Quem Foi? - capítulo 10 (15/09/2023)

 

CENA 01: Mansão Ortego | Sala | Noite

[As reações de Thina e Jenno se mantêm inabaláveis].


Jenno (tentando mentir): O que deu em você, Thina? Eu não tenho um caso com o Ítalo, nunca teria, ele é meu associado.


Thina: Eu recebi fotos anônimas de vocês se beijando, claramente vindas do Israel. Já comuniquei e as entreguei ao nosso advogado, ele vai abrir o processo de divórcio e por traição. Você nunca soube encobertá-la, faltava eu descobrir o nome do indivíduo e ter uma evidência. Você teve a ousadia de levar o seu amante para eu conhecer no enterro do nosso filho e permitir que ele me alentasse. Ele chorou no túmulo do Marcelo, Jenno. Há quanto tempo vocês estão juntos? Desde a fundação da Áurea? 


[Jenno fica calado]. 


Thina: Perdeu a voz, Jenno? CONFESSA!


Jenno (revelando): Confesso. Quer mesmo saber a verdade? Você é BURRA, Thina, é cega, uma acomodada, nasceu para ser uma dona de casa sustentada por mim, pelo próprio pai e a herança dele. Essa casa originalmente nem é sua. Eu consegui esconder o Ítalo de você todo esse tempo, mesmo ele sendo o segundo dono da minha empresa. Eu conheci o Ítalo no karaokê de um bar, anos atrás.


Jenno (narrando): Eu estava afim de sair sozinho, depois do nascimento dos meninos não tinha sobrado mais tempo para mim, então simulei para você que estava passando mal. O Ítalo sentou ao meu lado, e começamos a papear sobre o meu nome.


FLASHBACK | 2008 | Vila Madalena | Bar

[Jenno e Ítalo, mais jovens, estão sentados, no balcão do bar].


Jenno: Parceiro, me veja uma lagoa azul, por favor.


Ítalo: Vou acompanhá-lo, me dê uma também, por favor.


Jenno: Perdão, mas eu te conheço?


Ítalo (avançando): Não, mas se quiser conhecer melhor, estou à disposição. Sou Ítalo Ferreira, prazer.


Jenno: Prazer. Sou Jenno Ortego.


Ítalo: Jenno Ortego? Que nome e sobrenome exóticos, é o primeiro homem que conheço chamado assim.


Jenno (rindo): Foi uma homenagem póstuma para o meu avô paterno, que se chamava Jean. E para evitar repetição, meus pais trocaram as duas últimas letras. O nome do irmão mais velho é Israel, brinco com ele às vezes por ser nome de um país asiático.


Ítalo (rindo): Gostei da criatividade.


Jenno (narrando): Depois eu o convidei para cantar karaokê comigo. Já não estávamos mais totalmente sóbrios.


[Jenno e Ítalo terminam de cantar, bêbados e saem do bar].


Jenno (narrando): E mais tarde ofereci uma carona. Eu estava mais lúcido que o Ítalo. 


[Jenno para o carro em frente ao prédio de Ítalo].


Jenno: Chegamos. Você mora sozinho?


Ítalo: Não, moro com o meu irmão. Ele é investigador, tenho orgulho de dizer isso. Uma pena ele estar em casa, poderíamos curtir muito essa noite.


[Ítalo acaricia o rosto de Jenno].


Ítalo: Você gosta de homem, Jenno?


Jenno: Sim, sou bissexual. Mas eu sou casado, com uma mulher... e tenho gêmeos. 


Ítalo: Você realmente a ama? Eu podia te fazer feliz.


Jenno (confuso): Eu...


Ítalo: Ela não precisa saber...


[Ítalo reage e aproxima seu rosto do de Jenno e tocam seus lábios. Eles se beijam intimamente pela primeira vez].


[Jenno demonstra arrependimento, mas disfarça. O silêncio penetra, após o beijo].


Ítalo: Me dê o seu número.


Jenno: Não tenho papel, só caneta. Vou escrever no seu braço.


[Jenno realiza a ação e Ítalo sai do carro. Jenno bate a mão contra o volante].


Fim do flashback.


Jenno: No começo eu me arrependi de ter te traído, mas os anos foram passando, continuamos a nos encontrar e nos aliamos para criar a Áurea dois anos depois. Sou eternamente grato ao seu pai pelo apoio e por cada centavo emprestado. Queria tê-lo retribuído antes de morrer, ele sim era um homem inteligente, como o Ítalo, dificilmente são ludibriados. Ao contrário de você, que é tão fácil a ponto de ser sem graça.


[Thina, irada, emite um tapa na cara de Jenno. Ela tenta agredi-lo novamente e tem o braço segurado pelo marido, que a empurra para o sofá]. 


Jenno: Nunca mais encoste em mim, essa foi a última vez. É um sonho finalmente eu romper com você, posso assumir e continuar com o Ítalo, sem covardia. 


Thina: Você é um monstro. Eu e o Pedro não merecíamos ter se apaixonado por homens feito você e o Israel, o mau-caratismo é hereditário.


Jenno: Concordo, EU merecia uma pessoa melhor. Não vou me despedir do meu filho e dos meninos porque eles te apoiarão. Nos vemos no tribunal, amor.


