• CAFÉ AMARGO | (🌱☕) — CAPÍTULO 01 [ESTREIA]
*CENA 01 - RUAS DE VILA DOS ANJOS - EXT./MANHÃ*
Parabolicamará - Gilberto Gil (🎵).
```(01/02/1916)````
São mostradas diversas paisagens do estado de Santa Conceição e, em seguida, da sua capital, Vila dos Anjos. A câmera se aproxima dela e é possível ver Dom Jerônimo (TARCÍSIO FILHO) passeando de carro e sendo cumprimentado por todos. Quem está no volante é seu fiel escudeiro, Cristevo (PAULO LESSA).
Dom Jerônimo: |Acenando.| Olá! Bom dia! Saudações a todos! |Parte de vez.|
[Os figurantes acenam para o maior produtor de café da região com grande respeito, pois ele sempre os ajuda, financeiramente e caridosamente, fazendo até mais que o prefeito da cidade.]
*CENA 02 | CASA DE SAULO E ALICY - INT./MANHÃ*
A cena corta para o interior do estado, indo diretamente para a humilde casa do camponês Saulo (JUAN PAIVA) e da funcionária numa produção de bebidas, Alicy (CRIS VIANNA), mãe do rapaz citado.
Saulo |Ajeitando a mesa.|: Ô, minha mãe!
Alicy |Preparando o café.|: Diga, fi.
Saulo: Já que a sinhora é boa nessas coisa de bebida, como é que vosmecê consegue identificar de maneira prática se alguma bebida tá com algum troço nela?
Alicy: Óia, fi, um jeito prático é vosmecê colocar gelo nela. Se boiar, é porque PROVAVELMENTE não tem nada. Se não boiar, há de ter algo colocado...
Saulo: Hm, interessante... é uma boa tática pa escapar de certas armadilha, não é?
Alicy: |Aperta a bochecha dele.| Com certeza, fiote.
[Alicy termina de fazer o que estava fazendo.]
Alicy: Bom, fi, eu tô indo na casa da Loreta, viste?
Saulo: Está certo, mainha. Pode ir. Eu tomo conta de tudo!
Alicy: |Beija o filho.| Até já, viu, fi?
Saulo: |Sorri para ela.| Até, minha mãe....
*CENA 03 | CASA DE LORETA - INT./MANHÃ*
Alicy visita sua amiga, Loreta (CLARISSA PINHEIRO). Após alguns minutos de conversa, ela finalmente decide chegar no ponto alto do desabafo.
Instrumental de suspense 🎶.
Loreta: Mas e então, cumadre, diga o que tu tens pa contar!
Alicy: Ai... minha amiga. É o Saulo.
Loreta: Sim...?
Alicy: Sabe o maior produtor de café da região... o tal do Jerônimo Sampaio...?
Loreta: Sim, o hômi que cobra o aluguel da tua casa.
Alicy: Ele é o pai do meu filho. E... eu pretendo contar toda a verdade pra ele.
[Loreta faz uma expressão de choque e o pico do instrumental é alcançado.]
*CENA 04A | CASA DE LORETA - CONTINUAÇÃO*
Loreta: Espera? O homem que cobra os aluguel da casa de vosmecês é o pai do Saulinho?
Alicy: Exatamente, cumadre. Isso de aluguel foi um acordo que nós fizemo, há mais ou menos 5 anos... quando ele nos reencontrou. A gente, na verdade, finge que ele é um cobrador no pretexto dele ver o Saulinho...
Loreta: Nossa, mas... como foi o envolvimento entre vossa pessoa e ele!?
Alicy: Eu era doméstica do casarão e tive um caso com a pessoa dele. Porém, a mãe do homi se inteirou da relação e me afastou do fi dela.
Loreta: Meu Deus, que horror...
Alicy: Desde então, Dom Jerônimo finge que é um cobrador, no intuito de se aproximar do próprio fi... até a gente tomar coragem. E tomei; eu havera de contar tudo po meu Saulo.
Loreta: E vosmecê é apaixonada por ele ainda?
Alicy: Eu ainda guardo as boas lembrança do nosso amor... mas ele, tenho certeza que não me gosta, afinal, é casado com a tal muié dele, Tainara, Tailane, um nome assim.
Loreta: Entendi... ao menos tu, amiga, conseguistes uns trabalho bão, ajuda nas despesa, e ele também, acredito eu, né? Seu talento com bebida permitiu dar uma boa criação po nosso Saulinho.
