Destinos Cruzados - Capítulo 21

 


*CENA 1 | CASA DE ANINHA | INT. | MANHÃ*


[Alan continua olhando fixamente para Aninha. Ele entra rapidamente e dá de cara com Wagner.]


Alan (com voz trêmula): Aninha... Quem é esse?


Aninha (com um olhar de desprezo): Não é da sua conta! E o que você quer aqui, Alan? 


Alan (olhando para Wagner): Quem é esse cara?


Aninha (sorrindo com malícia): Esse é Wagner, o homem que me faz feliz agora. O oposto de você, que só me trouxe desgosto.


Alan (engolindo em seco): Eu... Eu errei, Aninha, eu sei disso. Eu me arrependo de ter te magoado. Mas eu vim aqui porque preciso da sua ajuda.


Wagner (incomodado): Aninha, se quiser, eu posso...


Aninha (colocando a mão no ombro de Wagner): Não, deixe que ele fale. Quero ouvir o que ele tem a dizer.


Alan (olhando nos olhos de Aninha): Eu descobri que a Petra é pior do que eu imaginava. Ela é uma serial killer, Aninha. Tentou me matar. Atirou em mim e me deixou à beira da morte.


Aninha (arqueando a sobrancelha): Você espera que eu acredite nessa história?


Alan (com sinceridade): É verdade, Aninha. Fui baleado, caí no rio, mas uma curandeira me encontrou. Ela retirou a bala e eu me curei rapidamente. Petra é perigosa e me traiu, nós precisamos colocá-la atrás das grades.


Aninha (irônica): Te traiu, hahaha? Vejam só...  


Alan: Aninha... Você tem que me ajudar. A Petra pensa que eu tô morto. E eu sei de muita coisa sobre ela.


Wagner (decidido): Eu também tenho provas contra ela. Podemos juntar nossas evidências e levar isso para a polícia.


Alan (estranhando): Você? 


Wagner: Sim! Tenho provas de dois crimes bárbaros da Petra. 


Aninha: Vamos à polícia.


Alan: Ainda não é o momento. Creio que a Petra vai dar um jeito de chantagear o Thiago para que ele se case com ela. Precisamos nos informar. Se eu estiver certo, vamos desmascarar aquela vagabunda na frente de todos.


[Aninha e Wagner se entreolham.]

*CENA 2 | CASA DE AGATHA | INT. | MANHÃ*


[Agatha e Rafael estão desesperados, diante dos traficantes.]


Agatha (preocupada): Rafael, o que tá acontecendo? Quem são essas pessoas?


Traficante 1: Conta pra ela, Rafael Bezerra. Conta quem tu é de verdade. 


Rafael (respirando fundo): Agatha, eu preciso te contar a verdade. Eu não sou quem você pensa que sou.


Agatha (confusa): O que você quer dizer? O que tá acontecendo aqui?


Rafael: Eu fingi não ter memória, mas isso era apenas uma forma de me proteger. Na verdade, eu sou um... Eu sou um assassino de aluguel, Agatha.


Agatha (incrédula): O quê? Você tá brincando, né? Isso não pode ser verdade! NÃO PODE SER VERDADE!


Rafael (olhando nos olhos de Agatha): Eu gostaria que fosse mentira, mas é a verdade, Agatha. Há muito tempo, eu trabalhava para um homem muito poderoso, mas algo deu terrivelmente errado. Eu acabei matando a filha dele e o genro, e agora ele tá atrás de mim.


Agatha (chorando): Isso é loucura! Como eu pude ser tão burra? VOCÊ ME ENGANOU ESSE TEMPO TODO. VOCÊ É UM MONSTRO DA PIOR ESPÉCIE!


Rafael (tocando seu ombro): Eu mudei, Agatha. Eu juro que mudei. Quando te conheci, percebi que podia ser uma pessoa melhor. Eu queria esquecer meu passado sombrio, mas agora ele voltou para me assombrar.


[Agatha se levanta, furiosa.]


