Café Amargo - Capítulo 03 (Especial)

 


• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 03


*CENA 01 | CASARÃO SAMPAIO - MANHÃ*


[Após empurrar Dom Jerônimo da escada, Tailândia se aproxima cada vez mais do marido caído para ver se causou algum dano grave, até que ouve passos. Após isso, ela finge surpresa e pânico ao visualizar o marido caído.]


Tailândia: |Falsa.| MEU DEUS! JERÔNIMO! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!


[Nesse momento, os passos ouvidos se intensificam e se transformam numa corrida, revelando ser Cristevo.]


Cristevo: |Desesperado.| SEU JERÔNIMO! MEU DEUS! ACORDE, SEU JERÔNIMO! |Verifica a respiração.| Está só inconsciente, graças a Deus! 


Tailândia: |Cínica.| VAI, CRISTEVO! FAÇA ALGUMA COISA! CHAME O MÉDICO!


Algum tempo depois. Um médico atende Dom Jerônimo e diz que não houve nada de grave, apenas alguns machucados e pede repouso e cuidado nos próximos dias.


[Nélio, Tailândia, Cristevo e Maria Esposa se aproximam de Jerônimo que está no sofá e conversam com o senhor de idade.]


Dom Jerônimo: Obrigado pela preocupação, pessoal. Podem se tranquilizar, eu vou ficar bem!


Tailândia: Amor, não é melhor adiar a festa do Saulo para você repousar melhor?


Jerônimo: |Determinado.| De jeito nenhum, minha esposa. Eu hei de dar essa festa carnavalesca e homenageadora, nem que eu tenha que usar bengala!


[Tailândia se aproxima do marido e dá carinho — falsamente. Nélio e M. Esposa observam com satisfação e Cristevo se retira, aparentemente desconfiado.]




*CENA 02 | HOTEL - INT./MANHÃ*


Algum tempinho depois. Chega ao hotel uma figura extravagante querendo se hospedar, pois tem um evento na cidade para ir: trata-se de Filipa Maysenga (INÊS PEIXOTO), uma figura peculiar que exige a melhor hospedagem ao atendente.


Filipa: |Nervosa.| OLHA AQUI, MEU RAPAZ, EU EXIJO O MELHOR QUARTO POSSÍVEL! ANDE MEU FILHO, ACELERE MINHA RESERVA!


Atendente: Minha senhora, entenda: a reserva já está sendo ocupada pelo vereador Bartolomeu Barbosa!


Filipa: E EU COM ISSO? Olha... meu amor, eu fui convidada para ir na festa de carnaval e em homenagem ao filho recém-descoberto DO MEU PRIMO DE SEGUNDO GRAU, DOM JERÔNIMO SAMPAIO, MAIOR FAZENDEIRO DESTA REGIÃO E EU EXIJO O MELHOR TRATAMENTO POSSÍVEL NESSA PORCARIA DE LUGAR!


Atendente: Senhora, se acalme por favor! Olha, daremos para você uma reserva "especial". Faremos com que sua experiência seja tão boa quanto ao melhor quarto, MAS PELO AMOR DE CRISTO, TRATA DE ACALMAR SEUS NERVOS!


Filipa: Hãn! Não está fazendo mais que sua obrigação. Espero ser bem tratada! |Pensativa e observadora.| (Ain, mas nesse lugar só tem homem bonito, hein? Espero encontrar bons partidos na festa, hihihi).




*CENA 03 | CASARÃO SAMPAIO - INT./TARDE*


Dom Jerônimo está repousando em seu quarto, Nélio e Maria Esposa estão jogando dominó, Cristevo segue nas plantações de café — cuidando de tudo — e Tailândia se aproxima do sótão e vai até uma gaveta específica.


Instrumental de suspense 🎶.


Tailândia: |Abrindo um baú.| Ah! Esta relíquia. Sempre necessária, quando preciso. |Segura o objeto.| A arma banhada a ouro do meu falecido pai, a melhor herança que eu poderia ter. Foi bastante útil na primeira vez que usei...




☕ FLASHBACK ☕


1906.


[A sogra de Tailândia e mãe de Dom Jerônimo, Maristela, se aproxima da nora.]


Maristela: Eu já descobri seu passado, Tailândia! 


Tailândia: Dona Maristela? Do que a senhora está falando?


Maristela: Fiz questão de investigar cada detalhe da sua vida podre após encontrar vestígios e documentos peculiares nas suas coisas! E o que eu descobri, não foi nada agradável!


[Enquanto Maristela fala, um instrumental de tensão entra em ação e baixa o volume da voz dos personagens. O passado de Tailândia é exposto e ela tenta se defender.]


Tailândia: EU JÁ DISSE! EU NÃO TIVE CULPA!