Alicy: É verdade, minha amiga, é verdade!
*CENA 05 | CASARÃO SAMPAIO - INT./MEIO-DIA*
Jerônimo chega em sua casa após passear de carro e ter resolvido algumas pendências no cafezal. Ele entra na sala e é recebido pela sua esposa, Tailândia Montenegro (MALU MADER).
Jerônimo: |Beija ela.| Minha querida, como estás?
Tailândia: |Animada.| Ah, eu estou muito bem, meu amado. Venham, meus filhos, recebam o senhor Jerônimo!
Os filhos de Tailândia, Maria Esposa (BELLA CAMPOS) — apelidada de Mariposa — e Nélio (CAIO MANHENTE) aparecem.
Nélio: |Simpático.| Olá, seu Jerônimo, como vai?
Jerônimo: |Gentil.| Oh, filho, não precisa ter vergonha! Pode me chamar de pai, mesmo eu sendo só seu padrasto e de sua irmã.
Maria Esposa: |Abraça ele.| Como tem passado, pai?
Jerônimo: Vou muito bem, filha, obrigado.
Tailândia: |Radiante.| Bom, “crianças”, vosso pai precisa descansar. Vão passear lá fora, vão. Irei cuidar da liderança dos afazeres da casa.
[Nélio e M. Esposa se retiram. Jerônimo sobe as escadas. Tailândia fica sozinha e observa seu cotidiano com um discreto sorriso — aparentemente falso.]
*CENA 06 | CASA DA PRIMEIRA DAMA HARMONIA E DO PREFEITO POMPEU - TARDE/INT.*
Jerônimo decide visitar o irmão e sua cunhada no casarão deles, Prefeito Pompeu (VLADIMIR BRICHTA) e Lady Harmonia (CLÁUDIA ABREU).
Pompeu: |Feliz.| Oh, meu querido Jerônimo! Que prazer vê-lo aqui. Como você está? |Abraça ele.|
Jerônimo: |Sorri.| É, estou muito bem. E você, Harmonia? Como tem passado?
Harmonia: |Gentil.| Ah, cunhado estou muito bem, obrigada. E minha irmã, Tailândia, está tudo certo com ela?
Jerônimo: Está sim, querida cunhada!
[O tempo vai passando e Dom Jerônimo percebe que já está na hora. Após a saída, o casal revela a sua verdadeira face.]
Tensão (🎶).
Pompeu: |Frustrado.| Ah, ainda bem que este privilegiado já foi!
Harmonia: |Sorri.| Você também é privilegiado, prefeito da cidade!
Pompeu: Sim, mas minha candidatura está por um fio...
[Harmonia observa uma empregada negra limpando o abajur sem luvas e decide adverti-la.]
Harmonia: |Ríspida.| EI! Não toque no meu abajur valioso com essas mãos. Coloque as luvas, criaturinha!
[A empregada balança a cabeça tristemente e sai de cena. Harmonia encara o marido.]
*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - TARDE/EXT.*
Instrumental de suspense 🎶.
A cena retorna para o local principal. Em seu quarto, Tailândia está tendo uma conversa sigilosa com os filhos.
Tailândia: É, meus filhos... Acho que depois desses longos 15 anos de casamento, já está na hora de eu me tornar a mais nova viúva de Vila dos Anjos.
Nélio: |Intrigado.| O que queres dizer com isso, minha mãe?
Tailândia: |Cínica.| Que é muito simples, Nélio. Infelizmente, o seu pai vai morrer.
M. Esposa: |Com medo.| E como a senhora sabe disso, mamãe?
Tailândia: |Diabólica.| Porque... eu pretendo ajudar o pobre coitado ir desta para a melhor. |Ri.| O que acham? |Sorri.|
[A câmera foca no rosto de cada personagem presente e, por último, destaca a expressão diabólica de Tailândia.]
*CENA 07 | CASARÃO SAMPAIO - CONTINUAÇÃO*
Nélio: Nossa, mãe... a senhora será mesmo capaz de matar o pai Jerônimo?
Tailândia: Já se esqueceram o porquê de eu ter me casado com ele!?
Nélio: Não...
Tailândia: Então sem questionamentos!
