• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 04
*CENA 01 | CASA DE SAULO E ALICY - INT./MANHÃ*
[A situação continua e Alicy permanece em choque.
Alicy: |Abalada.| M-Morreu...? O-o... meu Jerônimo!?
[Saulo balança a cabeça positivamente]
Instrumental de tristeza 🎶.
[Alicy e Saulo se abraçam fortemente enquanto choram bastante.]
Alicy: Mas... |Soluça.| como foi isso!?
Saulo: |Voz de choro.| Eu... catei informações e li os jornar... e... dizia que o pai Jerônimo morreu envenenado... e que tão tentando descobrir quem foi que matou o painho... |Soluça.|
Alicy: |Também com voz de choro.| Oh, meu amor, não sabes o quanto lamento por vosmecê... Que tragédia, meu Deus!
Saulo: Sim, minha mãe, foi trágico! Eu tô inconformado até agora. Por que ele teve que morrer justamente quando descobri que a pessoa dele era meu pai, mainha?
Alicy: |Ainda triste.| Isso não é justo, NÃO É JUSTO!
Saulo: Pois é, minha mãe. De qualquer forma, temos que seguir em frente, não é...?
Alicy: É mermo, meu fi...
[Saulo vai para seu quarto. Alicy se aproxima da porta, se escora nela, senta no chão e volta a chorar bastante.]
Adriana Calcanhotto - Mentiras 🎵.
[São mostradas diversas paisagens do interior de Santa Conceição e, em seguida, takes aleatórios da capital: Vila dos Anjos.]
*CENA 02 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MANHÃ*
Dois dias depois. O corpo de Dom Jerônimo já foi velado e enterrado.
```(18/02/1916)```
Tailândia se encontra no quarto pensativa, até que seus filhos adentram no local.
Maria Esposa: Mãe?
Tailândia: |Reflexiva.| Ah... oi, meus filhos, o que vocês querem?
Nélio: Pode remover esta expressão fúnebre; já sabemos que foi a senhora quem matou o pai Jerônimo.
Tailândia: |Respira fundo.| Por incrível que pareça, meus filhos, não fui eu.
M. Esposa: Minha mãe, não esconda o óbvio, a senhora mesmo afirmou que iria fazer isto.
Tailândia: |Se levanta com postura.| Eu, sinceramente, estou dando minha palavra: não fui eu! E o motivo de eu estar com essa cara de enterro, se dá ao fato de minha pessoa não ter tido o prazer de tirar a vida daquele velho imundo. Agora, se vocês me dão licença, preciso respirar um pouco lá fora. |Se retira firmemente.|
[Após Tailândia sair do quarto, Maria Esposa e Nélio se encaram, intrigados.]
*CENA 03 | HOTEL - INT./MEIO-DIA*
Odeon (🎶).
Filipa se encontra em seu quarto no hotel e pensa nos próximos passos.
Filipa: Ain, meu paizinho do céu! Eu tenho que sair desse lugar o mais rápido possível, por mais que a delegada lá tenha intervido. Ah, o que eu faço, o que eu faço? Quer saber!? Eu vou, sim, "fugir" daqui. Não cometi crime nenhum, o tal vereador lá já foi embora, ora essa!
[A cena corta para Filipa já fechando suas malas e se retirando do quarto.]
[A personagem segue seu rumo e vai até a estação de trem.]
Filipa: Ain, que demora é essa pro meu trem chegar, ah! |Frustada.|
[O tempo passa e ela permanece entediada.]
Filipa: O meu filho Eduardo deve estar morrendo de preocupação. |Respira.| E eu nem tive tempo de escrever uma carta sequer!
[Um homem deslumbrante (ARMANDO BABAIOFF) passa por ela e a mesma se sente atraída. Ele aparenta ser rico.]
Filipa: |Sedutora.| Oin, qual o vosso nome...?
Erasmo: O meu? Erasmo! E o seu?
Filipa: Me chame de... Lady Mature. |Sorri para ele.|
[Os dois se encaram enquanto um clima romântico e sexy penetra na cena.]