Agatha (gritando): E VOCÊ SÓ ME CONTA ISSO AGORA? Depois de tudo que vivemos juntos? Eu confiei em você, Rafael!


Rafael (triste): Eu sei, e eu me arrependo de não ter contado antes, mas eu tava com medo de te perder.


Agatha (com lágrimas nos olhos): Perder? Você acha que ainda existe "nós" depois disso? Nunca mais quero olhar na sua cara!


[Enquanto discutem, os traficantes observam a cena, debochando da situação.]


Traficante 1 (ironizando): Olha só que casalzinho problemático.


Traficante 2: Parece que o amiguinho do passado obscuro não é tão confiável quanto parecia.


[Rafael olha para os traficantes, ciente do perigo iminente.]


Rafael (com voz firme): Se vocês vieram atrás de mim, então me levem logo.


Agatha (chorando): Rafael, não!


Traficante 1: Cala a boca, vagabunda! Você fica aí chorando pelo futuro assassinado. 


Traficante 2 (se aproximando de Rafael): Vamos acabar logo com isso. O chefe quer ele vivo.


Rafael (encarando Agatha): Eu sinto muito por tudo isso.


[Os traficantes levam Rafael à força, enquanto Agatha fica paralisada pela intensidade da revelação.]


*CENA 3 | CASA DE PETRA | INT. | NOITE* 


[O quarto de Petra está escuro, iluminado apenas pela luz fraca de um abajur. Ela está deitada na cama, com hematomas visíveis em seu rosto e corpo após a surra que levou de Thiago. Seus olhos estão semi-cerrados, revelando sua dor física e emocional. De repente, ela começa a se contorcer, como se estivesse tendo uma alucinação.]


Petra (gemendo): Thiago... Maldito...


[Enquanto ela está em sua agonia, a figura do diabo começa a se materializar ao lado da cama. Sua presença é sinistra, e ele sorri maliciosamente ao olhar para Petra.]


Diabo (sussurrando): Petra... Minha querida Petra...


Petra (assustada): Quem... Quem é você?


Diabo: Sou aquele que vem nas sombras, aquele que pode realizar seus desejos mais sombrios... Sua alma está ferida, mas posso curá-la.


Petra (com olhar vazio): Meu coração tá cheio de ódio... Eu não aguento mais a humilhação... A dor...


Diabo (sorrindo): Ah, sim... O ódio é poderoso. Deixe-o tomar conta de você, deixe-o guiar suas ações.


Petra (intrigada): Como?


Diabo (sussurrando em seu ouvido): Vingança... É isso que você precisa. Seu coração partido clama por justiça. Vingue-se daqueles que lhe causaram dor.


Petra (com os olhos brilhando): Thiago, Marcela... Eles vão pagar por tudo que me fizeram.


Diabo (sorrindo): Isso mesmo, minha querida. A vingança será sua aliada. Use o que você tem contra eles. Destrua-os!


[Quando o diabo termina de falar, Petra acorda repentinamente, seus olhos agora brilham de uma determinação obscura.]


Petra (com voz possessa): Chegou a hora da vingança. Vocês vão pagar caro por cada lágrima que derramei!


[Ela pega o celular ao lado da cama e olha a foto de Thiago e Gabriela juntos, um sorriso malicioso se forma em seus lábios.]


Petra (sussurrando): Eles não sabem com quem mexeram... mas logo, logo descobrirão.


[A CAM foca no olhar possesso de Petra.]


*CENA 4 | CASA DE THIAGO | INT. | NOITE* 


[Thiago e Marcela estão sentados no sofá.]


Marcela (preocupada): Você não devia ter feito isso, meu amor. 


Thiago: Marcela, eu ia matar ela. Mas na hora... Na hora eu não tive coragem. Eu não sou como ela.


Marcela: Exatamente! Você não é. Amanhã eu vou na polícia... A Petra vai pagar caro por tudo o que fez.


[Thiago acaricia o rosto de Marcela.]


Thiago: Meu amor... Eu fiquei com tanto medo de te perder. Eu não consigo mais viver sem você.


