• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 05
*CENA 01 | INTERIOR DE SANTA CONCEIÇÃO - EXT./MANHÃ*
Após ter sido mostrado Tailândia entrando num prédio misterioso com uma tensão misturada com suspense de fundo, a cena corta para as cenas externas no interior de Vila Conceição.
Adriana Calcanhotto - Mentiras 🎶.
[Saulo acaba de sair de uma tenda e se encontra com Juliete por acaso.]
Saulo: Juliete...?
Juliete: Oi, Saulo.
Saulo: Tudo bem?
Juliete: Tudo e com você?
Saulo: Também estou bem...
Juliete: Saulo... eu... queria prestar meu apoio em relação à morte de teu pai. Tu não sabes o quanto lamento...
Saulo: Eu sei, vosmecê já disse...
Juliete: Olha, Saulo, eu tô é cansada dessa indiferença que tu tens tido comigo. Ou vosmecê diga logo que não queres nada com minha pessoa ou eu-
[Antes que Juliete pudesse terminar a sua fala, Saulo interrompe com um beijo e a garota passa a corresponder ao gesto carinhoso.
[Um clima romântico domina a situação e o beijo se intensifica, ficando cada vez mais apaixonante.]
[Juliete corta o beijo e olha nos olhos de Saulo.]
Juliete: Eu... eu... preciso ir!
[Juliete corre dali, envergonhada, deixando Saulo reflexivo, confuso e um pouco triste.]
[A câmera se afasta deles e a tela escurece.]
*CENA 02 | DELEGACIA - INT./MANHÃ*
São mostradas paisagens aleatórias ao som de Como eu quero - Kid Abelha 🎶. A câmera se aproxima da delegacia. Celeste Blanco se encontra revisando alguns documentos importantes.
D. Blanco: Estou a averiguar alguns depoimentos contra a corrupção acusada do prefeito Pomposo. Alguns até se encaixam, outros nem tanto. De qualquer forma irei fazer uma investigação minuciosa em breve na prefeitura...
[Enquanto a delegada Blanco fala, Altair Cezar observa a mulher com delicadeza e admiração.]
[Um clima romântico se inicia e o policial se aproxima da inspetora.]
[Aproximando o rosto do dela, Celeste olha nos olhos de Altair e percebe a tensão.]
[Constrangida, a mulher esbofeteia o rapaz.]
Instrumental cômico 🎶.
P. Altair: |Tocando o próprio rosto.| AII!
D. Blanco: O que é isso, senhor Cezar!? Que atrevimento é esse?
P. Altair: Me perdoa, dona Celeste, acabei me deixando levar pelo instinto...
D. Blanco: Hm, tudo bem. Agora foca no que eu estava dizendo...
[Delegada Blanco retoma os trabalhos e Altair Cezar passa a dar mais atenção ao que de fato importa naquele ambiente. A tela escurece.]
*CENA 03 | CASA DE ALICY E SAULO - EXT./MANHÃ*
Um dia depois. Cristevo veio buscar Saulo para participar do testamento e se mudar. Estão quase todos em frente à casa dele e de Alicy, para se despedirem.
Trilha emocionante 🎶.
Alicy: |Abraçando e beijando o filho.| Oh, meu fi, vou sentir tanta saudade tua!
Saulo: |Retribuindo o carinho.| Também vou sentir saudade, minha mãe. Mas ó, sempre que eu puder, eu hei de te visitar, viste?
Alicy: |Enxugando as lágrimas.| Tá certo, fi, tá certo!
Loreta: |Abraça ele.| Oh, Saulinho, boa sorte em tudo, viu? Quando encontrar meu fi Bonfim, diga que morro de saudade dele!
Saulo: |Retribuindo.| Obrigado, dona Loreta. Vou adorar reencontrar meu amigo Bonfim, há tantos anos não vejo ele; vamos retomar nossa irmandade.
Cristevo: Bem, foi um prazer em conhecê-las, senhoras. Vamos, Saulo? Tenho certeza que seremos grandes amigos!
