Sofá de Cachorro - capítulo 07
|O MORDOMO DA CASA CHEGA|
MORDOMO: Ai, meu Deus... |O MORDOMO TENTA ACORDAR JEANYRA, É MOSTRADO ALANYRA BASTANTE AFLITA|
|NO DANCING DE JÉSSICA, É MOSTRADO THIAGUETE ENTRANDO NO QUARTO ONDE AS DANÇARINAS DORMEM E ABRINDO O SEU GUARDA ROUPA, EM SEGUIDA, JOGANDO AS ROUPAS EM SUA CAMA|
THIAGUETE: Velharia|ELA JOGA A SAIA NA CAMA|, velharia|JOGA O VESTIDO|, horrível|JOGA OUTRA ROUPA|, esburacada|JOGA OUTRA SAIA| Finalmente uma roupa decente(DIZ THIAGUETE AO ENCONTRAR UMA ROUPA). Preciso renovar esse guarda roupa, pena que com a miséria que esses clientes pagam isso é quase impossível.
|THIAGUETE SORRI|
THIAGUETE: Já sei, vou tomar um dinheirinho emprestado com o Samuel.
|JÉSSICA ENTRA MOSTRANDO QUE OUVIU TUDO|
JÉSSICA: Pois eu acho que você deveria agradecer, com essa sua idade, óbvio que não vai faturar tanto... beleza acaba.
THIAGUETE: Fique quieta, velha insolente.
JÉSSICA: Velha, eu?
THIAGUETE: Sim, você.
JÉSSICA: Quem está ficando caída é você, eu já sou rica e dona de tudo isso aqui.
THIAGUETE: Depois de se deitar com vários homens, fez um investimento ao menos.
JÉSSICA: E você que se deitou com vários e não guardou nada? Eu me deitei com muitos sim, homens inclusive mais gostosos que os que você se deitou, aproveitei muito e saí ganhando. Você se acha tão esperta, mas não passa de uma IDIOTA.
|JÉSSICA SE RETIRA GARGALHANDO|
|THIAGUETE PEGA SUA ROUPA E SAI PARA SE APRONTAR PARA MAIS UM DIA DE DANÇA COM OLHAR DE RAIVA AO SOM DE "LA PLATA - JOTA QUEST"|
|NA CASA DE JEANYRA, A MADAME JÁ ACORDOU E ESTÁ A TOMAR UM COPO DE ÁGUA NA SALA|
ALANYRA: Que susto você me deu, senhora.
JEANYRA: Eu estava meio tonta e quando lhe vi, eu me vi jovem, eu diria que é até a minha...
ALANYRA: Sua o quê?
JEANYRA: Nada, esqueça... o que você veio tratar comigo?
ALANYRA: Ah, eu vi um pôster de que aqui estariam precisando de uma nova empregada.
JEANYRA: Como é seu nome?
ALANYRA: Pode me chamar de Alanyra.
JEANYRA: Que incrível, o meu é Jeanyra.
ALANYRA: Ah(riso) o encontro das Nyras.
JEANYRA: Sim(sorriso), e você tem experiências de outros empregos?
ALANYRA: É a minha primeira oportunidade de trabalho, eu cresci em um convento e cuidava da administração por lá.
JEANYRA: Interessante, olha Alanyra, eu gostei muito de você, principalmente pelo seu gesto de consideração em me salvar, por isso vou te colocar em um período de teste por um mês, você poderá morar e comer da comida aqui na casa e poder trabalhar... Depois nos encontramos para cuidar da burocracia da contratação.
ALANYRA: Ah, muito obrigado, eu não sei nem como lhe agradecer.
JEANYRA: Me agradeça continuando com essa humildade que você mostrou hoje.
|ALGUÉM BATE NA PORTA E O MORDOMO ABRE A PORTA|
|ÍTALO ENTRA CORRENDO E SE AJOELHA SOBRE OS PÉS DE JEANYRA|
ÍTALO(DESABANDO EM LÁGRIMAS): Me disculpe fia, por favô.
|JEANYRA SE ASSUSTA COM SEU PAI ALI|
JEANYRA: Pai?
|ALANYRA FICA PARALISADA COM A SITUAÇÃO, ÍTALO CONTINUA CHORANDO|
JEANYRA: Eu lhe perdoei a muitos anos pai, eu só estava esperando uma chance de nos reaproximarmos.
ÍTALO: Então ocê me perdoa pelo que fiz há 20 anos atrás?.
JEANYRA: É claro que sim, pai.
|OS DOIS SE ABRAÇAM INTENSAMENTE ENQUANTO UM INSTRUMENTAL EMOCIONANTE TOCA, ALANYRA FICA PARALISADA COM TUDO QUE ESTÁ ACONTECENDO|
ALANYRA: É... eu acho melhor eu ir.
ÍTALO: I ocê é a minha netinha?
ALANYRA: Não, eu estou apenas em busca de um emprego nessa casa.
ÍTALO: Genti, mas ocê é a cara da Jeanyra mais nova.
JEANYRA: Eu a conheci hoje e até desmaiei quando vi por sermos tão parecidas, mas eu... eu perdi a minha filha quando era pequena.