Maristela: O MEU FILHO VAI DESCOBRIR TODA A VERDADE, E PODE TER CERTEZA, TAILÂNDIA, QUE ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM!


[Maristela se retira. Algum tempo mais tarde. Só está na casa: ela, Tailândia e alguns empregados. A vilã aproveita a oportunidade e se aproxima de forma sorrateira no quarto da sogra.]


Instrumental de suspense 🎶.


Maristela: Mas o que você está fazendo aqui!? SAIA DO MEU QUARTO! OS SEUS DIAS ESTÃO CONTADOS!


[Nesse momento, Tailândia mira a arma em Maristela e atira nela, matando-a instantaneamente.]


Tailândia: |Rindo.| Ai, sogrinha! Quem manda se meter comigo? Teve o destino merecido... |Solta outra risada.|


[Tailândia guarda a sua arma nos seios e troca por um revólver normal ao ir nas gavetas de Maristela. Ardilosa, aproveita a situação e grita pelo nome de uma empregada. A funcionária aparece e leva uma coronhada na cabeça. Após isso, Tailândia coloca a arma que acabara na mão da moça e se retira — uma vez que não gostaria que seu "revólver dourado" ficasse a mercê da polícia.]


☕ FIM DO FLASHBACK ☕




Instrumental de tensão 🎶.


Tailândia: |Ainda segurando o revólver.| Boas lembranças. |Ri.| Dia inesquecível... Felizmente aquela infeliz não aguentou a pressão e tirou a própria vida na cadeia. |Debochada.| Que pena! Ai, Dom Jerônimo, e em breve será a sua vez. Vou repetir a mesma engenhosidade no dia da festa. Só assim para eu me apoderar de tudo o que é seu. |Solta outra gargalhada.|






