter aceitado minha ajuda. Já havia passado da hora de nos resolvermos. A Juliete, ainda, há de ser encontrada!

Saulo: Tenho fé que sim.

Cristevo: |Sorrindo.| Admiro a amizade de vocês.

Bonfim: E eu a de vocês. E espero que você tenha minha pessoa como um amigo, Cristevo.

Cristevo: O sentimento é recíproco.

Saulo: Bem, temos que fazer alguma coisa para driblarmos essa situação. 

Cristevo: De fato, isso não pode continuar assim.

Saulo: Temos que falar com a polícia, Delegada Blanco e Policial Cezar precisam verificar aquele cartório e esses documentos.

Cristevo: E temos que ser rápidos, pois não podemos descartar a possibilidade de Tailândia fugir daqui.

Bonfim: Não sabia que a irmã da minha sogra era tão perigosa. Inclusive, Harmonia me pareceu uma pessoa legal, apesar de esquisita.

Cristevo: Já eu, a acho misteriosa demais.

Bonfim: Bom, ela também transpareceu isso durante o almoço que tive com a família da minha Juraciara hoje.

[O diálogo continua. O volume da voz de cada personagem é baixado.]



*CENA 06 | DANCING DE CLOTILDE - INT./TARDE*

[Maria Esposa e Juliete terminam de desabafar uma com a outra.]

Juliete: |Em choque.| Nossa, eu estou pasma... Como sua mãe foi capaz de tantas maldades?

M. Esposa: Você não imagina o remorso que senti enquanto ela mandava o Nélio te dopar... Por favor, o perdoe, ele foi completamente manipulado pela... malvada da minha mãe.

Juliete: Sobre isso, eu ainda tenho que pensar... Mas eu perdoo você por seduzir o Saulo, até porque, nem estamos mais juntos mesmo...

M. Esposa: Eu torço muito por vocês. São pessoas maravilhosas e merecem ser felizes!

[Juliete e Maria Esposa se abraçam.]

Instrumental emocionante 🎶.

Juliete: Amigas?

M. Esposa: Amigas!

[Maria Esposa e Juliete sorriem juntas.]

M. Esposa: É... então vamos ficar aqui por um tempo? Ou você quer viajar para outros estados?

Juliete: Sobre isso, ainda não me decidi... a sorte é que dona Clotilde é uma boa pessoa e deu a liberdade da gente escolher se vamos ou não, quando chegar a hora.

M. Esposa: É verdade, minha amiga. É verdade!

[Maria Esposa e Juliete continuam conversando enquanto os volumes de suas vozes baixam.]



*CENA 07 | CASA DE CALIXTA - INT./TARDE*

[Calixta finaliza o diálogo com Holofontina.]

Holofontina: Eu ainda estou assustada por conta do assalto que ocorreu em minha casa.

Calixta: Ai, minha amiga, vai dar tudo certo. Não fi-fi-fique com medo não. Eu estou aqui para o que você precisar!

Holofontina: Obrigada pelo apoio, minha amiga. De verdade! Bom, eu já vou indo. Até mais vê, querida!

Calixta: |Abraça e beija a amiga.| Até, minha querida!

[Holofontina parte. Calixta recebe outra visita; trata-se de Juraciara.]

Pequena tensão 🎶.

Calixta: |Nervosa.| Ah, o-o-oi, minha sobrinha! 

Juraciara: |Feliz.| Olá, tia! Tudo bem?

Calixta: Tu-tu-tudo, meu bem!

Juraciara: Vim aqui te visitar e apresentar meu namorado. Este é o Bonfim. Vem, Bonfim!

[Bonfim entra na casa.]

Bonfim: Olá, senhora, muito prazer!

Calixta: O-o-o prazer é todo meu! 

Juraciara: Ele é o irmão da Juliete, a... ex-namorada de Saulo.

Bonfim: É, mas... minha irmã está desaparecida.

Calixta: O-o-oh, meu Deus! Não sabe o quanto lamento...

Bonfim: |Educado.| Obrigada, dona Calixta.

[Calixta se lembra das ameaças de Harmonia. O diálogo continua e a mesma permanece nervosa.]






*CENA 08 | CASARÃO POMPOSO - INT./NOITE*

Harmonia e Pompeu discutem o namoro de Juraciara e Bonfim.

Tensão 🎶.

Harmonia: Eu não posso admitir que este namoro CONTINUE!

Pompeu: Harmonia, por Deus, deixe eles namorarem.

Harmonia: Deus me livre, Pompeu! Será que tu não percebestes que o rapaz É NEGRO!?

Pompeu: É óbvio que percebi, Harmonia, mas se minha filha está feliz com ele, quem sou para contrariar?

Harmonia: Pois muito bem, Pompeu. Se você não quer separá-los, EU VOU!

Pompeu: |Respira.| Está bem, Harmonia. Eu vou te ajudar! Tudo pela sua estabilidade. Agora, se nossa filha ficar arrasada, será você que terá que dar os lamentos para a garota. Está me ouvindo!?

Harmonia: |Sorridente.| Não te preocupes, querido Pompeu, quando eu quero ser uma boa mãe, eu sou! 

[Pompeu se retira e deixa Harmonia, sozinha e refletindo.]



*CENA 09 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*

```(21/01/1919)```

Tailândia está na sala tomando um chá, sozinha, até que tocam a campainha. A empregada aparece e encara a patroa.

Tailândia: |Rude.| Está esperando o quê, estrupício? Vá atender!

Empregada: |Cabisbaixo.| Sim, madame...

Tailândia: |Pensativa.| (Ha! Aposto que essa submissa achou que eu, minha pessoa, fosse atender. Francamente)...

[A empregada abre a porta. Uma figura peculiar entra no casarão.]

Suspense 🎶.

Empregada: É para a senhora, dona Tailândia. Com licença, as deixarei a sós! |Se retira.|

[Tailândia se aproxima de sua visita enquanto sente um tremendo medo.]

Tailândia: |Nervosa.| Vo-você!?

[A figura misteriosa revela ser uma freira, chamada Benedita (CLÁUDIA RAIA).]

Irmã Benedita: |Sorridente.| Bom dia, Tailândia. Lembra-se de mim?

[A situação fica cada vez mais calorosa e Tailandia permanece em estado de choque ao reencontrar Irmã Benedita.]

*•A IMAGEM CONGELA EM TAILÂNDIA 📰🌾🗞️•*