Alma Penada - capítulo 04 (21/12/2023)

 


ANTERIORMENTE EM ALMA PENADA…


MINESOTA (EUA), 1998.


ANA (CHOCADA): Não pode ser! Será que finalmente depois de toda a minha vida encontrarei meu sonho?


LUCY: Nosso sonho! E que vida longa é essa de espera, você tem apenas 7 anos! 


ANA: Ora, Lucy! É modo de falar, como vocês adultos mesmos dizem. É que você sabe muito, muito bem que sou apaixonada nesse pássaro rosa e saber que ele foi visto por aqui, na cidade me deixa mais feliz ainda!


[...]


ANA: Que será isso?


Ela começa a mexer na caixa e a balançá-la com força. Ela observa alguns pequenos furos na caixa e após mexer nela sente que há um peso.


ANA: MEU DEUS! NÃO PODE SER! LUCY ESTAVA CERTA! 


Imediatamente ela arranca o tampão da gaiola e retira de dentro aquele que seria o maior amor de sua vida. Nascia ali sua linda filha: Púrpura. Uma linda ave cor-de-rosa, da mesma espécie ararinha que tanto ela e Lucy procuravam avistar.


[...]


PÚRPURA (GRANEJANDO): UÁRCA! UÁRCA! QUERO QUE ME TRANSFORME EM UMA CASA DA BARBIE SEM KENS!


ANA (RINDO): VOCÊ É HILÁRIA, PÚR! ATÉ PARECE QUE SE EU SAIR DAQUI, VOCÊ VAI MUDAR DE FORMA.


PÚRPURA (GRANEJANDO): UÁRCA! UÁRR! VOUU SIIIM! PODER TER CERTEZAR! UAAAR! ORRONN! 


Ana se retira. A ararinha vira o modelo mais atual da Polly Pocket. Um indivíduo, encapuzado, se aproxima do local. Ele vê toda a cena que ocorrera. Não se pode visualizar seu rosto. Rapidamente pega o "objeto" e o põe em uma sacola, o carregado depressa. Ana chega e não entende a situação. 


ANA: UÉ, MAS ONDE VOCÊ SE METEU, PÚR?


Ela vê o homem carregando um saco nas costas com algo se mexendo dentro.


ANA (CHOCADA): NÃO PODE SER...


Ana se vê às minguas.


HOMEM (GRITANDO): FICOU LOUCA, MENINA?!


ANA (GRITANDO): Quem o senhor pensa que é? Essa ararinha aí tem dona e sou eu!


HOMEM (GRITANDO): E quem disse que eu peguei sua ararinha? O que estava ali na calçada era uma Casa da Barra da Polly Pocket.


ANA: É a Dreamhouse da Barbie. 


HOMEM (GRITANDO): Que seja, não me importa, isso aqui...


Ele pega na sacola.


HOMEM (GRITANDO): NÃO LHE DIZ RESPEITO!


O homem em fúria novamente sai correndo em direção a um carro. Ana reluteia.


ANA (GRITANDO/CHORANDO): NÃO! PELO AMOR DE DEUS, POR TUDO O QUE É MAIS SAGRADO! A MINHA BEBÊ!


O homem não dá a mínima e entra no carro. Ana saca o celular e fotografa sua placa antes de começar a correr atrás. 


ANA (GRITANDO/CHORANDO): SEU VIGARISTA, LADRÃO, SEQUESTRADOR, IDIOTA... VOU LHE ACUSÁ-LO DE ROUBO NA POLÍCIA! VOCÊ IRÁ PAGAR CAROOO! BUÁAAAAAA! AAAAAAHHHH! PÚUURRRRPURRAAAAAAAAAAAAAA! EU TE AMO, PÚRPURRAAAAAAA!


25 ANOS DEPOIS.


ANA (LENDO): Gostaria de te informar que sua Púrpura ainda está viva e mora agora no Acre, no Brasil, na América do Sul, entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, no Planeta Terra...


ANA (INTRIGADA): O BRASIL FICA IN AMERICA?!


