De Janeiro a Janeiro - capítulo 12
CENA 01 | IGREJA | INT. | TARDE
[A cerimônia continua. Samara permanece calada.]
Padre (estranhando): Bom, vou repetir a pergunta. Samara, você aceita Oliver como seu legítimo esposo, para amar e respeitar, na saúde e na doença, até que a morte os separe?
[Samara hesita por um momento. Com uma expressão de medo, ela olha para Oliver, que exala uma aura de dominação.]
Samara (engolindo em seco): Padre, eu...
[Nesse momento, Oliver a segura pelo braço, apertando com força, uma ameaça perceptível. Os convidados começam a murmurar, inquietos.]
Oliver (sussurrando): Você sabe o que tem que fazer.
[Samara, com os olhos marejados, é tomada por uma grande determinação. Ela olha para a plateia, com expressão dura.]
Samara (direta): Eu NÃO vou me casar com este homem. |Se dirige a Oliver.| A única coisa que quero de você é distância.
[A igreja entra em choque. Oliver a encara com fúria contida. Sr. Camargo e Natália ficam atônitos.]
Sr. Camargo (sussurrando para Natália): O que está acontecendo?
[Natália balança a cabeça, sem respostas.]
Samara (encarando Oliver): Oliver, você é um monstro! Esse casamento é uma fachada, tramada pelos nossos pais. Eu nunca sequer pensei na hipótese de estar ao lado de um canalha como você.
[Os convidados murmuram e alguns cochicham preocupados. Sr. Camargo fica pálido, enquanto o padre não entende a situação.]
Oliver (em tom ameaçador): É melhor você ir parando...
Samara (se dirigindo à todos presentes): Oliver é um abusador!
[O rosto de Oliver é tomado por uma expressão de espanto. Natália quase desmaia, mas é amparada pelo marido.]
Oliver (furioso): Do que você está falando, sua maluca? ENLOUQUECEU DE VEZ!?
Samara (com a voz embargada): Você me atacou quando eu era criança... Abusou de mim! Eu nunca consegui esquecer!
[As pessoas na igreja se chocam com as palavras de Samara. Oliver olha em volta, tentando manter a compostura.]
Oliver (escondendo um sorriso sádico): Ela não está bem. Samara, você está delirando.
[Samara começa a gritar, seu estado mental precário a leva a um surto. Ela corre pelo corredor central da igreja, tropeçando no vestido de noiva.]
Samara (gritando): ELE É UM MONSTRO! UM ABUSADOR! EU SÓ CHEGUEI ATÉ AQUI PARA EXPOR ESSE MALDITO NA FRENTE DE TODOS!
Oliver: CHEGA! VOCÊ É LOUCA E EU NÃO VOU PERMITIR QUE INVENTE TAMANHAS CALÚNIAS SOBRE MIM!
[Samara se dirige lentamente até Oliver. Antes de qualquer reação, ela desfere um tapa em seu rosto.]
Samara: ISSO FOI SÓ O COMEÇO, SEU DESGRAÇADO! EU AINDA VOU ACABAR COM A SUA VIDA, NEM QUE EU VIVA PARA ISSO.
[Oliver tenta segurá-la, mas ela escapa e foge da igreja. O padre está perplexo, e os convidados chocados. Natália e Sr. Camargo olham para Oliver com olhares acusadores e desacreditados.]
Natália (com raiva/chorando): O que é isso, Oliver? O QUE FOI ISSO?
Sr. Camargo (furioso): Você tem algo a nos contar?
[Oliver tenta se vitimizar, com um semblante triste.]
Oliver (com falsa tristeza): Eu não sei do que ela está falando. A Samara tem problemas mentais, vocês sabem disso.
Corta para:
[Do lado externo, Samara corre desesperadamente, aos prantos. A câmera se afasta lentamente.]
CENA 02 | MANSÃO DE OLIVER | INT. | TARDE
[A atmosfera é tensa. Sr. Camargo e Natália estão furiosos e perplexos com o que aconteceu na igreja. Eles confrontam Oliver, que tenta manter sua fachada de inocência.]
