Alazão de Ferro - capítulo 12

 

Alazão de Ferro | 12/20

Uma novela de Pedro Valente

Livremente baseada em Cavalo de Aço de Walter Negrão 



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Cena 1 - Jornal das Gêmeas


Samulena - um dia vocês verão que um homem sem Deus não é nada.


Jeandira - Se eu for eleita, o novo hino de E-N será Sete Trombetas da Lauriete.


Todos vaiam.


Jeandira - Um dia vocês irão me agradecer. 


Rodrigo e Patrícia se mostram eufóricos.


Julisângela - O que aconteceu? 


Rodrigo - Acabei de receber uma ligação.


Julislanny - Ligação do quê?


Rodrigo - A polícia…


Julislanny - Que polícia? Do que você está falando?


Rodrigo - A polícia que está investigando o corpo de Patrocínio fizeram estudos de onde supostamente ele teria caído. 


Julislanny - E aí?


Rodrigo - Não acharam nada além de um tecido que provavelmente ele estaria usando e se rasgou.


Walter chega.


Walter - Perdão ouvir a conversa de vocês. Eu sou perito nessa área também. Talvez tenham feito os estudos de forma errada ou erraram algum cálculo.


Rodrigo - Perdão, qual seu nome?


Walter - Walter.


Rodrigo - Novo aqui?


Walter - Sou sim.


Rodrigo - E o que lhe trouxe aqui?


Walter - Meus filhos morreram num acidente, fiquei sem absolutamente nada, não aguentava mais viver, portanto, decidi vir pra uma cidade pequena tentar uma nova vida que não me faça lembrar do passado.


Julislanny - Chegou no momento certo! Havia um ditador no poder antes de você chegar.


Julisângela - Além do surto de mortes por conta do césio, agora tudo está bem mais calmo.


Walter - Enfim, quando será as eleições?


Julisângela - Será sábado e domingo! Estamos na quinta. É a chance que vocês tem de mostrar o que querem fazer.


Walter simplesmente sai.


Rodrigo - Não sei, mas não fui com a cara dele.


Patrícia chega.


Patrícia - Pessoal, vocês não sabem o que as beatas estão fazendo.


Todos saem do jornal e vão para a praça.


Jeandira - Fechado! 


Samulena - Próximo!!!


Jeandira - Onde que é?


Samulena - Há duas ruas daqui!


Rodrigo as interroga.


Rodrigo - Vocês estão interditando todos os terreiros?


Jeandira - Estamos! Comigo no poder não haverá macumba ou candomblé ou umbanda ou qualquer outra coisa que saia da linha cristã.


Patrícia - Isso é louco. O estado deve ser laico.


Samulena - E será! Laicamente cristão.


Julisângela - E com que direito você está interditando os centros de umbanda e candomblé?


Jeandira - Com o direito que todos nós sabemos que eu vou ganhar.


Julisângela - Você não pode fazer nada até que você provavelmente ganhe, algo que nem certeza é.


Samulena - Com a campanha virtual que nós estamos fazendo, aliados ao ex-presidente Bolsonaro e todos os seus aliados, iremos ganhar. 


Julislanny - Você pode ser alinhada com Elon Musk que seja, mas só entrará no poder SE ganhar, até lá você está proibida de interditar o que quer que seja.


Julisângela - No mais, eu peço pra que você retire todos os cartazes escritos interditado dos centros, ou você será penalizada na sua candidatura. 


Samulena - Vocês estão do lado da corja, do lado do demônio, mas não serão ameaças como essas que irão me parar, Deus está do nosso lado.


Jeandira - Vamos tirar as faixas, não vamos nos misturar com o JOIO dessa cidade. 


Cena 2 - Mamma Mia 


Itálex está aflito.


Itálex - MALDITA FILHA!! EU ODEIO MINHA VIDA.


Liliana decide reencontrá-lo.


Itálex - Veio fazer o que aqui? 


Liliana - Eu vim falar pro senhor que o que você está fazendo é pura infantilidade.


Itálex - Olha pela janela, olhe a sua volta, todos estão fazendo campanhas e estão aliados à pessoas importantes. Somente eu estou sem fazer nada.


Liliana - Mas você já tem um restaurante, pra quê você deseja concorrer?


Itálex - Quantas pessoas você vê aqui, filha? 


Liliana - Nenhuma.


Itálex - O Marcélio, aquele desgraçado, ele acabou com a imagem do meu restaurante. A única opção que eu tenho é ganhar essas eleições para reativar meu restaurante e ter poder suficiente pra barrar qualquer tentativa dele de me quebrar de novo.


Liliana - O que ele fez?


Itálex - Liliana, ele se aproveitou que eu precisava de um jovem aprendiz e contratou um cara pra se passar por um. Eu o contratei, ele parecia ser experiente, no entanto, ele colocou laxante caseiro que o Marcel o deu. Todos os clientes fizeram cocô nas mesas, nos bancos, no chão. Ele, após isso, chamou a vigilância sanitária que interditou meu estabelecimento. 


Liliana - Ele fez isso?


Itálex - Não vai me dizer que não sente um cheirinho estranho quando vem aqui.


Liliana - Fraco, mas sinto, mas nunca me importei.


Itálex - Pois então. 


Liliana - Tá bom, pai. Você venceu!! 


Itálex - VOCÊ VAI DIVULGAR A CAMPANHA DO SEU PAI?