[Loreta e Alicy balançam a cabeça positivamente para Cristevo.]
Saulo: Igualmente, Cristevo. Vou adorar trabalhar com vosmecê.
[Antes que Saulo e Cristevo pudessem partir, Juliete corre em direção deles e grita pelo seu amado.]
Juliete: |Correndo.| SAULO! SAULO!
Saulo: |Olhando para trás.| Juliete...?
[Juliete abraça Saulo fortemente enquanto ambos choram na despedida.]
Juliete: |Em lágrimas.| Vou morrer de saudade!
Saulo: |Emocionado.| Também vou sentir... minha doce Juliete.
[Ambos se encaram pela última vez e começam a se afastar aos poucos.]
[Saulo e Cristevo caminham em direção ao seu destino e acenam em forma de despedida para Alicy, Loreta, Juliete e alguns figurantes.]
[A câmera se afasta, o pico do instrumental é alcançado e a tela escurece.]
*CENA 05 | VILA DOS ANJOS - EXT./TARDE*
São mostrados takes do trem chegando em Vila dos Anjos enquanto Oh! Suzana - Bob Nelson toca no fundo (🎵).
[Saulo e Cristevo descem dele e a cena corta para os mesmos saindo do carro de aluguel para adentrarem na Fazenda Sampaio.]
Saulo: |Caminhando.| Nossa, mas como é bonito aqui de dia!
Cristevo: |Também caminhando.| Pois é. Quando você veio aqui na última vez, nem chegaste a entrar no casarão...
Saulo: |Cabisbaixo.| Quando eu soube da morte do pai Jerônimo, não tive coragem de entrar na casa... |Determinado.| Mas enfim, já passou, vou seguir em frente e serei muito feliz aqui!
Cristevo: Se depender de mim, será!
Saulo: Desculpe perguntar, mas... minha "madrasta" era uma boa mulher pro meu pai?
Cristevo: Olha, Saulo... aparentemente era. Entretanto, eu tomaria muito cuidado com ela. Mantenha a educação, mas não confie muito. Ela é uma mulher muito misteriosa e, possivelmente, ambiciosa e até um pouco perigosa.
Saulo: Tá certo, Cristevo, eu hei de tomar. E os fi dela?
Cristevo: São bons jovens. Entretanto, parece sempre estarem na sombra da mãe. Manipuláveis e absorvem um pouco da energia de Tailândia. Acredito que tenham futuro, quando se desconectarem um pouco dela...
Saulo: Ah, eu... compreendo. E meus tios?
Cristevo: Mais misteriosos ainda. Quase não os vejo. Mas nunca me fizeram mal não e nem nunca causaram uma grande má impressão.
[Saulo e Cristevo seguem caminhando pela fazenda.]
[Ocorre outro corte e a sequência avança para a parte interna do casarão.]
*CENA 05 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*
Saulo e Cristevo adentram no casarão. Tailândia aguarda na sala e recepciona o enteado.
Tailândia: Ah! |Falso entusiasmo.| Então você é o jovem Saulo. É um enorme prazer em te conhecer, rapaz!
Saulo: É um prazer imenso, dona Tainara!
Tailândia: |Sorriso constrangedor.| Tailândia! O meu nome é Tailândia! |Ri.|
Saulo: |Envergonhado.| Ah! Me perdoe, minha sinhora, por favor.
Tailândia: |Felicidade falsa.| Não foi nada. |Ri.|
[Nesse exato momento, os jovens Maria Esposa e Nélio entram em cena.]
Nélio: Olá, Saulo! É um grande prazer conhecê-lo. Me chamo Nélio. Sou filho de Tailândia Montenegro e enteado do falecido Dom Jerônimo — homem este que eu via como um pai. Ah, esta é minha irmã gêmea, Maria Esposa.
Maria Esposa: Saudações, Saulo! Me sinto honrada em conhecer meu irmão postiço. Pode me chamar de Mariposa.