ÍTALO: Sinto muito, fia.
ÍTALO: Ocê agora tá rica, tá bonita...
JEANYRA: Aliás papai, como o senhor descobriu o meu endereço?
ÍTALO: Ocê é rica, num é muito difícil descobrir. Mas... eu não vim aqui para falar da vida com ocê, a sua mãe pediu para ver ocê e ela está muito doentinha.
JEANYRA: O quê?(PREOCUPADA) Como está minha mãe?
ÍTALO: Mal minha fia, muito mal... e é por isso que eu preciso que ocê venha comigo na fazenda.
|JEANYRA PEGA SUA BOLSA|
JEANYRA: Licença, Alanyra.
ALANYRA: Toda.
|JEANYRA E ÍTALO SAEM|
|ANINHA E CELINA CHEGAM A CIDADE DE SÃO PAULO|
ANINHA: Ai querida, eu sinto que as coisas vão melhorar. Novos tempos virão.
CELINA: Pode ter certeza, amiga.
|ANINHA E CELINA TROCAM VÁRIOS OLHARES|
ANINHA: Precisamos somente de um emprego, agora.
CELINA: Eu tenho fé que tudo vai dar certo.
|CELINA ABRAÇA ANINHA|
ANINHA: Celina, você... você sempre está comigo. Me apoiando nos momentos mais difíceis.
|ELAS DESVIAM DO BEIJO AO ANINHA SE TOCAR DO QUE ESTÁ FAZENDO|
ANINHA: Me desculpe, Celina, eu não sei o que me deu.
CELINA: Vamos Aninha, precisamos é de um bom emprego.
|NA CASA DE LEANDRO, É MOSTRADO GABRIELLE TRICOTANDO|
LEANDRO: Velha inútil, não serve para nada. Bem que merecia o mesmo fim de sua cria.
GABRIELLE: Me deixe, não sou que não você que só serve para se deitar e espancar mulheres.
LEANDRO: Olha aqui senhora, eu já acho que você está ficando muito abusada... sabe o que eu acho? Acho que você deveria colaborar melhor comigo, viu? É mais lucrativo do que tentar ficar me dando alfinetadas.
GABRIELLE: É como diz aquele ditado, "quem procura, acha", você procurou e eu devolvi na mesma moeda.
LEANDRO: Eu não vou perder meu tempo discutindo com uma idosa caquética, com licença, ah... e converse com a sua amiga Júlia sobre a festa que ela vai dar na empresa, eu tenho ações, então tenho que participar.
GABRIELLE: Você fala como se fosse dono de todas as ações, quem vê assim nem pensa que tem 1% delas.
LEANDRO: Hoje a senhora está com a língua afiada, não é? |DIZ LEANDRO SACANDO UM CANIVETE E AMEAÇANDO GABRIELLE|
GABRIELLE: Eu não tenho medo de você.
LEANDRO: Pois eu acho que deveria ter...
|DIZ LEANDRO SE RETIRANDO|
|GABRIELLE CONTINUA A TRICOTAR E RELEMBRA DE QUANDO ERA JOVEM|
|FLASHBACK INICIO|
_|GABRIELLE É UMA MOÇA MAIS JOVEM E ESTÁ TRANCADA EM SEU QUARTO, SUA MÃE ABRE A PORTA|_
_GABRIELLE: O papai não deveria me trancar dentro deste quarto, eu juro que não estava fazendo nada demais com aquele rapaz que ele me viu conversando... eu estava apenas contando pra ele que..._
_MÃE DE GABRIELLE: Que você está grávida._
_GABRIELLE: Infelizmente, eu temo pelo meu filho, o meu pai não pode descobrir que eu estou esperando essa criança, não pode..._
_MÃE DE GABRIELLE: Eu vou tentar de ajudar sempre que eu puder, minha filha... Pode contar comigo._
_|GABRIELLE SORRI PARA SUA MÃE|_
_GABRIELLE: Muito obrigado, viu? Se você não tivesse me ajudado a esconder tão bem a minha gravidez com esses longos vestidos, o meu pai talvez até tivesse me expulsado dessa fazenda... ou até mesmo mandado matar a minha criança._
_MÃE DE GABRIELLE: Eu me senti na obrigação, querida. Aliás, eu aproveitei que o seu pai saiu e lhe trouxe essa bandeja de sanduíche... ele proíbiu que a empregada da casa lhe trouxesse._
_GABRIELLE: Muito obrigado, mãezinha._
_MÃE DE GABRIELLE: Agora eu tenho que ir, fique bem, filha. Você é tudo de mais precioso que eu tenho na minha vida.
_|ELAS SORRIEM E A MÃE DE GABRIELLE SE RETIRA|_
FLASHBACK FIM
GABRIELLE(CHORANDO): Se eu tivesse a oportunidade de cuidar dessa criança... muitas tristezas poderiam ter sido evitadas na minha vida.
|THIAGUETE CHEGA EM UM QUARTO DE MOTEL E SAMUEL CHEGA EM SEGUIDA|
SAMUEL: O que você queria comigo, Thiaguete?
