Café Amargo - Capítulo 06 (Nova Fase)

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 06


*CENA 01 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*


[A cena corta para o testamenteiro começando a revelar os desejos do falecido Dom Jerônimo em relação à distribuição da herança.]


Josias: |Sentado.| Bom... “Para o meu principal herdeiro e meu filho, Saulo da Silva Sampaio, eu deixo 50% de minha fortuna, minhas terras da Fazenda Secundária Sampaio, localizada no interior de Montanha e todo o meu cafezal, além da administração do casarão.”


Saulo: |Surpreendido.| Nossa... que responsabilidade.


Cristevo: |Cochichando.| Você merece, Saulo!


Josias: “Para meu adorado Cristevo, deixo a co-administração da casa, 10% da minha herança e o compartilhamento das terras do meu cafezal.”


Cristevo: |Pensativo/feliz.| (Não precisava disso, seu Jerônimo)...


Josias: “Para meus enteados: Maria Esposa e Nélio, deixo as minhas terras da zona sul (Nélio) e zona norte (Maria). Eles terão a liberdade de plantar, cultivar, colocar para aluguel, vender e fazer o que quiserem.”


[Nélio e Maria Esposa se encaram, felizes.]


Josias: “Para a igreja, deixo 10% da minha herança e alguns móveis valiosos da casa que estão destacados no documento; os mesmos serão recolhidos na hora da distribuição oficial.”


[Os religiosos presentes ficam satisfeitos.]


Josias: “Para minha irmã Calixta Sampaio, deixo o imóvel no bairro Cafeína para administração e moradia da mesma e 15% de minha fortuna.” Em relação a Calixta, pedirei que um dos homens entregue os documentos que permitam sua entrada na herança, no estado que ela está morando, logo em breve. 


Instrumental de suspense 🎶.


[Tailândia permanece nervosa e fica com medo de não ter herdado nada.]


Josias: “Para minha esposa, Tailândia: eu deixo o direito de viver aqui nesta casa, desde que siga as regras residenciais impostas e o quarto que dormimos a vida inteira. Seus gastos serão controlados por Saulo e Cristevo.”


[Tailândia começa a se contorcer por dentro e o instrumental de suspense se intensifica.]


[A trilha incidental domina a cena e o volume da voz de Josias baixa. Ele fala da distribuição do resto da herança para as instituições de caridades, como alguns orfanatos do estado.]


[Farta, Tailândia corta as falas de Josias e decide "desabafar."]


Tailândia: |Inconformada.| Como assim... o meu marido não deixou nada para mim!?


Josias: |Sério.| Ué, deixou o direito de viver aqui.


Tailândia: Mas isso não é justo. O casamento foi perfeito e muito bem consumado. Eu fui uma esposa maravilhosa. Não é justo minha pessoa não ter recebido absolutamente NADA! Foram 15 anos de casamento, uma história! Isso não é justo, ESSE TESTAMENTO ESTÁ FALSIFICADO!


Nélio: Minha mãe, por favor, CONTENHA-SE!


Tailândia: |Se aproxima do testamenteiro.| ISSO É UMA FARSA! VOCÊ ADULTEROU ESSES DOCUMENTOS, JOSIAS, EU TENHO CERTEZA! MAS ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM! NÃO! IREI TE PROCESSAR E NINGUÉM, ABSOLUTAMENTE NINGUÉM VAI ME IMPEDIR!


Maria Esposa: JÁ CHEGA, MÃE!


[O estresse de Tailândia aumenta e ela começa a colapsar. Diante do ódio excessivo, a vilã desmaia e todos entram em pânico. Um instrumental de impacto toca na cena e todos os personagens tentam ajudar Tailândia.]


[Alguns minutos depois. Tailândia decide descansar no quarto e fala que não precisa de médico nenhum. A reunião é retomada.|


Josias: É... prosseguindo! “Para meu irmão, Pompeu, deixo-lhe 50% dos pertences dos nossos pais e um projeto de candidatura estratégico que servirá de apoio às próximas campanhas.


Pompeu: |Cínico.| Ai, este meu irmão... Tão gentil e empático! A melhor decisão tomada. |Pensativo.| (Velho mesquinho miserável. Mal sabe ele que o bastardinho escuro há de pagar por tamanho egoísmo do pai).


Harmonia: |Pensativa.| (Pompeu deve estar se contorcendo de ódio. Eu irei tranquilizá-lo quando chegarmos em casa).


