Quem Foi? - capítulo 12 (19/09/2023)

 


*CENA 01: Casa de Samuel Patrício | Sala | Noite*

[Jenno e Ítalo continuam atrás da mesa, nervosos e calados, e Samuel chocado, após o flagra].

Samuel: Vocês dois são muito petulantes mesmo de se pegarem na minha casa e..

Ítalo (cortando): Minha não, NOSSA. Eu moro aqui e pago metade das contas, portanto tenho o total direito de trazer quem eu quiser. 

Samuel: Justamente o JENNO ORTEGO? Não seja sonso comigo, Ítalo, eu estou sem paciência hoje pelas descobertas que eu fiz e agora me deparo com outra. Esse homem é pai daquele jovem que foi assassinado e é CASADO, como você pôde se sujeitar a papel de amante?

Jenno: Eu fui embora de casa e me separei da minha esposa. Eu AMO o Ítalo. Nós vamos ficar juntos e não vai ser você que atrapalhará. 

[Samuel ri]. 

Samuel: Me poupe, Jenno, VOCÊ NÃO AMA NINGUÉM. MUITO MENOS O MEU IRMÃO, SÓ A SI PRÓPRIO. AGORA SAI DA MINHA CASA. NÃO QUERO MAIS OUVIR A SUA VOZ E VER VOCÊ OU QUALQUER UM DOS ORTEGO PRÓXIMOS DO ÍTALO, OU EU SOLICITO UMA MEDIDA PROTETIVA CONTRA VOCÊS. POR QUE VOCÊ ESTÁ PLANTADO AQUI AINDA? VAZA, RUA! 

Jenno (frio): Escuta aqui, eu só não lhe dou uma surra porque não tenho cacife para dormir na cadeia. Passar bem, investigador de araque. 

[Jenno se aproxima de Samuel e o encara olho no olho e sai de casa].

[A tensão entre Samuel e Ítalo é palpável]. 

Ítalo: VOCÊ PERDEU A NOÇÃO, SAMUEL? Eu nunca te vi assim, principalmente por algo tão fútil. O Jenno é um homem diferente, ele me ama genuinamente e..

Samuel: Uma pessoa que trai a esposa é diferente, Ítalo? Você não está entendendo, ele é pai do Marcel Ortego, e essa praga MATOU E HUMILHOU A LEANDRA. 

Ítalo: Como assim? O Marcel não está morto?

Samuel: NÃO! A Natuza me contou que ele foi na casa dela, então nitidamente foi o Marcelo Ortego quem morreu e ele está enganando a mídia e a polícia se passando pelo irmão. Mas por quê? 

Ítalo: Você falou que ele foi na casa da Natuza. Ela comentou o motivo?

Samuel: O Leônidas é filho dele, Ítalo... A Leandra namorou com o Marcel enquanto trabalhava na casa dele.

Ítalo: Estou espantado... Samuel, me desculpe por ter escondido o Jenno de você eu amo ele e estamos juntos há mais de dez anos e...

Samuel: Eu estou investigando essa família, Ítalo. Desde a falsa morte do Marcel. Essas informações que eu descobri são preciosas, e podem ajudar a solucionar a morte da nossa irmã e do Marcelo Ortego. Você e a Natuza foram iguais em trair a minha confiança. Eu vou sair e respirar, porque senão vou perder a sobriedade. E não me siga, me deixe sozinho, para raciocinar. Minha cota de ser enganado foi preenchida de uma vez hoje, por quase toda a minha família.

[Samuel também sai da casa e a câmera foca na falta de reação de Ítalo. Em outro take, Samuel sai do elevador e entra em seu carro]. 

*CENA 02: Mansão Ortego | Quarto de Pedro | Noite*
[Pedro vai ao banheiro. Ao abrir a porta, é imediatamente empurrado por Israel e cai no chão].

Israel: O que você fez com a minha arma, Pedro? Eu vim buscá-la e não saio daqui enquanto ela não estiver em minhas mãos.

Pedro: Chuta, você não é burro. Eu levei para a polícia e eles vão fazer a perícia balística nela. Seu castelo está desmoronando andar após andar, Israel.

Israel: É o que veremos. Eles só perderão o valioso tempo deles, porque eu não matei o Marcel.

Pedro: Não o matou, mas me sequestrou. Você fez isso com uma das únicas pessoas que o amava e não lhe virou as costas.

Israel: Amou tanto que dias depois já está de conversinhas com outro, e que por sinal, tem um nome ridículo.

[Israel ri].

Pedro: Esse outro é um ser humano de verdade, e que se importa comigo, ao contrário de você. E caso eu esteja atraído por ele ou não, saiba que ele é gostoso, mais bonito que você e que eu não te devo satisfações. Da minha vida você cuida, do seu filho você nem quer saber.