M. Esposa: Nossa, mas eu e o Nélio gostamos tanto dele...
Tailândia: Eu sei, filhotes, mas se vocês quiserem desfrutar de tudo com mais liberdade... |Leve risada.| terei que acelerar a mortalidade dele.
[M. Esposa e Nélio encaram um ao outro e Tailândia se mantém firme em sua decisão.]
*CENA 08 | INTERIOR DE SANTA CONCEIÇÃO - EXT./TARDE*
Instrumental romântico (🎶).
Saulo está diante de Juliete (DUDA SANTOS), a garota que ele foi apaixonado durante sua vida inteira.
Juliete: Diga logo o que vosmecê tem pa dizer, Saulo, eu tou ansiosa!
Saulo: Juliete... eu queria dizer que... desde sempre meu coração nutre um sentimento por vossa pessoa... desde quando a gente era criança.
Juliete: E... o que queres dizer com isso, S-Saulo?
Saulo: |Respira bem fundo.| Eu... gosto de vosmecê, Juliete. Eu... ti amo.
[Neste momento, um silêncio domina a situação. Após 1 minuto de ausência de pronunciamento, Juliete retoma a fala.]
Juliete: Então... vosmecê mi ama mermo, Saulo?
Saulo: É claro que eu ti amo, Juliete. Vosmecê é a única garota que despertou esse sentimento na minha pessoa.
Juliete: |Gagueja.| É-é-é um pouco surpreendente o que vosmecê tá dizendo, embora minha pessoa... já desconfiasse.
Saulo: E vosmecê, Juliete? Sente algo por mim?
Juliete: Sobre isso, Saulo, eu... não sei, Saulo, eu não sei. Tô muito confusa sobre isso e...
Saulo: E...?
Juliete: Gosto muito de vosmecê, Saulo, mas minha pessoa não tem total certeza se é paixão, amor, amizade...
Saulo: |Decepcionado.| Eu... entendo!
Juliete: |Olhando baixo.| Bom... eu preciso pensar. Sempre desconfiei, mas... agora que isso é uma realidade, eu hei de emitir uma resposta após minha reflexão.
Saulo: |Sorri.| Tudo bem, Juliete. O que são alguns dias comparado a vários anos...
[A conversa é encerrada. Cada um segue seu rumo. O pico do instrumental toca.]
*CENA 09 | CASA DE SAULO E ALICY - INT./NOITE*
Saulo termina seu desabafo com sua mãe.
Alicy: Mas é isso mermo, fi. Tem que ter paciência. Nós, muieres, temos os sentimento mais sensível.
Saulo: |Cabisbaixo.| É, eu sei...
[A cena corta para ela dizendo que precisa lhe contar algo sério.]
Saulo: Mas e então, mainha, o que é que a sinhora tem pa me dizer?
Alicy: Então, Saulo... lembra que eu te disse que teu pai já era falecido?
Saulo: Lógico. Por quê? A sinhora... mentiu!?
Instrumental triste 🎶.
Alicy: Eu menti... Na verdade, ele é um homem rico... fazendeiro... ele que paga algumas despesa, inclusive. Eu era empregada da casa dele, tivemos um romance, mas os pais do hômi proibiram o nosso caso e me despacharam, dando um jeito de eu nunca mais ser encontrada por ele...
Saulo: |Abalado.| Nossa, mainha... mas porque a sinhora nunca me disse as verdade?
Alicy: Tive medo... queria que tu crescesse com caráter e tal... e consegui. Graças a essa desinformação, você é um homem bão e tenho orgulho de ti.
Saulo: Eu também tenho de vosmecê, minha mãe... Mas, quando eu havera de conhecer esse homi?
Alicy: Ele vem aqui em breve... pa te conhecer.
Saulo: Tudo bem... |Sorri.| Estarei ansioso!
[Alicy sorri de volta para seu filho e os dois se abraçam ao som de um instrumental emocionante.]
*CENA 10 | PREFEITURA - INT./NOITE*
Pompeu está organizando algumas papeladas, até que é surpreendido por sua esposa.
Pompeu: |Nervoso | HARMONIA? O QUE ESTÁS A FAZER AQUI?
Harmonia: |Serena.| Calma, meu bem, só vim lhe trazer uma notícia...
Pompeu: Você é mulher, não pode sair a esta hora desacompanhada!
Harmonia: De fato, eu... passei por alguns funcionários estranhos seus... negros ainda por cima! |Deboche.| Tive medo...