[Josias deixa algumas considerações finais e observações, destacando também que os pertences dos parentes falecidos antes do próprio Dom Jerônimo, permanecerão guardados num baú.]


[Antes de Josias encerrar, Tailândia retorna à biblioteca, surpreendendo a todos.]


Tailândia: |Mais calma.| É... eu gostaria de pedir perdão a todos pelo surto que eu tive. Estava sob estresse e a ansiedade me fez perder o controle. Eu... aceito de bom agrado o que Dom Jerônimo, meu esposo, deixou para minha pessoa. Tenho certeza que foi a melhor decisão, deixar os queridos Saulo e Cristevo na administração. E.... é isto!


[Um instrumental de tango toca.]


[Todos os personagens presentes batem palmas pela atitude de Tailândia, que demonstra uma falsa gratidão. A tela escurece.]




*CENA 02 | PREFEITURA - INT./MANHÃ*


[É mostrada uma tela preta com a frase "6 dias depois."]


```(28/02/1916)```


Saulo decide ir até a prefeitura, pois tem um assunto importante para tratar com Pompeu, que está trabalhando em seu escritório. Após bater na porta, o mesmo é liberado e entra na sala do prefeito.


Saulo: Tio Pompeu...?


P. Pompeu: |Enquanto escreve.| Venha, Saulo. Aproxime-se!


Saulo: |Cabisbaixo.| Eu... posso pedir um favor ao sinhor?


Pompeu: |Foca no sobrinho.| Mas é claro! Diga, rapaz.


Saulo: Eu queria que o sinhor... convocasse parte dos cidadão porque eu queria fazer um anúncio...


Pompeu: |Falso.| Ah, sim! Mas... que anúncio?


Saulo: Dizer pra eles que eu... vou trabalhar firme e preservar o legado do meu pai em relação aos cafezar. |Determinado.| Falar também que não tenho medo de trabalho duro e que eles vão experimentar o melhor café da região!


Pompeu: Olha... é uma boa ideia! Posso providenciar. Para quando?


Saulo: |Nervoso.| É... hoje mermo!


Pompeu: |Cínico.| Tudo bem! Farei o que você pediu. Eu hei de fazer uma grande convocação e distribuirei diversos convites. Pode ficar tranquilo! O horário... pode ser às 14h?


Saulo: Claro, tio. Como vosmecê quiser! Quero dizer, como o SINHOR quiser!


[Pompeu sorri para Saulo e aperta a mão dele.]


Pompeu: Então está combinado!


[Saulo balança a cabeça e agradece. O mesmo se retira. Pompeu fica sozinho.]


[Uma trilha incidental tensa entra em ação.]


Pompeu: |Maléfico.| Ah, Saulinho! Mal sabe o que te aguarda! |Sorriso diabólico.| Você ainda há de cair e eu não vou medir esforço. |Dá uma discreta risada.|


[O pico do instrumental toca e a tela escurece.]






*CENA 03 | DELEGACIA - INT./MANHÃ*


Celeste anda de um lado para o outro no curto espaço da delegacia, deixando Altair Cezar desconfortável.


Delegada Blanco: |Reflexiva.| Bem, é fato que a principal suspeita do assassinato de Dom Jerônimo é Tailândia Montenegro, sua esposa. Mas não duvido que tenha tido os dedos do enteado!


Policial Altair: |Também pensante.| Bom, temos a informação de que Saulo foi o maior beneficiado da herança.


D. Blanco: Sim, mas temos testemunhas que viram Saulo no momento da morte e ainda alegaram que o rapaz nem chegou a entrar no casarão.


P. Altair: De fato, porém, ele pode ter mandado alguém envenenar o próprio pai.


D. Blanco: Eu não sei, Altair, eu não sei. São tantas possibilidades. Bem, o perfil do garoto em nada condiz com esta façanha, já que o interrogamos nos últimos dias.


P. Altair: Já ouviu falar em psicopatia?


D. Blanco: Lógico, mas... algo me diz que, definitivamente, não foi Saulo o responsável pela morte de Dom Jerônimo Sampaio!




*CENA 04 | CASARÃO SAMPAIO - EXT./MEIO-DIA*


Instrumental de tensão 🎶.


Tailândia está passeando pela fazenda, até que é abordada pelos filhos.


Nélio: Está melhor, minha mãe?


Tailândia: Mais do que nunca. O que me frustra é ter que viver de favor agora!


M. Esposa: Mas isso a gente sempre fez.


Tailândia: Me poupe, Maria Esposa!


Nélio: E agora, o que pretendes?


Tailândia: Eu não vou fazer nada por enquanto. No máximo, conquistar a confiança de Saulo e agir quando for a hora certa. Vamos ver até quando essa situação se estende...


M. Esposa: A senhora... não pretende, matá-lo, não é?


Tailândia: |Debochada.| Por quê? Já se apegou ao bastardinho?


M. Esposa: Não, mas... ele é jovem demais para-


Tailândia: |Interrompe.| Não se preocupem. |Cínica.| Não farei nada. Mas uma coisa é certa, a herança de Dom Jerônimo ainda será minha. Não agora, mas em breve, há de ser. Escrevam o que eu estou dizendo! Ou eu não me chamo... Tailândia Montenegro, VIÚVA de SAMPAIO!


[Tailândia se retira e deixa os filhos reflexivos, que se encaram.]




*CENA 05 | RUAS DE VILA DOS ANJOS - EXT./TARDE*


Chegou a hora do anúncio de Saulo. Ele nota que veio pouca gente para a convocação. Mesmo assim, ele não arreda o pé dali e decide prosseguir com o enunciado.


Pompeu: |Pensativo.| (Ah, Saulinho! Mal sabe você que mandei as pessoas irem em outro horário para a sua fracassada reunião. Mal chegou e já está espalhando notícias falsas, Saulo? Mas que coisa feia)... |Ele ri internamente.|


Saulo: |Nervoso, mas confiante.| Cidadãos, prestem muita atenção! Muitos devem saber que eu sou o filho de Dom Jerônimo Sampaio, maior produtor de café da região. Infelizmente, ele acabou morrendo e isso trouxe minha pessoa como o grande herdeiro dele. De todo modo, peço a confiança de vosmecês todos: eu hei de plantar, cultivar, colher e servir às indústrias de café com um produto da melhor qualidade. Vou honrar o legado do meu pai e eu espero contar com a ajuda e colaboração de vosmecês. VIVA A VILA DOS ANJOS! VIVA A DOM JERÔNIMO! VIVA AO CAFÉ!


|Nesse momento, uma trilha emocionante e épica se inicia e os poucos cidadãos presentes batem palmas. Pompeu vibra falsamente e Saulo sorri e acena para todos.]


[O instrumental chega no pico, a câmera se afasta e a tela escurece.]







*CENA 06 | CAFEZAL - EXT./MANHÃ*

São mostrados diversos takes de Santa Conceição ao som de Audio Idols - Love a Rainy Night 🎵. Paisagens belíssimas são expostas e é possível ver plantas e árvores crescendo e morrendo. A câmera se aproxima do grande cafezal da família Sampaio e são mostrados os trabalhadores dando o suor para o cultivo e Saulo e Cristevo trabalhando por ele. 

*_3 anos depois..._*

