Quem Foi? - capítulo 19 (28/09/2023)

 


*CENA 01 - CONTINUAÇÃO: Sala do Delegado | Manhã* 

[Natuza se senta e começa a depor. O delegado a ouve com muita atenção].


Natuza: O senhor já deve saber tudo de cor, através do meu ex-enteado, o Samuel, sobre o envolvimento da minha filha com o Marcel Ortego e as "mortes" deles. Eu disse o nome dele porque ele está vivo, ele assumiu o lugar do irmão para tentar conseguir alguma prova de que foi o Israel que matou o Marcelo e a Leandra.


Delegado: Estou inteirado desses fatos... Será que a senhora poderia me detalhar, desde o início, como a Leandra conheceu a família Ortego?


Natuza: Dois anos antes dela morrer, ela e o Israel ficaram algumas vezes. Ela conseguiu uma vaga de emprego naquela mansão no ano seguinte, mas ela não sabia que ele morava lá. A Leandra rejeitou o Israel e ele passou a odiá-la. E logo depois a minha filha começou a namorar às escondidas e engravidou do Marcel. Talvez o Israel sabia desse caso dos dois e quis eliminá-los, seria outro motivo sólido para a vingança dele... Só que o Marcel não quis se comprometer com a responsabilidade parental e queria que ela abortasse. Ela o hostilizou, se demitiu, e para evitar que os patrões dela descobrissem a gravidez, mentiu dizendo que eu estava doente. Nós íamos se mudar para o interior depois do nascimento do meu neto, mas ela infartou após o parto, pelos efeitos do chumbinho... Algo que eu duvido que qualquer um dos Ortego tenha falado é sobre os mal-estares da minha filha, ela passava mal porque estava sendo envenenada sem saber e escondia isso de todo mundo, até de mim, ela era teimosa e não gostava de ir ao hospital, até que um dia ela me contou. E depois da gravidez então, nunca que eu iria suspeitar, porque se sentir mal na gestação é comum. Eu não sei se ela continuou sendo intoxicada depois que saiu da mansão, porque era difícil, ela não tinha mais contato com ninguém. 


Delegado: Provavelmente ela só foi envenenada durante todo o tempo em que esteve empregada na mansão, e aliada à gravidez, como você mesma disse, não era possível ter alguma suspeita. Mas... Dona Natuza, agora que os fatos sobre o assassinato da Leandra foram prontamente esclarecidos, preciso encaixar as outras pontas restantes da morte do Marcelo. A senhora sabe de mais alguma informação, principalmente do Marcel? Tanto dele quanto do Israel?


Natuza: Só do Marcel. Ele foi na minha casa e disse que vai tomar a guarda do Leônidas, mas ele não quer o pai biológico por perto. Fora isso, é tudo o que eu sei...


Delegado: Ok, não irei pressioná-la, a senhora revela conforme lembrar. Agradeço o seu depoimento, dona Natuza, creio eu que até o final dessa semana o Israel não passa estando em liberdade. 


Natuza: Obrigado, delegado, fico feliz demais com isso. Licença. 


[Natuza cumprimenta o delegado novamente e sai da sala].


*CENA 02: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Manhã*

[Jenno e Ítalo estão conversando].


Jenno: Não acredito que ele fez isso... Você vai morar comigo no hotel onde eu estou, onde você dormiu essa noite?


Ítalo: Aqui na gravadora, todas as minhas coisas estão dentro do carro.


Jenno: O Samuel não podia ter feito isso. O que ele descobriu sobre você?


Ítalo: A minha aliança com o Natã Fonseca, você não deve saber quem é. É um bandido de quinta categoria que comprou uma substância para mim, mas eu já mandei ele comer grama pela raiz. Eu tentei convencer o Samuel de que não comprei nada com o Natã, mas ele não acreditou, ele viu as gravações das câmeras do presídio. Eu nunca vi nenhuma, devia ser aquelas pequeninhas, são uns traiçoeiros mesmo.


Jenno: O Samuel está nos rondando muito, ele já sabe do nosso caso e agora disso. Não vejo nenhuma solução a não ser matá-lo.


[Ítalo se levanta].


Ítalo: Eu já repeti e vou repetir mais uma vez. No meu irmão você não encosta. Eu prefiro ir para a cadeia do que vê-lo morto. 


Jenno: Então se prepare, porque ele não vai tolerar que você continue solto, e talvez sobre até para mim também. 


Ítalo: Não vai não, nem você sabia disso. Espero que você pense no mínimo três vezes antes de tramar algo contra o Samuel, ou eu sirvo as nossas cabeças em uma bandeja.


[Ítalo encara Jenno no olhar e se retira].


Jenno (falando sozinho): Você que entregue a sua, Ítalo, mas se depender de mim, o Samuel é um homem morto.


*CENA 03: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Cozinha | Tarde*

[Samuel está cozinhando e Pedro o ajuda, separando os ingredientes].


Pedro (rindo): Deve ser maravilhoso saber cozinhar, eu e cozinha não somos sinônimos, só sei esquentar água e fazer um miojo.