[Jenno ri doentemente. Ele apanha as suas coisas e se retira de casa]. 


[Após Jenno fechar a porta, Thina a tranca e senta no chão, escorada na porta, controlando-se para não ter outro surto].


CENA 02: Quarto de Gabriel | Mansão Ortego | Noite

[Gabriel está deitado, ao celular. Alguém bate na porta e ele autoriza a entrar. É Pedro].


Pedro: Gabriel?


Gabriel: Pedro!! 


[Pedro e Gabriel se abraçam].


Gabriel: Onde você estava? Com o Israel?


Pedro: Sim. Não queria te falar, mas ele me prendeu. Eu fugi horas depois e consegui ligar para a Thina hoje com o celular de um estranho. O Marcel me buscou.


Gabriel (infeliz): Pedro, eu sinto muito, me desculpe e o meu pai também, não o reconheço mais. Eu tenho vergonha de ser filho dele.


Pedro: Não é culpa sua, é só do Israel. Amanhã o denunciarei com a Thina pelo meu cárcere privado. Você irá conosco? 


Gabriel: Não, prefiro ficar aqui, não suporto mais sobreviver em meio à essa teia de crimes, mentiras, e me inteirar de que tudo aconteceu porque meu pai voltou. A qualquer momento ele será preso. 


Pedro: Ele precisa pagar pelos crimes que cometeu, por mais que nos doa. Vamos vencer essa intriga juntos, sempre foi e será nós dois. 


[Eles sorriem].






[O dia amanhece].

*CENA 03: Delegacia | Manhã*
[Pedro e Thina esperam serem chamados pelo delegado].

[Samuel, maquiado como se estivesse cortado e com um olho inchado, caminha mancando, até a cadeira. Ele senta ao lado de Thina e Pedro].

Pedro: Oi. Não é melhor o senhor ser encaminhado para o hospital? Você está quase desfigurado, o que aconteceu?

Samuel (atuando/chorando baixo): Já fui, estou tomando remédios desde ontem. O meu namorado fez isso, por uma crise de ciúmes. Ele é um covarde, sempre me desvalorizou e eu o aguentei esses meses, na esperança de que ele mudaria e me amasse.

Pedro: Eu entendo perfeitamente a sua situação no relacionamento, o meu marido também nunca se importou comigo ou com o filho dele. Pode desabafar comigo se quiser...

[O delegado chama Thina e Pedro].

Pedro: Licença, tenho que entrar. 

[Eles vão para a sala].

Samuel (feliz): Acertei o ponto fraco do Pedro em cheio, será simples. 

[Samuel comemora].

*CENA 04: Sala do Delegado | Delegacia | Manhã*
[Os três conversam].

Delegado: A senhora me avisou ontem mesmo que viria, por mensagem. Trouxeram a arma?

[Thina retira o objeto de sua bolsa e entrega ao delegado].

Pedro: Doutor, essa pistola está em sua mãos porque a tomei do meu marido, o Israel Ortego. Eu queria denunciá-lo por outro delito. Ele me raptou e manteve em cárcere privado, anteontem. A Thina pode confirmar.

Thina: Procede, delegado. Ele me ligou ontem com o aparelho de um sujeito qualquer, disse que ficou quase um dia inteiro recluso e escapou. E eu pedi para o meu filho buscá-lo. 

Delegado: Como conseguiu desarmar o Israel, seu Pedro?

Pedro: Eu imobilizei e dei uma coronhada nele. Ele desmaiou e peguei a arma. No momento fiz isso com medo de que ele acordasse e realmente me matasse, mas fiquei com receio depois de que ela seja a que matou o meu sobrinho, o Marcel. 

Delegado: Levaremos imediatamente para a perícia balística. Ela está descarregada?

Pedro: Provavelmente, não.

Delegado: Ótimo. Nos próximos dias receberemos o resultado e eu aviso aos senhores. E registramos a sua denúncia, Pedro. Ela será conclusa a um juiz para análise. O seu esposo está se complicando cada vez mais com a justiça. 

Pedro: Obrigado.

[Thina e Pedro cumprimentam o delegado e saem da sala].

[Pedro estranha o fato de o homem com quem conversou não estar mais no local. Eles saem da delegacia].

*CENA 05: Mansão Ortego | Manhã*
[Gabriel está do lado de fora, caminhando para o portão. Ele o abre e entra dentro de um táxi, em um telefonema].

Gabriel: Já estou no táxi, até em meia-hora estou na rodoviária. Você já desembarcou? Tudo bem, até daqui a pouco. Também te amo, mãe.

[Gabriel sorri e encosta a cabeça no vidro, olhando as ruas].

*CORTA PARA:*

*CENA 06: Rodoviária do Tietê | Manhã*
[A câmera mostra um ônibus entrando dentro da rodoviária. Ele passa pelo guichê e desembarca na plataforma]. 

[Uma pessoa em primeira visão levanta da poltrona, com suas poucas bagagens].

[A câmera grava do lado de fora do transporte, as pessoas desembarcando, e, por último, os pés de uma pessoa, de sapato vermelho.]

[Ela sobe lentamente e revela ser Alanis, sorrindo e inspirando o ar].

Alanis: Voltei, São Paulo! E para ficar.

[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre por ela].