Marcela (olhando nos olhos de Thiago): Você nunca vai me perder. 


[Os dois se beijam.]


*CENA 5 | RUA DESERTA | NOITE* 


[A CAM mostra uma rua escura e deserta, iluminada apenas pelos postes fracos de luz. Petra, com um óculos escuro, caminha lentamente, se apoiando em uma bengala, tentando disfarçar os ferimentos em seu rosto. Ela para em frente a uma casa modesta e bate na porta.]


[A vilã aguarda ansiosamente, e a porta se abre lentamente. Nesse momento, uma mulher de ar misterioso aparece no vão da porta.]


Petra (esboçando um sorriso): Olá, cara Deodora!


Deodora (olhando Petra de cima a baixo): Ora, ora... Se não é a Petra! O que diabos tu quer aqui, minha linda?


Petra (tentando manter a compostura): Preciso falar com você, Deodora. É urgente.


Deodora: Pois bem, pode entrá. Mas seja rápida, minha linda, que eu tenho mais o que fazê. 


[Petra entra na casa, olhando ao redor.]


Deodora (fechando a porta): Diga logo o que quer, diacho!


[A CAM foca no olhar malicioso de Petra.]

*CENA 6 | CASA DE ISABELA | INT. | NOITE* 


[Isabela está aos prantos no sofá.]


Isabela (soluçando): Nathália... onde você tá? Por favor, volta para mim, meu amor.


[De repente, um ruído faz Isabela levantar a cabeça, e ela se vira para trás. Catalina surge repentinamente, com um olhar de raiva.]


Isabela (assustada): Como você entrou aqui? CADÊ A NATHI?


Catalina (com ódio): Finalmente, sozinha em casa... 


Isabela: Eu... Eu vou ligar pra polícia. 


Catalina: Não ouse! Você já verá sua namoradinha. 


Isabela: Como assim?


[Catalina começa a sorrir.]


Isabela (pegando o celular): Acabou a brincadeira!


[Antes que ela faça algo, Catalina acerta um vaso em sua cabeça, fazendo-a cair.]


Catalina (maliciosa): A brincadeira tá só começando.


*CENA 7 | CASA DE DEODORA | INT. | NOITE*


[Deodora está impaciente, aguardando Petra dizer o que deseja.]


Deodora (irritada): Ande, Petra! Diga o que tu quer de uma vez por todas. 


[Petra, nesse momento, pega o seu celular e mostra uma foto de Gabriela para a mulher.]


Petra: Essa desgraçada aqui é Gabriela. Quero que você a sequestre para mim.


Deodora (surpresa): Sequestrar? A menina? Mas por quê?


Petra (olhando fixamente para Deodora): Eu vou chantagear o pai dessa infeliz. E também me vingar dela... Eu vou usar desse sequestro pra fazer aquele maldito casar comigo de uma vez por todas. Você vai pegar a menina na saída da escola, amanhã, e a trazer para cá.


Deodora: Mas por que você mesma não faz isso? 


Petra: Eu não posso arriscar. O Thiago agora sabe de todos os meus podres. Mais cedo ou mais tarde eu posso ser presa. Por isso preciso que você faça o que pedi o mais rápido possível.


Deodora: E por que tu confia em mim pra isso?


Petra: Ah, Deodora... Você foi capaz de matar o seu próprio filho... Fugiu da prisão, se tornou uma assassina... Isso pra você não é nada.


Deodora (explosiva): OLHE AQUI! VOCÊ SABE MUITO BEM QUE ERA PRA DISGRAÇADA DA CANDOCA TER MORRIDO NO LUGAR DO MEU TERTULINHO. 


Petra: Tá, tá! Isso não vem ao caso. Só faça o que estou lhe pedindo. Você será muito bem recompensada. 


Deodora: Pois bem, amanhã eu pego a coisinha e trago pra cá. 


Petra (sorrindo): Ótimo!


[A CAM se afasta.]