Saulo: É um prazer, gêmeos! Nélio e Mari... posa! |Meio sem graça.|
[Saulo abraça Nélio e M. Esposa e Tailândia observa com uma falsa satisfação. Cristevo encara a vilã enquanto se sente intrigado.]
[A cena corta para Saulo conhecendo seu quarto.]
Saulo: |Fascinado.| Nossa, mas... que enorme!
Cristevo: Gostou? Seu pai organizou só para você.
Saulo: Gostei por demais, Cristevo. Sou muito agradecido, viste?
Cristevo: Aproveite muito e descanse. As empregadas, depois, vão preparar seu banho.
Saulo: Meu Deus, com muita mordomia assim, eu vou havera de ficar mal acostumado.
Cristevo: E é para ficar mesmo. Terá dias que você chegará extremamente cansado. Você trabalhará para isso!
Saulo: Eu tô vendo que sim, hein, meu amigo Cristevo?
[Saulo sorri para Cristevo, que retribui o gesto carinhoso.]
*CENA 06 | CASA DE LORETA - INT./MANHÃ*
Juliete está triste e reprimida em seu quarto e Loreta e Alicy se encontram conversando na casa da primeira citada.
Instrumental comovente 🎶.
Alicy: Ai, Loreta. Eu tento disfarçar, mas meu coração tá pulsando de saudade do meu Saulin...
Loreta: Oh, minha amiga, também morro de saudade do teu fi! Mas eu e a Juliete estamos aqui pa te apoiar e amenizar mais tua saudade, minha irmã.
[As duas amigas se abraçam carinhosamente enquanto a tela escurece lentamente.]
*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - NOITE*
Ocorre, enfim, um jantar especial no Casarão Sampaio. Entre os presentes, estão: o próprio Saulo, Tailândia, Pompeu, Harmonia, Maria Esposa e Nélio.
Saulo: |Enquanto come com colher.| Vem, Cristevo. |Falando de boca cheia.| Sente com a gente! Coma!
Cristevo: Não, jovem Saulo, muito obrigado. Já jantei com os outros empregados.
Harmonia: |Pensativa.| (Ai, minha nossa, além de preto, este sujeitinho é mal educado. Típico de sua raça! Felizmente, minha sobrinha Maria Esposa, apesar de ser um pouco escurinha, recebeu uma boa educação da minha irmã).
Prefeito Pompeu: Mas e então, Saulo? O que vossa senhoria fazia antes de se mudar para cá?
Saulo: Ah, seu Pom-, quero dizer... tio Pompeu, eu fazia era tudo, né? Ajudava minha mãezinha, plantava, coisas com a terra.
P. Pompeu: Então você ajudará com as colheitas de cafés?
Saulo: Exatamente, tio.
Pompeu: Ah, interessante. Se você seguisse outro rumo, eu poderia te ensinar tudo sobre política. Minha esposa Harmonia e minha cunhada Tailândia, por suas vezes, dariam aulas de boas maneiras. Mas tenho certeza que você vai produzir muito e fazer bastante sucesso no ramo que queres seguir, não é, meu sobrinho?
Saulo: Claro, tio. Mas eu ainda pretendo estudar, sim, um pouquinho de política e receber aulas de boas maneiras, porque eu quero cuidar dos negócio do meu pai, né? E eu preciso ter um pouco mais de elegância para conseguir parceria, essas coisa. O Cristevo me dará toda a assistência.
Tailândia: |Cínica.| Tem toda razão, meu enteado querido!
Maria Esposa: A comida está estupenda! Quem fez?
Nélio: Parece que foi a cozinheira da semana; se chama Jeanyra. Conversei com ela e é uma figura simpática. Apesar de aparentar ser pobre e caipira, aprendeu a fazer deliciosas comidas. Com todo respeito, Saulo, eu amo os mais humildes!
Saulo: Não tenho problema com isso, Nélio. Eu hei de crescer muito nessa vida!