*CENA 04 | CASA DE LORETA - INT./TARDE*

São mostradas algumas paisagens com um instrumental de samba no fundo. A câmera avança para o interior de Santa Conceição. Três dias depois...

```(15/02/1916)```

[Loreta e Alicy estão no sofá conversando.]

Loreta: Então o Saulinho partiu mermo pa tal festa?

Alicy: Pois é, cumadre, partiu.

Loreta: E por que vosmecê não foi, muié?

Alicy: Ai, minha amiga, não queria causar nenhum transtorno, sabe? Aquela gente rica lá... Já basta meu Saulo. Mas tenho certeza que o seu Jerônimo irá guiar e cuidar bem dele.

Loreta: Ah, sim, entendi, minha irmã.

Alicy: E a Juliete? Cadê ela?

Loreta: Ah, mandei pa casa da avó dela, minha sogra.

Alicy: E vossa sogra ainda é viva? Jurava que tinha morrido.

Loreta: Não, cumadre, é viva, vivíssima! 

Alicy: Ah, então eu fico feliz por vosmecês!

[Loreta sorri para Alicy, que retribui o sorriso.]



*CENA 05 | CASARÃO SAMPAIO - INT./NOITE*

São mostrados alguns takes da capital de Santa Conceição: Vila dos Anjos. As ruas estão decoradas, desfiles carnavalescos ocorrem e sambistas se reúnem para cantar e dançar. A câmera se aproxima do casarão de Dom Jerônimo e, por fim, anoitece: é hora da festa.

• TRILHA ESPECIAL: Liberdade, Liberdade, Abre as Asas Sobre Nós! (🎵).

[A decoração está bem neutra, sendo uma espécie de homenagem, festa normal e com toques carnavalescos. Alguns convidados transitam entre os lugares do casarão.]

[Harmonia e Pompeu chegam à festa.]

Prefeito Pompeu: Meu irmão, como vai? |Abraça ele.| 

Harmonia: Seu Jerônimo, como está?

D. Jerônimo: Vou muito bem, obrigado!

[Instrumental de tensão 🎶. Nesse momento, Tailândia desce as escadas totalmente deslumbrante, cheia de jóias e pulseiras e um vestido brilhante. Na companhia, seus filhos.]

Tailândia: |Feliz.| Pompeu, cunhado querido! Harmonia, minha irmã!

Pompeu: |Sorri.| Olá, Tailândia!

Harmonia: |Beija e abraça Tailândia.| Oh, minha irmã, há quanto tempo não piso aqui, não é?

Tailândia: |Sorridente.| Tem que vir mais vezes!

Harmonia: |Acenando.| Olá, sobrinhos!

Maria Esposa e Nélio (ao mesmo tempo): Olá, tia!

Pompeu: Saulo ainda não chegou?

Jerônimo: Não, ele mora um pouco longe, mas, já, já está chegando!

[A prima de segundo grau de Dom Jerônimo, por fim, adentra na festa.]

Filipa: |Abraça e beija ele.| Olá, primo! Que saudades! Olá, pessoal! Ain, mas que festa mais linda! E o filhinho? Cadê, hein?

D. Jerônimo: Saudades, prima Filipa! Bom, ele já está chegando.

Filipa: Oin, Pompeu! |Acenando; Pompeu acena de volta.| Gente, e cadê a prima Calixta!

D. Jerônimo: Minha irmã está morando em outro estado. Infelizmente, não poderá vir.

Filipa: Ain... que pena! 

[Algum tempinho depois. Sob convite especial, a delegada Celeste Blanco aparece na festa, acompanhada do policial Altair Cezar.]

Dom Jerônimo: Ah, meus queridos, que bom que vieram!

Delegada Blanco: Sou muito agradecida pelo convite, Dom Jerônimo. É um prazer imenso estar aqui!

Prefeito Pompeu: |Pensativo.| (Mas que petulância. Uma delegada mulher e ainda na casa de meu irmão. Caspita)!

Instrumental de suspense 🎶.

[São mostrados diversos takes dos personagens transitando entre os cômodos e com atitudes suspeitas. Saulo, por sua vez, ainda não chegou, por problemas internos no transporte.]

[Dom Jerônimo se senta na mesa e coloca um café para tomar. Em uma rápida distração, ele diz algo no ouvido de Cristevo. Depois, mais convidados chegam e ele decide recepcionar. Pouco tempo depois, Jerônimo retoma a sua atenção ao café.]

D. Jerônimo: Mas isso aqui está estupendo! Aceita, vereador Bartolomeu?

Bartolomeu Barbosa (LEONARDO VIEIRA): Não, muito obrigado!

Instrumental de tensão 🎶.

[Nesse momento, Dom Jerônimo começa a sentir coisas estranhas e aparentemente um infarto fulminante se inicia. Todos os personagens dão atenção e sentem pânico.] 

Tailândia: MEU DEUS! SOCORRO! CHAMEM UM MÉDICO, O MEU MARIDO ESTÁ PASSANDO MAL!

[Um médico entra em cena, por ser um dos convidados, e tenta ajudar o homem.]

[Entretanto, já era tarde. Dom Jerônimo acabou de morrer.]

Instrumental de velório 🎶.

[O médico afirma para todos os convidados presentes na cena que Jerônimo acabou de falecer e muitos dali choram.]

[Pompeu, Harmonia e Tailândia fingem tristeza, enquanto Filipa, Nélio e Maria Esposa choram de verdade. Cristevo se mantém apático, bem como Celeste e Altair. O pico do instrumental toca.]






*CENA 06 | CASARÃO SAMPAIO - NOITE/EXT.*

Saulo finalmente chega à Vila dos Anjos. Através de informações e com um carro de aluguel, consegue chegar ao endereço da Fazenda Sampaio. O mesmo percebe um estranho movimento e várias pessoas e vizinhos ao redor da casa.

[Saulo se aproxima de alguns funcionários.]

Saulo: Com vossa licença... aqui é a casa do senhor Jerônimo, né?

Funcionário: É, meu filho. Quero dizer, pelo menos era.

Saulo: Por que... "pelo menos era"?

Funcionário: Ai, meu filho... é que o Dom Jerônimo acabou de falecer.

[Nesse momento, um instrumental fúnebre toca e a câmera dá um close lento no rosto de Saulo enquanto saem lágrimas de seus olhos.]

Funcionário: Tá tudo bem, meu jovem?