*CENA 04 | CASARÃO SAMPAIO - TARDE*
[Tailândia está prestes a subir as escadas, até que é puxada pelo braço por Cristevo.]
Instrumental de tensão 🎶.
Tailândia: |Assustada.| O QUE É ISSO, CRISTEVO!? FICOU LOUCO!?
Cristevo: |Firme.| Quero falar com a senhora!
Tailândia: |Furiosa.| E POR QUE ME PEGASTE DESSA FORMA!? QUE DESRESPEITO É ESSE!?
Cristevo: |Solta ela.| Olha aqui, dona Tailândia. Se você tiver tido algo a ver com a morte de meu patrão, eu juro que a senhora há de pagar muito caro!
Tailândia: |Com ódio.| Olha aqui, seu insolente, eu jamais seria capaz de encostar um dedo no meu marido. Agora... se você colocar suas patas imundas em mim novamente, quem vai acabar morrendo pelas minhas mãos SERÁ A SUA PESSOA! |Aponta o dedo na cara dele.|
[Os dois seguem se encarando um no olho do outro, como se há qualquer momento, eles fossem partir para a violência.]
[O pico do instrumental toca e Tailândia sai de cena, deixando Cristevo sozinho.]
Cristevo: |Pensativo.| (Ah, dona Tailândia... eu sei muito bem do que a senhora é capaz. Mas permanecerei nas sombras, observando seus passos).
*CENA 05 | CASA DE ALICY E SAULO - INT./TARDE*
```(19/02/1916)```
No dia seguinte...
[Saulo se encontra no sofá, refletindo, até que sua mãe, Alicy, aparece.]
Instrumental tocante 🎶.
Alicy: É... Saulinho, chegou essa carta pra ti.
[Saulo recebe a carta.]
Saulo: |Lendo em voz alta.| “Olá, Saulo. Meu nome é Josias Lopes. Sou o testamenteiro do seu falecido pai, Dom Jerônimo. Lhe convoco através desta carta para você participar da reunião que irá dividir os bens materiais de vosso progenitor. Conto com sua presença. Será dentro de 3 dias após a chegada desta correspondência. Localização: Fazenda Sampaio. Espero você lá.” Nossa... por essa, eu não esperava.
Alicy: |Acolhedora.| Vai lá, fi. Vá pegar o que é teu por direito.
Saulo: |Determinado.| Eu vou sim, minha mãe. Farei questão de ir.
Mãe e filho se abraçam enquanto o instrumental tocante chega no seu pico. A câmera se afasta ao som dele mesmo e são mostradas paisagens do interior de Santa Conceição, cortando, em seguida, para a capital do estado.
*CENA 06 | CASARÃO POMPOSO - INT./TARDE*
Pompeu aproveitou esse período de tempo para visitar Juraciara, sua filha, enquanto sua esposa ficava em casa, o esperando. Harmonia, por sua vez, se encontra com sua irmã, Tailândia, na residência. As duas estão conversando e tomando vinho.
Tailândia: |Animada.| Ai, minha irmã, estou ansiosa para a divisão dos bens do meu marido.
Harmonia: Sabemos que sim. Afinal, você se casou por interesse! |Ri.|
Tailândia: |Intrigada.| Não vamos entrar em detalhes... mas afinal, tem certeza que não foi você ou o Pompeu que tirou a vida dele?
Harmonia: |Sincera.| Mas é claro que não, querida irmã. Eu nunca toquei num fio capilar de ninguém. O mesmo não posso dizer da sua pessoa...
Tailândia: |Desconfortável.| Harmonia, Harmonia... E você também não é nenhuma santa. Sei de seus podres! |Debocha.| E que já foi capaz de umas atrocidades...
Harmonia: |Fingindo que não liga.| Hum, que seja! |Brincalhona.| Agora... eu lembro de quando mamãe lhe mandou para aquele lugar depois de flagrar você deixando de ser donzela. |Ri.| Inesquecível!
Tailândia: |Inconformada.| Você bem que gostou porque ficou com o quarto só para você, não é? |Dá um tapinha no ombro dela.|
Harmonia: Ah, que nada. Eu senti sua falta...
