Quem Foi? - capítulo 11 (18/09/2023)
*CENA 01: Rodoviária do Tietê | Manhã*
[Alanis percorre pela rodoviária e se aproxima do ponto de táxis, à espera de Gabriel].
[Mais tarde, ele chega e desce, enquanto o motorista guarda as malas de Alanis. Gabriel e a mãe se abraçam fortemente].
Gabriel: Achei que nunca mais te veria pessoalmente, estava entediado de conversar por telefone durante tantos anos. A senhora finalmente vai poder me explicar toda a sua história com o Israel?
Alanis: Em outro lugar. Eu conheço hotéis ótimos aqui no bairro, vou me hospedar em um. Esse rapaz nos leva e mais tarde você retorna.
[Eles seguem viagem].
*CENA 02: Padaria | Manhã*
[Thina e Pedro estão na padaria, conversando].
[Fora, está Samuel, em seu carro, vigiando os dois, ainda maquiado. Ele sai do carro e entra no estabelecimento e vê Pedro e Thina, fingindo surpresa. Pedro acena e Samuel vai ao encontro deles, encenando].
Pedro: Que coincidência te encontrar. Por que você saiu da delegacia sem fazer a denúncia?
Samuel: Não consegui. Eu terminei com meu namorado, mas tenho medo de morrer.
Pedro: Isso é um motivo crucial para você denunciá-lo, eu posso te levar e apoiar.
Thina: Pedro? Moço, perdão pela inconveniência, mas o que você quer? Conheceu eu e o Pedro por acaso minutos atrás e está forçando intimidade?
Pedro: Thina...
Samuel: Desculpe, mas é que estou me sentindo só, mais do que já sou. O meu namorado era a minha única companhia na cidade, meus familiares moram longe, e o Pedro se preocupou comigo, quis me aproximar.
Pedro: Você vai encontrar alguém melhor que ele. Me diga o seu número, quando eu comprar outro celular mais tarde eu registro, perdi o atual no meu... Esquece, era nada.
[Os três continuam conversando, apesar do olhar julgador de Thina].
*CENA 03: Hotel | Manhã*
[Alanis e Gabriel descem do carro e entram no hotel. A primeira faz o check-in e recebe a chave, entregue pelo recepcionista].
[Em outro take, ela e Gabriel entram no quarto e colocam os pertences sobre o leito. Os dois observam o quarto e se abraçam outra vez].
Alanis (emocionada/abraçada): Nem acredito que pude te reencontrar, meu filho. Tenho todas as fotos que você me mandou durante esses anos, e agora vejo um rapaz mais interessante e bonito ainda. O único papel do Israel na minha vida foi lhe ter.
Gabriel: Mãe, eu queria que você elucidasse o envolvimento de vocês desde o começo, a senhora explicava superficialmente quando me atendia.
Alanis: Nos conhecemos em um show, dezenove anos atrás. Ele era mulherengo e debochado, mas charmoso e atraente. Ficamos no primeiro dia e fomos nos conhecendo melhor, até eu ser pedida em namoro e convidada para morarmos juntos, na casa que ele tem na zona Sul. Mas depois que isso aconteceu, ele ficou amargo, frio e começou a me violentar psicologicamente. Quando descobriu que eu estava grávida, ele continuou a me ameaçar e alegou que me mataria depois que você nascesse. E eu fui obrigada a te deixar por isso.
*FLASHBACK | 2006 | Hospital | Manhã*
[Alanis está deitada sobre a maca, fingindo estar dormindo, após ter dado à luz. Israel a observa sentado em uma poltrona e é chamado por uma enfermeira].
[Aproveitando a ausência de Israel, ela abre os olhos, corre para o banheiro e tranca a porta. Alanis sobe na privada para abrir a janela e pegar apoio, ficando sobre o parapeito da janela. Ela pula e corre, sem ser vista].
*Fim do flashback.*
Alanis: Eu me arrependo disso, mas talvez eu nem estaria viva agora para poder te ver. Eu não te abandonei completamente, sempre te observei de longe, te encontrei algumas vezes e conversamos no celular.
Gabriel: Mãe, não se explique tanto. Eu preciso te falar algumas coisas sobre o Israel. Ele foi acusado pelo assassinato do Marcelo, o da Leandra e o sequestro do Pedro.
Alanis: Ele foi preso?
Gabriel: Não.
Alanis: Tomara que essas denúncias prossigam e em breve ele seja, isso fará nos esquecerem. Agora que eu voltei, serei uma provável peça. Genial vocês enganarem a polícia sobre a morte do Marcelo, não desconfiaram de nada até agora.
Gabriel: O Marcel fez isso para poder se vingar sobre as duas mortes, mas essa vingança fracassou, ele não encontrou nada até agora.
Alanis: Melhor assim. Você sabe do Israel?
Gabriel: Ele está naquela casa que você comentou, o rapto do Pedro foi ali.
