Quem Foi? - capítulo 15 (22/09/2023)
[Samuel permanece aflito, segurando o celular].
Samuel (preocupado): Olha, mais uma ligação para o mesmo número desconhecido e outras vindas do Natã... Meu irmão é um criminoso, só isso explica...
[Ele continua a olhar os contatos e encontra salvo o do presídio onde Natã estava, ao som de um instrumental de tensão].
Samuel: Tenho certeza de que o Natã está detido nesse lugar.
[Samuel pega o seu celular e salva os contatos nele].
Samuel (resoluto): Se isso proceder, o Ítalo vai ver. Já perdi a minha paciência com tantas coisas que estão escondendo de mim.
[Samuel, após desabafar consigo mesmo, vai para o seu quarto].
*CENA 02: Delegacia | Noite*
[Marcel chega à delegacia, com o advogado da família. Pedro está sentado e abraça o sobrinho ao vê-lo].
Marcel: Cadê a minha mãe, tio?
Pedro: Eu não sei, não perguntei porque estava te esperando, cheguei uns minutos atrás.
Advogado: Eu vou conversar com o delegado, e assim que eu tiver notícias sobre a dona Thina, vou solicitar o pedido de habeas corpus dela e que seja impetrado o quanto antes.
[O advogado sai e Marcel e Pedro procuram um policial].
Marcel: Com licença, eu queria uma autorização para ver a minha mãe.
Policial: Qual o nome dela?
Marcel: Thina Ortego.
Policial: Ok, me acompanhe.
Pedro: Sobrinho, vá sozinho, os presos só recebem um por vez, então você é prioridade.
[Marcel concorda com a cabeça e segue o policial].
[Em outro take, Thina está sentada com a cabeça para baixo, reflexiva. Marcel aparece e fica em frente ao xadrez].
Marcel: Mãe!!
[Thina corre até as grades da cela e segura a mão do filho por fora dela, começando a chorar].
Thina (chorando): Meu filho...
Marcel (se emocionando): Por que teve de ser assim, mãe?
[O policial abre a cela e fecha com Marcel dentro. Ele e Thina se abraçam, chorando, ao som de um instrumental emocionante].
Thina (chorando): Obrigada por ter vindo, meu filho. Me desculpa por te submeter a me ver nesse estado, não quero que você sofra me vendo aqui. Eu dou a minha palavra de que não mandei matar a Leandra, você lembra do meu bom convívio com ela.
Marcel (chorando): Mãe, eu sei, eu acredito na sua inocência. O seu advogado vai te tirar daqui, tenha fé. Esse nosso sofrimento é passageiro, acho que você não vai precisar dormir essa noite aqui.
Thina (se acalmando): Vou torcer por isso, essa cela é muito assustadora, estou me sentindo muito solitária.
Marcel: Mas não é, quando eu liguei para o tio Pedro, ele saiu do encontro dele direto para cá.
[Thina sorri].
Thina: Ele é um anjo, torço para que aquele homem que ele conheceu na delegacia, mesmo eu não tendo gostado muito dele, o faça feliz.
Marcel: Verdade. É.. Ô mãe... eu não queria te contar agora, pela sua atual condição, mas mediante disso queria te alegrar um pouco, você vai amar a notícia.
Thina: O que foi?
Marcel (revelando): Você e meu pai são avós, e de um menino, mãe. Eu tenho um filho.
[Thina se alegra e segura novamente as mãos de Marcel, dessa vez, perdurando].
Thina (rindo/feliz): Abaixo dos cinquenta anos e já sou uma coroa e uma vovó, que loucura. Meus parabéns! Ele já nasceu? Tem quanto tempo? Porque eu não te vejo namorando desde o começo do ano passado.
Marcel: Uma pergunta por momento. Ele já nasceu sim, já fala e é um garotinho exemplar e bonito. O nome dele é Leônidas.
Thina: Então ele tem dois anos ou mais. Quem é a mãe do menino?
[Um instrumental de tensão começa a tocar, com Marcel prestes a revelar, quando é cortado].
Policial: O tempo de visita acabou!
Marcel: Amanhã ou hoje mesmo eu te falo, mãe. Tenho que ir. Tchau.
