Quem Foi? - capítulo 17 (26/09/2023)

 

*CENA 01 - CONTINUAÇÃO: Presídio | Sala do Diretor | Manhã* 

[Samuel continua calado, muito decepcionado com a descoberta].


Samuel: Duas caras, eu sabia... Agora preciso descobrir o fio da linha de envolvimento dele com o Natã. O Natã é perigoso, ele tem várias passagens pela polícia e já foi preso dezenas de vezes, então porque ele teria interação com o meu irmão? Você poderia chamá-lo, por favor, só preciso de cinco minutos, ilustríssimo, para poder questioná-lo.


Diretor: Lamento, seu Samuel, mas não tem como. O Natã faleceu há alguns dias.


[O pico do instrumental é tocado, exibindo, dessa vez, Samuel impactado].


Samuel: Ele morreu? O que fizeram com ele? 


Diretor: O Natã foi morto durante uma rebelião de detentos que tentavam fugir em massa. Ele não estava envolvido no esquema, mas ainda foi baleado nas costas. Tentamos reanimá-lo e ele não correspondeu.


Samuel: E porque vocês não notificaram a mídia e as delegacias da Grande São Paulo?


Diretor: Preferimos manter isso em sigilo, justamente para evitar a pressão da mídia.


Samuel: Perdi uma de minhas últimas esperanças. Mas será que vocês não têm câmeras instaladas para ver e ouvir as visitas? As penitenciárias podem ter, contanto que tenham autorização da justiça.


Diretor: Nós temos sim. Você quer que eu procure e olhe?


Samuel: Sim, o mais rápido.


[O diretor procura e, após alguns minutos, ele encontra as filmagens da visita de Ítalo à Natã no computador].


[Samuel escuta toda a gravação e fica chocado, em um misto de ódio e tristeza].


Samuel (bravo): Desgraçado, mentiroso, ele me enganou OUTRA VEZ... Dessa vez não terei pena dele, assim como ele não teve de mim... Obrigado, ilustríssimo. Licença.


Diretor: Obrigado você. Sinto muito por essa filmagem, Samuel.


[Samuel concorda e se retira].


*CENA 02: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Manhã* 

[Jenno está perambulando por sua sala, lendo um contrato, até o interfone tocar].


[Ele atende, e, conforme escuta, muda a sua expressão para um olhar frio].


Jenno: Ok, autorize a entrada dela. 


[Jenno senta em sua cadeira para trás, pensativo].


[Em outro take, é visto, através dos pés da pessoa, a porta sendo aberta e mostra Alanis como a cliente. Ela se aproxima da mesa dele e Jenno se vira].


Alanis: Bu! Saudades, querido? A visita ao primeiro irmão Ortego já foi... faltava o segundo.


[Eles sorriem de forma maligna um para o outro].



*CENA 03 - CONTINUAÇÃO*: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Manhã 
[Ambos continuam a se encarar].

Jenno: Vejo que você não mudou nada, continua linda, gostosa... e a mesma farsante e golpista de sempre.

Alanis: E você o mesmo traíra, o mesmo arrogante e o mesmo dissimulado de sempre. Nossos defeitos e qualidades formaram uma ótima dupla de traidores. Não à toa geramos o Gabriel e o trouxemos para este mundo, e a Thina nunca nem desconfiou.

[O instrumental de tensão toca, após a fala de Alanis. Jenno se levanta].

Jenno: Então você já viu o seu filhinho? Ele sabe que você está em São Paulo? Tantos anos sem dar uma notícia, tanto para ele quanto para mim, sem dar um abraço, um beijo nele. Ele cresceu sem você ao lado, mesmo estando viva, fez ele se sentir órfão do seu amor. Só isso justifica a quietude e a ponderação dele. Eu não me admiraria se ele te humilhasse em um possível encontro. 

Alanis: Para a sua admiração agora, Jenno, eu nunca abandonei ele, o Gabriel entende o meu ponto de vista. Nos víamos secretamente algumas vezes na Argentina sem o Israel saber e trocávamos mensagens. Já você, esteve perto do meu filho durante doze anos seguidos e nunca deu a mínima atenção para ele, nem nesse segundo retorno dele. Você é um péssimo pai, só é uma máquina de dinheiro, e graças a Deus o Gabriel tem direito a uma parte ou a metade de tudo o que você tem.

Jenno: Não, porque eu não registrei ele no meu testamento e NUNCA vou registrar. Ele é só um golpe financeiro que você aplicou em mim em uma de nossas poucas ficadas. Você não vai roubar o meu dinheiro se valendo do Gabriel. 

Alanis: Você não tem que contrariar, é a lei e é pelo bem dele, eu AMO O GABRIEL. Ele é a única pessoa que eu amo. E mesmo que você não queira, é só eu solicitar o teste de reconhecimento de paternidade e a sua pose de machão se alui rapidinho... ou eu vou ter que apelar para algo mais... sangrento?

Jenno: Você é muito metódica, né. Eu não tenho medo de você.

Alanis: Deveria ter. Você não vai durar muito tempo, Jenno. NÃO VAI. Vou escolher se eu te vejo no banco de réu ou no caixão. 

[Alanis pisca para Jenno e sai da sala. Jenno, raivoso, rasga algumas folhas e senta novamente]. 

*CENA 04: Gravadora Áurea | Corredor | Manhã*
[Em outro take, Alanis e Ítalo fecham as respectivas portas. Ao olharem para a frente, o instrumental de tensão toca e eles ficam apreensivos. Ítalo se aproxima e puxa Alanis pelo braço e ela se solta].

Ítalo: O que você está fazendo aqui, Alanis? Esqueceu que eu sou um dos donos dessa empresa?

Alanis: Eu vim rever o Jenno, parece que quem está esquecido é você. Não lembra da minha história com ele?

Ítalo: Que história, Alanis? Dar o golpe da barriga agora pode ser nomenclado como uma história? Você é muito sonsa.

Alanis: E você não tem escrúpulos nenhum, já que você está aliado à mim. Você também quer o dinheiro do Jenno, mesmo que você o ame. Nós dois vamos afundar amarrados ou subir para as margens até o final.

Ítalo: Que seja, não me importo mais. Só não apareça mais aqui, me entendeu? Não quero ter que chamar a segurança para enxotarem alguém daqui, principalmente uma mulher tão bela como você.

[A câmera alterna entre os olhares afrontosos de Ítalo e Alanis, ainda com o instrumental de tensão tocando ao fundo].

[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].