*CENA 8 | BOATE | INT. | NOITE* 


[A música animada ecoa pela boate, e Leonardo, vestido como a drag queen "Maravilhosa", dança com confiança no centro da pista. Seu talento e presença de palco chamam a atenção de todos ao redor. Enquanto ele se diverte na pista, um homem elegante e bem-vestido se aproxima da multidão, observando atentamente a sua performance.]


Paulo (impressionado): Ela é incrível!


[Ao término da música, Leonardo/Maravilhosa recebe uma enxurrada de aplausos entusiasmados. Ele exala confiança e felicidade enquanto se dirige para o bar para pegar um drinque. O homem bem-vestido se aproxima, e quando Leonardo se vira para ele, o homem o cumprimenta com um sorriso caloroso.]


Homem (estende a mão): Olá! Meu nome é Paulo, sou um produtor de eventos de drags no Rio de Janeiro.


Leonardo (surpreso e animado): Prazer, Paulo... Sou a Maravilhosa, mas fora dos palcos, pode me chamar de Leonardo.


Paulo: Você tem um talento extraordinário, Leonardo. Suas habilidades de dança e sua presença no palco são de tirar o fôlego.


Leonardo: Muito obrigado! É um elogio e tanto vindo de alguém como você.


Paulo (animado): Na verdade, estou aqui esta noite porque estou organizando um concurso de drags no Rio de Janeiro. E eu adoraria que você participasse!


Leonardo (surpreso): Sério? Um concurso no Rio de Janeiro?


Paulo: Sim! Tenho certeza de que sua participação traria um brilho especial ao evento. Você tem talento, carisma e estilo, exatamente o que buscamos em uma grande drag queen. E o prêmio será altíssimo!


Leonardo: Isso é incrível, mas... O Rio de Janeiro é tão longe... E eu não tenho grana. 


Paulo: Não se preocupe com isso. Se você aceitar o convite, nós cuidaremos de todas as despesas da viagem. Queremos que você se concentre apenas em brilhar no palco.


Leonardo: Eu... Eu aceito! Vai ser uma honra participar do concurso!


Paulo: Maravilhoso! Ou melhor, Maravilhosa! Você não vai se arrepender, tenho certeza. Vamos fazer você brilhar como nunca antes.


[Leonardo e Paulo trocam um aperto de mãos, selando o acordo.]


*CENA 9 | GALPÃO ABANDONADO | INT. | NOITE* 


[A CAM foca no galpão abandonado. Isabela e Nathália estão amarradas em cadeiras, seus rostos denotando medo e incerteza. As duas estão sujas e desorientadas, os olhos cheios de angústia. Isabela parece aliviada ao ver Nathália ao seu lado.]


Isabela: (olhando para Nathália): Nathália... Meu Deus, você tá aqui! Eu tava tão preocupada...


[Nathália olha para Isabela com ternura, tentando ao máximo transmitir coragem e esperança para sua amada.]


Nathália (sussurra): Eu também, Isa. Mas vamos sair dessa juntas, eu prometo.


[De repente, a porta se abre bruscamente e entra Catalina, que mantém um olhar de fúria e tristeza. Ela se aproxima lentamente das duas, com um sorriso maligno no rosto.]


Catalina (olhando para Nathália): Ah, Nathália... Eu te amava tanto. 


Isabela (agressiva): Seu amor não era saudável, SUA DESGRAÇADA! Ela não te pertence mais!


[Furiosa com as palavras de Isabela, Catalina lhe dá um tapa no rosto, deixando uma marca vermelha em sua bochecha. Isabela olha para ela com raiva contida.]


Catalina (gritando): VOCÊS DUAS VÃO PAGAR POR ISSO! Aqui é onde vocês vão morrer, juntinhas!


[Isabela e Nathália se entreolham, desesperadas.]


Catalina: Meu amor por você se transformou em ódio no momento que você saiu daquela casa, Nathália. Você me traiu com essa biscate... Agora nem que você voltasse de joelhos para mim eu te aceitaria de volta. 