Tailândia: Eu fiquei uma década naquele inferno. |Sorri.| Felizmente saí de lá e dei o golpe do baú no velho caquético do Jerônimo.
Harmonia: Mas o preço foi muito alto...
Tailândia: Foi mesmo... |Saudosa.| Ah! Confesso que sinto saudades da mamãe. Porém, eu preferia o papai.
Harmonia: Sabemos que eu era a favorita dela e você do pai. Mas eu também gostava muito do velho.
Tailândia: Afinal, né, Harmonia, eram nossos pais. E a Juraciara, como vai?
Harmonia: Vai muito bem, obrigada. Pompeu foi visitá-la. E meus sobrinhos queridos?
Tailândia: Os que você nem liga? Vão bem também.
Harmonia: Ai, para, eu gosto sim do Nélio e da Maria Esposa.
Tailândia: Bem longe de você, não é? Já que nem deixava eles brincarem aqui na infância.
Harmonia: Você sabe que eu não suporto crianças. Afinal, eu não mandei a minha filha para o internato à toa! |Ri.|
Tailândia: |Irônica.| Sabemos bem que não é apenas de crianças que você não gosta! |Ri também.|
[Nesse momento, um funcionário da prefeitura aparece no casarão.]
Funcionário: Senhora, muitos cidadãos de Vila dos Anjos estão passando fome. Acabou TUDO, inclusive o pão! A prefeitura precisa fazer algo, e tanto vosso marido, quanto o vice-prefeito, estão ausentes, minha senhora.
Harmonia: |Cínica.| Ué... se não tem pão, que comam brioches!
[Tailândia começa a rir da piada contada por Harmonia. O funcionário permanece sem graça e aflito.]
Harmonia: Ai, súdito, espere eles chegarem. Eu sou a primeira-dama e não a prefeita. Agora fora daqui, vá! Estás a atrapalhar meu momento de lazer com minha irmã.
[O funcionário, decepcionado então, decide partir dali, deixando as dondocas à vontade novamente.]
Tailândia: |Debochada.| Nossa, minha irmã, como você é má!
Harmonia: |Franca.| Não mais que você. |Pega a sua taça.| Saúde?
Tailândia: |Brinda com a irmã.| Saúde!
[As duas megeras começam a gargalhar e, em seguida, tomam o vinho, enquanto um pequeno instrumental de tensão toca no fundo da cena.]
*CENA 07 | DELEGACIA - INT./TARDE*
A delegada Celeste Blanco analisa os depoimentos do caso da morte de Dom Jerônimo um por um e se frusta.
Suspense 🎶.
Delegada Blanco: |Nervosa.| Ai, Altair, este caso está mais complicado que não-sei-o-quê!
Policial Altair: Também pudera, é o primeiro grande crime que acontece na sua gestão!
D. Blanco: |Aflita.| Absolutamente todos os depoimentos se encaixam, é como se o crime tivesse sido cometido por alguém que não estava na festa e é isso que deixa as coisas ainda mais complicadas.
P. Altair: |Intrigado.| E se foi realmente alguém de fora?
D. Blanco: Não sei, não sei, preciso revisar esses papéis mais vezes. Alguns depoimentos, inclusive, possuem pequenos furos e eu hei de os averiguar.
P. Altair: A propósito, a tal lá, dona Filipa, já saiu da cidade, viu!?
D. Blanco: É, eu sei. Por hora, não preciso dela, o depoimento está mais que coerente, bem como o do vereador Bartolomeu Barbosa. |Determinada.| Mas se caso eu precisar dela, com certeza vou atrás daquela figura extravagante; ah, se vou!
*CENA 08 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*
São mostradas diversas paisagens ao som de Tiro ao Álvaro - Adoniran Barbosa e Elis Regina 🎶.
```(20/02/1916)```
Pompeu finalmente retorna do internato que a filha está e reencontra sua esposa.
Harmonia: |Abraçando e beijando o marido.| Oh, meu amor, que bom que finalmente voltaste!
Prefeito Pompeu: |Retribuindo o gesto.| Pois é, querida Harmonia, que saudades de você eu estava!
Harmonia: |Sorridente.| E nossa filhota, como está?
