Quem Foi? - capítulo 22 (03/10/2023)

 


*CENA 01 - CONTINUAÇÃO: Sala do Delegado | Delegacia | Manhã*

[O delegado coloca o papel sobre a mesa e liga para Thina].

*CORTA PARA*:

[A câmera a exibe sentada no sofá, com uma aparência abatida e à espera de notícias. Ela recebe a ligação do delegado e atende, tendo a conversa alternada entre os dois].

Delegado: Bom dia, dona Thina. 

Thina: Bom dia, delegado. Alguma novidade?

Delegado: Sim, o mandado de prisão do Israel foi expedido, estou com ele em minhas mãos. Vou à procura dele agora.

Thina: Amém, senhor, muito obrigado. Você também, delegado.

Delegado: Só estou cumprindo o meu trabalho... Como está o seu filho? 

Thina: Não sei, ele foi operado ontem de noite e o médico me disse que ele estava fora de perigo, porém eu não poderia visitá-lo ainda, só hoje, então voltei para casa. O horário de visitas aqui é durante a manhã, só estou esperando a minha liberação.

Delegado: Você deve ser chamada em breve... Retomando o assunto anterior, a senhora ou o seu Pedro poderiam me dizer a atual localização depois que ele saiu de sua casa, se lembrarem? O Pedro está com você? Os dois não mencionaram em depoimento se sabiam ou não.

Thina: O Pedro não está comigo, ele voltou para a minha casa ontem de noite e vai essa manhã com o Gabriel na casa do paquera dele. Nos perdoe, delegado, o Pedro estava tão agitado que esqueceu de citar, e eu preferi que o próprio comentasse, também sei onde que o Israel o trancafiou. Foi na antiga casa onde ele residia, antes de ele se mudar para a mansão depois do nascimento do Gabriel, muitos anos atrás.

Delegado: Onde seria?

[Thina informa o local e o delegado anota em um bloco. Ele a agradece, desliga a chamada e se retira].

*CENA 02: Hospital | Manhã*
[Thina permanece esperando, quando um médico a chama pelo nome. Ela levanta para ser reconhecida e vai ao encontro dele].

Thina: E então, posso vê-lo, doutor? Estou no prazo do horário de visitação e o senhor já o avisou de minha presença. 

Médico: Liberarei a sua entrada, mas seja cautelosa, o Marcelo está acordado, porém internado ainda. Eu lhe acompanho até a porta.

[O médico realiza o que disse e se afasta].

[Thina entra e, ao ver o filho, internado, tenta conter a emoção. Ele também sorri emocionado para ela. Thina se aproxima e segura carinhosamente a mão de seu filho. O gesto é recíproco].

Marcel (falando baixo): Que bom que você veio, mãe. Queria te ver o quanto antes.

Thina: Filho, não faça tanto esforço, você enfrentou uma cirurgia horas atrás, precisa descansar, e mais tarde comemoraremos sua total recuperação.

[Marcel sorri].

Marcel: Cadê o tio Pedro e o Gabriel?

Thina: Saíram juntos, mais tarde eles vem aqui te visitar.

Marcel: E o Israel? Prenderam ele?

Thina: Não, mas vão hoje. O delegado me ligou e disse que conseguiram o mandado de prisão, estão atrás dele.

Marcel: Não vejo a hora, porque depois eu vou olhar bem no fundo do olho dele na delegacia e fazer questão de pisar nele.

Thina: Marcel, pense em você primeiro, esqueça uma única vez esse jogo de gato e rato que você tem com ele.

[Marcel concorda].

Marcel: Mãe... depois que eu sair desse leito e voltarmos para casa, eu queria terminar de contar o que eu comecei quando você estava presa, sobre o meu filho e... a mãe dele.

Thina: Tudo bem. Eu também tenho coisas para te contar, não é só você... Aliás, você já conversou demais, faça o que eu te falei. Suponho que até amanhã você receba alta, então sossegue... Te amo.

[Thina beija a testa do filho e se retira do quarto].

*CENA 03: Rua | Manhã* 
[Em vários takes, quatro viaturas são comandadas pelas ruas, ao som de um instrumental de tensão, para a casa de Israel. Em um dos carros, o delegado pede pelo radiopatrulha que a maioria das saídas de São Paulo sejam bloqueadas por blitzs].

[Minutos depois, eles chegam e param em frente a casa de Israel, concebendo curiosidade entre os moradores próximos. Os policiais saem de dentro e contornam os lados da casa. O delegado pega o alto-falante].

Delegado (alto-falante): A casa está cercada, Israel Ortego, temos um mandado de prisão e te levaremos! Saia com as mãos na cabeça, você não correrá riscos.

