Quem Foi? - capítulo 16 (25/09/2023)

 


*CENA 01 - CONTINUAÇÃO: Delegacia | Cela de Thina | Manhã*

[Jenno e Thina permanecem se encarando, enquanto o policial os observa].


Jenno: Você poderia me deixar conversar a sós com a Thina, mas aqui do lado de fora mesmo, por favor? 


Policial: Claro. Com licença. 


[O policial se retira].


Jenno (debochando/falando próximo das grades): Como eu esperei por esse dia, Thina. Não tem algo mais saboroso do que te ver detida. Esse é o pagamento por ter ameaçado a namoradinha do nosso filho de morte. Considere essa prisão como um troco por você ter me expulsado de casa e uma amostra para que você não cruze mais o meu caminho. Sabe, pensei sozinho aqui, e te vendo aí, vejo como a nossa justiça é anárquica, né? Você já abriu o processo de divórcio e ainda não recebi a intimação. Fora a burrice das autoridades, não sei quem é mais burro, você ou o delegado que acreditou naquele DVD ordinário, tinha uns cortes tão grotescos ali, só precisei filmar você ameaçando a Leandra, eu vi você dizendo que seria capaz de mandar matá-la. E agora isso te manterá encarcerada por anos.


Thina: Você que pensa, Jenno. Eu não vou ficar anos presa ou ser encaminhada para a cadeia, minha prisão é temporária, só ficarei mais uns dias e talvez nem isso, porque o meu advogado vai me tirar daqui. E eu concordo com você sobre o anarquismo da justiça, e mais ainda com a previsibilidade deles e das pessoas. Eu não estou nem um pouco surpresa com esse seu trunfo ter partido de você. Só com a sua falta de vergonha na cara de vir aqui tentar me espezinhar. Mas agora você realmente vai ficar, com a revelação do século. Meus parabéns, vovô Jenno. A Leandra e o Marcel nos deram um neto.


[A câmera foca no olhar de Jenno, surpreendido com a revelação].


Jenno (chocado): O quê? Não, o Marcel não fez isso... Essa criança deve ter uns cinco anos, a Leandra morreu há cinco. Ele foi pai aos quinze... Meu Deus, como eles puderam ter sido tão irresponsáveis....


Thina: Os dois erraram... Eu sabia que a Leandra estava grávida, eu vi eles se beijando e escutei ela revelando para o Marcel...


*FLASHBACK | 2018 | Quarto de Marcel | Manhã* 

[Leandra entra no quarto de Marcel e a encosta, lhe deixando semi-aberta. Eles se beijam].


[Thina, circulando pelo corredor, vê a porta encostada. Ela olha pela fresta e assiste o beijo dos dois, ficando chocada].


[Prestes a abrir a porta, Leandra começa a falar e faz Thina parar].


Leandra: Marcel, você não vai mais me enrolar e eu também serei franca, melhor você saber o quanto antes. Já se passaram alguns dias, tive uma outra comprovação e é oficial. Eu... eu estou grávida.


[A câmera intercala entre as expressões de Thina e Marcel, surpresos e a seriedade de Leandra, enquanto o instrumental de tensão toca].


[Thina, ao ouvir o segredo, coloca a mão sobre a boca e continua o caminho, em um conjunto de felicidade e desgosto].


*Fim do flashback*.


Thina: O Marcel veio aqui e me contou, na tentativa de me alegrar. E eu tive que fingir estar animada para ele não desconfiar que eu sabia. Fico feliz por ter um neto, mas não queria que ele fosse pai tão jovem. E a Leandra se demitiu no mesmo dia dessa conversa, ela disse nos meus olhos enquanto você estava trabalhando que ela iria cuidar da mãe. Não sei se era verdade, desconfio que tenha sido uma mentira. Não quero supor que o Marcel tenha rejeitado essa criança, apesar de ser o mais óbvio.


Jenno (bravo): Que ato mais lindo... Você também mentiu, você sabia da existência dessa criança o tempo todo e nunca me contou, eu teria a mesma reação que a sua. Sinceramente, espero que você tenha matado a Leandra e que o Marcel passe a te odiar e a sua vida seja marcada por muito sofrimento atrás das grades. Passar bem, Thina. 


[Jenno se retira e é fitado por Thina].


CENA 02: Casa de Natuza | Sala | Manhã 

[Natuza entra em cena, após a campainha tocar. Ela atende a porta].


Oficial: Bom dia. Dona Natuza Ferreira?


Natuza: Sim, sou eu.


Oficial: Sou um oficial de justiça. Trouxe esse mandado de intimação, para a senhora comparecer amanhã na delegacia às onze horas e depor sobre os homicídios de Marcel Ortego e Leandra Ferreira. Assine aqui para mim, por gentileza.