Saulo: |Chorando.| Eu... eu... preciso ir embora! Adeus...

[Saulo se retira dali. O funcionário fica confuso. A câmera se afasta.]




*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - INT./NOITE*

O corpo de Dom Jerônimo está coberto com um lençol branco e todos estão aflitos e nervosos.

[Um instrumental de tensão toca e a delegada pede a atenção de todos]

Delegada Blanco: Atenção! Todos prestem muita atenção! Ninguém sairá daqui antes de esclarecermos pelo menos algo do que aconteceu de fato.

Policial Altair: O Dom Jerônimo acabou de ter um infarto fulminante. Mas isso não significa que não tenha sido proposital.

[A delegada, utilizando um pano, pega a xícara que Jerônimo tomou antes de morrer. Altair entrega uma caçamba de gelo que pegou alguns minutos antes do anúncio de Celeste.]

D. Blanco: Estão vendo esta xícara? Quem garante que... neste café, não foi colocado nada? |Celeste coloca um cubo de gelo e percebe que ele afundou.|

[Todos observam com atenção.]

Policial Altair: Meu Deus...

D. Blanco: A BEBIDA ESTAVA ENVENENADA! DOM JERÔNIMO SAMPAIO FOI ASSASSINADO E NENHUM DE VOCÊS SAIRÃO DAQUI SEM ANTES PRESTAREM DEPOIMENTOS!

[O instrumental de tensão fica mais agravante e todos permanecem assustados com o cenário atual.]

[Alguns minutos se passam enquanto Celeste e Altair verificam cada convidado e suas reações. Nesse momento de distração, a xícara é roubada.]

Policial Altair: A XÍCARA FOI ROUBADA!

D. Blanco: MAS QUE DROGA! ENTRETANTO, VOCÊS AINDA IRÃO DEPOR! Altair, vai até a delegacia e solicita várias viaturas. Eu cuidarei de tudo aqui. E NEM TENHAM A OUSADIA DE FUGIR! Eu estou armada. Considerarei confissão de culpa caso um de vocês fuja, e estarão cometendo crime de desobediência policial.

[Altair obedece e se retira. Todos permanecem aflitos. O pico do instrumental é alcançado.]



*CENA 08 | DELEGACIA - INT./NOITE*

A cena corta para o início dos depoimentos. Dentre os personagens relevantes, Cristevo é o primeiro a depor.

Cristevo: Eu estive na companhia de Dom Jerônimo o tempo inteiro. Tive pequenos momentos de distrações, sim, enquanto estive ao lado dele, mas... |Lacrimejando.| Eu não seria capaz de encostar num fio de cabelo dele e fiz o que pôde para escoltá-lo.

[A cena agora corta para Harmonia e seu depoimento.]

Harmonia: |Cínica.| Estava tomando um delicioso ponche na companhia de meu marido, o prefeito Pomposo. Lamento muito pela morte do meu cunhado, espero que seja feita a justiça sobre sua morte...

[Agora, é a vez de Pompeu Pomposo depor.]

P. Pompeu: É você mesmo que vai recolher os depoimentos...? Uma mulher!?

D. Blanco: |Firme.| Claro? Juntamente com meu assistente, Altair Cezar.

P. Pompeu: |Fingindo tristeza.| Muito bem... eu estava com minha mulher tomando ponche. Não sei se ela disse, mas... estávamos também na companhia do vereador Bartolomeu Barbosa. Entretanto, poucos minutos depois, ele foi para a sala de jantar, no exato momento do crime... Enfim, espero que a morte do meu irmão seja solucionada.. |Simula choro.| Coitada da minha irmã Calixta quando descobrir. 

[A sequência avança para os depoimentos de Filipa e vereador Bartolomeu: a primeira diz que estava na companhia de dois homens e o político alega que esteve junto com Pomposo e a primeira dama, Harmonia, e que em seguida foi fazer companhia ao próprio Dom Jerônimo, segundos antes dele passar mal, garantindo que não teve nada a ver com a morte dele.]

[Depois, é a vez de Maria Esposa e Nélio. Os mesmos alegam que estavam no quarto, quase o tempo inteiro, jogando xadrez.]

[Um instrumental de suspense toca e são mostrados vários figurantes depondo sobre o crime.]

[Tailândia entra na sala e começa a depor.]

Tensão 🎶.

Tailândia: |Chorando falsamente.| Eu... estava na sala, recepcionando os convidados, supervisionando a orquestra e o serviço dos empregados. Garanto que não tive nada a ver com a morte do meu marido e nem vi nada suspeito. |Soluça.| Agora, por favor... descubram quem cometeu essa atrocidade com ele! |Limpa o nariz com um lenço.|

[Os depoimentos são finalizados e todos vão para suas casas. São mostrados takes amanhecendo ao som de O Inferno - Nação Zumbi 🎵.]


*CENA 09 | CASA DE SAULO E ALICY - INT./MANHÃ*

1 dia depois...

```(16/02/1916)```

A câmera se aproxima da casa de Saulo e Alicy. Ele, finalmente, chega em casa.

[Alicy abre a porta e recebe Saulo com um forte abraço.]

Alicy: SAULO!? MEU FILHO!? MAS VOSMECÊ JÁ VEIO ME VISITAR!? Ou... veio para ficar de vez...?

Saulo: |Semblante triste.| Olha, mainha... eu cheguei lá na tal fazenda e... um funcionário me deu uma triste informação. Eu fiquei desolado e decidi me hospedar num hotel da cidade, nem entrei na casa grande. Na manhã seguinte, peguei o primeiro trem disponível e parti pra cá...

Um instrumental de tensão começa a tocar 🎶.

Alicy: Mas o que aconteceu!? E cadê vosso pai?

Saulo: |Lacrimejando.| Mãe... |Voz de choro.| o painho Jerônimo morreu!

[O pico do instrumental toca e Alicy faz uma expressão de quem se encontra arrasada, devido à informação recebida.]

*•A IMAGEM CONGELA EM ALICY 📰🌾🗞️•*