ANA (LENDO): Repetindo: isso não é um teste. Repito: isso não é um teste. Se quer reencontrar a ararinha da sua vida e dos seus sonhos, sua filha Púrpura, deverá atravessar o continente hoje mesmo. Pois quem a roubou tem planos cada vez mais catabalásticos para ela e sinto que seu fim está cada vez mais próximo. Ass: o olho que tudo vê.


ANA (GRITANDO/CHOCADA): ÓH, CÉUS!!!!!


[...]


GABRIEL: Nós precisamos pegar o primeiro vôo para o Acre, agora mesmo! Very weel! Oh, cool!


Era como se ele tivesse articulado o que Ana não conseguiu dizer. Ana recupera suas forças e se levanta.


ANA (GRITANDO): GABI... ARRUME AS MALAS! NÓS VAMOS AO BRAZIL!


[...]


Ana, Gabriel e todos os outros passageiros desaguam nas terras amazônicas do Acre, à devira de tudo e qualquer tipo de coisa que haja ali.


ANA: Bom... Ao menos no Acre nós estamos. 


Ana retira de dentro da sua mala uma papelada.


ANA: Aqui está o mapa! Vamos, é por ali!


Ana encontra uma saída numa estrada de barro.


ANA (PENSAMENTO): Essa é minha chance.


GABRIEL (GRITANDO): ANA!! MEU AMOTHER! 


Mas antes que ele percebe, ela já estava correndo desesperadamente em direção à cabine do caminhão. Ela emburaca depressa segurando devoradamente no volante e sentando no banco. Em seguida, acerta a buzina duas vezes.


ANA (GRITANDO): VAMOS! COME HERE! ENTRA LOGO!


Gabriel mal entende e dispara. Ana pisa no pedal de acelerador e o caminhão sai andando.

Ana acelera. O caminhão está tão rápido que partes do mesmo se desprendem.


GABRIEL (NERVOSO): I can não sabiá que você sabia dirigir caminhão. 


O caminhão voa em uma lombada. 


ANA (EM VOZ ALTA): Eu sei. Nem eu sabia.


Gabriel a olha assustado. A estrada que eles estão agora é feita de pedregulhos e alguns bem afiados. Num desses, faz com o pneu inferior direito estoure. O caminhão descarrilha e sai pra fora da pista com o impacto. Ana e Gabriel são jogados contra o "para-brisa". O veículo cai numa pequena clareira e se enrosca em árvores bem altas e de caules grossos, gerando uma batida brutal. Ana e Gabriel desmaiam na hora enquanto o fogo começa a tomar conta do local. De repente, diversos garimpeiros e trabalhadores se revelam por trás das matas. Eles seguram lanças medievais. Sérgio comanda o grupo.


SÉRGIO: Ocês ouviram bem, né? Ao ataque!


Todos os homens partem em disparada em direção à carcaça do caminhão segurando artefatos arcaicos pontiagudos. Eles berram como verdadeiros vikings.


TODOS (GRITANDO): BAAAAAAAAAANHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA


Eles se aproximam mais e mais. Ana e Gabriel continuam desmaiados e desamparados


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Alma Penada - Capítulo 4


Os homens brutos se aproximam mais e mais do caminhão em chamas. Além de fogo, uma fumaça intensa toma conta do local, imparciabilizando a visão periférica dos indivíduos. 


SÉRGIO (BERRANDO): AO ARTAQUEEEEE!!!


OUTROS HOMENS (GRITANDO): BUUAAAARRRRRR!


Eles vão caminhando ferozmente e relutantemente próximo do veículo enquanto as labaredas e a nuvem escura dos gases ficam cada vez mais intensas. Logo todos trabalhadores começam a tossir desesperadamente como num coro ensaiado.


SÉRGIO (TOSSINDO): COF-COF-COF! MAS QUE DIACHO! COF-COF-COF!


Sérgio cobre seus olhos, nariz e boca que estão sendo muito irritados pelo calor do momento. Com muita dificuldade, abre a porta do caminhão em pedaços e procura pelos alvos dos capangas naquela missão. Outro homem abre tenta abrir a porta do lado esquerdo e queima sua mão ao tocar sem querer no fogo. Sérgio tenta porque quer encontrar Ana e Gabriel, mas sem sucesso. Não há mais ninguém naquele local e se houvesse não daria pra avistar pois tamanho incêndio já se propagava e quaisquer coisas que estivessem nos bancos da cabine teriam virado cinzas. Sérgio desse do carro.