[O oficial entrega o recibo de ciência e uma caneta para ela].


[Em outro take, ela assina e cumprimenta o oficial, se despedindo dele].


Natuza: Obrigada.


[Ela olha para o documento, aliviada e pensando em Leandra].


Natuza: A justiça será feita, minha filha...


[Ela sai da sala].


CENA 03: Delegacia | Sala do Delegado | Manhã 

[O delegado está digitando no computador e olhando para uns arquivos, quando homem bate à sua porta. O delegado levanta na hora].


Delegado: Moço, você não pode entrar na minha sala assim. Se veio registrar uma denúncia, espere na fila, é por ordem de chega...


Pessoa (cortando): Desculpa, seu delegado, mas o que eu preciso dizer é improrrogável. Eu vim refazer o meu depoimento sobre o assassinato de Marcel Ortego. Eu menti... Eu sei o que aconteceu.


[O cume do*CENA 01 - CONTINUAÇÃO: Delegacia | Cela de Thina | Manhã*

[Jenno e Thina permanecem se encarando, enquanto o policial os observa].


Jenno: Você poderia me deixar conversar a sós com a Thina, mas aqui do lado de fora mesmo, por favor? 


Policial: Claro. Com licença. 


[O policial se retira].


Jenno (debochando/falando próximo das grades): Como eu esperei por esse dia, Thina. Não tem algo mais saboroso do que te ver detida. Esse é o pagamento por ter ameaçado a namoradinha do nosso filho de morte. Considere essa prisão como um troco por você ter me expulsado de casa e uma amostra para que você não cruze mais o meu caminho. Sabe, pensei sozinho aqui, e te vendo aí, vejo como a nossa justiça é anárquica, né? Você já abriu o processo de divórcio e ainda não recebi a intimação. Fora a burrice das autoridades, não sei quem é mais burro, você ou o delegado que acreditou naquele DVD ordinário, tinha uns cortes tão grotescos ali, só precisei filmar você ameaçando a Leandra, eu vi você dizendo que seria capaz de mandar matá-la. E agora isso te manterá encarcerada por anos.


Thina: Você que pensa, Jenno. Eu não vou ficar anos presa ou ser encaminhada para a cadeia, minha prisão é temporária, só ficarei mais uns dias e talvez nem isso, porque o meu advogado vai me tirar daqui. E eu concordo com você sobre o anarquismo da justiça, e mais ainda com a previsibilidade deles e das pessoas. Eu não estou nem um pouco surpresa com esse seu trunfo ter partido de você. Só com a sua falta de vergonha na cara de vir aqui tentar me espezinhar. Mas agora você realmente vai ficar, com a revelação do século. Meus parabéns, vovô Jenno. A Leandra e o Marcel nos deram um neto.


[A câmera foca no olhar de Jenno, surpreendido com a revelação].


Jenno (chocado): O quê? Não, o Marcel não fez isso... Essa criança deve ter uns cinco anos, a Leandra morreu há cinco. Ele foi pai aos quinze... Meu Deus, como eles puderam ter sido tão irresponsáveis....


Thina: Os dois erraram... Eu sabia que a Leandra estava grávida, eu vi eles se beijando e escutei ela revelando para o Marcel...


*FLASHBACK | 2018 | Quarto de Marcel | Manhã* 

[Leandra entra no quarto de Marcel e a encosta, lhe deixando semi-aberta. Eles se beijam].


[Thina, circulando pelo corredor, vê a porta encostada. Ela olha pela fresta e assiste o beijo dos dois, ficando chocada].


[Prestes a abrir a porta, Leandra começa a falar e faz Thina parar].


Leandra: Marcel, você não vai mais me enrolar e eu também serei franca, melhor você saber o quanto antes. Já se passaram alguns dias, tive uma outra comprovação e é oficial. Eu... eu estou grávida.


[A câmera intercala entre as expressões de Thina e Marcel, surpresos e a seriedade de Leandra, enquanto o instrumental de tensão toca].


[Thina, ao ouvir o segredo, coloca a mão sobre a boca e continua o caminho, em um conjunto de felicidade e desgosto].


*Fim do flashback*.


Thina: O Marcel veio aqui e me contou, na tentativa de me alegrar. E eu tive que fingir estar animada para ele não desconfiar que eu sabia. Fico feliz por ter um neto, mas não queria que ele fosse pai tão jovem. E a Leandra se demitiu no mesmo dia dessa conversa, ela disse nos meus olhos enquanto você estava trabalhando que ela iria cuidar da mãe. Não sei se era verdade, desconfio que tenha sido uma mentira. Não quero supor que o Marcel tenha rejeitado essa criança, apesar de ser o mais óbvio.