Pompeu: Harmonia, Harmonia... eu já disse; se quisermos garantir minha candidatura nas próximas eleições, terei que agradar todas essas minorias, inclusive essa gente que nasceu com carvão grudado na pele. Oh, céus!
Harmonia: Para todo caso, não deu para ver eles direito mesmo; está de noite, escuro, e eles, bom... |Risada discreta.| são pretos. |Sorri.|
Pompeu: Enfim, que notícia é essa que você tem para me dar?
Harmonia: Chegou uma carta da nossa filha.
Pompeu: Sério!?
[Harmonia mostra a carta e ambos lêem juntos.]
Pompeu: Ah, que bom que nossa filhota está feliz.
Harmonia: |Sorri.| De fato.
Pompeu: Ela é a única coisa boa que a gente tem...
Tiro ao Álvaro - Adoniran Barbosa e Elis Regina 🎶.
Harmonia: |Sensual.| Talvez... mas não no mesmo nível de nossa intensidade...
Pompeu: |Enfeitiçado.| Ah, com certeza...
[Harmonia e Pompeu começam a se beijar ali mesmo.]
[Com cuidado, o homem coloca a esposa em cima da mesa, sentada, e beija seu pescoço.]
[A tela escurece e são mostrados takes noturnos de Vila dos Anjos enquanto a música segue tocando.]
*CENA 11 | CASARÃO SAMPAIO - INT./NOITE*
Tailândia e Dom Jerônimo estão deitados e com trajes de dormir. O patriarca está dormindo e a mulher observa ele cautelosamente.
Instrumental de suspense 🎶.
Tailândia: |Olhando para o marido.| É, Jerônimo. O seu fim está cada vez mais próximo. Não vou mais precisar aturar essa sua cara imunda de velho. E nem pense que irei sair dessa de mãos abanando. Vossa fortuna, seu paspalho, ainda será minha. Custe o que custar! |Ri silenciosamente.|
[Tailândia para de observar o marido e volta a dormir. A tela escurece.]
*CENA 12 | CASA DE LORETA E JULIETE - INT./NOITE*
Juliete chega em casa e começa a conversar com a mãe.
Loreta: Então o Saulo confessou o amor sente por ti? Óia, quem diria...
Juliete: Pois é, mãe, e eu tô extremamente confusa com meus sentimentos e minhas convicção...
Loreta: |Olhando para a filha.| Ah, minha fia, não se preocurpe. Te darei os melhores conselho do mundo!
Juliete: Agradecida, mãe. Tenho certeza que serão de boa ajuda! |Sorri para a mãe.|
A cena corta para diversos takes do interior de Santa Conceição, enquanto amanhece, ao som de Mentiras - Adriana Calcanhoto (🎶).
*CENA 13 | CASA DE SAULO E ALICY - INT./MANHÃ*
«Uma semana depois...»
A câmera se aproxima da casa de Saulo e Alicy, mostrando o cotidiano matinal de mãe e filho, até que a situação é interrompida e batem na porta.
```(08/02/1916)```
Saulo: |Abre a porta.| Seu Jerônimo? Que prazer em ver vossa pessoa!
Jerônimo: |Contente.| Olá, jovem Saulo. Tudo bem? Posso entrar?
Saulo: |Feliz.| Claro, o patrão já é de casa!
Alicy: |Se aproxima.| Bom dia, seu Jerônimo. Venha, entre!
[Dom Jerônimo adentra na humilde casa.]
Saulo: E então, seu Jerônimo? Veio cobrar o aluguel ou tomar só um cafezinho e bater um papo? |Ri.|
Jerônimo: Ah... nenhum dos dois. A verdade, Saulo, é que não existe aluguel nenhum.
Saulo: |Intrigado.| Como assim, Dom Jerônimo?
Alicy: Fi... lembra de quando minha pessoa disse que teu pai era um homem rico e que fui separada dele...?
Saulo: Lembro sim, minha mãe.
Jerônimo: Então, Saulo... eu sou o seu pai!
[Os olhos de Saulo ficam marejados e um instrumental emocionante toca na sequência. Alicy observa a cena enquanto se comove.]
[Jerônimo encara o filho. Saulo permanece chocado e um pouco emocionado.]
*•A IMAGEM CONGELA EM SAULO 📰🌾🗞️•*