```(01/01/1919)```

Instrumental de natureza 🎶.

Saulo: É, Cristevo... mais um ano virou!

Cristevo: E vencemos mais uma vez, nossa colheita está incrível!

Saulo: Conseguimos também conter a última praga...

Cristevo: |Estranho.| É...

Saulo: |Curioso.| O que foi, Cristevo?

Cristevo: Tenho medo de que essas pragas, entre outras situações, que nosso cafezal já passou, tenham sido sabotagem de terceiros...

Saulo: Se foi ou não, eles nunca poderão nos derrubar!

Cristevo: De fato.

Saulo: Enfim. Café é vida, meu amigo!

Cristevo: Com certeza. Ah! Seu pai estaria orgulhoso de você...

Saulo: Ai... saudades do painho. Meu pai Jerônimo. Quando finalmente descobri que aquele senhor gentil era meu pai, o velho morreu... Ah, que tristeza. Enfim, chega de lamentar!

Cristevo: Vai querer ainda que eu te leve até o Bonfim?

Saulo: Quero sim. É feriado e o mermo havera de estar em casa. Quero dar umas sementes pra ele plantar no quintalzinho dele. 

Cristevo: Então vamos, Saulão?

Saulo: Hehe, vamos sim, Cristevão!

[Cristevo e Saulo seguem seu rumo, um colocando o braço no ombro do outro e caminhando em direção ao carro.]



*CENA 07 | CASA DE BONFIM - INT./MEIO-DIA*

[Saulo chega à casa de Bonfim (GUTIERRY SOTERO). Cristevo sai no carro para resolver algumas pendências.]

Bonfim: |Tenta abraçar Saulo.| E aí, meu amigo? Como você está?