SÉRGIO: Ô, DIACHO! PARECE QUE O TRABALHO ENTON JÁ FOI FEITO PESSOAR.


Os outros homens o olham intrigados.


SÉRGIO (GRITANDO): SEVAMO SIMBORA, GENTE! A TAREFA DO PATRÃO JÁ FOI CUMPRIDA. TÁ PAGO!


Os empregados de Lívio comemoram o feito. Eles jogam as longas lanças medievais e artefatos arcaicos encomendados para atacar os seus algozes contra o caminhão queimado. Automaticamente, o caminhão explode atrás deles, gerando uma sensação mortal a um raio de mais ou menos cinco quilômetros. Sérgio e os capangas ficam chocados com a situação. Ali próximo, no meio da mata, Ana e Gabriel estão sendo levados ainda desacordados por um grupo de indígenas locais. Eles carregam os recentes visitantes pelos braços. Cacife Anajé os vigia e se assegura que está tudo bem, logo atrás.

CACIFE ANAJÉ: Bem, vamos. Aqui tá bom. Aqui tá bom. Podem deixar eles aí, levando um pouco do sereno do Sol, este astro que tanto nos faz bem, espiritualmente e fisicamente. 


Os índigenas deitam Ana e Gabriel no chão. O Cacife vistoreia os corpos de Ana e Gabriel jogados na grama florestal, na clareira onde a aldeia indígena em que agora eles estão se situa.


CACIFE ANAJÉ: Óh, senhor Deus todo poderoso, nos ajuda e nos intercede. Protege esses visitantes que não sabem o que estão fazendo. Intercede por eles, óh Pai.


Anajé segura seu terço no seu pescoço e fecha os olhos. Ele vai girando enquanto reza ao redor do corpo dos jovens. De dentro de uma dos abrigos, uma mulher com traços característicos indígenas se aproxima do corpo de Gabriel segurando um recipente parecido com uma panela de barro. Ela o abre e retira de dentro uma espécie de terra preta, quase como café. Vai passando vagarosamente ao redor dos ferimentos do rapaz, que estão severamente inflamados. A câmera foca no rosto machucado de Ana e Gabriel sendo tratados. Sérgio e os capangas estão de volta ao galpão de Seu Lívio. Eles chegam com um ar de vitória.


SÉRGIO (GRITANDO): AAÔ! CADÊ TODO MUNDO?!


Os trabalhadores que estão próximos se assustam.


SÉRGIO (GRITANDO): NÓS VENCEMO!


TODOS (GRITANDO): AÊEEEEEE! IRRRUUUUUU!


Osvaldo ouve tudo e se aproxima. 


OSVALDO (FELIZ): É isso mesmo que eu ouvi, Serginho? Deu certo?


SÉRGIO (SORRINDO/ENVERGONHADO): Deu certo demais, sô… Quer dizer… É…


Osvaldo agarra Sérgio com força e lhe tasca um abraço. 


OSVALDO (GRITANDO): AI, EU SABIA! SABIA QUE VOCÊ NÃO IA DECEPCIONAR O FERRA GOELAA!


Sérgio rapidamente se retrai e se arranca do peito de Osvaldo, o fitando com olhos maçantes e furiosos.


SEU LÍVIO (EM VOZ ALTA): Eu ouvi alguém aí falar o meu nome?


Sérgio e Osvaldo ficam em choque com o que se sucede. Lívio os encara com frieza. Cacife Anajé finalmente termina sua reza e abre os seus olhos para observar bem Ana e Gabriel. Tudo o que estão vestindo e usando foi retirado pelos indígenas. Eles estão totalmente pelados, à luz do Sol, deitados sobre a relva. Cacife os observa agora com olhos arregalados, principalmente para Gabriel na parte capturada da cintura pra baixo. 


CACIFE ANAJÉ (ENVERGONHADO): ÓH, CÉUS! ÓH, CÉUS! FINJA QUE EU NÃO VI O QUE EU VI! É APENAS A NATUREZA DAS COISAS, APENAS A NATUREZA. 


