Destinos Cruzados - Capítulo 04

 


*CENA 1 | CASA DE PETRA | INT. | NOITE*


[É mostrado Júlio pressionando Petra.]


Júlio (com tom de voz ameaçador): E então, Petra? Vai aceitar a minha proposta?


[Júlio se aproxima da mulher, maliciosamente.]


Júlio (sussurrando): Ou você quer que o Thiago descubra o que você fez com a sua amada esposa?


[Petra continua imóvel, assustada.]


Petra (sob pressão): Está bem, eu vou dar um jeito de arrumar esse dinheiro. 


Júlio (sorrindo): Que bom que aceitou sem retrucar, é assim que eu gosto.


Petra: Eu só não tenho o dinheiro aqui e agora, mas até amanhã eu consigo. 


Júlio: Ótimo! Então me encontre amanhã neste local. 


[Júlio tira do bolso um papel que contém um endereço e o entrega à Petra.]


Júlio (sarcástico): Agora que nos acertamos, eu preciso ir. Abra a porta pra mim, querida ex-namorada. 


[Petra vai até a porta e a abre. Nesse momento, Júlio a agarra, pelas costas.]


Petra (aterrorizada): ME LARGA, SEU DESGRAÇADO!


Júlio (sussurrando, enquanto beija o pescoço de Petra): Calma, vadia. Eu só quero provar desse seu corpinho mais uma vez.


[Petra se solta dos braços de Júlio e o repele.]


Petra (alterada): Nunca mais encoste essas suas mãos imundas em mim, ENTENDEU? NUNCA MAIS! E agora que você conseguiu o que queria, vai embora da minha casa e não volte outra vez.


Júlio (malicioso): Está bem. Mas não se esqueça do nosso trato, hein? 


Petra (gritando): SAI LOGO DAQUI!


[Júlio sai. Petra fecha a porta rapidamente, desesperada.]


Petra (nervosa): E agora... O que eu faço?

[O dia amanhece.]


*CENA 2 | CASA DE THIAGO | INT. | MANHÃ*


[Marcela está arrumando a sala. Cidália chega.]


Cidália: Marcela, vá até o banheiro do quarto do Thiago e coloque lá esses sabonetes.


[Marcela pega os sabonetes.]


Marcela: Claro!


[Marcela sobe até o quarto de Thiago e entra. Ela não o encontra.]


Marcela (fascinada): Que quarto é esse, meu Deus? E essa cama? Daria horrores encima dela. 


[A empregada se dirige ao banheiro.]


Marcela (abrindo a porta): Vou deixar aqui e voltar pro meu...


[Ao abrir a porta, a empregada se desespera ao flagrar Thiago despido, tomando banho.]


Marcela (desesperada): Minha Nossa Senhora!


[Thiago corre e pega uma toalha. O homem se enrola na mesma, rapidamente.]


Thiago (assustado): O que é isso, Marcela?


Marcela (boquiaberta): Eu que pergunto. Se mole é desse tamanho, não quero nem imaginar como é quando o senhor se anima.


[Thiago faz expressão de constrangimento.]


Thiago: Você não viu que eu tava usando o banheiro?


Marcela (ainda paralisada): Não... Não. Ai, Thiago, que calor é esse? 


Thiago: Marcela, você está me constrangendo.


[Marcela cai na real.]


Marcela (nervosa): Ai, seu Thiago, me perdoa, por favor. Eu juro que isso não vai se repetir. Pelo amor de Deus, não me demita. 


Thiago: Calma, tá tudo bem. Eu não vou te demitir, pode voltar pro seu trabalho.


[Marcela agradece e sai, ainda zonza pelo que viu.]


[Thiago sorri, enquanto a doméstica sai do quarto. Ele tira a toalha e começa a fazer movimentos com a mão, enquanto uma expressão de prazer toma conta de seu rosto. A CAM se afasta.]