Alanis: Então está na hora de nos reencontrarmos. Mais tarde darei esse agradável presente à ele.
[Alanis sorri].
*CENA 04: Casa de Natuza | Sala | Manhã*
[Natuza está limpando a mesa, quando a campainha toca. Ela se emociona ao abrir a porta e ver que é Samuel. O abraço entre eles é puro e recíproco].
Natuza (emocionada): Que bom te rever, meu amor, fiquei preocupada. E o Ítalo? Não quis vir com você?
Samuel: Não falei para ele que ia vir aqui, e certamente ele daria uma desculpa se tivesse. Eu estava com saudades com você, fazia três semanas que não nos víamos.
Natuza: Pois é, eu te liguei dois dias atrás e você não me atendeu.
Samuel: Eu vi. Não pude retornar, estava ocupado, e para recompensar fiz essa surpresa. Eu queria te perguntar também o motivo da ligação, você só costuma fazer isso em casos específicos. Aconteceu algo?
Natuza: Sim... Samuel, eu peço que você tente entender o meu lado, por favor. Estou carregando essa história desde antes da morte da Leandra e não te falei ou denunciei para a polícia porque não tenho provas. Mas depois que ele veio me visitar fiquei atemorizada, pelo Leônidas.
Samuel: Quem veio aqui, Natuza?
Natuza (revelando): O... O Marcel Ortego!
[O pico do instrumental de tensão toca na hora, mostrando a surpresa de Samuel].
Samuel: O Marcel? O que ele veio fazer aqui? Não foi ele quem morreu?
Natuza: Não. Ele veio buscar o Leônidas... O Marcel é o pai dele. E eu suspeito que foi ele e o tio dele que mataram a minha filha.
[A câmera nota a perplexidade de Samuel, diante da notícia, enquanto o instrumental governa cada vez mais o fundo].
*CENA 05 - CONTINUAÇÃO: Casa de Natuza | Sala | Manhã*
[Samuel continua em choque e se emociona, de raiva].
Samuel (chorando/raiva): A senhora sabia disso esses anos todos e nunca me falou NADA? Eu estou investigando os Ortego atualmente, Natuza. Se você tivesse me falado e me explicado desde o começo, eu teria os prendido HÁ ANOS, E ELES ESTARIAM PAGANDO PELO SOFRIMENTO QUE IMPUSERAM NESSA FAMÍLIA, POR TEREM MATADO A SUA PRÓPRIA FILHA, UMA MOÇA JOVEM E QUE DEIXOU UM FILHO ÓRFÃO AO NASCER. COMO MINHA IRMÃ CONHECEU A FAMÍLIA ORTEGO? E POR QUE ELES MATARAM A LEANDRA? RESPONDA, NATUZA.
[Natuza, que está com a cabeça baixada, a levanta, chorando, enquanto Samuel a olha irritado, tentando se controlar].
Natuza (baixa): Não me trate assim, Samuel, eu me condeno demais por isso. Eu não tinha e não tenho provas contra eles e fiquei com medo de desmascará-los e eu ou o Leônidas sermos mortos. E agora estou suplicando a sua ajuda porque ele quer angariar a guarda do meu neto. O Leônidas não sabe quem é o pai dele e não quero que ele saiba, ele foi rejeitado pelo Marcel, quando a Leandra descobriu a gravidez, e ainda tentou coagi-la a abortar.
Samuel (se acalmando): Meu Deus...
Natuza: Ele proferiu ofensas contra a Leandra e ameaçou matá-la, porque ela não tinha aceitado. Ela terminou com ele. Eu lembro do dia que ela chegou em casa e me contou, chorando.
*FLASHBACK | 2018 | Casa de Natuza | Quarto de Leandra | Tarde*
[Leandra entra em seu quarto chorando. Ela joga as suas coisas no chão e coloca a sua cabeça sobre o travesseiro, para chorar. Natuza entra no quarto, para ajudar a filha].
Natuza: Leandra, o que aquele garoto disse? Vejo que não foi nada agradável.
Leandra (chorando): Nós rompemos e eu me demiti, mãe. Ele tentou me obrigar a tirar o meu filho.
Natuza (chocada): Como? Ah, se eu cruzo com esse pentelho na rua, eu reparto ele em dois... O que você falou para os seus patrões?
Leandra: Eu menti para eles, disse que você está doente, assim não descobrem a minha gravidez, ela está no estágio inicial. E o Marcel viu eu mentindo para a dona Thina e não disse nada, só me encarou. Prefiro e não quero mais tocar nesse assunto, não sei porque chorei, eu não necessito do Marcel ou da grana dele, espero que ele engula todas as notas. Eu vou criar o meu neném sozinha, vou procurar um outro emprego, voltar a estudar e cuidar dele. Vai ser complicado, mas valerá a pena. A senhora me ajuda?