THIAGUETE: Eu preciso de dinheiro para renovar o meu guarda-roupas.
SAMUEL: Ah, dinheiro? Pois eu não lhe dou... você deveria procurar um emprego melhor ao invés de viver na barra da saia da Jéssica.
THIAGUETE: Poxa, Samuel.
|DIZ THIAGUETE ABRAÇANDO E BEIJANDO SAMUEL|
SAMUEL: Thiaguete.
|SAMUEL NÃO RESISTE E PEGA THIAGUETE DE JEITO, É MOSTRADO SAMUEL E THIAGUETE SE BEIJANDO CADA VEZ MAIS INTENSAMENTE, EM OUTROS TAKES, É MOSTRADO THIAGUETE EMBEBEDANDO SAMUEL|
|JEANYRA CHEGA NA FAZENDA E ABRAÇA SUA MÃE NATIELA|
NATIELA: Minha fia, ocê não sabe o quanto que eu esperei pra ver ocê denovo.
JEANYRA(CHORANDO): Ah, minha mãe.
NATIELA(EMOCIONADA): Eu queria dar um abraço em ocê.
|NATIELA ABRAÇA JEANYRA|
JEANYRA: Mãe, o que aconteceu com a senhora?
NATIELA: Não pergunta nada, fia. Apenas abraça eu.
|ELAS CONTINUAM SE ABRAÇANDO ENQUANTO UM INSTRUMENTAL TRISTE TOCA, É MOSTRADO A LÉO CHORANDO|
NATIELA: Agora, eu já posso ir sabendo que ocê tá bem, fia.
JEANYRA(CHORANDO): Não, não fala isso. A senhora vai melhorar e vai ficar boa, eu acredito.
NATIELA: Minha fia, me desculpe por não ter procurado ocê na cidade.
JEANYRA: Não tenho o que lhe perdoar, mãe. Sei que a senhora não poderia ir atrás de mim.
NATIELA: Jeanyra e Léo, eu amo ocês, e quero que ocês fique juntas para sempre, viu?
|NATIELA JÁ ESTÁ FICANDO COM A BOCA E O ROSTO PÁLIDO|
|JEANYRA SE DEITA SOBRE A MÃE|
JEANYRA: Minha mãe...
NATIELA: E-eu te amo.
|NATIELA DESFALECE|
JEANYRA: NÃO, NÃO... NÃO NOS DEIXE, MAMÃE. ACORDA, ACORDA.
|LÉO EMOCIONADA ABRAÇA JEANYRA E AS DUAS DÃO UM INTENSO ABRAÇO|
|ÍTALO CHEGA NESSE MOMENTO E DEBULHA EM LÁGRIMAS|
ÍTALO: NÃO, NUM PODE SER!
|AS DUAS FILHAS ABRAÇAM ÍTALO E OS TRÊS CHORAM EM UM ABRAÇO COLETIVO|
|É MOSTRADO THIAGUETE PEGANDO O DINHEIRO DA CARTEIRA DE SAMUEL APÓS TER EMBEBEDADO O MOÇO QUE ESTÁ DORMINDO NA CAMA, MAS O MESMO BALBUCIA EM DELÍRIO ALGUMAS PALAVRAS|
SAMUEL(BÊBADO/FORA DE SI/INCONSCIENTE): Eu-eu não vou matar essa criança, Júlia.
|THIAGUETE ARREGALA SEUS OLHOS DEMONSTRANDO CHOQUE COM AS FALAS DE SAMUEL|
THIAGUETE: Que criança é essa, Samuel?
SAMUEL: A-a filha da caipira.
THIAGUETE: Filha da caipira? |THIAGUETE SE LEMBRA DE JEANYRA E SE CHOCA|
THIAGUETE: Você matou a filha da caipira?
SAMUEL: Eu-eu? Jamais faria isso com uma criança.
THIAGUETE: E onde ela está?
SAMUEL: Em um convento próximo da mata.
THIAGUETE: QUEM ESTÁ POR TRÁS DISSO SAMUEL?
SAMUEL: A-a Júlia, da Perfumaria...
|SAMUEL CONTINUA MUITO BÊBADO ALI|
|THIAGUETE ANOTA E EM SEGUIDA SE RETIRA LEVANDO O DINHEIRO E DEIXANDO SAMUEL DELIRANDO|
|EM ALGUNS TAKES, É MOSTRADO O ENTERRO DE NATIELA E TODOS MUITO ABALADOS, ALANYRA E O OUTRO EMPREGADO DA MANSÃO DE JEANYRA, ALÉM DE ALGUNS ACIONISTAS DA FÁBRICA DE TINTAS DE JEANYRA ESTÃO ALI|
|NO COVENTO, É MOSTRADO THIAGUETE CHEGANDO NA PORTA DO LOCAL NO DIA SEGUINTE|
THIAGUETE: Um convento, depois da mata, só pode ser aqui.
A IMAGEM CONGELA EM *THIAGUETE* EM TOM ENVELHECIDO DESENHADO E EM SEGUIDA FLUTUA PELO AR COMO SE FOSSE A PÁGINA PERDIDA DE UM LIVRO