Sr. Camargo (com voz trêmula de raiva): O que você fez, Oliver? Samara acusou você de coisas terríveis! EU EXIJO EXPLICAÇÕES.
Natália (chorando): Nós confiamos em você para cuidar dela...
Oliver (Mantendo a calma): Pai, mãe, vocês sabem que Samara é louca. Ela está delirando.
[Sr. Camargo vai até Oliver, irado.]
Sr. Camargo: Não ouse mentir para nós, seu moleque! O que realmente aconteceu?
[Natália olha para o marido com os olhos cheios de lágrimas.]
Natália (com voz trêmula): Você não pode esconder a verdade, Oliver.
Oliver (suspirando): Eu não tenho nada a dizer. Ela está perturbada, vocês sabem disso.
[A tensão aumenta, e Sr. Camargo perde a paciência. Ele pega Oliver pelo colarinho.]
Sr. Camargo (enfurecido): Você está nos envergonhando, Oliver! Você a fez fugir no dia do seu casamento!
[Natália chora silenciosamente, incapaz de acreditar no que está acontecendo. Sr. Camargo solta Oliver e recua, perplexo.]
Sr. Camargo (com a voz trêmula): Nós não podemos ficar aqui. A situação está fora de controle.
Natália: Precisamos partir para Paris, mesmo com o casamento tendo se desfeito. É necessário esperamos que as coisas se acalmem.
Oliver (cínico): Talvez seja o melhor a fazer.
[Sr. Camargo e Natália olham para seu filho com reprovação e preocupação. Eles começam a fazer as malas.]
CENA 03 | FAZENDA COSTA (QUARTO DE ITALYCE | NOITE
[O quarto de Italyce está escuro, iluminado apenas pela fraca luz de um abajur. Ela está deitada na cama, chorando silenciosamente. Lágrimas escorrem pelo seu rosto enquanto ela segura seu ventre vazio, relembrando o que aconteceu.]
Italyce (sussurrando para si mesma): Por que isso teve que acontecer? Por que?
[De repente, a a porta se abre e Lourenço entra furtivamente. Ele fecha a porta atrás de si e caminha até o lado da cama, onde Italyce está deitada.]
Lourenço (sussurrando/emocionado): Italyce, meu amor... Eu sei de tudo.
[Italyce se vira assustada, olhando para Lourenço com os olhos marejados.]
Italyce (soluçando): Lourenço, como você...?
Lourenço (triste): Eu descobri a verdade, Italyce. Seu pai, aquele maldito, fez você perder o bebê. Não foi?
[Italyce assente com a cabeça, incapaz de falar.]
Italyce (solçando): Ele não quis que tivéssemos um futuro juntos. Ele me forçou a fazer isso.
Lourenço (furioso): Ele vai pagar por isso, meu amor. E nós vamos sair daqui, vamos recomeçar a nossa vida bem longe.
Italyce: Mas... E se meu pai nos encontrar?
Lourenço: Italyce, eu vim te buscar. Confie em mim.
[Lourenço estende a mão para ajudar Italyce a se levantar da cama. Ela aceita e, juntos, eles começam a planejar sua fuga.]
Italyce (decidida): Eu não posso ficar mais um minuto nessa casa, Lourenço. Eu quero um recomeço, um lugar onde possamos ser felizes.
Lourenço (apaixonado): Nós vamos encontrar esse lugar, Italyce. Vamos enfrentar tudo o que for preciso, juntos.
[Eles se abraçam com força e, após alguns minutos, saem dali, levando apenas algumas roupas de Italyce, sem que ninguém os veja.]
CENA 04 | CASA DE JULINHA | INT. | NOITE
[A câmera foca na fachada da casa de Julinha. Adentrando, é mostrado o interior do escritório de seu falecido pai. A sala está cheia de estantes repletas de documentos antigos. Julinha folheia os papéis.]
Julinha: Ah, papai... Que falta o senhor faz.
[Entre os documentos antigos, Julinha encontra uma pasta empoeirada e amarelada. Intrigada, ela a abre e encontra um conjunto de papéis enigmáticos e uma fotografia desgastada. Os papéis contêm anotações à mão que a deixam perplexa.]