*CENA 3 | CASA DE ALAN | INT. | MANHÃ*


[Alguém toca a campainha. Aninha vai atender, resmungando.]


Aninha (irritada): Maldita hora que eu fui demitir aquela múmia velha. Era lenta como uma lesma de cadeira de rodas, mas ao menos servia pra abrir uma outra.


[Aninha abre a porta. Thiago entra.]


Aninha: Thiago? Que surpresa boa. 


Thiago: Oi, Aninha! Meu irmão tá em casa?


Aninha: Tá sim, entre. 


[Thiago entra e Aninha chama o marido.]


Alan (entrando): Thiago? O que o traz aqui tão cedo? 


Thiago: A gente pode conversar? 


Alan: Claro, sente aí.


[Thiago se senta no sofá. Aninha sai.]


Thiago (direto): Alan... Eu acho que...


Alan: Acha que...?


Thiago: Acho que eu tô apaixonado pela nova doméstica lá de casa.


Alan (assustado/aumentando o tom): COMO É QUE É? Você pirou?


Thiago: É isso mesmo que você ouviu, meu irmão. 


Alan: Você só pode tá de brincadeira com a minha cara, porque não é possível. Não é possível que você tenha se apaixonado por essa moça em um dia, Thiago, um dia. 


Thiago: Eu sei que é inacreditável, mas é verdade. Não consegui controlar. 


Alan: Thiago, você tá louco, cara. Você esqueceu da Petra, a sua noiva que te ama?


Thiago: Claro que não. 


Alan: Pois trate de esquecer que essa empregada existe. A Petra não merece ser trocada por qualquer uma. Ela é uma mulher incrível. Ela espera por esse momento há quatro anos, Thiago. 


[Thiago olha para Alan.]


Thiago: Eu vou tentar. 


[Thiago e Alan terminam a conversa e o viúvo vai embora.]


Alan (preocupado): Espera só até a Petra ficar sabendo disso...


*LONGE DALI:*


[Um carro cruza a estrada. O veículo se aproxima de uma pequena casa, afastada da cidade. Petra está ao volante.]


*CORTA PARA:*


*CENA 4 | CASA AFASTADA | EXT. | TARDE* 


[O carro de Petra estaciona com destreza ao lado da casa.]


Petra: Isso aqui é o fim do mundo... Mas é melhor assim. Não terei problemas. 


[Petra sai do carro, levando uma maleta. Sua expressão é de preocupação. Ela caminha até a porta da casa e a empurra devagar.]


[Petra adentra a sala, observando o ambiente desolado e empoeirado. Os móveis estão cobertos por lençóis velhos, e teias de aranha pendem do teto. Ela se vira ao ouvir passos.]


Júlio (se aproximando): Finalmente! Já estava achando que não vinha mais.


Petra (determinada): Pois agora estou aqui, |mostra a maleta.| e com o dinheiro. Mas que lugar é esse, hein?


Júlio: Não lhe devo satisfações, vadiazinha. Agora passa essa maleta pra cá. 


[Júlio tenta pegar a maleta, mas Petra não deixa.]


Júlio (irritado): Que palhaçada é essa?


Petra (sorridente): Deixa que eu abro. 


[Petra se vira e abre a maleta. Júlio, sem ver o que tem dentro, se aproxima.]


Júlio: Passa pra cá. 


[A CAM foca no rosto de Petra.]


Petra (com um sorriso malicioso): Claro!


[Nesse momento, Petra saca um revólver que estava dentro da maleta e efetua cinco disparos contra Alan. O homem cai, desfalecido, sem chances de se defender.]


[Uma imensa poça de sangue se forma. Petra começa a sorrir descontroladamente e se aproxima do cadáver.]


Petra (com olhar psicótico/sorrindo): Nos encontramos no inferno, filho da puta.


[Nesse momento, a mulher efetua um novo disparo contra o corpo de Júlio.]