Ele dá uma última olhada para as pernas do jovem rapaz e sai do local, indo em direção a uma das casas. Ele se move até os objetos e roupas dos turistas e encontra algo que lhe parece muito suspeito.


CACIFE (SÉRIO/NERVOSO): ÓH, CÉUS! Se isso daqui for de onde eu esteja pensando que seja, estamos próximos do apocalipse. 


Anajé engole seco. Seu Lívio continua a olhar para Sérgio e Osvaldo com repressão. 


SEU LÍVIO (SÉRIO): VAMOS LOGO! DIGAM! O QUE ESTAVAM FALANDO DE MIM!


SÉRGIO (NERVOSO): SABE O QUE QUE É, PATRÃO… EU PRECISO CUNVERSAR COM OCÊ AGORA E URGENTEMENTE POR DEMAIS.


SEU LÍVIO (FRIO): É ALGO DO MEU INTERESSE?


SÉRGIO (ENCABULADO): Ô, SE É! TENHO CERTEZA DE QUE O SINHÔ VAI GOSTAR MUITO DE SABER DISSO QUE VOU LHE CONTAR, PATRÓN!


Sérgio dá um sorriso amarelado.


SEU LÍVIO: Pois bem… Vamos ao meu gabinete.


Sérgio o segue. Osvaldo é deixado para trás sem palavras e com semblante de tristeza. Ele coloca as mãos no rosto enquanto começa a chorar vertiginosamente. Estancando as lágrimas, ele corre para longe dali para se isolar. Sérgio relata a Seu Lívio o sucessor na batalha contra os novos visitantes. 


SEU LÍVIO (GRITANDO): COMO ASSIM?!


SÉRGIO (NERVOSO/RINDO): PATRÓN! É QUE QUANDO NÓIS CHEGOU LÁ, JÁ TAVA TUDO FEITO JÁ. NUM PRECISOU NEM NÓIS TER DE FAZER DE NADA. OS NOSSO INIMIGO JÁ TINHA IDO PRAS CUCÚIA. HAHAHAHA.


Lívio enche a mão e dá um soco enorme no rosto de Sérgio, que dá uma cambalhota, caindo no chão embasbacado.


SÉRGIO (GRITANDO/FURIOSO): VOCÊ FICOU MALUCO OU O QUÊ, HEIN, SEU MISERÁVEL?! EM QUE MOMENTO EU DISSE QUE QUERIA QUE VOCÊ DESSE CABO NOS ATIVISTAS ENXIRIDOS, HEIN?! EU QUERIA QUE VOCÊ TROUXESSE ELES AQUI VIVOS, SEU ANIMAL! VIIVOSS! AÍ VEM VOCÊ E ME DIZ QUE MATOU OS DOIS TURISTAS?! O QUE VOCÊ TÁ PENSANDO QUE É, SEU QUADRÚPEDE?! AQUI NÃO É A CASA DA MÃE JOANA! JÁ, JÁ A POLÍCIA VAI ESTAR AÍ BATENDO NA PORTA.


Sérgio cambaleia e se levanta, juntando forças. 


SÉRGIO (NERVOSO/DOLORIDO): Mas patrón… Patrón… Não foi nós que matou não… E e os zomi num fez nem nada. Quando nós chegou lá o caminhão já tava até pegando fogo. Deve de ter sido um arcidente…


Lívio novamente golpeia Sérgio pela barriga violentamente.


SEU LÍVIO (SÉRIO/COM RAIVA): COMO OUSA ME CONTRARIAR, MENTECAPTO? NÃO SABE QUE SE EU DISSE ALGO VOCÊ SÓ DEVE BAIXAR A CABEÇA E CONCORDAR?! TÁ FICANDO LOUCO OU O QUÊ?!


Sérgio se revira no chão, morrendo de dor.


SEU LÍVIO (GRITANDO): EU CHEGUEI NO MEU LIMITE, SÉRGIO. ESSA FOI A GOTA D'ÁGUA. NÃO AGUENTO MAIS SUAS INCOMPETÊNCIAS! VOCÊ É UM PÉSSIMO EMPREGADO, NUNCA FAZ NADA CERTO!


Sérgio continua jogado no chão, sem reação. 