[M. Esposa encara Nélio com reprovação e o mesmo percebe que foi preconceituoso ao olhar nos olhos de sua irmã.]
*CENA 08 | CASARÃO POMPOSO - INT./NOITE*
No casarão Pomposo Sampaio/Prefeitura, Tailândia (que está no sofá), Pompeu (de pé) e Harmonia (sentada na cadeira) se reúnem para debochar de Saulo.
Tailândia: |Rindo muito.| E QUANDO ELE COMEU DE COLHER? DE COLHER!? |Gargalha novamente.| SENDO QUE NEM ERA SOPA!
Harmonia: |Rindo.| Não, minha irmã, a melhor parte foi aquele sotaque caipirês tenebroso dele. |Cai na risada novamente.|
Pompeu: |Rindo discretamente.| O iludido acha que vai crescer na vida. Coitado!
[Tailândia e Harmonia se encaram por conta do que Pompeu disse e caem na risada. Pompeu também começa a rir bastante.]
Instrumental de suspense 🎶.
Tailândia: Ai, gente, agora é sério; esse bastardo é um perigo. Ele pode nos levar à falência.
Pompeu: Relaxe, querida cunhada. O Cristevo lá vai supervisionar o garoto. No mínimo, o patrimônio será mantido. O máximo que pode acontecer são os negócios caírem entre 5 a 10%.
Harmonia: Concordo com o meu marido.
Tailândia: Para todo caso, espero que ele não herde tudo. O Jerônimo era louco por mim, e quem o matou, fez um excelente trabalho — apesar de que eu gostaria muito de ter tido responsabilidade na morte dele.
Harmonia: |Franca.| Eu não coloco minhas mãos no fogo!
Pompeu: Sendo um de nós ou não o assassino, o fato é que ganharemos muito com isso e se o ingrato do meu irmão não tiver deixado nada para nós, faremos a vida desse moleque um inferno e vamos nos aproveitar bastante da inocência do rapaz.
Harmonia: Ai, vou ter que suportar a presença desse escurinho a cada encontro. Que lástima!
Tailândia: E eu que vou ter que MORAR COM ELE? Se Deus quiser, esse prazo será curto. E se não for, pedirei ajuda aos infernos.
Pompeu: Vamos torcer, minhas caras. Vamos torcer!
[A tela escurece e o pico do instrumental toca.]
*CENA 09 | CASARÃO SAMPAIO - MANHA/INT.*
```(22/02/1916)```
Chega, enfim, o dia mais esperado: a distribuição dos bens de Dom Jerônimo. Todos estão na biblioteca aguardando o testamenteiro. Dentre os personagens presentes, estão: o próprio Saulo, Tailândia, Maria Esposa, Nélio, Harmonia, Pompeu, Cristevo, um representante da igreja, um representante institucional e alguns funcionários.
Tailândia: Meu Deus, o senhor Josias está demorando!
Harmonia: Tenho certeza que o mesmo está para chegar, minha cara irmã.
Pompeu: Não se preocupem, queridas. Ele mora praticamente no fim de Vila dos Anjos.
Saulo: |Pensativo.| (Ai, meu senhor, tô muito nervoso).
[Nélio e Maria Esposa se encaram, enquanto suas mãos suam.]
[Cristevo se mantém sério e apático.]
Nação Zumbi - O Inferno 🎵.
Nesse exato momento, o testamenteiro Josias (CÁSSIO GABUS MENDES) entra em cena. Junto com ele, alguns colegas do cartório.
Josias: Bom dia a todos!
[Os personagens presentes respondem de volta com um bom dia.]
Tailândia: |Radiante.| Seu Josias, que prazer em revê-lo!
Josias: |Sério.| Igualmente, dona Tailândia. Bem, é... podemos começar?
Tailândia: |Sorridente.| É claro que podemos!
[A câmera foca no rosto de cada personagem, ficando um suspense de quem será congelado. A música de fundo continua sendo tocada.]
*•A IMAGEM CONGELA EM TAILÂNDIA 📰🌾🗞️•*