[Petra, em seguida, vai até o carro e pega alguns galões de gasolina, derramando os mesmos por toda a casa.]


[Após o ato, a mulher vai até a porta, tira um isqueiro do bolso, o acende e o joga em direção à casa. As chamas tomam conta do local.]


[Após isso, Petra esboça um sorriso satisfeito no rosto e se dirige até o carro. A CAM mostra o veículo partindo, enquanto o fogo consome o local.]

*CENA 5 | CASA DE LEONARDO | EXT. | NOITE*


[A CAM foca na casa de Leonardo. De repente, ele abre a porta e sai, olhando para os lados, como quem foge.]


[Nesse momento, Tonya, que observava tudo, começa a seguir Leonardo.]


[Ela o segue incansavelmente, até ver o mesmo entrar em um estabelecimento. A CAM foca no rosto assustado de Tonya.]


Tonya (boquiaberta): Eu não acredito!


[O tempo passa e a madrugada chega. Leonardo está voltando pra casa.]


[Ao vê-lo, Tonya se aproxima.]


Tonya (irônica): Trabalho rendeu, hein?


[Leonardo se assusta.]


Leonardo (assustado): Tonya!?


Tonya (sorrindo): Sua namoradinha querida sabe que é aquilo que você faz toda noite?


Leonardo (desesperado): Tonya, pelo amor de Deus, não conta nada pra Marcela, por favor.


Tonya (maliciosa): Só depende de você. Você vai ter que fazer tudo o que eu mandar.


[Tonya se aproxima de Leonardo e lhe beija na bochecha. A biscate vai embora, em seguida, deixando Leonardo preocupado.]


*CENA 6 | CASA DE MARCELA | INT. | MANHÃ*


[A casa de Marcela está silenciosa. De repente, a campainha começa a tocar, repetidamente.]


[Samuel levanta, enfurecido, e se dirige até a porta, cambaleando, provavelmente sob efeito de drogas.]


Samuel (abrindo a porta/irritado): Agatha!? O que tu quer aqui a essa hora?


[Agatha entra.]


Agatha (sorrindo gentilmente): Oi, Samu! Eu vim falar com a Marcela, ela tá em casa?


Samuel: Tá no trabalho, depois vocês se falam. Tchau!


Agatha (envergonhada): Nossa, verdade. Como pude esquecer?


Samuel: Será que você pode sair agora? Eu quero dormir. 


[Agatha se aproxima de Samuel.]


Agatha (sedutora): Você não quer companhia? Eu posso te fazer umas carícias. 


[Nesse momento, Samuel surta e começa a gritar com Agatha, violentamente.]


Samuel (gritando): Tu é surda, garota? Eu já mandei tu ir embora, CARALHO! 


[Agatha se assusta. Seus olhos começam a lacrimejar.]


Samuel (ainda gritando): Tu acha mermo que tem chance comigo? Se enxerga, vadia. Eu não ia te ver como mulher nem que tu fosse a última do mundo. Agora sai daqui, filha da puta.


[Agatha sai correndo, enquanto tenta segurar o choro. Samuel bate a porta e vai pro quarto.]


*CENA 7 | PADARIA | INT. | MANHÃ*


[A CAM foca em Nathália, que está saindo da padaria. Na saída, ela esbarra em Isabela.]


Isabela (assustada): Nathália?


Nathália (envergonhada): Oi, Isabela! Me desculpe, foi sem querer. 


Isabela: Tá tudo bem, calma. 


Nathália (apressada): É melhor eu ir. 


Isabela: Espera...


[Nathália para.]


Isabela: Nathi, eu... Preciso te perguntar uma coisa...


Nathália (confusa): O quê?


Isabela: Você não sente mais nada por mim?


[Nathália paralisa.]


Nathália (sincera): Isa, eu sempre disse que te amaria pra sempre, e agora percebo que isso foi uma premonição. Mas agora eu tô casada com uma mulher íncrivel, que me ama. É melhor a gente esquecer tudo o que aconteceu no passado. Até mais! 


