Alazão de Ferro - capítulo 07
ADF CAP 07
Alazão de Ferro | 7/20
Uma novela de Pedro Valente
Livremente baseada em Cavalo de Aço de Walter Negrão
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Cena 1 - Quentinha com tudo dentro
Itálex - Pra que você me perdoe eu gostaria de ver você comendo e tendo aquela sensação de prazer que eu lembro que você tinha.
Marcélio come o pedaço, após, Itálex muda de face na mesma hora pra uma expressão maligna.
Itálex - Isso, coma meu cocô.
Marcélio esbugalha os olhos.
Marcélio - Você está louco!
Itálex - Isso foi pelo o que você fez.
Marcélio - Eu vou processar você.
Itálex - Ainda que pudesse, não conseguiria, o acordo não foi registrado em cartório.
Marcélio - Eu deveria saber, eu desconfiei.
Itálex saca uma arma.
Itálex - Vamos acabar com isso de uma vez?
Marcélio - Você está de cabeça quente, se acalma que a gente pode conversar.
Itálex - Minha arma pode conversar muito bem.
Marcélio - Por favor! Não faz nada que você se arrepende depois.
Itálex - Chegou sua hora, a gente vai acabar com isso.
Itálex aponta a arma pra cabeça de Marcélio.
Marcélio (Gritando) - VOCÊ NÃO PODE ME MATAR!!
Itálex - E por quê?
Marcélio (Gritando) - PORQUE VOCÊ TEM UM FILHO!!
Itálex - Ah, conta outra.
Marcélio - Sua ex me disse que vocês passavam por um relacionamento abusivo, ela não queria que você soubesse e me pediu desculpas por ter me trocado.
Itálex começa a ficar sem reação.
Marcélio - Ela estava grávida, mas você é idiota é nunca percebeu.
Itálex - Na época eu desconfiava, mas ela falava que era porque ela comia demais, é de fato, ela começou a comer tão desesperadamente que eu acreditei que fosse.
Marcélio - Eu sei onde seu filho está, eu tenho contato com ele, ou melhor, ela.
Itálex - É uma menina?
Marcélio - Não! É a artista musical mais famosa da atualidade, a Liliana Ross.
Itálex - Eu sou pai de um gay?
Marcélio - E tem problema?
Itálex - Eu não vou julga-lo sem conhecê-lo, mas me sinto estranho.
Marcélio - Então solta essa arma, eu a chamo e vocês se reencontram.
Itálex solta a arma.
Marcélio pega a arma rapidamente.
Marcélio (Gritando) - VOCÊ ESTÁ LOUCO? EU SÓ NÃO ACABO CONTIGO AGORA PORQUE O QUE EU FALEI É VERDADE. MAS VOCÊ ME PAGA AGORA.
Itálex - Eu te poupei, você não vai fazer isso comigo, vai?
Marcélio (Gritando) - SOBE PRO ANDAR DE CIMA.
Itálex sobre junto ao Marcélio e entram num quartinho pequeno com uma média janela.
Marcélio (Gritando) - VÁ À JANELA, EU ESTOU MANDANDO.
Itálex se põe à frente da janela.
Marcélio - Eu falei que não quero matar você, correto? Tudo isso depende de você e da maneira que você vai cair.
Marcélio empurra Itálex pela janela, ele grita ao cair e bate as costas no chão, desmaiando naquele momento.
Cena 2 - Jornal das Gêmeas
Passado 1 dia daquele momento, as gêmeas que estiveram perto do caixão quebrado estão isoladas em casa, contudo, as fofocas não param de chegar.
Julislanny - Muitas crianças e professores estão sendo enterrados agora.
Julisângela - Está acontecendo uma epidemia de mortes por causa do césio.
Uma luz começa a acender-se.
Roberta - Mamãe? Tia?
As gêmeas gritam de emoção.
Julisângela - Amor?
Ambas tentam abraçá-la, mas passam reto.
Roberta (rindo) - Mamãe, você sabe que o estado que eu tou é morta, mas não se preocupe, eu estou num lugar melhor.
Julislanny - Nós sentimos tanto a sua falta.
Roberta - Eu também sinto falta de vocês, mas um dia vocês me reencontrarão.
Julisângela - Apareça mais vezes, amor.
Roberta - Eu não posso, mamãe, meu lugar não é na terra. Eu vim porque eu pedi pro meu papai celestial pra que vocês não morressem agora por conta do césio e ele me concedeu esse pedido.
Roberta sopra um vento brilhoso em direção às duas, após isso, elas se sentem melhores e mais bem-dispostas.