P. Pompeu: |Feliz.| Vai muito bem, minha amada esposa.
Harmonia: Ah, que saudades eu estou dela! Na próxima vez, eu vou vê-la sozinha, hein? Daí você, meu marido, cuida de tudo por aqui.
P. Pompeu: |Apaixonado.| Como você quiser!
[A música do tema deles permanece tocando e o casal começa a se beijar após uma intensa e apaixonante troca de olhares.]
*CENA 09 | CASA DE JULIETE E LORETA - INT./TARDE*
A cena corta para: casa de Loreta e Juliete, ambas vivendo seu cotidiano.
Loreta: |Enquanto lava a louça.| Oh, minha fia, por que vosmecê não se aproxima do Saulo? Ele tá tão carente, precisando de vossa pessoa.
Juliete: |Cozinhando.| Ai, minha mãe, eu não sei. Prefiro continuar no meu cantinho, sabes?
Loreta: |Esperta.| Eu te aconselho se reaproximar dele. Não é justo quando tu finalmente se abre pro rapaz, ele te rejeitar, depois de anos vivendo um amor não correspondido.
Juliete: |Decidida.| Ai... acho que a sinhora tem razão. Eu vou tentar falar com a pessoa dele mais uma vez. Mas será a última!
Loreta: |Aliviada.| Tá certo, minha fia, faz isso mermo.
Ambas finalizam a conversa e continuam com seus afazeres.
*CENA 10 | CASARÃO SAMPAIO - FIM DE TARDE/INT.*
Enquanto isso, no casarão Sampaio, Nélio está tocando piano na sala de música e Maria Esposa permanece no corredor, ouvindo os sons das teclas.
[Nélio toca piano com muito talento, e seu olhar e expressão são de esforço, talento e dedicação, ao mesmo tempo que demonstra muita insegurança.]
[Maria Esposa se aproxima do local e se depara com o irmão gêmeo tocando o instrumento.]
Maria Esposa: |Chocada e feliz.| NÉLIO, VOCÊ SABE TOCAR PIANO!
[Nélio se assusta com a presença da irmã.]
Nélio: |Assustado.| MARIPOSA!? O QUE ESTÁS A FAZER AQUI!?
M. Esposa: |Encantada.| Nélio... eu não sabia que você sabia tocar!
Nélio: Não, eu não sei...
M. Esposa: SABE SIM!
Nélio: Se você acha...
M. Esposa: Você toca tão bem... tens talento, meu irmão. Ai, que orgulho de você! Sempre te achei incrível e maduro, agora então...
Nélio: Eu agradeço os elogios... Mas olha, por favor, não conte para ninguém, muito menos para a mamãe. Isso é uma coisa só minha...
M. Esposa: Por que você não toca no teatro!?
Nélio: Deus me livre, morro de vergonha e medo. Mas e você? Tem algum talento secreto? |Ri.|
M. Esposa: Eu... não, não tenho. Sua irmã é uma fracassada...
Nélio: Você não é fracassada. É fofa, gentil e tem caráter. E eu acho você perfeita do jeito que é! |Sorri para ela.|
[Maria Esposa retribui um sorriso sem graça para a irmão.]
M. Esposa: |Pensativa.| (Se você soubesse meu verdadeiro talento, meu irmão... morro de vergonha).
São mostradas vários takes da capital de Santa Conceição ao som de Ragnarok - k a m a i t a c h i 🎵. Anoitece aos poucos e a câmera se aproxima de um lugar específico.
*CENA 11 | RUAS DE VILA DOS ANJOS - EXT./NOITE*
Em um clima soturno e de suspense com direito a instrumental, um carro se aproxima de um prédio num bairro distante. Dentro dele, sai Tailândia, que agradece pela viagem. O veículo, em questão, era um carro de aluguel.
[Tailândia observa o prédio com precisão e um sorriso meio maligno. A vilã se aproxima do mesmo e adentra no lugar.]
[A câmera se afasta cada vez mais do local enquanto o pico do instrumental toca, mostrando o movimento da cidade e o prédio em si.]
*•A IMAGINA CONGELA NO PRÉDIO 📰🌾🗞️•*