SEU LÍVIO (GRITANDO): DE HOJE O SEU CASTIGO NÃO PASSA, ENTENDEU BEM?! HOJE O QUE É SEU E TAVA GUARDADO ESSE TEMPO TODO VAI SURGIR OU EU NÃO ME CHAMO LÍVIO MALAQUIAS DE CONTAMINONDAS.


Lívio pega seu cajado de ouro e sai para fora da sala, deixando Sérgio ao relento.

Benício observa o lindo céu noturno da floresta deitado em cima do capô do avião. Ele conta as estrelas e reflete sobre sua vida. Venâncio surge no local.


VENÂNCIO: Benício… Que estás fazendo aí? Tá muito frio aqui no alto?


BENÍCIO (TRISTE): Vê se me esquece, Venâncio.


Venâncio se compadece. Ele se aproxima de ambo.


VENÂNCIO: Olhe, vem cá, queria te falar uma coisa…


Benício vira para o outro lado e nada responde. 


VENÂNCIO: Acho que cansei desse joguinho. Você está certo, eu fui um sem noção. 


Benício vira de volta e olha sem entender.


VENÁNCIO (INTRIGADO): Eu não disse nada sobre você, Benê. 


BENÍCIO: Não disse, mas insinuou… Venha, ande. Vamos entrar. Já está ficando tarde e pode até aparecer por aí uma…


VENÂNCIO: Uma o quê?


BENÍCIO: Você sabe…


VENÂNCIO: Ah, nem fala. Só de pensar já me dá arrepios…


BENÍCIO (SOLETRANDO): CO-B-R-A.


VENÂNCIO (GRITANDO): AAAAIIIIIIIII! PARRAAAA!


Venâncio enlouquece e fica inquieto. Benício goza da situação enquanto se distrai contemplando o lindo céu noturno, até observa algo estranho.


BENÍCIO (CHOCADO): MEU DEUS…


VENÂNCIO (GRITANDO): AAAAAIIII! QUE FOII?!


BENÍCIO: NÃO É ISSO. AQUILO!


Ele aponta para uma luz piscante e vibrante que se move em zig-zag. Ambos ficam em choque por diversos segundos. A câmera se move em direção ao ponto e de repente podemos ver uma cabine de uma nave espacial com seres horripilantes, os quais não é possível ver seus rostos comandando e apertando diversos botões aleatórios. Quem comanda no momento é uma criaturinha bem pequena. De repente, surgem alguns indivíduos maiores na sala repreendendo o comandante baixinho, que birra e faz som de cabra evocamente, fazendo com que a nave se descontrole e solte diversos lasers de diversas cores. O veículo espacial se balança desordenamente. Todos presentes ali chacoalham de um lado pro outro. A câmera foca no exterior do “disco voador” que num raio de luz parte para longe, sumindo na velocidade da luz. Venâncio e Benício ficam em choque ao acompanharem tudo.


VENÂNCIO: ME-MEUDEUS.


BENÍCIO: QUE DESGRUTA FOI ESSA?


VENÂNCIO: SÓ DIGO UMA COISA, AVIÃO NÃO FOI. 


BENÍCIO: NEM COBRA. 


Venâncio olha com cara de pastel. A câmera corta para Ana em um lindo mundo branco. Não há nada além dela ali. Ana veste roupas totalmente rosas.


ANA: OH, YEAH! VERY FUNNY! HAHAHA!


Ela vê um espelho parado bem em sua frente, resolve ir até lá para ver do que se trata. Quando se olha com o reflexo, se vê nua com as partes íntimas expostas. Ela procura algo para se cobrir e encontra apenas uma pena rosa caída no chão. Ela a pega e cobre sua genital. Ana fica rosada de vergonha, principalmente após escutar um assovio.


ANA (MORRENDO): Q-QUEM ESTÁ AÍ?


PÚRPURA (GRANEJANDO/VOZ): SOU EU, MEU AMORR! UARXA! UARCA! VENHA AQUI COME HERE. UARCA! UARCA!


ANA (GRITANDO/NERVOSA): PÚR! PÚR! ONDE VOCÊ TÁ? WHERE ARE? PLEASE!


PÚRPURA (GRANEJANDO/VOZ): ESTOU AQUI! UARCA! UAAARCA! ESTOU MAIS PRÓXIMA DO QUE VOCÊ IMAGINA! UARCA! UARCA!


