*CENA 01: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Quarto de Ítalo | Tarde*[Samuel distribui todos os maços em cima da cama de Ítalo e calcula o valor, falando sozinho].
Samuel: Trezentos mil reais. Ítalo, Ítalo, espero que você não esteja seguindo o caminho errado...
[Samuel junta os maços em uma pilha sobre suas mãos e sai do quarto].
*CENA 02: Casa | Tarde*
[Pedro espera impacientemente encostado na parede, atrás da porta, por Israel].
[A porta se abre e ilumina um pouco. No calor momentâneo, Pedro sobe por cima de Israel e lhe dá um mata-leão, o impossibilitando de se defender. Israel, no susto, tenta atirar nele, mas é em vão. Pedro consegue desarmá-lo e dá uma coronhada no marido, fazendo-o desmaiar na hora e ambos caírem no chão].
[Pedro observa Israel].
Pedro (frio): Te ver no seu verdadeiro lugar, o chão, não tem preço, Israel. Eu poderia te matar agora, já que você está desmaiado. Mas eu não sou um assassino feito você. Vou deixar os tribunais determinarem o seu destino... Até nunca mais.
[O instrumental de suspense toca, enquanto Pedro foge, com a arma na mão].
*CENA 03: Casa de Natuza | Tarde*
[A câmera cerca uma residência comum e florida e mostra, através de uma janela, uma senhora e uma criança brincando, até a campainha tocar].
[Eles pausam a brincadeira e Natuza atende a porta, dando de cara com Marcel. A câmera alterna, tensionada, entre o choque e a raiva de Natuza e Marcel a encarando].
Marcel: Surpresa, Natuza?
*CENA 04: Casa de Natuza | Sala | Tarde*
[Marcel e Natuza continuam se enfrentando pelos olhares].
Marcel: Não vai me convidar para entrar?
Natuza: Leônidas, vá para o seu quarto e tranca a porta, por favor. É conversa de adulto, e a vovó não vai demorar. Se precisar de algo, grita.
[Leônidas assente e vai para o quarto. Natuza acena com a mão para Marcel entrar].
Natuza (irônica): Quem diria reencontrá-lo... Acho que estou vendo o seu fantasma, vi nos jornais que você "morreu". Muito irregular a sua armação e daquela família alienada. Só quem não os conhece bem acreditaria naquela falácia. Aposto que um de vocês matou o Marcelo.
Marcel: Imaginava que você diria isso mesmo, para cortar o tema principal. Mas eu não vou sair daqui sem o MEU FILHO. Eu sei que sou o pai daquele garoto.
Natuza: Você é muito abusado, moleque. Dentro da minha casa você é ninguém. Você não vai conseguir empossar dele, depois do que falou para a minha filha. Ele sabe que não foi desejado e escolheu não querer conhecer o pai biológico. Você perdeu, Marcel. Como eu queria que o meu ex-enteado prendesse você e o seu tio pelo assassinato da minha filha. Mas não posso provar e ele não os conhece, errei por não ter falado a verdade. A Leandra só contava a vida dela para mim.
Marcel: Quantas lamúrias, eu que deveria me condoer, eu amava a Leandra. Quem matou ela foi o Israel. Não sei qual o contexto por trás, mas eu vou descobrir. Só que isso não vai me fazer renunciar dos meus direitos de pai, e eu vou abrir um processo de guarda.
Natuza: Legalmente eu sou a tutora do Leônidas. Se você abrir um processo contra mim, eu te denuncio por abandono afetivo, esse crime eu consigo comprovar. Olha, vá embora, por favor, seus argumentos acabaram e não me convenceram um pouco.
Marcel: Tudo bem. Depois não reclame na hora que perder a batalha judicial. Eu tentei tomar o meu filho pacificamente e você não quis. NÃO QUIS.
[Marcel abre a porta e sai da casa. Leônidas, ao perceber que Marcel foi embora, sai correndo do quarto e abraça Natuza].
Natuza: Isso, só me abrace.
[Natuza solta o neto. Ela pega o celular sobre a mesa e liga para Samuel. A ligação não é atendida].
*CENA 05: Presídio | Sala de Visita | Tarde*
[Ítalo, sentado, aguarda um preso. Ele é conduzido e solto das algemas pelo agente penitenciário. Ítalo e o detido se encaram e o agente se distancia].
Ítalo: Por que você me chamou, Natã? Eu não posso me arriscar à essas alturas, você é fichado na polícia. Já imaginou se o meu irmão descobre a nossa parceria?
Natã: Seu irmão não vai saber... se você cumprir o nosso acordo. Ou você me paga o dinheiro que me prometeu há anos e viabiliza a minha fuga, ou o grande Samuel Patrício vai descobrir que o maninho é um bandido que me contratou de laranja para comprar uma substância ilícita.
Ítalo: No momento crítico que você se encontra, vai realmente me chantagear? Surpreendente, vindo de um amador. Se quiser me denunciar para o Samuel, siga. Ele não vai acreditar. EU SOU IRMÃO DELE, minha palavra sempre será a mais prezada.
Natã: Não cante vitória antes do tempo, sua máscara cairá um dia. O que você fez com aquele dinheiro?
Ítalo: Está bem guardado, onde você não encontrará. Eu até poderia usá-lo para te tirar daqui, mas você não é mais réu-primário. O que lhe resta é efetivar sua pena.
Natã: Isso não vai ficar assim. Como eu esperava essa resposta, já tinha um plano de fuga. Em alguns dias sairei desse inferno e vou me alojar fora do país. Só que antes eu te mato e recupero o meu dinheiro.
Ítalo: Experimenta. Depois do que eu falei, quero ver você tentar.
[Ítalo chama o carcereiro e sai. Em outro take, ele está fora do presídio e entra no carro, falando ao telefone].
Ítalo: Eu não quero saber, é uma ordem. E para amanhã. Vou te passar os contatos. É séria essa pergunta? Você é burro, hein. No país que vivemos tranquilamente você consegue um celular e conquista mais regalias na prisão do que estando em liberdade. Vou voltar para São Paulo agora. Ok, tchau.
[Ítalo desliga e a câmera grava a reação dele pelo retrovisor interno].
*CENA 06: Casa | Tarde*
[Israel lentamente desperta, confuso, com uma mão na cabeça e reclamando de dor. Ele estranha a porta estar aberta e levanta se apoiando em um móvel].
Israel: Cadê minha arma? Pedro desgraçado!! O último que me restou se rebelou contra mim. Ele me paga também.
[Israel sai da casa].
[O dia anoitece].
*CENA 07: Casa de Samuel Patrício e Ítalo | Sala | Noite*
[Samuel está assistindo televisão, com um olhar frio e o saco preto ao lado. Minutos depois, Ítalo abre a porta e sorri para Samuel].
Ítalo: Boa noite, irmão... Que cara é essa? Aconteceu algo?
Samuel: Não, mas vai acontecer. Me explica o que é isso aqui.
[Samuel joga o saco preto para Ítalo. Ele pega e se choca ao abri-lo e ver o dinheiro].
Ítalo: Você mexeu nas minhas coisas?
Samuel: Sim. E vejo que foi o certo. Por que você guarda trezentos mil reais em espécie dentro de casa, Ítalo?
[A câmera registra a reação de Ítalo, pressionado].
[A tela escurece aos poucos, enquanto o sangue escorre pela tela].