Roberta - Nunca se esqueçam, eu amo vocês. Ah, e se puderem, passem no cemitério. Eu sei que tiveram que trocar meu caixão, que os coveiros tiveram que vestir roupas especiais para que não fossem afetados, mas agora está tudo bem, eu fui enterrada e às vezes apareço lá.
As duas - Certo! Amamos você pra sempre.
Roberta desaparece.
Cena 3 - Presídio de E-N.
Chef - Que barulhos são esses?
Policial - Estão vindo lá de fora.
Ambos encontram vários ex-empregados de Patrocínio fazendo algazarra pedindo que soltem Rodrigo.
Empregado I - Se não soltá-lo, vamos arrebentar essas grades e soltar todos os presos.
Chef - São muitos, não temos tantos policiais assim para pará-los.
Policial - Joga bombas de gás lacrimogêneo para tentar contê-los.
Assim é feito, mas muitos conseguem entrar.
Empregada - VAMOS SOLTÁ-LO!!!!!
TODOS - VAMOSSSS!!!
Chef (Ao telefone) - Patrocínio, eles estão quebrando tudo, você precisa vir.
Patrocínio (Ao telefone) - Eles quem?
Chef - Seus empregados.
Patrocínio corre com seu carro e Patrícia ouve e vai de bicicleta.
Policial - Eles entraram chefe, nós não conseguimos contê-los.
Dois empregados encontram Rodrigo na solitária sem roupa, desmaiado e preso, nesse momento Patrocínio chega e mostra as chaves da algema.
Patrocínio - Estão procurando isso?
Ele mostra as chaves.
Empregado I - Você é muito cruel, você violentou ele, ele está todo sujo, com fome e nu.
Patrocínio - Isso não aconteceria se ele tivesse morrido há 3 décadas.
Empregado - Por favor! Por tudo o que é mais sagrado, devolva essa chave e solte ele.
Patrocínio - Pra quê? É tão gostoso ver ele sofrendo!
Patrícia chega de repente e pega a chave da mão do pai.
Patrocínio (Gritando) - Patrícia, devolve essa chave.
Patrícia - Eu sei o que você fez, pai, eu não aprovo e ainda que você tenha alguma coisa contra ele não será dessa maneira que você vai conseguir, ele vai ser solto.
Patrícia vai ao lado de Rodrigo para soltá-lo, mas Patrocínio anda para impedi-la.
Patrícia - Não pai! A resposta é não.
Patrícia saca uma arma de choque.
Patrocínio - onde você conseguiu isso?
Patrícia - Em cima do balcão da recepção.
Patrocínio - Você faria isso mesmo com teu pai? Eu compro tudo pra você! Te alimento, te visto, paguei seus estudos pra isso?
Patrícia - Isso não significa nada, você está errado pai e eu não vou compactuar com isso.
A câmera foca no rosto bravo de Patrocínio.
Cena 4 - Hospital de E-N.
Jeandira - Como você está se sentindo?
Samulena - Me sinto fraca, indisposta.
Roberta aparece pra elas também.
Samulena - AHHHHHHHHH UM ESPÍRITO
a enfermeira chega.
Enfermeira - Dona Samulena?
Samulena - Doutora, olha essa menina! É um fantasma!
Enfermeira - Está delirando? Não há ninguém aqui.
Jeandira - Claro que há! Uma menina ali.
Jeandira aponta.
Enfermeira - Irei chamar um médico pra vocês duas, estão com febre alta por conta do césio.
Roberta - Agora que já acabaram, eu queria dizer que vocês refletissem sobre o que fizeram comigo e com meu corpo.
Jeandira - Nós fizemos algo?
Roberta - Espalharam desinformação, foram contra uma menina morta ser enterrada e graças a vocês muitas pessoas irão morrer infectadas, inclusive vocês.
As duas se espantam.
Jeandira - Eu não quero morrer.
Samulena - Nem eu!!!!!
Roberta - As beatas cristãs não querem morrer, mas querem ir pro céu? Como? Que hipocrisia.
Samulena - Fala logo de uma vez menina.
Roberta - Apesar da arrogância de vocês, vocês precisam viver porque serão vocês as escolhidas pra ajudar minha mãe e minha tia.
Samulena - Ajudar em quê?
Roberta - Um dia vocês saberão.
Roberta sopra um vento brilhoso e cada uma fica curada.
Roberta - Ah, e por último quero dizer que vocês devem deixar essa falso cristianismo, isso não agrada a Deus.
Roberta desaparece.
A câmera foca no rosto das gêmeas emburradas ao som de um minuto.