Julinha (murmurando): O que são esses papéis? O que meu pai escondeu aqui?
[Ela começa a ler as anotações, seus olhos se arregalam à medida que a leitura avança.]
Julinha (desesperada): Não pode ser...
[A fotografia que ela encontra é a imagem de uma criança, com uma dedicatória manuscrita de seu pai nas costas. A dedicatória diz: "Minha querida filha, Janet." As mãos de Julinha tremem ao reconhecer a rival.]
Julinha (horrorizada): Essa maldita... É minha irmã?
[O choque toma conta por inteiro. A câmera se afasta.]
CENA 05 | FAZENDA COSTA (QUARTO DE ITALYCE | NOITE
[A câmera foca no quarto de Italyce, revelando um espaço vazio e desarrumado. O rosto de Jove se contorce em preocupação enquanto ele entra no quarto da filha e encontra a cama desfeita e vazia.]
Jove (nervoso): Italyce!? ITALYCE!?
[Ele se vira para Janet, que o acompanha, com os olhos arregalados.]
Jove: Janet, ela não está aqui! Italyce sumiu!
Janet (preocupada): Meu Deus... Não é possível!
[Os dois saem do quarto apressadamente, vasculhando a fazenda em busca de pistas.]
Corta para:
[À frente da fazenda, Jove e Janet encontram uma senhora idosa, aparentemente desorientada, sentada em um banco.]
Jove (ansioso): Por favor, você viu Italyce, minha filha? Onde ela está?
Senhora (confusa): Uma mocinha que passou por aqui há pouco? Eu a vi. Estava saindo com um moço bonito. Eles pareciam muito apaixonados.
[Jove enrubesce de raiva e surpresa ao ouvir isso.]
Jove (furioso): Um moço? Quem era esse maldito?
Senhora: Eu não sei quem ele era, senhor. Mas eles partiram na direção da floresta.
[Jove se vira para Janet, com os olhos injetados de raiva.]
Jove: Eu aposto que aquele maldito é o Lourenço! Eu sabia que ele ia fazer alguma coisa.
Janet: Meu Deus, e agora, Jove?
Jove (decidido): Eu vou atrás deles. Trago minha filha de volta e mato aquele desgraçado.
[Janet, apreensiva, observa enquanto Jove parte em direção à floresta, armado, montado em seu cavalo.]
CENA 06 | FLORESTA | NOITE
[Italyce e Lourenço correm desesperadamente pela escuridão da floresta. A primeira entra em estado de choque ao ver que Jove se aproxima.]
Italyce (desesperada): É o meu pai!
[Jove se aproxima cada vez mais.]
Jove: PAREM, SEUS DESGRAÇADOS!
[Ele logo os acompanha. O casal para. Jove segura uma arma e aponta para os dois. Italyce tenta resistir, segurando o braço de Lourenço.]
Italyce (chorando): Pai, não faça isso!
Jove (explosivo): Suba nesse cavalo agora, Italyce, OU EU MATO ESSE INFELIZ!
Italyce: NÃO!
Lourenço (temendo): Italyce, vá com seu pai. Eu vou ficar bem.
[Jove mantém a arma firme, seu rosto está contorcido pela raiva. Ele a aponta diretamente para Lourenço.]
Jove (ameaçador): Eu ainda te mato, seu maldito!
Lourenço: E eu ainda vou tirar a Italyce das suas garras, miserável!
[Italyce, em lágrimas, solta o braço de Lourenço e se afasta, indo em direção a Jove. Ela olha para trás, com os olhos cheios de tristeza.]
Italyce (sufocada): Eu te amo, Lourenço.
[Lourenço acena com a cabeça e desaba aos prantos enquanto Italyce parte com seu pai de volta à fazenda.]
CENA 07 | FAZENDA COSTA (SALA DE ESTAR) | INT. | NOITE
[Jove e Italyce retornam à fazenda. Italyce está visivelmente abatida, e Jove anuncia sua decisão de maneira firme.]