Thina: Tchau. Você acertou, realmente estou muito feliz por você, filho.
[Um último abraço ocorre e ele é levado pelo policial. Thina continua o olhando, atrás das grades].
*CENA 03: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Noite*
[Ítalo aparece na sala, de toalha, após ter saído do banho, por seu celular estar tocando. Ele o tira da tomada e atende].
Ítalo: Não posso nem banhar mais em paz que você me liga, virou dependente emocional de mim? Como você é engraçada, estou conversando com profissional de circo. Pare de me cortejar e agilize, já está tarde e eu quero dormir. NÃO! Estou vendo que vou ter que pegar um alto-falante e gritar NÃO! Eu não vou deixar o Samuel morrer. Ele é chato e intrometido, mas é meu único parente, e eu sempre defendi meus irmãos. Vamos ver quem dispara primeiro então. Se você fizer isso, já pode começar a contar os dias para a sua visita no inferno, porque eu já comprei três passagens e uma reserva, os nossos destinos são semelhantes mesmo. Você desliga. Até.
[Ítalo recoloca o celular para carregar e sai de quadro. A câmera se aproxima do aparelho, mostrando que ele ainda está na ligação, e revela-se que era com o número desconhecido. A chamada desliga e o celular escurece lentamente, ao pico de um instrumental tenso].
*CENA 04: Delegacia | Cela de Thina | Noite*
[Thina está em frente ao seu advogado].
Thina: Conseguiu o meu habeas corpus? Eu vou sair desse inferno e não precisar dormir aqui?
Advogado: Infelizmente não, dona Thina. Você provavelmente terá de cumprir a pena provisória e ser encaminhada para uma penitenciária. Sinto muito, querida.
[Thina se baqueia ao ouvir aquilo].
Thina (triste): Por que, doutor?
Advogado: Mesmo a senhora sendo réu-primária, o que pesou para a negação foi o fato de o seu mandado de prisão provisório ter sido aceitado pelo juiz, partiu dele. E ele considerou aquele DVD uma prova bastante concreta, ainda mais que o caso da Leandra Ferreira foi reaberto pelo laudo ter revelado que ela foi assassinada. No momento, as suspeitas sobre o Israel começaram a enfraquecer e aflorar contra você. Mas tente não se preocupar tanto, dona Thina, eu vou continuar recorrendo à essa decisão, porque por você ser uma mulher conhecida em São Paulo, ter colaborado com a polícia depondo e outros, influencia muito, vou tentar convencê-lo a partir disso. E caso o juiz refute a nossa segunda tentativa, eu recorro ao Tribunal de Justiça do estado e o Ministério Público. Confie em mim, dona Thina.
Thina: Eu confio, doutor. Você vai me livrar dessa.
Advogado: Fico feliz pela autoestima e confiança. Tenho que ir, essa noite e amanhã serão cheios. Licença.
[Thina cumprimenta o advogado. O policial abre a cela e o advogado se retira].
[Thina, mesmo confiante, senta no chão e chora silenciosamente].
*O dia amanhece*.
*CENA 05: Delegacia | Cela de Thina | Manhã*
[Thina está dormindo em posição fetal, quando um policial tilinta as chaves sobre as grades da cela, para fazer a primeira acordar].
Policial: Hora de despertar, dona Soneca.
[Thina reage aos poucos, ainda sonolenta, e pressiona as mãos sobre os olhos, para acordar].
Policial: Tem uma visita para você, é um grande garanhão, não vá querer fazê-lo sair correndo com essa cara de morta.
[A visita sai de trás do policial e revela ser Jenno, ao som de um instrumental de suspense].
Jenno: Não vou não, eu conheço e me deparei com essa careta feia por mais de vinte anos todo começo de manhã.
[O pico do instrumental toca, quando Thina para de coçar os olhos e se espanta ao ver Jenno. Ela imediatamente se levanta e se aproxima lentamente das grades].
Thina: Jenno...
Jenno: Vejo que minha voz serviu de soro para você reagir. Como vai, amor? Curtiu sua primeira noite de muitas na cadeia?
[A câmera reveza entre o deboche de Jenno e olhar de Thina para ele, terminando na segunda, olhando para o ex-marido por dentro da cela].
[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].