Liliana - Irei! Mas não é certeza que você irá ganhar, tudo bem? 


Itálex abraça Liliana.


Itálex - Te amo filha!!!


Liliana - Gozado, há 1 dia você me odiava.


Itálex - Mas isso era antes de saber que havia senso de justiça em você.


Cena 3 - Praça 


Walter montou seu palanque na praça para divulgar sua campanha. Ele teve a ideia de fazer algo na vive “perguntas e respostas”.


Walter (Ao microfone) - Encerra-Ninguém é muito precária tecnologicamente, não há sistemas metroviários e nem ferroviários. 


Cidadão - E sobre a saúde e a educação?


Walter - Irei construir mais escolas, mais hospitais para gerar mais empregos. O sistema será outro, não será baseado no novo ensino médio do Brasil. 


As pessoas vibram e vão à loucura. Todos começam a gritar o nome de Walter.


Walter - Eu sou o melhor candidato para vocês. Sou formado em políticas públicas e sociais, eu entendo tudo o que vocês passam e estou aqui pra mudar a realidade.


Patrícia chega com Rodrigo para ouvi-lo. 


Rodrigo - Gostei! Lhe desejo boa sorte.


Walter - Obrigado, eu também.


Walter desmonta o palanque. Vê-se ele subindo numa escada para desmontar a parte de cima, mas ele se desequilibra.


Walter - CUIDADOOOO!!!!!


Walter cai em cima de Patrícia que, grávida, se contorce de dor no chão.


Rodrigo - PATRÍCIA???


Walter - Me desculpa, não foi minha intenção. Vamos pro hospital, meu carro está ao lado.


Eles vão ao hospital e Patrícia é sujeita a novos exames.


Rodrigo - Doutor, e o nosso bebê? 


A cara de Rodrigo e de Walter se mostra preocupada. Walter decide sair da sala para não ouvir a resposta e ao sair encontra as beatas. 


Jeandira - Eu espero que você, hebreu, entenda que não irá ganhar.


Samulena - Já arrecadamos muitos votos, aquele seu show foi de gentalha de tão mequetrefe.


Walter - Você acha, é? Você não me conhece, eu sou muito mais influenciável do que você pode imaginar.


Samulena - Eu acredito que esse calor está queimando seus neurônios, você é um zé ninguém que acaba de chegar à cidade e quer sentar na janela.


Jeandira - Sua casa deve estar fervendo pra cozinhar seu cérebro assim. Hahaha


Walter - Toma cuidado! Tudo o que a gente fala, a gente atrai.


Walter sai.


Jeandira - Ele é louco! Irmã, imagina se ele ganha?!


Samulena - Não vai! É impossível! Todos nós sabemos o nome da verdadeira ganhadora. Jeandira Nascimento Pereira Aquino Wagner Alan de Jesus.


Jeandira - Amém irmã! Deus está do nosso lado.


Ouve-se pessoas gritando.


Jeandira - O que é isso?


Marcélio - Jeandira, rápido!!! Sua casa está pegando fogo.


Samulena - PEGANDO FOGO?


Marcélio - Sim? Eu estava fazendo a campanha quando ouvi gritos e fui ver do que se tratava. Sua casa, ela está pegando fogo.


Jeandira corre e vê sua casa sendo consumida pelas chamas.


Jeandira - DEUS MEU? E AGORA?


A câmera foca na cara de Jeandira.


3 dias se passam.


Jeandira - Samulena, foi tão difícil, eu perdi tudo e estou vivendo de doações. O pior é que viver disso e me empenhar pra campanha é quase impossível.


Samulena - Eu sei, amiga. Mas Deus está do nosso lado, aquele incêndio foi pra mostrar pra você que você não se abala! Lembra que Deus prova os crentes pra ver se eles têm realmente fé.


Elas chegam à frente do jornal das gêmeas.


Julislanny (Ao microfone) - Infelizmente, numa cidade de 100.000 pessoas, restaram apenas 52.457 por conta do césio. Damos homenagem a essas pessoas que nunca serão esquecidas, principalmente, minha sobrinha que foi uma das vítimas. 


Jeandira - Deixa de lenga-lenga! Vamos logo.


Julisângela - Enfim, foram contados os votos de 47.567 pessoas ao total, processo esse que levou dois dias. 


Os candidatos estão eufóricos.


Julisângela - Ele tem as melhores propostas e mereceu ganhar! Claro, é necessário que ele cumpra suas promessas e realmente as faça. 


Julislanny - O novo prefeito de Encerra-Ninguém é orgulhosamente…


Rodrigo - Tem que ser eu.


Jeandira - DEUS! MINHA VITÓRIA CHEGOU.


Itálex - MEU RESTAURANTE VAI VOLTAR.


Marcélio - EU VOU TER PODER SUFICIENTE PRA ACABAR COM O ITÁLEX.


Walter - Será que os coalas enxergam igual os humanos?


Julislanny - WALTEEEEER! O NOVO PREFEITO DE E-N.


As beatas se levantam e vão ao palco.


Jeandira - Isso é uma calunia! Deus está do nosso lado! Houve fraudes! 


Julisângela - Você tinha péssimos planos pra E-N, não comece a histeria.


Julisângela empurra as beatas do palco.


Walter - EU? Não acredito. Que felicidade. 


Walter sobe ao palco pra pegar sua faixa enquanto é aplaudido.


Itálex - Lá se vai meu restaurante. 


A imagem congela em Itálex totalmente decepcionado.