Nathália: Você não vai vencer...


Catalina (fria): Eu já venci! Vocês duas vão ficar amarradas aí, com fome, sede, frio... Até seus últimos suspiros! E eu vou presenciar as almas gêmeas morrendo aos pouquinhos. 


Isabela: MONSTRO!


[Catalina se aproxima dela e lhe dá mais um forte tapa.]


Catalina (irônica): Eu sei que você acionou a polícia, Isabelinha... Como também sei que câmeras de segurança provavelmente flagraram eu sequestrando a Nathália. Mas eu sou cautelosa... Me livrei do meu carro e dei outra forma de trazer vocês até aqui... Onde ninguém nunca irá encontrá-las. Agora, se vocês me dão licença, eu preciso sair. Aproveitem o momentinho do casal.


[Catalina sai do lugar, deixando Isabela e Nathália.]


Isabela (sussurrando): Vamos encontrar uma saída, Nathália, temos que acreditar que alguém vai nos encontrar. 


Nathália: Meu amor... 


[A CAM se afasta.]


*CENA 10 | CASA DE THIAGO | INT. | MANHÃ* 


[Lorenzo está sentado na sala, visivelmente desorientado. Samuel, preocupado, se aproxima.]


Samuel: Pai, tá tudo bem. Sou eu, seu filho Samuel.


Lorenzo (olhando para Samuel com os olhos cheios de medo e desconfiança): Quem é você? O que faz aqui na minha casa?


Samuel (mantendo a calma): Pai, sou eu, seu filho. Moro aqui, lembra? E essa casa é do Thiago. 


Lorenzo (com raiva): Não acredito em você! Você é um desconhecido! SAIA DAQUI!


[Samuel tenta se aproximar para acalmar Lorenzo, mas ele se levanta rapidamente e o empurra com força, fazendo Samuel cair.]


Samuel (com tristeza): Pai, por favor, não sou um desconhecido. Eu sou seu filho. Você precisa se acalmar.


[Nesse momento, Marcela e Thiago vêm se aproximando.]


Marcela: Você me leva até a delegacia, amor?


Thiago: Claro!


[Lorenzo continua agitado. Samuel tenta se levantar e ele o empurra novamente. Marcela e Thiago presenciam a cena.]


Marcela (preocupada): O que tá acontecendo aqui? Pai, por que tá tão agitado?


Lorenzo (olhando para Marcela): Ah, finalmente alguém que conheço. |Aponta para Samuel.| Essa pessoa estranha estava me atacando!


Samuel: Pai, eu sou seu filho também...


Marcela (se aproximando de Lorenzo com gentileza): Pai, é o Samuel sim, seu filho. Você tá confuso agora, mas nós estamos aqui pra te ajudar. 


Lorenzo (ainda agitado): Não sei... Eu... Eu sinto que conheço você, mas... Não consigo lembrar claramente.


Samuel: Tá tudo bem, pai. Essas coisas acontecem, mas eu tô aqui com você, não importa o que aconteça.


[Lorenzo olha para Samuel e percebe a sinceridade em seus olhos. Aos poucos, sua agitação começa a diminuir.]


Marcela (segurando a mão de Lorenzo): Pai, a doença tá confundindo suas lembranças, mas nós estamos aqui pra te apoiar. Você não tá sozinho.


Lorenzo (suspirando): É assustador não saber quem é quem... Quem sou eu.


Samuel (com carinho): Nós vamos passar por isso juntos, pai. Sempre estaremos aqui ao seu lado.


[Lorenzo olha alternadamente para Samuel e Marcela, tentando processar as informações.]


Marcela (com suavidade): Vamos tomar um chá na cozinha, pai. Pode nos contar como se sente, e estaremos aqui para ouvir. |Olha para Thiago.| Meu amor... A delegacia fica pra mais tarde.


Thiago: Mas... Tudo bem. 


[Lorenzo, ainda um pouco inseguro, permite que Samuel e Marcela o conduzam para a cozinha. Lá, eles se sentam juntos e, aos poucos, ele começa a se acalmar.]