Jove (sério): Escutem, nós partiremos para Paris amanhã. Ficaremos em uma estalagem até conseguirmos uma casa. Italyce, você nunca mais verá Lourenço. Esta é a única maneira de restaurar a honra de nossa família.
[Italyce fica arrasada com a notícia e sobe as escadas correndo, aos prantos.]
Italyce (soluçando): ISSO NÃO É JUSTO! EU ODEIO VOCÊ!
[Janet olha para Jove, com lágrimas nos olhos, antes de seguir a filha.]
[No quarto de Italyce, ela desaba em lágrimas, enquanto Janet tenta consolá-la.]
Janet (com carinho): Minha querida, entenda que seu pai só quer o melhor para você.
Italyce (chorando): COMO VOCÊ PODE DEFENDER ESSE CANALHA? ELE FEZ EU PERDER O MEU FILHO. ELE QUER ME SEPARAR DO HOMEM QUE EU AMO.
[Janet tenta confortar a filha, enquanto lágrimas escorrem pelo seu rosto também.]
Corta para:
[Jove, sozinho na sala de estar, olha pela janela em direção à escuridão da noite. Sua expressão é sombria, e ele sussurra para si mesmo.]
Jove: Lourenço... Você irá pagar por manchar a honra da minha família. E vai ser com sua própria vida..
[Ele se levanta, decidido, pega sua arma e sai da sala. A câmera se afasta.]
CENA 08 | MANSÃO DE OLIVER | INT. | NOITE
[Oliver está sentado em uma poltrona, com uma foto desbotada de Samara em suas mãos.]
Oliver (sussurrando, com ódio): Ah, Samara... Você acha que pode escapar de mim?
[Oliver olha fixamente para a foto e, com um sorriso perverso, começa a cortá-la com uma lâmina afiada.]
Oliver (com um toque sinistro): Agora, minha querida, você sentirá dor... Muita dor... Você não pode me abandonar e sair impune.
[Enquanto a foto de Samara se multiplica em pedaços no chão, Oliver encara o resultado de sua fúria. Seus olhos brilham de raiva.]
Oliver: Você não vai escapar, Samara. A vingança será doce.
[A sala escura é preenchida pelo eco das palavras de Oliver.]
CENA 09 | PRAÇA | MANHÃ
[A câmera foca em uma praça quase deserta e sem movimentação. Lourenço está deitado em um banco, dormindo profundamente. Jove, com passos silenciosos, se aproxima sorrateiramente, segurando uma arma em suas mãos trêmulas.]
Jove (sussurrando): Chegou a hora de pagar pelo seu maior erro, Lourenço.
[De repente, Marcela, surge na praça com uma sacola de compras. Seu coração se parte ao ver o estado lamentável em que seu filho se encontra. Lágrimas escorrem por seu rosto.]
Marcela (com voz trêmula): Meu Deus... Lourenço...
[No momento em que Marcela percebe a presença de alguém apontando uma arma para Lourenço, seu instinto materno fala mais alto. Ela deixa a sacola de compras cair no chão e corre desesperadamente para salvar seu filho.]
Marcela (gritando): NÃÃÃÃOO! LOURENÇO!
[Jove hesita por um momento, surpreso com a presença de Marcela. Mas logo recupera sua determinação e aponta a arma na direção dela.]
Jove: Você não devia ter se metido, mulher!
[O tempo parece se arrastar enquanto Marcela se coloca entre Jove e Lourenço, enfrentando o risco iminente. O som do disparo ecoa pela praça vazia.]
[Um tiro é ouvido. Jove foge. Marcela é atingida e cai no chão, lutando para respirar. Sangue mancha sua roupa enquanto ela olha para Lourenço com olhos cheios de amor e dor.]
Marcela (ofegante): Me perdoe... Lourenço... Eu te amo...
[Suas lágrimas se misturam ao sangue enquanto ela solta seu último suspiro, falecendo nos braços de Lourenço.]
Lourenço (aos prantos): NÃÃÃÃÃOOOO! MÃE, FALA COMIGO! MÃÃÃEEEEEEEE!