Alma Penada - capítulo 02 (19/12/2023)

 

Alma Penada - Capítulo 2


Ana se choca com o que vê.


ANA (CHOCADA): Não pode ser... Eu estou perplexa...


Disse ana, perplexa. Ela pega de dentro da caixa um envelope com o destinatário em seu nome. Ela o abre e começa a ler a carta em voz alta.


ANA (LENDO): Eu conheço você, sei de sua história. Tenho ciência muito bem de que você quando era criança adotou um pássaro cujo qual sua espécie é muito rara. Vocês se amavam muito...


Ana começa a lacrimejar.


ANA (LENDO): Vocês eram como uma unha e carne. Verdadeiras almas gêmeas, mas que agora talvez você pense ser apenas mais uma alma penada...


Nesse momento, Ana enxuga as lágrimas e reluta. Forçadamente, continua a ler.


ANA (LENDO): Gostaria de te informar que sua Púrpura ainda está viva e mora agora no Acre, no Brasil, na América do Sul, entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, no Planeta Terra...


ANA (INTRIGADA): O BRASIL FICA IN AMERICA?!


ANA (LENDO): Repetindo: isso não é um teste. Repito: isso não é um teste. Se quer reencontrar a ararinha da sua vida e dos seus sonhos, sua filha Púrpura, deverá atravessar o continente hoje mesmo. Pois quem a roubou tem planos cada vez mais catabalásticos para ela e sinto que seu fim está cada vez mais próximo. Ass: o olho que tudo vê.


ANA (GRITANDO/CHOCADA): ÓH, CÉUS!!!!!


Nesse momento, Ana grita tão alto que uma forte montanha de neve caí do telhado acima de sua cabeça cai bem em cima de si, a submergindo como numa avalanche. Gabriel escuta o acidente e sai para fora.


GABRIEL: O QUE FOI ISSO?! ANA?! ANA?!


Ana consegue escavacar a neve e põe para fora apenas sua mão segurando uma pena cor de rosa que encontrara no fundo do envelope que fora enviado.


GABRIEL: OMG! ISSO NÃO PODE SER ACONTECIDO! AH, VERY WELL! QUE COOL!


Ana continua perplexa. Gabriel vem trazendo agasalhos e um bolsão com água quente.


GABRIEL: VOCÊ É SIMPLESMENTE MALUCA, AMOR. PODERIA TER MORRIDO DE HIPOTERMIA!


Ele começa a cobri-la por todo o corpo com cobertores. Após algum tempo, Ana já está com tempertatura corporal mais amena. Gabriel pega uma cadeira e senta frente a frente com Ana. 


GABRIEL (RESPIRANDO): Tá, respira. 


ANA (RESPIRANDO):


GABRIEL: Agora me diz o que aconteceu. 


ANA: Gabi... Eu... Não consigo... Falar...


GABRIEL: Hm?


Ele pega o envelope deixado por ela sobre a mesa e rapidamente começa a ler a carta.


GABRIEL (CHOCADO) Meu Deus!


Ele olha fixamente para Ana, que está branca.


GABRIEL: Nós precisamos pegar o primeiro vôo para o Acre, agora mesmo! Very weel! Oh, cool!


Era como se ele tivesse articulado o que Ana não conseguiu dizer. Ana recupera suas forças e se levanta.


ANA (GRITANDO): GABI... ARRUME AS MALAS! NÓS VAMOS AO BRAZIL!


GABRIEL: OMG! AAHAHAHAHAHAHA!


Ana pega novamente a pena rosa enviada para ela junto com a carta e a cheira. 


ANA: Estou indo te ver, Púrpura. Aguenta só mais um pouquinho, my mother.


Gabriel pega o telefone e liga para seu amigo, Ben.


GABRIEL (FALANDO COM O TELEFONE): Alô... Sim, cara... Cancela, cancela... Já que essa tempestade não dá trégua, a gente também não vai dar... Que cool! Havia esquecido desse detalhe... Ok! Very well! Salamaleicon!


Ele desliga o telefone.


ANA (CURIOSA): E então?


GABRIEL: Babou! A neve tá bruta demais. Provavelmente todos os vôos devem estar temporariamente cancelados.


ANA (INCRÉDULA): NÃO... NÃO PODE SER... NÃO PODE SER, GABRIEL! NÓS PRECISAMOS IR PARA O BRAZIL AINDA HOJE! A PÚRPURA DEPENDE DE NÓS!