Samuel (rindo): É alguma coisa, pelo menos, não morrerá de fome, só se alimentar de miojo pelo resto da vida. Pegue esse tempero e coloque um pouco no molho, por favor.


[Pedro coloca e Samuel mexe. Em outro take, ele coloca um pouco do molho em outra colher e experimenta].


Samuel: Está ótimo.


[Samuel coloca novamente sobre a colher e entrega na mão de Pedro, que também aprova].


Pedro: Está bom mesmo.


[Samuel continua mexendo e olha para Pedro, que já mantinha contato visual com ele]. 


[Samuel desliga o fogão e se aproxima de Pedro, enquanto Pássaro de Fogo toca ao fundo. Eles encostam os seus lábios, sorrindo e se beijam].





*CENA 04 - CONTINUAÇÃO: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Cozinha | Tarde*

[Samuel despeja o molho sobre o macarrão e coloca água na panela].


[Samuel coloca vinho nas taças de ambos e eles brindam].


Samuel: Ao futuro!


Pedro (repetindo): Ao futuro!


[Eles comem e debatem].


Samuel: Você podia me contar mais sobre a sua vida, né, Pedro? Minha vida é chata, o que movimentava ela era o sofrimento que eu passava, e agora tenho essas feridas quase cicatrizadas. Se for para ser assim, prefiro que ela se estagne mesmo.


Pedro: Concordo. Eu também não tenho muita coisa para falar, eu era casado, mas me separei porque meu ex-marido não presta e estou com a tutela do meu ex-enteado que eu amo como um filho. 


Samuel: Interessante. Você disse que o seu ex não presta... por quê? Eu me recordei daquele dia na padaria que você estava prestes a dizer algo e se auto interrompeu. O que era?


Pedro: Não queria comentar sobre isso agora, mas você é o meu único amigo no momento. O Israel... ele me sequestrou.


Samuel (atuando): O quê? Meu Deus, mas por quê?


Pedro: Porque ele é louco. Ele foi expulso da casa onde estávamos hospedados e foi embora e nos deixou, disse que não precisava de nós. Foi ali que eu entendi de fato que ele nunca me amou, eu achava que era o jeito dele, mas não. Eu cuidava do filho dele mais do que ele próprio, então ele preferiu manter um casamento sem amor do que perder a babá homem.


Samuel: Que barra. Mas porque ele foi expulso, foi algo sério para alçar esse nível.


[Antes que Pedro comece a falar, o seu celular toca e ele sorri].


Pedro: É o meu ex-enteado, o Gabriel. Um dia eu o trago aqui ou levo você até onde estou para conhecê-lo. Vou ao banheiro atendê-lo, depois eu retorno.


[Pedro vai até o banheiro, já conversando com Gabriel].


[Samuel olha para o lado que Pedro seguiu e remove o seu celular do bolso, que imediatamente aparece o tempo, indicando que ele estava gravando a conversa].


Samuel (sussurando): Bem na hora que eu ia conseguir o principal... Mas isso já vale muito, tenho uma prova de um dos crimes do Israel...


*CENA 05: Casa de Natuza | Quarto de Leônidas | Tarde*

[Natuza acaricia a cabeça de Leônidas, que está dormindo. De repente, a campainha toca e ela revira os olhos]. 


Natuza (sussurando): Essas pessoas não têm mais ninguém para incomodar, não?


[Natuza abre a porta e encontra outro oficial de justiça. Ela o cumprimenta].


Oficial: Boa tarde, dona Natuza. A senhora poderia assinar essa intimação para mim, por favor?


[O oficial entrega uma caneta para Natuza e ela assina].


Natuza: É sobre o que agora?


Oficial: O agendamento da audiência da guarda unilateral de Leônidas Ferreira. Será daqui a duas semanas.


[Natuza é golpeada ao escutar as palavras e tenta manter a postura].


Oficial: Com licença.


[O oficial entrega o recibo para Natuza e se retira. Ela tranca a porta e amassa o papel, chateada].


Natuza: Eu não vou deixar você tirar o meu neto de mim, Marcel. Você travou guerra com a pessoa errada...


[Natuza abre a porta do quarto de Leônidas lentamente e o vê, ainda dormindo. Ela se emociona ao olhá-lo por alguns minutos e fecha a porta]. 


*CENA 06: Delegacia | Sala do Delegado | Tarde*

[O delegado está ouvindo o segundo depoimento de Pedro, quando um policial bate na porta. Ele entra com um material].


Policial: Delegado, o resultado do exame de balística forense foi divulgado. Vim trazer ao senhor.


[O policial entrega a apostila ao delegado, e ele a lê].


Delegado: Obrigado.


[A câmera se aproxima dele lendo e para, após ele ter lido o resultado].


Delegado: Bingo... a bala que matou o Marcelo realmente saiu da arma do Israel Ortego. 


[O instrumental de tensão toca ao fundo, mostrando o delegado].


Delegado: Chegou o dia da prisão dele...


[A câmera exibe ele, confiante, e a tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].