Israel: Sabe, Pedro, ser desmascarando fez eu não ser mais obrigado a viver com quem não gosto, só tive lucro. Bom, já que minha arma não está aqui, você vai despistar a Thina e abrir aquele portão para mim. E nem ouse revelar para ela que estive nesse quarto.

Pedro: Não, abdiquei dessa posição de ser sua marionete. Se vire.

Israel (ameaçando): Pense no Gabriel, você disse que não quero saber dele, mas agora eu quero, nenhum dos dois queremos que algo aconteça a ele, não é?

Pedro: Você não vai encostar mais no Gabriel.

Israel: Não vou, se você cumprir o que te pedi. É tão casual assim? 

[Pedro bufa e sai do quarto. Em outro take, ele abre a porta e chama Israel].

Pedro: Convenci a Thina que preciso sair e ela vai me emprestar o carro dela. Pula a janela, eu já vou deixar o portão aberto.

[Israel pula e se esconde das câmeras. Ele sai pelo portão, e Pedro liga o carro e também sai. O segundo abre a janela e chama a atenção do ex].

Pedro: Essa é a última vez que eu te ajudo, Israel. A ÚLTIMA. E apague o Gabriel da sua memória. 

Israel (sorrindo): Claro, isso sim foi um ato de lucidez e amor verdadeiro. Agora eu dou os meus pulos, vá. 

[Pedro fecha e sai, com o carro. Ele conversa sozinho].

Pedro: Vou ter que ficar pelo menos uma hora na rua, cansado do jeito que estou. Que raiva, eu sou um completo imbecil de continuar amarrado a ele.  

[A câmera mostra do lado de fora o carro andando pelas ruas de São Paulo].



*CENA 03: Casa de Israel | Noite*
[Marcel está em seu carro, dirigindo pela zona Sul. Ele estaciona duas quadras antes e caminha para a parte de trás da casa de Israel, com uma lanterna, evitando ser visto].

[Marcel consegue destrancar a janela e a pula, ao som de um instrumental de suspense]. 

[Ele circula pela casa iluminando com a lanterna e abre as portas, verificando em que cômodo está. Ele abre uma outra porta e percebe ser o quarto de Israel]. 

[Marcel liga a luz e olha para os móveis velhos e sujos, com pertences em cima. Ele abre as gavetas e as portas, à procura de provas, até desistir].

Marcel: Não tem nada aqui, só poeira, móveis vazios e objetos pessoais. Estou vendo que esse xadrez não sofrerá um xeque-mate tão fácil. 

[Marcel desliga a luz, sai do quarto e pula a janela por onde entrou].

[O dia amanhece].

*CENA 04: Gravadora Áurea | Sala de Jenno | Manhã*
[Jenno está sentado, conversando com Samuel, e é possível ouvir a conversa dos dois].

Jenno: O seu irmão está sabendo demais, Ítalo, ele descobriu alguma coisa sobre a minha família. Se ele continuar no meu encalço eu o apago, fique ciente disso.

Ítalo (mentindo): Preste atenção, Jenno. Se você armar contra o Samuel ou matá-lo, eu te mato também. Os dois sairão mortos. Ele não está sabendo de nada, senão ele teria me dito. Foi o calor da emoção por descobrir que eu estava envolvido com um homem casado.

Jenno (fechado): Assim espero. Escute, aproveitando que você está na rua, me faz um favor e pegue aquele envelope que você colocou no banco? Acho que a Thina precisa esfriar a cabeça, presa.

Ítalo: O que tem ali dentro?

Jenno: Quando a polícia divulgar a notícia da prisão dela, você descobre. Até mais tarde.

[Jenno desliga].

[O dia amanhece].

*CENA 05: Casa de Natuza | Sala | Manhã*
[Natuza e o neto estão sentados, assistindo a um filme e rindo]. 

[A campainha toca. Ela abre e revê Marcel, que imediatamente entra. Ele olha para o filho e sorri. Leônidas se levanta e Natuza desliga a TV].

Natuza: Sai daqui, Marcel. Minha casa não é um prédio, que entram pessoas todos os dias.

Marcel: Eu vim falar com o Leônidas, ele precisa saber quem é o pai dele.

[Marcel se agacha ao filho, para conversar com ele].

Marcel: Leônidas... você é tão lindo... parece um galã, certamente será um grande homem. Escute, eu e a sua mãe tivemos um rápido envolvimento, uma relação linda, de muito amor. E desse amor ela engravidou de você. Você é meu filho, o nosso fruto. Desde o momento que te vi quando vim aqui eu sabia disso. Me abrace, por favor.

[Marcel tenta abraçar Leônidas, que o empurra com as mãos, ao som de um instrumental tenso].

Marcel: Não quer me abraçar, Leônidas?

Leônidas: Não. Você não é meu pai, nunca será. Você me abandonou. Eu nunca mais quero te ver.

[A câmera alterna entre a seriedade de Leônidas e a surpresa de Marcel, parando nele].

[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].