ANA (GRITANDO/NERVOSA): ONDE MY MOTHER? ONDE VOCÊ TÁ? FALE ALGUMA COISA CLARA E NÃO DEIXE NAS ENTRELINHAS, PEFAVORE!


A voz do pássaro se cala. Ana se encontra sozinha. Mais uns passos a frente e Ana se depara com mais uma pilha de penas cor-de-rosa e muito, muito sangue acumulados. 


ANA (GRITANDO): AAAAHAAHHAAHAHAHAHHAHAHAHHAHAH!


Ana acorda do sonho.


ANA (GRITANDO): AAAAHAAHHAAHAHAHAHHAHAHAHHAHAH!


Ela grita tão alto que acorda todos da aldeia, exceto Gabriel que permanecera caído. Cacife Anajé sai rapidamente de dentro de um dos abrigos.


ANA (NERVOSA): Quem é você? O que quer de mim? Onde estou?


Ela toca em seu corpo.


ANA (GRITANDO): ONDE ESTÃO MINHAS ROUPAS?! E AS DO GABRIEL TAMBÉM?! POR QUE ELE ESTÁ DEITADO E PELADO TAMBÉM?! ISSO IS NOT IN FIRE!


O líder indígena nada fala. Ana o observa friamente e presta atenção ao seu cocar de penas de variadas cores, mas obstruídas pela escuridão. 


ANA (CHOCADA): FOI VOCÊ QUEM MATOU MINHA PÚRPURA?!


Anajé nada consegue dizer pelo calor das emoções. 


PAPO FURADO, ACRE, 2023.


Ben desce do avião monomotor carregando bagagens.


PILOTO: Se não é incômodo, poderia dizer o que vossa senhoria pretende fazer aqui?


BEN: São coisas muito urgentes, senhor capitan! Ben, obrigado pela viagem.


Ela cumprimenta o piloto e parte. Ele anda até um posto local.


BEN: Moça, sabe onde posso encontrar um hotel mais next?


Uma mulher de aparência robusta, corpo largo e bem vestida se vira e olha para Ben.


SÔNIA: Tenho cara de sua empregada?


BEN: Oh, nossa. Que mal humor! E ainda dizem que os brasileiros são receptivos, correct? No, no. Só pedi uma informacion.


SÔNIA: Ah, vai pra baixo da égua. 


Ben não entende a expressão e é deixado para trás, adepto.


BEN: Monbijur, que desleixo. Esses brasileiros não sabem como tratar um gringo, aham.


Ben desaprova. Em seguida pega seu celular e liga para Gabriel. Dessa vez, o celular chama. Ana continua fitando Cacife Anajé.

Eles de repente ouvem um estrondoso barulho que evoca na aldeia. Uma mulher sai de dentro de casa trazendo o celular de Gabriel que toca uma música esclarecedora. 


ANA: Keep Calm. É o celular do Gabi?


Anajé consente.

ANA (GRITANDO): ATÉ ISSO VOCÊ NOS ROUBOU!


De repente, uma outra mulher sai de lá dentro carregando mais um celular. Dessa vez é o de Ana, que também toca uma musiquinha irritante. 


ANA (GRITANDO): AGORA É O MEU?! ÓH CÉUS! QUEM SERÁ QUE TÁ LIGANDO ESSA HORA, HEIN?!


Ana segura os dois celulares tocando.


ANA: OS TWO EU NÃO CONSIGO OUVIR, MEXE COM ESSE AÍ!


Ana joga o celular de Gabriel para o Cacife atender a ligação. Ana atende seu celular. 


ANA (FALANDO COM O TELEFONE): Alô? De quem se trata? Bernardo? Cê tá me convidando pra passar a noite de Natal aí? 


Ana continua conversando sem entender. Cacife Anajé fala ao outro telefone. 


BEN (VOZ): Alô? Alô? Gabi? Cê tá aí, my friend?


Anajé nada responde. A câmera enfoca no rosto de Gabriel jogado no chão ainda dormindo. 


ANA (FALANDO COM O TELEFONE): HEIN?!


🩷 CONGELAMENTO EM FORMATO DE CORAÇÃO ROSA EM ANA 🩷