*CENA 11 | CASA DE THIAGO | INT. | MANHÃ* 


[Marcela está saindo de casa, apressadamente.]


Marcela (decidida): Finalmente vou entregar os podres dessa desgraçada...


[Ao abrir da porta, ela se surpreende ao dar de cara com Itália.]


Marcela (surpresa): Itália?


Itália (séria): Marcela, precisamos conversar.


Marcela (desconfiada): Sobre o quê? Você veio defender a Petra?


Itália (negando com a cabeça): Não, não é isso. Por favor, posso falar com você por alguns minutos?


[A CAM foca no olhar ansioso de Marcela.]


*CENA 12 | CASA DE AGATHA | INT. | MANHÃ* 


[Agatha está deitada no sofá, aos prantos.]


Agatha (soluçando): Como eu pude ser tão burra, meu Deus?


[Ela tem um flashback do primeiro beijo dela com Rafael. Ao voltar para o presente, a CAM mostra Rafael, preso em um quarto, com lágrimas nos olhos.]


Rafael: E agora, Deus? Me ajude...


[Nesse momento, um traficante abre a porta.]


Traficante: Se liga, Rafael, o chefe vem amanhã te ver. Se prepara pá morrer.


[Ele se retira. Rafael começa a chorar.]


*CENA 13 | ESCOLA | EXT. | MANHÃ*


[Gabriela sai da escola e olha ao redor, procurando por Thiago. No entanto, seu pai ainda não chegou, pois a menina saiu um pouco mais cedo que o normal. Gabriela decide esperar um pouco, caminhando pelo local.]


Gabriela (preocupada): Estranho o papai não estar aqui ainda. Ele nunca se atrasa...


[Enquanto Gabriela caminha, uma mulher se aproxima dela. É Deodora.]


Deodora (com falsa simpatia): Oi, minha linda, você tá perdida? Posso te ajudar?


Gabriela (desconfiada): Ah, não, obrigada... Eu tô esperando meu pai, ele deve chegar logo.


Deodora (forçando um sorriso): Que bom. Mas acho que vi seu papai indo imbora há alguns minutos. Ele parecia com pressa.


[Gabriela fica um pouco inquieta com essa informação, mas tenta se acalmar.]


Gabriela (preocupada): Ah, deve ser isso então. Bem, eu posso esperar mais um pouco.


Deodora (se aproximando): Você é muito isperta, não é? Que tal uma carona pra te levar pra casa? Eu tô indo naquela direção.


Gabriela (hesitante): Eu... Não precisa. Minha casa é bem perto daqui, e eu estou acostumada a ir a pé.


Deodora (com uma expressão inquietante): Tem certeza? É uma oferta amigável.


[Gabriela sente um arrepio percorrer sua espinha, desconfiando ainda mais das intenções da mulher.]


Gabriela (firme): Tenho sim, obrigada, mas vou continuar a pé.


[Deodora se aproxima repentinamente, segura Gabriela pelo braço e a puxa em direção ao carro estacionado próximo à calçada.]


Deodora (ameaçadora): Deixe de bobage, garota. Vai ser melhor pra você entrar no carro.


[Gabriela entra em pânico e começa a se debater, tentando se soltar.]


Gabriela (gritando): ME SOLTA! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA, POR FAVOR!


[As pessoas ao redor começam a notar a situação, mas antes que alguém possa agir, Deodora consegue empurrar Gabriela para dentro do carro e fecha a porta. O carro parte rapidamente, deixando a pracinha em segundos.]


[Dentro do carro, Gabriela está assustada e chorando. Deodora mantém um semblante frio enquanto dirige.]


Gabriela (com voz trêmula): Por favor, me deixe ir embora. Eu não fiz nada para você.


Deodora (sorrindo): Embora? Você vai embora sim, mas é comigo.


[Gabriela se desespera ainda mais.]


(A imagem congela em *GABRIELA*.)

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*FIM DO CAPÍTULO*.