GABRIEL (GRITANDO): EU SAY, MY MOTHER! MAS INFELIZMENTE NÃO HÁ O QUE FAZER! TÁ CAINDO O MUNDO LÁ FORA! SÓ APENAS POR UM MILAGRE QUE UM AVIÃO VAI DECOLAR HOJE...


Ana não acredita e continua perplexa. Neste momento, a câmera sai da casa de Ana e Gabriel e vai subindo em direção ao céu de forma quase infinita e para bem de frente para o globo terrestre, até que podemos ver uma cabine de uma nave especial, comandada por quatro indivíduos. Não é possível entender o que estão falando nem observar seus rostos. 


INDIVÍDUO 1: ABABÁ!


INDIVÍDUO 2: CONITCHUÁ!


INDIVÍDUO 3: ASTALAVISTA!


INDIVÍDUO 4: NO, NO. ARARIBÁ!


Após isso, este último aperta um longínquo botão vermelho que dispara um temível raio laser em direção à Terra. Mas antes que alguma coisa pudesse acontecer, uma temerosa nuvem de raios solares trazidos por uma ejeção de massa coronal atinge a atmosfera terrestre, desequilibrando o clima em todo o planeta. Automaticamente, uma intensa onda de calor se coloca acima da região de Minessota, nos Estados Unidos, fazendo assim a nevasca intensa que havia ali ser jogada para longe, indo parar no Rio de Janeiro. 


RIO DE JANEIRO, 2023.


A câmera flagra um estádio de futebol, muitas pessoas pulando ao som de uma cantora de música inglesa. Entretanto, milhares de pessoas derretem de calor ao ponto de que se encostarem na cadeira para se sentarem, seus corpos fritam instantaneamente. Todos estão severamente machucados pelo Sol, com queimaduras no corpo inteiro. A sensação térmica se encontra em torno de 77°C.


CANTORA INGLESA (CANTANDO): BABY, BABY, BABY, BABY, BABY, OH É, BABY, BABY, BABY, OH É...


Num instante, o tempo muda. Começa a ficar nublado, os pingos de suor vão sumindo e dando lugar a gotículas de umidade vindas do céu. A cantora inglesa para do nada e olha para o céu e vê caindo um pequenino floco de neve sobre seu nariz. Quando isso, acontece, uma tonelada a mais de neve, gelo, água cai sobre todos ali, os matando de vida na mesma hora. Está fazendo em torno de -32°C. A cantora inglesa não acredita no que vê e se retira, mas antes que saia do palco, um balde de água congelante cai sobre si, a transformando em pedra de gelo agora. 


TÉCNICO DO SHOW: Ah, sorry. Só queria refrescá-la um pouco. 


A câmera corta para Ana, debruçada no colo de Gabriel, sem esperança. Gabriel observa atentamente pela janela.


GABRIEL: Ana, speak só isso.


Ana nada fala e se move em direção à vidraça. Ela não acredita no que vê. 


ANA (GRITANDO): GABII! SÓ PODE SER UM MILAGRE!


GABRIEL: EU TE FALEI!


Ana parte em disparada para a frente de casa e se depara com a rua alagada, a grama encharcada e carros flutuando como se fossem barcos.


ANA (GRITANDO/SORRINDO): TÁ CAINDO RAIOS DE SOL!


Neste exato momento o tempo muda e se torna um intenso temporal de chuva, fazendo cair um raio na cabeça de Gabriel que tinha acabado de sair para ver o que tinha acontecido. Ana nada percebe e só sorri.


ANA (GRITANDO): TÁ CAINDO CHUVAS DE MILAGRE!


Ana e Gabriel estão no aeroporto segurando suas respectivas passagens na mão.  Gabriel está com um faixa na sua cabeça. 


GABRIEL (DOLORIDO): Ai...


ANA: Calma, amor. Já, já passa. Afinal,  quem nunca levou um raio na cabeça? Acontece com qualquer ganhador de loteria.


Gabriel olha para Ana embasbacado. Ambos embarcam e o avião decola debaixo de chuva ao som de _Daqui pra Sempre - Manu Bahtidão_. São mostrados vários takes no avião no ar. Um raio cai sobre o avião fazendo o chacoalhar. Ana se assusta e apoia-se na cabeça de Gabriel. Gabriel não suporta e joga Ana para longe e ela vai parar no "para-brisa" do avião. O avião atinge o Hemisfério Sul agora ao som de _Cupid - Twin Vers. FIFTY FIFTY (Speed Up)_. Ana observa às paisagens abaixo do avião e se depara com a floresta amazônica. Ela sente e começa a tocar na pena rosa enviada para ela junto com a carta.


ANA (PENSAMENTO): Estou chegando, Purpinha. Te amo, my love.