Saulo: |Empurra.| Ei, chega pra lá! Estou todo suado.

Bonfim: Trabalho duro, viu? Até no ano novo, resolveste trabalhar!

Saulo: Já disse, meu amigo. Eu vou dar meu sangue pelo legado de meu pai e orgulho para minha mãe!

Bonfim: Ah! Nossas mães, elas merecem.

Saulo: Com toda certeza! 

Bonfim: À propósito, por que sua mãe não quis morar aqui?

Saulo: Ela preferiu ficar no cantinho dela, interior. Então, mandei construírem uma casa bonita para ela e a merma tar vivendo bem. Pago também as contas, tudo mais

Bonfim: Fico muito feliz por vocês, Saulo. Já dona Loreta, não pude fazer muita coisa; sou jornalista, sei que você já ofereceu ajuda, mas não quero abusar. Ao menos paguei as últimas dívidas e ajudo no que posso.

Saulo: Pois é, meu amigo. Enfim! É... eu posso tomar um banho aqui?

Bonfim: Pode, pode! Te empresto algumas roupas.

[Após o banho, Saulo almoça com Bonfim.]

Saulo: |Comendo.| Vosmecê sabe mermo cozinhar, viste?

Bonfim: |Almoçando.| Você sabe, não é? Tive que me virar bastante nessa vida. Amanhã o jornal reabre e preciso estar bem disposto.

[Saulo se despede de Bonfim após o almoço e os camaradas dão um abraço. O filho de Dom Jerônimo parte, deixando o jornalista sozinho.]

[Algum tempo depois, Bonfim está só, até que batem na porta dele.]

Bonfim: Ué. Quem será? Será que Saulo esqueceu de alguma coisa? Vou abrir!

[Quando Bonfim abre, tem uma enorme surpresa.]

Instrumental emocionante 🎶.

Bonfim: |Surpreso.| JULIETE, MINHA IRMÃ!

Juliete: |Surpresa.| BONFIM, MEU IRMÃO!

[Os dois irmãos se abraçam enquanto a câmera gira em torno deles e o pico do instrumental toca. A tela escurece.]



*CENA 08 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*

Instrumental fúnebre 🎶.

[Num ambiente escuro e clima soturno, Tailândia está se olhando no espelho enquanto se arruma, ao mesmo tempo que mantém um semblante reflexivo.]

Tailândia: |Tocando seu rosto.| Meu Deus... estou ficando cada vez mais velha. Isso tudo culpa do velho caquético do Jerônimo que não deixou nada para mim. Agora, como vou preservar a minha beleza!? |Olhar triste.| 

[Maria Esposa entra no quarto.]

M. Esposa: Está tudo bem, minha mãe?

Tailândia: |Inconformada.| Não, não está nada bem. Já estou farta de morar de favor aqui!

M. Esposa: |Cabisbaixa.| Foi a opção que nos sobrou...

Tailândia: |Confiante.| Ah, mas não por muito tempo! |Arruma o cabelo.| Eu ainda hei de ficar com a herança de Dom Jerônimo. E isso não é uma promessa, é um fato. Afirmei três anos atrás e seguirei afirmando. |Se olha no espelho filosoficamente.| Eu não vou parar na sarjeta. Eu não vou! |Determinada.| 



*CENA 09 | RUAS DE VILA DOS ANJOS - EXT./FIM DE TARDE*

Está acontecendo uma mini-festa pública nas ruas de Vila dos Anjos, em comemoração ao "pós-ano novo". O evento tem como referência a cultura nordestina e comidas típicas do estado fictício. Estão todos felizes dançando ao som de uma sanfona. Saulo, Maria Esposa, Nélio e Bonfim chegam ao evento.

Nélio: Mas que festa bonita!

Bonfim: Vamos dançar, Maria Esposa!

Maria Esposa: É-é-é... Vamos, Bonfim!

[Maria Esposa e Bonfim começam a dançar. Nélio observa e se surpreende com a performance da irmã.]

Adriana Calcanhotto - Mentiras 🎵.

[Enquanto isso, Saulo avista uma figura familiar se aproximando; é a mesma pessoa que Bonfim disse que apareceria na festa depois para o amigo. Trata-se de Juliete.]

Saulo: |Pensativo.| (Juliete)...?

Juliete: |Encantada.| (Meu Saulo)...?

[O tema deles segue tocando e ambos começam a se aproximar um do outro.]

*•A IMAGEM CONGELA EM JULIETE 📰🌾🗞️•*