Jenno (bravo): Que ato mais lindo... Você também mentiu, você sabia da existência dessa criança o tempo todo e nunca me contou, eu teria a mesma reação que a sua. Sinceramente, espero que você tenha matado a Leandra e que o Marcel passe a te odiar e a sua vida seja marcada por muito sofrimento atrás das grades. Passar bem, Thina. 


[Jenno se retira e é fitado por Thina].


CENA 02: Casa de Natuza | Sala | Manhã 

[Natuza entra em cena, após a campainha tocar. Ela atende a porta].


Oficial: Bom dia. Dona Natuza Ferreira?


Natuza: Sim, sou eu.


Oficial: Sou um oficial de justiça. Trouxe esse mandado de intimação, para a senhora comparecer amanhã na delegacia às onze horas e depor sobre os homicídios de Marcel Ortego e Leandra Ferreira. Assine aqui para mim, por gentileza.


[O oficial entrega o recibo de ciência e uma caneta para ela].


[Em outro take, ela assina e cumprimenta o oficial, se despedindo dele].


Natuza: Obrigada.


[Ela olha para o documento, aliviada e pensando em Leandra].


Natuza: A justiça será feita, minha filha...


[Ela sai da sala].


CENA 03: Delegacia | Sala do Delegado | Manhã 

[O delegado está digitando no computador e olhando para uns arquivos, quando homem bate à sua porta. O delegado levanta na hora].


Delegado: Moço, você não pode entrar na minha sala assim. Se veio registrar uma denúncia, espere na fila, é por ordem de chega...


Pessoa (cortando): Desculpa, seu delegado, mas o que eu preciso dizer é improrrogável. Eu vim refazer o meu depoimento sobre o assassinato de Marcel Ortego. Eu menti... Eu sei o que aconteceu.


[O cume do instrumental toca, alternando entre a pessoa anônima e o delegado]. instrumental toca, alternando entre a pessoa anônima e o delegado].



*CENA 04 - CONTINUAÇÃO: Delegacia | Sala do Delegado | Manhã* 
[A tensão continua de ambas as partes]. 

Delegado: O senhor sabe o que está dizendo? Falso testemunho é crime e pode lhe render multa, processo ou até prisão, dependendo da gravidade.

Pessoa: Eu sei, mas é que eu fiquei com medo de morrer, me ameaçaram de morte e fui obrigado a mentir. Agora estou aqui porque quero dizer a verdade.

Delegado: Então continue...

Pessoa: Eu menti para o senhor, quando eu disse que não sabia de nada. Eu fui contratado para desligar as luzes. 

Delegado: Quem foi que lhe contratou para fazer isso?

Pessoa: O... O Israel Ortego.

[O instrumental de tensão começa a tocar, mostrando o delegado, surpreso].

Delegado: O senhor tem consciência de que ajudou no assassinato de Marcel Ortego?

Pessoa: Eu sei, mas não sabia que era para isso. Tanto que quando escutei o barulho de tiro imediatamente liguei as luzes e corri para dentro da mansão. Estava uma algazarra lá dentro. Ele disse que era ser uma surpresa, que todos iriam amar e que em um minuto eu a ligaria de volta.

Delegado: Você não será detido como cúmplice em função disso, mas pode ser processado por falso testemunho, o senhor sujou seu nome. Agradeço o seu depoimento, e caso tenha mais algo a me falar, me avise.

Pessoa: Tudo bem, obrigado. Licença, delegado.

[A pessoa se retira e o delegado conversa sozinho].

Delegado: Cada dia uma nova pista sobre esses crimes...

*CENA 05: Presídio | Manhã*
[Samuel estaciona o carro em frente. Ele desce do carro e segue para dentro da penitenciária. Em outro take, ele conversa com alguns policiais e passa pelo detector de metais e aguarda].

[Minutos depois, o policial aparece e faz um sinal para Samuel acompanhá-lo. Ele o segue, olhando para as celas, e entra dentro da sala do diretor. Os dois se cumprimentam].

Diretor: Um prazer conhecê-lo, investigador. Eu vi a sua mensagem ontem à noite e tentei assimilar o que o motivaria a vir aqui.

Samuel: É uma situação de vários cunhos. E eu queria saber se o senhor recebeu esses dias aqui um tal de Ítalo Ferreira.

Diretor: Eu conheço o Ítalo, um ótimo rapaz. Ele esteve aqui sim. Ele comentou que o irmão é um investigador. Seria você?

Samuel (direto): Sim. Será que o senhor conseguiria me informar também quem ele veio visitar? Eu encontrei o contato de um criminoso conhecido no telefone do meu irmão. 

Diretor: Vou procurar nos registros, tenho de todos os visitantes.

[O diretor procura e encontra].

Diretor: Achei. O Ítalo veio visitar o... Natã Fonseca.

[O instrumental de tensão toca, diante da reação de Samuel e termina nele].

[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].