[Nathália sai.]


Isabela (pensativa): Isso significa que... ela ainda me ama?


[Um sorriso brota no rosto de Isabela.]


*CENA 8 | LANCHONETE | INT. | MANHÃ* 


[Alan está sentando em uma mesa, com expressão de ansioso, esperando por alguém.]


[De repente, Petra chega.]


Alan: Finalmente, hein?


Petra: O que você quer, Alan? 


Alan (sério): Eu preciso te falar uma coisa. 


Petra (irônica): E que coisa importante é essa que você não pôde falar por ligação? E por que diabos não pôde ser na sua casa? 


Alan: A Aninha anda desconfiando da gente, achei melhor evitar.


[Petra revira os olhos, irritada.]


Petra: Anda, desembucha! Eu tive um dia perfeito ontem, e tava tendo um momento de rainha no salão da Adalgisa quando você ligou. Agora que me atrapalhou, vá direito ao ponto. 


Alan (sincero): Está bem. Eu te chamei até aqui porque ontem o Thiago foi até a minha casa falar que tá apaixonado pela nova doméstica.


[Ao ouvir isso, Petra cai para trás.]


Petra (irada): Como é que é? 


Alan: É isso mesmo que você acabou de ouvir, Petra. O Thiago falou com todas as letras que tá apaixonado pela empregada.


Petra (gritando): DESGRAÇADA! MALDITA!


[Todos ao redor a encaram.]


Alan: Calma, Petra! Você não pode surtar. 


Petra (louca): Como não? Você vem até aqui falar que o meu noivo tá apaixonado pela crioulinha fedida e quer que eu fique calma?


Alan: Petra, tá todo mundo olhando, calma!


Petra (determinada): Se aquela pretinha de merda pensa que vai tomar o meu noivo de mim, tá muito enganada. Eu demorei quatro anos pra me tornar noiva do Thiago, e agora que o meu plano tá próximo de se concretizar, eu não vou deixar ninguém me atrapalhar. 


Alan (falando baixo): E o que você pretende fazer?


Petra: Se for preciso eu mato, esquartejo e jogo os restos para os porcos. Aquela encarvoada ridícula não vai estragar os meus planos.


[Alan e Petra continuam conversando. A CAM se afasta e foca na casa de Thiago.]


*CENA 9 | CASA DE THIAGO | INT. | TARDE*


[Marcela está passando o espanador nos móveis da sala. Thiago se aproxima.]


Thiago (sorrindo): Você vem fazendo um ótimo trabalho aqui, Marcela.


Marcela: O senhor acha?


Thiago: Sim.


[Marcela está ainda desnorteada com o que viu no dia anterior. Ela encara a calça de Thiago, que está com o zíper aberto.]


Marcela: É... Thiago, sua calça tá com o zíper aberto. Cuidado pra sucuri não escapar.


Thiago (envergonhado): Oh, desculpe. Nem tinha percebido.


[Marcela sorri. Os dois começam a se encarar. Nesse momento, Thiago se aproxima da mulher.]


Thiago (sincero): Marcela, eu... eu acho que tô gostando de você. 


Marcela (engasgando):

Thiago, eu... Eu não sei o que dizer.


[Thiago segue em frente, ignorando a reação de Marcela, e se aproxima ainda mais dela.]


Thiago (sorrindo): Não precisa dizer nada, Marcela. Eu só quero fazer algo que tenho vontade há algum tempinho.


[Marcela tenta se afastar, mas Thiago coloca a mão em sua cintura e puxa-a para perto. Ele a olha nos olhos e, com um ar de confiança, lhe dá um beijo apaixonado. Marcela hesita, por um momento, mas se rende, logo em seguida.]


(A imagem congela em *THIAGO* e *MARCELA*.)

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*FIM DO CAPÍTULO*.