Natuza: Claro que sim, eu jamais vou desamparar os dois. Se você quer recomeçar, sugiro que seja no interior, Leandra. Uma casa pequena, confortável e em uma cidade pacata onde não conhecemos ninguém fará bem coletivo.
Leandra: Concordo com você. A violência aqui em São Paulo é descontrolada, muito perigoso. E eu também quero me distanciar dos Ortego, fiquei com medo do que o Marcel possa fazer comigo. Ele me ameaçou de morte, mãe. E ele estava falando sério. Não quero que o meu filho cresça sem a minha presença.
Natuza: Ele não fará nada com você, só tem quinze anos. Mas é bom mesmo ficar em alerta. Vamos nos antecipando, nos próximos meses eu olharei umas casas baratas pela internet em cidades que tenham um custo de vida acessível. E quando meu neto nascer, é só nos mudarmos. Vai dar tudo certo, filha. Você verá.
[Natuza e Leandra se abraçam].
*Fim do flashback.*
Samuel: E quanto ao Israel Ortego? Qual motivo ele teria?
Natuza: Isso eu não sei, ela não me falou. Mas o que eu sei é que eles não se gostavam.
Samuel: Você ainda não disse como a Leandra entrou na família Ortego.
Natuza: A Leandra estava à procura de um emprego e ela encontrou no jornal uma vaga de empregada doméstica na mansão de uma família rica. Ela se interessou e os contatou, ficou um ano e alguns meses lá, até se demitir. Ela mentiu, disse que eu estava doente e iria cuidar de mim, para evitar que os chefes dela não a vissem com a barriga crescendo.
Samuel: Não sei o que falar, estou profundamente decepcionado com você e a Leandra, mesmo ela sendo falecida. Poxa, eu sou familiar de vocês, a Leandra não confiava em mim e no Ítalo, Natuza? E você? Se alguém tinha o direito de saber era eu, porque o episódio dela já poderia estar resolvido. Tudo levava a crer desde o começo que poderia ser um assassinato, esses segredos ocultados seriam e agora são de extrema importância.
Natuza: Me perdoe, Samuel, isso não vai se repetir e eu vou me redimir, vou colaborar com a polícia, caso seja preciso.
Samuel (seco): Não sei se consigo te perdoar, não agora. Me senti traído por duas mulheres que eu amo. E sim, faça isso, seu depoimento será essencial para a progressão das investigações. Na hora certa você vai. Licença, Natuza.
[Samuel se despede de Natuza com um aceno e sai. Natuza começa a chorar, talada pelo ocorrido].
*[O dia anoitece].*
*CENA 06: Mansão Ortego | Noite*
[Israel está escondido em arbustos, à espera da família, ao som de um instrumental de tensão].
[Um pouco depois, ele vê o portão sendo aberto e o carro de Thina entrando. Ele corre para dentro e se esconde novamente em outros arbustos].
[Após Thina e Pedro entrarem, ele despista as câmeras de segurança e escala a parede da casa. Ele se segura no parapeito, enquanto destranca a janela e usa a própria força para entrar no quarto de Pedro].
[Já dentro, ele não encontra o marido e abre a porta do quarto, para ver se vem alguém e a fecha].
Israel: Só rico burro mesmo instala câmeras de segurança fora da casa e não dentro.
[Ele ouve passos e se esconde no banheiro. É Pedro. Ele deita sobre a sua cama e usa o seu novo celular, já configurado e envia áudios para Samuel, chocando Israel].
Israel (debochando): Mal terminou com o maridão aqui e já tomou outro partido, é um gay safado mesmo.
*CENA 07: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Noite*
[O interfone toca e Ítalo aparece para atender. Ele libera a entrada e em outro take ele abre a porta, vendo Jenno].
Ítalo: Onde você se enfiou, Jenno? Não respondeu as minhas mensagens.
Jenno: Eu precisava sumir por um dia, estou morrendo de ódio da Thina. Ela descobriu o nosso caso e me humilhou e expulsou daquela mansão.
Ítalo: E o que você vai fazer?
Jenno: Nada, aconteceu. Até agradeço o Israel por ter feito isso, quinze anos vivendo extraconjugalmente com você foi tempo demais, agora podemos sair de mãos dadas e nos assumir. E eu quero ver se a Thina saberá administrar os bens dela, com aquela vida monárquica que eu dava para ela, não deve saber nem lavar uma área.
Ítalo (rindo): Agora é a nossa vez de sermos os reis.
[Ítalo e Jenno se beijam longamente. Ítalo tira a camisa de Jenno, que o coloca sobre a mesa].
[Samuel abre a porta e se choca ao flagrá-los].
Samuel (gritando): ÍTALO!
[Ítalo e Jenno olham para o lado e veem Samuel. Eles param imediatamente e se arrumam].
Samuel (enfrentando): O que você está fazendo com esse homem? Você está de gozação com a minha cara? É sério que vocês têm um caso?
[A câmera expõe o afronte de Samuel e termina no choque e constrangimento de Ítalo e Jenno].
[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].