[Uma moradora chama a atenção dele].

Moradora: Desculpe, seu delegado, mas o tal Israel não apareceu nessa casa desde ontem, senão eu teria visto.

Delegado: Tem certeza? A senhora lembra o horário de quando o viu pela última vez?

Moradora: Era de tarde. Eu sempre fico sentada na frente de casa até de noite, eu o teria visto. 

Delegado: Ok, obrigado.

[O delegado grita e faz um aceno para os policiais, pedindo para que eles voltem para os automóveis].

Delegado: Onde você está, Israel?

*CENA 04: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Manhã*
[Samuel entra em cena, após a porta ser batida. Ele a abre e é cumprimentado por Pedro]. 

[O segundo sai da frente de Gabriel, e o instrumental de tensão toca, exibindo o choque disfarçado dele, por ver Samuel].

Pedro: Gabriel, esse aqui é o meu amigo que eu estou conversando esses últimos tempos... o Samuel.

Samuel: Prazer, Gabriel!

[Samuel levanta a mão para cumprimentá-lo. A câmera continua exibindo Gabriel surpreso, que esconde a aparência com um sorriso amarelo].



*CENA 05 - CONTINUAÇÃO: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Manhã*

Gabriel (fingindo): Prazer!

[Gabriel também levanta a mão e cumprimenta Samuel, visivelmente desconfortável, mas todos percebem]. 

Pedro: O que foi, Gabriel?

Gabriel: Nada, só me senti enjoado de repente. Eu posso usar o seu banheiro, Samuel?

Samuel: Claro, é no fundo, quer que eu te acompanhe?

Gabriel: Não precisa.

[Gabriel vai para o banheiro].

Samuel: O que deu no seu enteado, Pedro?

Pedro: Não sei, ele nunca se comportou assim ao conhecer alguém.

Samuel: Daqui a pouco ele volta e explica o que deu.

[Eles continuam a conversar. Em outro take, Gabriel abre a porta e se tranca. Ele puxa o celular e tenta ligar para a mãe, porém não é atendida].

Gabriel: Só pode ser uma peça, é conivente demais esses dois estarem de rolinho. Tenho certeza de que esse homem está se envolvendo com o Pedro para conseguir alguma informação da nossa família. Como que o Pedro ainda não percebeu isso? Mas eu não vou deixar o Samuel continuar enganando ele, o plano dele vai por água a baixo, com ou sem a ajuda da minha mãe..

[O pico do instrumental de tensão toca, exibindo Gabriel confiante].

*CENA 06: Aduana - Fronteira Brasil e Paraguai | Estrada | Manhã*
[Israel dirige pela estrada e fica nervoso por se aproximar cada vez mais da fronteira. Os carros que estavam à sua frente passam em ordem pelo pedágio, mas ele é abordado por um policial antes de tentar ao tentar ultrapassar].

Policial: Pare no acostamento, por favor.

[O pico do instrumental de tensão toca].

Israel (mentindo): O que houve? Eu vou entregar o meu passaporte, mas preciso achá-lo. 

[Israel simula estar caçando o passaporte e o policial mantém a linha de raciocínio].

Policial: Só pare no acostumamento, por favor... AGORA.

[Israel se vê sitiado, e, em questão de segundos, ele dá a ré, derrubando cones de sinalização, vira o carro rapidamente e foge velozmente]. 

[Os policiais percebem a tentativa de fuga, e várias viaturas vão atrás dele, em alta velocidade, dando início a uma perseguição, ao som de um instrumental de tensão].

[Em outro take, ele e os policiais continuam dirigindo na direção contrária e quasem promovem diversos acidentes ao desviarem dos carros].

[Algumas viaturas ultrapassam Israel e viram para ficar no meio da estrada, criando uma barreira e um engarrafamento generalizado].

[Israel e os policiais atrás pisam no freio. O primeiro é cercado. Todas as autoridades presentes no local saem de seus veículos, e alguns apontam as armas para o de Israel, enquanto os outros tentam contornar o bloqueio. Um deles abre a porta do carro e remove o vilão à força. Ele tenta se soltar e correr, mas é segurado].

Israel: ME LARGUEM, ISSO É UM GRANDE MAL ENTENDIDO! VOCÊS COMEÇARAM A ME PERSEGUIR E EU ME ASSUSTEI! EU SOU INOCENTE, SOU UM CIDADÃO HONESTO. ME SOLTA! 

Policial: O senhor está PRESO! Na delegacia você poderá esclarecer melhor essa cena.

[Israel é algemado e conduzido à força ao camburão. A porta é fechada e o carro continua na direção contrária, enquanto mostra a feição de ódio de Israel da parte de dentro, terminando nele].

[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].