Ana adormece, mas antes que ela durma, o avião acende uma luz de emergência na cabine. Todos ouvem aquele ruído estridente e se desesperam. Gabriel tenta agarrar a mão de Ana, mas ela está com as duas mãos ocupadas segurando a pena rosa de Púrpura. O avião começa a inclinar pra baixo. 


PILOTO 2: Capitão, parada de emergência. 


PILOTO 1: É pra já, capitã!


De repente, um paraquedas enorme se desprende do bagageiro do avião e se abre no céu, segurando firme a aeronave no céu, fazendo-a planar. Ela vai caindo lentamente até encostar como se tivesse beijando o topo das árvores. O pouso foi concluído com sucesso. 


PILOTO 2: Conseguimos pousar, capitão!


PILOTO 1: Eu sei, capitã! Mas isso não foi pousar, mas sim cair com estilo! 


Os dois se agarram e se beijam ali mesmo. O piloto 2 fica com uma intensa marca de batom no rosto. 


PILOTO 2: Nossa, capitã... Não sabia que você curtia esse tipo de coisa!


PILOTO 1 (SORRINDO): Estou aprendendo com você, meu capitão! Lute como uma garota! 


Ana, Gabriel e todos os outros passageiros desaguam nas terras amazônicas do Acre, à devira de tudo e qualquer tipo de coisa que haja ali.


ANA: Bom... Ao menos no Acre nós estamos. 


GABRIEL: Mas não em Papo Furado...


Gabriel pega seu celular e verifica que o mesmo está sem sinal.


GABRIEL: MERDA! Quer dizer... QUE COOL! Assim não posso usar o GPS.


ANA: Eu resolvo isso.


Ana retira de dentro da sua mala uma papelada.


ANA: Aqui está o mapa!


GABRIEL: OMG! Como você consegui...


ANA: Eu imprimi o mapa para chegar até Papo Furado... Sabe, por precaução. 


Gabriel observa a mesma, perplexo.


ANA: VAMOS, É POR ALI!


Ela aponta em uma direção e sai correndo. Gabriel corre atrás. O mesmo fazem todos os outros passageiros e os pilotos. Naquela mesma região, não muito próximo, um imenso desmatamento rola solto. Motosserras, tratores, machados, facões, tudo o que há de direito. É possível também identificar áreas de garimpo próximas de um lago. Diversos trabalhadores estão dispostos ali, suando pelas suas vidas com o Sol batendo em suas cabeças. Um desses homens se dirige para fora dali e vai até um gigantesco caminhão carregado de toras de madeira. Ele começa a dirigir invadindo os terrenos das matas. É possível ver o rosto do tal motorista. Ele está coberto de fuligem, poeira, gracha e etc. Ele continua dirigindo tranquilo, ouvindo _Sintomas de Prazer - Ludimilla_ no fone de ouvido. Ele bate no ritmo da música no volante enquanto segura ele. Ele acelera a velocidade do veículo. Ana e Gabriel continuam nas trilhas no meio do mato. 


GABRIEL: ANA, MY MOTHER! KEEP CALM!


Ana encontra uma saída numa estrada de barro.


ANA (GRITANDO): É POR AQUI, ESTAMOS PERTO!


Gabriel a olha, intrigado. Ana vê um veículo de grande porte se aproximando dela. A mesma corre em alta velocidade em direção a ele. 


GABRIEL (GRITANDO): ANNA, O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?! ENLOUQUECEU?!


Ana continua correndo em frente ao caminhão. O motorista não percebe o que está acontecendo, pois está distraído nos fones de ouvido. Ana parte para cima do caminhão em alta velocidade.  O motorista não percebe o que está acontecendo. Ana parte. O motorista não percebe. Ana. O motorista não. A. O moto. Acontece uma catástrofe e só é possível ver depois Ana caída em frente ao caminhão nos braços de Gabriel. O motorista desce do caminhão, estupefato. 


SÉRGIO (NERVOSO) O QUE-QUE FOI ISSO?!


Gabriel olha espantado para ele. Ana está desmaiada. De repente, uma multidão de gente se desvai do matagal e surge na pista. São os passageiros do avião. 


PILOTO 2: XIIIIII!


PILOTO 1: VOCÊ ESTÁ DISPENSADO  DA ACADEMIA DE PILOTOS, CARA CAPITÃ.


Sérgio nada entende e continua abstraído. Ana e Gabriel jogados.


🩷 CONGELAMENTO EM FORMATO DE CORAÇÃO ROSA EM ANA E GABRIEL 🩷